31/01/2006

Superman 38

"Pelo Amanhã", parte 6.
Roteiro: Brian Azzarello - Arte: Jim Lee
Eu não sou muito de ver filmes "cabeças", mas, tendo a chance, não me furto dela. Aprecio formas incomuns de arte, desde que haja um mínimo de vontade de tocar o coração do público, ao invés da mera masturbação autoral. Infelizmente, "Pelo Amanhã" é um filme "cabeça" dos ruins: arrastado, sem propósito definido, cheio de lenga-lenga pseudofilosófica. Este simplesmente não pode ser o mesmo Azzarello que escreveu a vibrante "Cidade Castigada", do Batman. Jim Lee pode não ser o melhor dos melhores, mas faz o que pode nas poucas cenas de ação. Seu Superman, quando irado, fica sensacional. No entanto, a história pede um monte de personagens cabisbaixos e suas caras de cachorro pidão vão cansando. Não sei onde isso vai dar e, sinceramente, a esta altura, não me importo mais. Nota 3,0.

"Tempo Decorrido"
Roteiro: Greg Rucka - Arte: Paul Pelletier
Enquanto o Superman tenta salvar a vida de Lois Lane, baleada enquanto cobria um conflito no Oriente Médio, Ruína escapa da UCE deixando um rastro de morte e Xlim como suspeito número um. O trabalho de Rucka aqui não é genial como na revista da Mulher-Maravilha, mas é o melhor deste mix. Com a mulher à beira da morte, dá pra ver um Superman incomumente desesperado. Paul Pelletier (Lanterna Verde) dá pro gasto nos desenhos. Nota 6,0.

"O Toque Que Cura", parte 1
Roteiro: Greg Rucka - Arte: Matthew Clark
A dupla criativa titular se reúne para apresentar os novos Parasitas (sim, no plural mesmo), resultado das ações de Ruína para desestabilizar o Superman emocionalmente. O desafio do herói agora é manter a convalescente e relutante Lois Lane em repouso, mas uma visita da dupla de sanguessugas pode acabar muito mal. Azzarello deveria ler um pouco do que Rucka escreve, pra aprender que calmaria não é a mesma coisa que pasmaceira. Nota 7,5.

"O Pranto Da Banshee"
Roteiro: Chuck Austen - Arte: Carlos D'Anda
E olha o Austen escrevendo uma boa história, gente! Ajudado pela arte impactante de D'Anda (bem apropriada ao clima de terror da trama), o odiado escritor traz de volta a Banshee Prateada, uma perigosa entidade que possui as pessoas e se alimenta do medo e outras emoções negativas. Participação do Rastejante, que passa um aperto nas mãos da coisa-ruim. O melhor, entretanto, fica para o final: Apocalypse esmaga um lindo garotinho! Ponto pro Austen! Nota 8,5.


Superman 38 (Janeiro 2006) - Panini Comics - 100 páginas - R$ 6,90.

27/01/2006

Ora, direis, formatar HDs!

Há quem sinta saudade do passado. Eu, não. O passado é um lugar tenebroso, con alguns bons momentos ajudando a encobrir as burradas a que a juventude nos obriga, além de me fazer lembrar de coisas que não dão a menor saudade, como revistas cujas notícias "quentes" tinham de dois a três meses, reserva de mercado para filmes e computadores. Computadores, aliás, eram um luxo praticamente inatingível.


Esta era tecnológica que vivemos é uma maravilha, pois alimenta a nossa santa preguiça. Tudo se faz com facilidade, com um aperto de botão, com um clique do mouse. Um desbunde, diria Caetano. Porém, ser usuário de tecnologia também é, de certo modo, ser refém dela.

Na semana que passou, meu Windows deu pau e eu fui obrigado a formatar meu HD. Nada de mais, só perdi uns 2000 mp3, as capas de quase tudo que a Panini Comics lançou até hoje, fotos de família, textos e formulários escolares, programas essenciais... coisa pouca, como se vê.

Pior, a formatação não resolveu 100% do problema e eu ainda fui obrigado a pagar pelo conserto de uma pane de hardware. Felizmente, eu tinha uns mil e poucos mp3 em cd, o que ajudou a aliviar meu sofrimento. Aos poucos, vou colocando tudo em ordem.

Mesmo tendo problemas com a parte que se xinga (o software) e a parte que se chuta (o hardware), continuo na firme crença de que a vida sem computador, internet e outras facilidades é muito, mas muito cinzenta mesmo. O passado pode ser um refúgio relativamente interessante, às vezes, mas, eu sou um trintão avançadinho e, pra mim, lugar de passado é no museu. Pelo menos, até a próxima formatação.

25/01/2006

Lanterna Verde: Renascimento 2

"Amarelo" e "Força de Vontade"
Roteiro: Geoff Johns - Arte: Ethan Van Sciver
Acredite, você dificilmente verá um passado de erros ser corrigido de forma tão coerente e espetacular quanto fez Geoff Johns nesta minissérie - a não ser, claro, que seja outro trabalho dele. Nesta edição, o homem faz de tudo: explica quem é Parallax, por que Hal Jordan ficou grisalho antes de enlouquecer, qual a causa da vulnerabilidade do anel ao amarelo, por que o anel de Kyle não possui essa fraqueza e desfaz o rolo com o Espectro, além de propiciar um momento heroicamente patético, quando o Arqueiro Verde tenta usar o anel contra Sinestro.

Seguramente um dos melhores lançamentos do ano, a importância de trazer de volta o maior de todos os Lanternas Verdes pedia mesmo um escritor do gabarito de Johns, além de um desenhista eficiente como Van Sciver. No mês que vem, a apoteótica conclusão e a volta definitiva de Jordan. Yes!!! Nota 10.


Lanterna Verde: Renascimento 2 - Panini Comics - 52 páginas - R$ 5,90.

24/01/2006

Resenha a jato: Marvel Max 28

Marvel Max 28: resenha a jato

A edição 29 já está nas bancas, mas esta certamente merece comentários. Então, pra não soar anacrônico demais, vamos rapidinho.

Poder Supremo: "Evidência R: A Declaração de Mark Milton"
Roteiro: J. Michael Straczynski - Arte: Gary Frank
A "segunda temporada" de Poder Supremo foi toda morna em emoções (com exceção da chacina de Michael Redstone), mas este epílogo é uma das melhores histórias dos últimos anos. Não sei o que acontecerá com a série com a série depois de passar para o selo Knights, mas é impossível terminar de ler isso com o queixo no lugar. Nota 10.

Dr. Estranho, parte 4.
Roteiro: J. Michael Straczyniski - Arte: Brandon Peterson

Começou bem e ficou chatinha. Quando se concentra no grande FDP que Strange é, empolga. Quando parte pros lances de magia, fica besta. Não sei a quem culpar. Nota 6,0.

Shanna: "Temporada de Caça", partes 4 e 5.
Roteiro e Arte: Frank Cho
Dominada a empolgação com as formas de Shanna, a verdade aparece: ô historinha ruim! É preciso ter muito tesão por dinossauros pra gostar disso, já que eles aparecem até mais do que a protagonista. Cho é um arqueólogo frustrado. Nota 4,0 (em respeito ao peito (ha!) da Shanna).

PS: Panini, fazer uma edição de 100 páginas com preço de revista de 100 páginas não é presente algum. Podem falar o diabo da Abril, mas, quando ela fazia edições mais gordas, cobrava o preço de sempre.

Marvel Max 28 (Dezembro 2005) - Panini Comics - 100 páginas - R$ 6,90.

17/01/2006

Marvel Millennium 48

Homem-Aranha: "Estranho"
Roteiro: Brian Michael Bendis - Arte: Mark Bagley
Durante um jantar romântico com Mary Jane, Peter relembra seus dias como Homem-Aranha desde a morte de Gwen e se questiona se faz bem em levar o heroísmo adiante. Depois de ajudar os Supremos a prender Deathlok, ele acaba indo ao encontro de Stephen Strange Jr. (???), o atual Dr. Estranho... e é aí que o caldo entorna. Muita falação que, nas mãos de outros escritor, poderia enfadar na segunda página, mas, estamos falando de Bendis, mestre dos diálogos magnéticos - embora esta história não seja nenhum primor, ainda mais que a arte de Mark Bagley tornou-se por demais repetitiva. Nota 6,0.

X-Men: "Lobo Em Pele De Cordeiro", conclusão.
Roteiro: Brian K. Vaughn - Arte: Andy Kubert
Fim do confronto com os gêmeos Von Strucker. Wolverine e Gambit acertam as contas, enquanto o restante dos X-Men tentam resgatar Vampira, mas ela surpreende a todos, optando pelo tal "amor que fica", aquele... Conclusão fraquinha, fraquinha, lembrando a mediocridade dos X-Men originais durante boa parte dos anos 90 - seria culpa da presença dos Fenris ou da arte de Andy Kubert? Nota 5,0.

Quarteto Fantástico: "Zona-N", parte 1.
Roteiro: Warren Ellis - Arte: Adam Kubert
Ajudado por um Kubert que sabe desenhar, Ellis começa a elaborar (e expor nas palavras de Reed Richards) fascinantes teorias sobre a Zona Negativa, o próximo desafio do Quarteto. Enquanto o jovem cientista realiza experimentos quase suicidas, ficamos sabendo como os poderes podem drenar a saúde dos quatro fantásticos, mas alguns estão dispostos a assumir o risco pela novidade. História "família", como cabe ao Quarteto. Nota 8,0.

Os Supremos Vol. 2: "Os Últimos Passos De Um Homem"
Roteiro: Mark Millar - Arte: Bryan Hitch
A SHIELD suspeita que Thor seja o responsável pelo vazamento da identidade do Hulk ao público e o Capitão América vai tirar satisfação. Esta é uma seqüência sensacional, com uma imperdível troca de farpas entre Thor e o Capitão, concluída de forma inusitada. Enquanto isso, Xavier tenta tranqüilizar Bruce Banner, que está a poucos momentos da execução pública. Haverá salvação para o Hulk? Alguém quer salvar o Hulk? Quem está manipulando esses eventos? A revista mais legal da década mal retornou e já cativa assim na segunda de doze partes. Show de Millar e Hitch. Só faltou porrada. Nota 9,0.

Marvel Millennium 48 (Dezembro 2005) - Panini Comics - 100 páginas - R$ 6,90.

10/01/2006

Mestres Disney 6


O último volume da primeira fase desta fabulosa coleção (que retorna para mais seis edições a partir de fevereiro, em SP e RJ) traz o trabalho de Romano Scarpa, o homem que transformou a Itália em uma potência criativa da Disney fora dos EUA. Falecido em abril do ano passado, é fácil reconhecer a influência de Scarpa no trabalho de outro italiano ilustre, Giorgio Cavazzano (objeto do número dois da coleção).


Romano Scarpa foi o criador de personagens que se tornaram queridos do público, como a Pata Lee (que estrelou uma série própria produzida no Brasil, com bastante sucesso, nos anos 80), a eterna candidata a namorada do Tio Patinhas, Brigite, e o irmão dele, Gedeão.

São seis histórias bastante divertidas, cheias de comédia e mistério, sendo quatro estreladas pela família Pato e duas pelo Mickey - o favorito de Scarpa. A edição traz, ainda, a biografia e um guia com os personagens criados por ele. Um mestre e tanto. Nota 10.

Mestres Disney 6: Romano Scarpa - Editora Abril - 164 páginas - R$ 14,95.

Grandes Clássicos DC 4

Mais uma edição impecável de GCDC, desta vez, compilando as histórias escritas por Dennis O'Neil para o Batman, com arte de gente como Neal Adams e Irv Novick, o que a confere imediato e incontestável status de Clássico, com C maiúsculo.

Contos do Demônio apresenta os primeiros confrontos do Batman com Ra's Al Ghul, escritos na década de 70 e reunidos numa edição graficamente primorosa, com prefácio de Sam Hamm (o roteirista do Batman de Tim Burton) e posfácio de Dennis O'Neil, além de um histórico do vilão escrito por John Wells.

As histórias, com todos os cacoetes das HQs da época (recordatórios, descrição detalhada da ação, etc.), ainda são melhores do que muita coisa escrita atualmente e com uma vantagem: provam que uma saga pode ser empolgante e envolvente em apenas três ou quatro partes, ao invés das doze habituais hoje em dia, ainda que, em algumas delas, o final pareça apressado ou pouco expressivo.

Este Batman, ligeiramente diferente do que conhecemos hoje, complementa a ação com comentários ácidos ou piadas cretinas, sem o menor pudor e sem deixar de ser o herói que amamos. Além de fornecer grandes desafios ao Morcego, Ra's ainda vê nele o único homem digno de ser seu genro e a presença de Talia, sempre tão dividida entre a lealdade ao pai e o amor pelo Batman, ajuda a tornar as histórias mais interessantes - e espantar a idéia de que o Batman não é chegado na fruta. Intriga da oposição, claro. Nota 9,5.

Grandes Clássicos DC 4 - Batman: Contos do Demônio - Panini Comics - 212 páginas - R$ 24,90.

03/01/2006

A sorte de Scott Summers

Amigos nerds, vocês hão de concordar: Adam Hughes foi o artista que melhor captou a razão da angústia de Scott Summers, vulgo Ciclope, no que diz respeito à sua vida amorosa. Deus, com quem ficar? Jean Grey ou Emma Frost? Fala a verdade, você também não consegue escolher, né?

02/01/2006

Lanterna Verde: Renascimento 1


"A Noite Mais Densa" e "Inimigos Internos"
Roteiro: Geoff Johns - Arte: Ethan Van Sciver
Um dos momentos mais esperados pelos fãs da DC Comics (principalmente entre os veteranos) começa a virar realidade a partir desta edição. Depois de uma década conturbada, em que tornou-se vilão, sacrificou-se para salvar o sol e tornou-se o Espectro, Hal Jordan se tornará, mais uma vez, o Lanterna Verde do setor 2814.

A tarefa coube ao escritor mais coerente da DC, Geoff Johns, um cara que sabe tudo da cronologia da editora, mas, não deixa ninguém boiando. Outro erro grave começa a ser reparado aqui: as patacoadas aprontadas com Guy Gardner (como dar-lhe um origem alienígena e um corpo que se transmuta em armas), que mataram o personagem que amávamos odiar na Liga Da Justiça cômica, também serão desfeitas.

Ao mesmo tempo em que Kyle Rayner chega detonado à Terra, falando da volta de Parallax, Hal Jordan começa a se manifestar em diferentes formas e lugares, confundindo seus amigos. Seu retorno revira sentimentos intensos, como a desconfiança de Batman e a admiração incondicional de John Stewart.
Ótimo começo, com muita ação e emoção e bela arte de Van Sciver. A mitologia do Lanterna Verde é uma das mais ricas da DC e é bom ver um personagem importante reassumindo seu manto, sem sacrificar seus sucessores no processo. Nota 9,0.

Lanterna Verde: Renascimento 1 (Dez. 2005) - Panini Comics - 60 páginas - R$ 6,90.

Harry Potter e o Cálice de Fogo

Resenha atrasadinha, mas, tá valendo. Passam os anos e os filmes de Harry Potter ficam melhores a cada episódio. O quarto livro da saga, um dos favoritos dos fãs, rendeu o melhor filme da série cinematográfica.

O quarto ano de Harry em Hogwarts começa com a final da Copa Mundial de Quadribol e o torneio Tribuxo, no qual campeões da sua escola e de outras duas disputarão um importante título. Sendo menor de idade, Harry não poderia inscrever-se no perigoso torneio, mas seu nome é misteriosamente apontado pelo cálice de fogo, que elege os campeões de cada escola. Enquanto isso, ele tem misteriosos pesadelos com a volta de Voldemort.


Não tão intrincado, mas, mais sombrio do que O Prisioneiro de Azkaban, este filme justifica a adoração dos fãs, trazendo efeitos digitais de primeira, um elenco afiado (em que sobressaem a beleza e o talento de Emma Watson, a Hermione), situações cômicas e trágicas, marcando o fim da inocência de Harry e seus amigos, em vários sentidos.

Para não me sentir ultrajado pelos cortes feitos na adaptação, desta vez resolvi ver o filme antes de ler o livro - e não me arrependi. Sem a obrigação de ficar apontando o que devia ou não devia aparecer, curti bastante o filme e, agora, a leitura vai de vento em popa, enriquecida por tudo que ficou de fora. Nota 9,5.

Harry Potter e o Cálice de Fogo (Harry Potter and the Goblet of Fire, 2005).
De Mike Newell. Com Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Ralph Fiennes.