21/04/2006

15 canções para gostar de Morrissey


Com o fim dos Smiths, muita gente achou que Morrissey perderia o rumo, sem o precioso amparo das melodias do guitarrista Johnny Marr. Ledo engano: enquanto Marr patinava em parcerias inconstantes (Keith Richards, Pretenders, The The, etc), Moz firmou seu nome solo desde o primeiro disco, Viva Hate, em 1988. Desde então, a qualidade de seus discos oscilou bastante, indo do cretino (Kill Uncle, 1991) ao sublime (You Are The Quarry, 2004). Aqui estão 15 faixas que mostram por que O Maior Inglês Vivo não foi enterrado com sua ex-banda.

01 - "Suedehead"
Quem não estava em Plutão em meados de 1988 certamente ouviu essa música uma vez, pelo menos. Chicletão, com guitarra superproduzida e pianinho, tem versão mais furiosa no ao vivo Beethoven Was Deaf, de 1993.

02 - "Bengali In Platforms"
Esta valeu a Morrissey a acusação de racista, ao contar a história de um imigrante hindu que recebe logo o recado: "a vida já é dura o bastante pra quem é daqui, guarde seus planos". Ele não vestiu a carapuça, mas, tampouco a recusou.

03 - "November Spawned A Monster"
Um troço doentio, isso aqui, um pouco libelo em prol dos feios e um pouco provocação aos "pegadores" de plantão. "A pobre garota deformada, tão feia, tão feia/.../Se as luzes estivessem apagadas/Você a beijaria na boca?".

04 - "Sing Your Life"
OK, pra não dizer que nada em Kill Uncle vale a pena, esta é a mais legalzinha. Fala da vida de cantor e compositor, mas, sem muito luxo: "qualquer idiota consegue pensar em palavras que rimem". Momento menor, mas que merece registro.

05 - "You're Gonna Need Someone On Your Side"

Your Arsenal (1992) era um sacolão de grandes canções e já abria com guitarras no talo, produzidas por Mick Ronson (que já trabalhara com David Bowie e viria a morrer algum tempo depois). A certa altura, pode lembrar o tema da série camp do Batman (rs).

06 - "We Hate It When Our Friends Become Successful"

Morrissey chuta o olho gordo dos invejosos com essa tiração de sarro, que também serve como auto-paródia, devido ao semi-ostracismo que ele próprio viveu entre 90 e 92 - e que seria bem pior no fim dos anos 90 e início dos anos 00.

07 - "I Know It's Gonna Happen Someday"

Coração na garganta, Morrissey mantém um fiapo de fé no amor: "você diz que o dia simplesmente nunca chega / E que nunca pareceu tão distante / Ainda assim, eu sei que vai acontecer algum dia com você". Soberba.

08 - "Billy Budd"

Um nada discreto convite de volta a Johnny Marr. Alguém tinha que tomar a iniciativa e Morrissey o fez. Recentemente, a coisa realmente foi cogitada, mas, infelizmente, ficou tudo nas boas intenções. Mas Alain Whyte, novo parceiro e compositor, faz as guitarras pegarem fogo. Quem precisa de Marr, enfim?

09 - "The More You Ignore Me, The Closer I Get"

Um fraseado de guitarra memorável, desses que não saem da cabeça. A letra não é particularmente inspirada, mas a música, pop e assobiável, é destaque entre as boas canções de Vauxhall And I, de 1994.

10 - "Why Don't You Find Out For Yourself"
Com a elegância que lhe é peculiar, Moz destrincha os mecanismos da fabricação de popstars: "Alguns homens aqui têm especial interesse em sua carreira / Eles querem te ajudar a crescer / Depois, sugar todo o seu miolo".

11 - "Wide To Receive"

Southpaw Grammar (1995) foi um tiro no pé e Maladjusted (1997), embora melhor, também passou praticamente em brancas nuvens, mas tinha este monumento, de partir o coração. Sabe quando você passa horas na internet, entrando e saindo de salas de bate-papo e ninguém se interessa pelo que você tem a dizer? "Envie qualquer coisa, útil ou inútil/.../Eu nunca me senti tão sozinho quanto agora".

12 - "Satan Rejected My Soul"
Não bastasse o título altamente provocativo, o som é guitar pop dos bons, enquanto Morrissey tenta encontrar um repouso pra sua alma, tão perdida que nem o velho Satanás quis por lá. Mas é tudo por amor, você sabe, então dá um desconto...

13 - "I Have Forgiven Jesus"
Sete anos de retiro forçado encheram o bardo de inspiração e ele voltou com tudo em You Are The Quarry. Esta é de arrepiar, o corpo cheio de desejo e a cabeça cheia de receios: "Por que o Senhor me deu tanto amor / Em um mundo sem amor / Quando não há ninguém a quem eu possa recorrer / Pra liberar todo este amor?". Ouça naqueles dias de raiva.

14 - "First Of The Gang To Die"
Quando a gente vê que ainda dá pra usar a guitarra pra fazer riffs inspirados assim, dá vontade de torcer o pescoço desse povo do hardcore e do nu metal, por achar que displicência e afinação grave resolvem tudo. ISTO é pop de verdade, seus jumentos! Aprendam!

15 - "You Have Killed Me"
Como o disco ainda não saiu oficialmente no Brasil, use seu P2P pra pegar essa e ter um gostinho de Ringleader Of The Tormentors.

17/04/2006

Rapidinhas pós-feriado

- Ficou muito boa a 200ª edição da Bizz, a oitava desde sua ressurreição, em Setembro passado. As mudanças já se fazem sentir no tato, com um papel melhor e lombada quadrada. O conteúdo remete às melhores fases da revista: uma bela entrevista com Odair José (pois é, o mundo dá voltas...); os 20 anos do lançamento do divisor de águas Selvagem?, dos Paralamas do Sucesso; a estréia dos Stone Roses na Discoteca Básica (de volta ao seu lugar de direito, a última página da revista). O projeto gráfico foi polido e está mais bonito e agradável, mas, entre as tais 13 bandas que realmente importam no rock, acredito que nem cinco vão se criar. Listas assim são vícios da crítica, enfim.

- De volta de Goiás, onde fui passar o feriado santo, meu vôo fez escala em São Paulo. Era a primeira vez que punha os pés na megalópole e confesso que me senti chegando em Coruscant, aquele planeta 100% urbanizado onde fica o Templo do Conselho Jedi, em Star Wars. Um mar de prédios e casas que, simplesmente, parece não ter fim. Pode soar meio jeca da minha parte, mas, se até os artistas gringos que vêm aqui se impressionam, também tenho o direito.

- Deus e o Diabo dividindo o mesmo espaço: a revista X-Men Extra traz todos os meses, as celestiais aventuras dos Surpreendentes X-Men, de Joss Whedon e John Cassaday, cada vez melhor escritas e desenhadas. Por outro lado, temos 50 páginas do abacaxi chamado Excalibur - intragável até pra mim, que curto abacaxi - onde todo mundo está sempre soltando uma frase feita (geralmente substanciosa feito pastel de vento), enquanto contempla o horizonte, com ar de grande sábio. Ô, meu saco... Os personagens são antipáticos, a ação não leva a nada e, pra ser sincero, quem se importa?

12/04/2006

Rapidinhas

- "Pelo Amanhã", o badalado e micado arco do Superman escrito por um irreconhecível Brian Azzarello e desenhado por um caprichoso Jim Lee, já perto do fim, tem dois grandes problemas. O primeiro é o fato de que ninguém parece dar muita bola para o que vai acontecer ao fim dessa história, onde pouca coisa sai do lugar. O segundo é olhar as histórias que Chuck Austen escreveu e Ivan Reis desenhou e sacar que o brazuca dá de 10 a 0 no bajulado japa coreano com cara de china, em especial nas cenas de ação. Lee bem que poderia aprender alguma coisa com Reis.

- Não se fala em outra coisa: a hilariante entrevista de Suzanne Von Richtoffen, mandante confessa do assassinato dos próprios pais, para o Fantástico. Se era para causar pena e manipular a opinião pública em relação à sua culpa, ela não poderia ter sido mais infeliz: causou mais revolta ainda pela indisfarçável falsidade de seus apelos. Tá na cadeia e, espera-se, mofará lá por um bom tempo. Mas, estamos no Brasil e vai que, um belo dia, eu acordo e vejo que ela se mudou pro andar de baixo do meu prédio...

- Tem alguma coisa muito errada com o mundo quando a gente se vê obrigado a concordar com Clodovil. Dia desses, zapeando pela TV, lá está ele, dizendo a toda boca: "não tem mais artista no Brasil, as piranhas tomaram conta de tudo!". Aí, você liga o rádio ou a TV e lá estão Tati Quebra-Barraco, a Banda Calypso e seus genéricos, As Leoas, as insuportáveis bandas de forró eletrônico com suas vocalistas gemedeiras e a constatação é inevitável: Clô (para os íntimos) tem razão. Caramba, até quando vamos nivelar tudo por baixo? E até onde se pode descer? Aguardem, em breve, pequenos exemplos da atual "poesia" da mulher brasileira "liberada".

10/04/2006

Setorizadas na mão!

DC Especial 8 - Gotham City Contra O Crime


Com a impossibilidade (ou má vontade) de colocar Gotham Central na revista regular do Batman, a Panini se redimiu da burrada com duas espetaculares edições de DC Especial dedicadas aos policiais de Gotham. Este é ainda melhor do que a estréia e mostra que Greg Rucka é um dos maiorais da casa, um roteirista capaz de tramas envolventes, que nunca subestimam a inteligência do leitor. Todo mundo já deve saber do que se trata, mas, eu é que não vou entregar aqui o jogo sobre o segredo escondido por Renée Montoya. O que dá pra dizer é que não só o segredo em si a ameaça, como os desdobramentos que se seguem a colocam na maior enrascada de sua vida. Uma história sensacional, que ganha um charme noir com os desenhos de Michael Lark. Uma pena saber que uma revista tão interessante foi recentemente cancelada lá fora. Nota 10.

DC Especial 8 - Gotham City Contra O Crime - Panini Comics - 148 páginas - R$ 14,90

We3 - Instinto de Sobrevivência


Os sucrilhos de Grant Morrison devem conter sementinhas de papoula. Só isto explicaria as suas maravilhosas e ultrajantes pirações. Quem poderia imaginar três bichinhos fofinhos (cão, gato e coelho) como sanguinolentas máquinas de guerra? Alterados com componentes cibernéticos, os bichos fazem operações altamente sigilosas onde a presença militar não pode ser ostensiva ou simplesmente onde o perigo de morte é alto demais para qualquer pessoa. Porém, um comando para desativação do programa Armamento Animal provoca neles uma ânsia deseperada de viver mais e, de preferência, longe dali. Não bastasse o talento de Morrison em contar histórias absurdas e divertidas, a já genial arte de Frank Quitely atinge novos níveis de excelência. Um dos melhores lançamentos do ano. Nota 10.

We3 - Instinto de Sobrevivência - Panini Comics - 118 páginas - R$ 18,90.

Adam Strange - Mistério No Espaço 1


Despretensão. Esta é a palavra-chave para se pegar um personagenzinho meia-boca como este e fazer com ele um lançamento tão legal. O climão "B" está na coragem desmedida de Strange, nos vilões safados e na velha situação do homem acusado por um crime que não cometeu, numa busca obstinada pela verdade. Preso há meses na Terra, Adam é caçado por mercenários alienígenas que lhe dão pista do verdadeiro destino de Rann, seu planeta adotivo, até então dado como engolido pela explosão em nova de sua estrela. Se Steven Seagal fizesse filmes espaciais, certamente seria algo assim. Ou não, sei lá! Só sei que é divertido paca! Nota 9,0.

Adam Strange - Mistério No Espaço 1 - Panini Comics - 52 páginas - R$ 5,90.

05/04/2006

HQs - Saldão de Março

Superman & Batman 9

Superman & Batman (Loeb/Pacheco): Conclusão de Poder Absoluto. Os Melhores do Mundo confrontam seus "pais" adotivos, os inimigos da Legião, e ainda Ra's Al Ghul, que é o senhor desta última realidade visitada pelos heróis. Interessante, mas a trama foi melhor em momentos anteriores. E que capa feia, Mr. Pacheco! Nota 7,5. Arqueiro Verde (Winick/Hester): Enquanto Mia se adapta à rotina de soropositiva, Ollie vai acertar as contas com o Tijolo, auto-declarado novo dono de Star City. Ah, e é fácil assim, é? Não com o velhote verde! Por fim, Mia se apresenta como a nova - argh! - Ricardita. Nota 8,0. Mulher-Maravilha (Rucka/Johnson): Eis aqui o filé mignon da revista. Uma batalha de vida ou morte com a Medusa, que ataca a embaixada, faz uma vítima e desafia Diana em nome de Ares. A solução encontrada por Diana para encarar a Medusa sem virar pedra é de arrepiar! Só não leva um 10 porque a arte-final está paupérrima em alguns quadros. Nota 9,5.


Liga Da Justiça 40

LJA x Sindicato do Crime (Busiek/Garney): Está demorando demais para acontecer alguma coisa de verdade nesta história. O centro da ação nesta segunda parte está em Qward, em que as coisas parecem voltar ao eixo de violência de sempre. A Liga mal aparece. Nota 6,5. LJA Confidencial (Morrison/McGuinness): A Liga chega para dar um cacete em Grodd e nos Ultramarines controlados. Gosto do estilo de Morrison porque sua LJA é plenamente ciente de seu poderio e não dá chance pra manés de segunda feito os Ultras. Bobinho, mas divertido. Nota 9,0. Sociedade da Justiça (Johns/Gibbons): Mudanças no passado ameaçam a existência da SJA. A "caça às bruxas" dos anos 50 e perigosos viajantes temporais, manipulados por Degaton, atacam em momentos cruciais da história e só a reunião da SJA de ontem e de hoje pode salvar o tempo. Legalzinho. Dave Gibbons (Watchmen) nos desenhos. Nota 7,5. Flash (Johns/Porter): o funeral do Capitão Bumerangue revela surpresas e desavenças. O Flash tenta se reconciliar com Linda Park e recebe uma visita do Batman, enquanto dois vilões formam uma perigosa aliança. E um final de levantar defunto (literalmente!) Nota 8,5.

Novos Titãs 21

Novos Titãs (Johns/Grummett): De volta do futuro, os Titãs enfrentam as seqüelas de Crise de Identidade. A barra pesa mais para o Robin, que perdeu o pai, mas todos têm problemas com a disputa pela armadura de Luthor à venda no início da minissérie. Johns finalmente pegou o jeito com os Titãs ou é mérito de Tom Grummett, artista bem melhor que Mike McKonne? Nota 8,5. Aves De Rapina (Simone/Derenick e Simone/Benes): Oráculo e suas amigas têm aventuras leves e eficientes. Há quem odeie, mas eu curto a interação entre as garotas. Na primeira história, elas enfrentam a Colheita (espírito vingador ou meta-humana mal-intencionada?). Na segunda, problemas com a dupla personalidade de Espinho. Derenick manda mal, Benes manda bem nas gostosas. Nota 7,0. Renegados (Winick/D'Anda): Os Renegados descobriram que são patrocinados pelo Batman e Asa Noturna vai tirar satisfações. A identidade do informante de Arsenal também é exposta, mas esta revelação pode custar caro à equipe! Quebra-pau no mês que vem! E tragam Tom Raney de volta! D'Anda sucks! Nota 7,5.


Marvel Millennium 51

Homem-Aranha (Bendis/Bagley): O sumiço de Harry Osborn é esclarecido e seu transe pós-hipnótico é desfeito, deixando-o pronto para o legado de seu pai, o Duende Verde. Problemas para o Aranha - e ainda tem o lace do chifre colocado pela Mary Jane... Nota 7,0. X-Men (Vaughn/Immonen): os X-Men enfrentam Espiral e tentam escapar de Krakoa, mas Mojo tem planos para o Anjo. Será que vêm aí as asas de metal? Mas o melhor é Cristal sacando os gostos de Colossus. Nota 8,0. Quarteto Fantástico (Ellis/Kubert): o contato alien na Zona-N pode não ser a revolução científica que Reed espera, mas sim, uma bela enrascada! Ciência ultrajante e divertida. Assim dá até pra gostar do Quarteto. Nota 8,5. Os Supremos (Millar/Hitch): os supersoldados de todo o mundo são convocados para capturar Thor, apontado como louco e traidor da equipe. Mas quem disse que vai ser fácil? Um filme de 150 milhões de dólares, político e inteligente, em 25 páginas de quadrinhos. Nota 10.

Todas as revistas são lançamentos da Panini Comics.
Março 2006 - 100 páginas cada - R$ 6,90 cada.

04/04/2006

Momento Capricho: Minha Primeira Vez

Não é que eu nunca tenha sentido vontade, mas a verdade é que, à beira dos 33 anos de idade, eu jamais havia ido ao teatro. Claro, é preciso descontar dessa estatística as lamentáveis tentativas de teatro nos saudosos tempos do Colégio Cenecista, em Ibotirama.

Como para tudo existe uma primeira vez, sábado passado foi minha estréia numa platéia teatral, para assistir à comédia "Todo Mundo Tem Problemas Sexuais". A peça foi montada sobre seis histórias enviadas por carta ao psicanalista Alberto Gondim, da coluna Vida Íntima, do jornal O Globo. Temas como o desejo, as perversões, a impotência e as preferências sexuais são discutidas de forma hilariante. A direção musical é de Pedro Mariano.

O relato mais engraçado é justamente o primeiro, sobre um rapaz, auto-declarado detentor de uma piroca sensacional, que sofre nas mãos da colega de trabalho, uma mulher desbocada e provocante que vive a tentá-lo, mas, na hora H, diz que a amizade entre os dois pode acabar, caso ele ceda à tentação. Eis uma das pérolas de sabedoria que ele solta: "ficam falando que mulher quer afeto, carinho... que nada! Mulher quer, mesmo, é piroca!"

Mas o melhor é guardado para o final, confessamente improvisado, para que a peça não acabasse ao fim do sexto relato. Entra em cena o pinto, ele próprio, na figura de um ator numa constrangedora fantasia cor-de-rosa (que inclui uma touquinha, fazendo as vezes da glande). Neste momento, é impossível segurar o riso, de tão engraçadas que são as descrições das carícias que as mulheres gostam de fazer, mas nem sempre são do agrado do maior interessado (ele, é claro).

Gostei e pretendo voltar - da próxima vez, quem sabe, para um espetáculo dramático. O fato é que o "bichinho do teatro" me mordeu, apesar de uma fulana sentada atrás de mim, que ria como se fosse necessário que todo o teatro a ouvisse, e de um outro sujeito com uma risada tão estrondosa e arrastada que tirava até a graça da cena. Enfim, escolhe-se a peça, mas, não a platéia.