23/02/2006

Rapidinhas

- Os resultados do Troféu Catapop foram publicados no fórum da Panini, com louvável boa intenção, pelo fiel leitor do Catapop e dono do ótimo Search & Destroy (link à direita), nosso amigo Paranoid Android. Os comentários que se seguiram só me fizeram lembrar exatamente por que eu desisti de ser um usuário daquele antro de losers: logo apareceu um bando de "especialistas" questionando os critérios e querendo exibir uma enjoada erudição no assunto, ao citar revistas importadas a que cerca de 0,00001% dos leitores brasileiros têm acesso. A discordância não é problema, qualquer lista gera isso. O problema é o escárnio, a agressividade gratuita e a empáfia de algumas figuras que se julgam muita bosta. Enfim, serão outros longos meses (anos, quem sabe) de distância daquele lugarzinho infecto.

- O U2 fez um show inesquecível, ponto. A Globo fez uma ótima transmissão, com poucos intervalos e comentários oportunos de Zeca Camargo. Queimei a língua, por conta das "Rapidinhas" anteriores. Agora, depois do lauto jantar, a sobremesa: o grupo está em Salvador, a convite do ministro Gilberto Gil. Já pensou se, do alto de um trio elétrico, Bono chama a galera pra contagem, "Uno... dos... tres... catorce!"? Um momento histórico está a caminho e, como Deus é bom e justo, estarei bem próximo para ver o rock tomar conta do Carnaval. Fiquem na torcida!

- Só dou as caras por aqui depois de finda a folia. Até lá, meus bravos!

Pacotão Panini

Lanterna Verde: Renascimento 3


Primeira coisa que se nota aqui: Geoff Johns gosta de Kyle Rayner. Ao contrários dos irritantes fanboys que suplicavam, feito viúvas velhas, pelo retorno de Hal Jordan e criticavam o novato, o escritor faz questão de demonstrar seu apreço pelo jovem Lanterna, em diálogos e situações que evidenciam seu heroísmo. Van Sciver continua destruindo nos desenhos. O final do confronto com Sinestro é meio decepcionante e a derrota de Parallax é umas daquelas coisas grandiosamente cósmicas que cansam um pouco, mas, tá valendo. Espero que a ressurreição de mais um morto seja bem aproveitada. Felizmente, Johns continua cuidando do barco, ao lado de Carlos Pacheco. A nova série do Lanterna deve integrar a revista da LJA em breve. Nota 8,5.

Mulher-Maravilha Especial 1:
Rivalidade Mortal


Diana não tem paz: além de enfrentar a oposição da ressentida Veronica Cale, tem que descobrir (com ajuda do Batman) o assassino de Darrel Keyes e enfrentar o diminuto e perigoso Dr. Psycho, enquanto Circe e as Górgonas ressuscitam a Medusa. Drew Johnson desenha uma Mulher-Maravilha de grande beleza e capricha nas cenas de ação. Greg Rucka continua sendo o roteirista americano que melhor entende a alma feminina. A melhor fase da Maravilhosa em anos, mas, porra, Panini... R$ 6,50 por 76 páginas? Tem coisas na lógica financeira de vocês que a gente custa a entender. Nota 9,0.

Superman/Batman 7


Aqui, cada centavo é bem gasto: em Superman/Batman (Loeb/Pacheco), o arco "Os Donos do Mundo" segue ganhando em dramaticidade, com os maiorais sendo seguidamente mortos em cada realidade que habitam. Quando tudo parece que vai entrar nos eixos, Batman perde o controle e aí é que a coisa fica feia de vez. Nota 8,5. Mulher-Maravilha (Rucka/Johnson): a busca por uma cura para Vanessa Kapatelis coloca Diana no rastro de Sebastian Ballesteros, mas alguém chegou antes a ele. O confronto com a Medusa é frustrado, mas uma improvável aliança pode dar grandes dores de cabeça à princesa. Nota 8,0. Arqueiro Verde (Winick/Hester): depois de cair numa emboscada, o Arqueiro Verde não pára de ter problemas e o Tijolo não pára de dar demonstrações de força. Depois de assassinar dois figurões de Star City, ele se entrega à polícia só para depois provar que está com todo mundo nas mãos. Uma boa fase do comunista verde, nas mãos de um injustamente criticado Winick. Nota 8,0.

18/02/2006

O Segredo de Brokeback Mountain



O tal "western gay" de Ang Lee (Hulk) chega ao Oscar do próximo dia cinco como a maior barbada, com suas oito indicações. A vantagem, creio eu, dá-se pelo fato de que, descontada a ousadia das cenas de amor entre os caubóis, muito bem interpretados por Heath Ledger e Jake Gyllenhaal, o filme é o que se chama de "acadêmico": melodramático, ligeiramente previsível e de final moralista.

Quando fui assisti-lo, pensei que o cinema estaria parecendo uma convenção GLS, mas, não. A maioria era de gente "normal", papai + mamãe, mesmo. Começa o filme e a estética "Pantanal" começa a encher os olhos: longos planos das montanhas e pradarias de Wyoming e música mezzo country, mezzo new age. Jack (Gyllenhaal) e Ennis (Ledger) se encontram no escritório fedorento de um fazendeiro e já começam a se olhar daí.

Trabalhando juntos, a admiração mútua cresce, até que, numa certa noite, regada a muito álcool, os dois pombinhos têm uma noite hardcore (na famosa "cena do cuspe", achei que muita gente fosse embora do cinema, mas, todos ficaram lá, achando tudo lindo). Depois de mais alguns dias fazendo bobiça, os dois partem pra suas vidas de sempre. Afinal, são machões e aquilo não passou de uma loucura - ou assim eles pensam, e o tempo logo os provará errados.

Ang Lee dá aos atores os papéis de suas vidas, com merecidas indicações ao Oscar e, como bem observou o amigo Kelnner, do Smells Like Shit, Brokeback Mountain não é um "filme gay", mas, sim, sobre escolhas e as conseqüências delas. Enquanto Jack sente-se mais à vontade com seu desejo, Ennis é mais auto-reprimido. As duas atitudes trazem pesados fardos a ambos, sendo o maior deles a impossibilidade (ou a recusa amedrontada) da felicidade. Daí o moralismo que torna o filme um programa perfeito pra galera que adora dizer "tá vendo no que isso dá?"

Apesar desse porém, o filme, como filme, é muito bom e merecerá os prêmios que levar no dia cinco de março. É bonito, bem dirigido, bem interpretado e reserva alguns momentos de "não vou chorar, não vou chorar!" aos machões mais rochosos. Assistam sem medo de dar pinta. Nota 8,5.

13/02/2006

Troféu Catapop 2005!

Demorou, mas, aí está: o resultado do primeiro Troféu Catapop vem ratificar e engrandecer o talento (e a mediocridade) de quem fez do ano que passou um dos mais notáveis no segmento. Você pode até discordar dos vencedores, mas, não pode negar: era impossível ficar indiferente a estes lançamentos.

Melhor Revista Mensal



Melhor Série ou Especial


Melhor Capa

Melhor Republicação

Melhor Saga

Empatada com "Planeta X" (X-Men), "Poder Supremo Vol. 2", "Superdotados" (X-Men")

Melhor Roteirista


Melhor Artista


Melhor Filme de HQ


Melhor Desenho


Melhor Mangá


Fiasco do Ano

11/02/2006

Rapidinhas...

- A Globo vai transmitir os shows de Rolling Stones e U2. Esta notícia me traz alegria e temor. Alegria, porque não é comum um canal aberto, famoso por sua caretice, abrir espaço para transmitir shows de rock ao vivo (pelo menos, eu acho que será ao vivo). Temor, porque todos sabem bem o que acontece quando a Globo tenta dar uma cara "jovem" às suas transmissões: atores ou apresentadores que não entendem nada do assunto ficam fazendo caras e bocas de malandro carioca de quinta categoria, além de interromper a música para tecer comentários imbecis. Tenho medo, tenho muito medo.

- Eu vi Sin City, finalmente. Nota 10.

- Aos que se preocupavam, o momento está próximo: o resultado do Troféu Catapop será divulgado até, no máximo, terça-feira. Uma análise do especial da Mulher-Maravilha também está a caminho. Olhos atentos, caros catapoppers!

09/02/2006

Soul II Soul

O Soul II Soul era uma confraria de DJs, cantores e dançarinos capitaneados por Jazzie B. Entre 1989 e 1998, o grupo lançou canções memoráveis que, infelizmente, nunca se tornaram megahits planetários. As únicas que chegaram perto da façanha foram o single de estréia "Keep On Movin'" e "Get A Life", esta do segundo disco.

Bebendo na fonte do soul, da disco music e do rap, o Soul II Soul chegou fazendo barulho, com suas batidas que se tornaram padrão da dance music da época e seus vídeos luxuosos, sempre cheios de negros chiques e exóticos. As letras fugiam da banalidade do "vamos dançar", dando toques à galera sobre caráter e negritude. Tinha espaço pro amor, também, claro.


Um dos maiores trunfos de Jazzie B era o formidável leque de vocalistas que recrutava, sobretudo as femininas, que dominaram boa parte da produção inicial do grupo. As mais marcantes foram, sem dúvida, Caron Wheeler ("Keep On Movin'"), Kym Mazelle ("Missing You") e Victoria Wilson-James (do colosso "A Dreams A Dream", seu único trabalho no Soul II Soul).

Depois de dois discos primorosos (Club Classics Vol. One e 1990: A New Decade), Jazzie pisou na bola com Just Right, cheio de batidas datadas e uma única música digna de nota, "Move Me No Mountain". Depois de uma coletânea, veio Believe, que recuperava a boa fase, com as baladas "Love Enuff" e "Don't You Dream", além de um instrumental de cair o queixo: "Zion". O último disco inédito, de 1998, foi Time For Change, mais uma coleção de grooves e baladas de se escutar com um sorriso de orelha a orelha.

Pena que o Soul II Soul tenha caído no esquecimento e agora só volte às lojas em coletâneas ou remixes. Não é fácil achar seus discos em edição nacional (boa sorte nos sebos, galera) e eles, injustamente, não se tornaram referência de nada nos anos que se seguiram. Espero que o mundo um dia faça justiça a Jazzie B.

06/02/2006

Resumindo...

... morreu de insuficiência respiratória, na semana passada, um dos meus articulistas favoritos na revista Veja, o jornalista Tales Alvarenga, dono de um senso crítico e humano fora do comum. Entre seus passatempos favoritos, Alvarenga adorava desmascarar a quadrilha Lulista, com empenho especial na desmistificação da biografia do bengalado José Dirceu. Um lúcido que se vai. Pena.

...também morreu Seth Fisher, ilustrado de traço personalíssimo, responsável por Lanterna Verde: Mundo Surreal (da Mythos).

...no sábado, tive o prazer de, finalmente, assistir a uma apresentação de Lazzo Matumbi, no Pelourinho. Ele pode não ser ninguém fora da Bahia, mas é um daqueles fenômenos que disparam o "arrepiômetro" da gente quando fecha os olhos e solta um daqueles agudos cheios de emoção. Eu não poderia morrer sem ver um show de Lazzo antes.

...minha mãe fez hoje 56 anos. Eu amo a senhora, Dona Silene!

Gibis por atacado

Liga Da Justiça 38


A julgar pelos poucos comentários (às vezes nenhum) nas resenhas, deduzo que muita gente aqui não lê esta revista. Oh, massa infeliz! O Flash (Geoff Johns/Howard Porter) atravessa uma fase excelente (e a interligação com Crise de Identidade está perfeita); a boa história da Liga da Justiça (Kurt Busiek/Ron Garney) dá destaque ao Flash e sua impagável impaciência, terminando com a chegada do Sindicato do Crime; o problema dos Homens-Hora da Sociedade da Justiça tem uma solução previsível, porém, cabível; e Grant Morrison (com desenhos de Ed McGuiness) dá um show de ação na melhor história da Liga sem a Liga em muito tempo. No geral, nota 9,0.


Marvel Millennium 49

Homem-Aranha (Brian Bendis/Mark Bagley): o encontro com o novo (e interessante) Dr. Estranho termina de maneira satisfatória, mas Peter anda muito mexicano. Enfim, Bendis já fez o que podia. X-Men (Brian K. Vaughn/Stuart Immonen): estréia das versões Millennium de Longshot e Mojo. Ao invés de um mundo próprio, o gordão asqueroso tem um Big Brother barra-pesada em uma ilha próxima a Genosha. Claro que os X-Men vão meter o bedelho. Quarteto Fantástico (Warren Ellis/Adam Kubert): esta é uma das revistas mais prazerosas de se ler hoje em dia. Ciência ultrajante e comédia eficiente. Show de bola. Os Supremos (Mark Millar/Brian Hitch): o julgamento do Hulk provoca comoção e tem um desfecho surpreendente. Alguém mais lembrou da velha série do Hulk dos anos 70? Bela revista, nota 9,0.


Novos Titãs 19

Novos Titãs (Geoff Johns/Mike McKonne): os Titãs do presente e do futuro têm um trabalhão com o Exterminador. Tim/Batman explica a Tim/Robin o que aconteceu para torná-lo o guardião de Gotham. Tá bonzinho, mas, infelizmente, Johns não tem dado o seu melhor nos Titãs. Asa Noturna - Ano Um (Scott Beatty/Chuck Dixon/Scott McDaniel): o ex-Robin encontra o novo Robin, Jason Todd. Vale a pena pelo confronto da burrice do novato com a esperteza do veterano. Dispensável, entretanto. Renegados (Judd Winick/Karl Kerschl): o QG da equipe é invadido por Estilhaço e Indigo mostra do que é capaz, além de fazer uma importante descoberta sobre os patrocinadores dos Renegados. Belas tiradas sobre sexo. Aves De Rapina (Gail Simone/Ed Benes): com o fim da sua central de dados (você leu Batman 38, né?), Oráculo decide que é hora de seguir e mudar com seu grupo. Isso inclui desde estratégias até a cidade-base pras iradas moças. Um novo começo para as meninas e uma história acima da média da série. Nota 8,0 pra NT 19.

Liga Da Justiça 38 / Marvel Millennium 49 / Novos Titãs 19 (Janeiro 2006)
Todas publicações da Panini, com 100 páginas e preço de capa R$ 6,90.