26/07/2006

Contagem Regressiva Para Crise Infinita

Foi uma demora vergonhosa até para os lerdos padrões da Panini: quase 60 dias depois do anunciado, finalmente, chegou às bancas o especial Contagem Regressiva Para Crise Infinita. Felizmente, a revista parece ter chegado em um momento mais propício. O único porém é que, para o público setorizado, vai ficar bastante esquisito ler o DC Especial 10 (Não Acredito Que Não É A Liga Da Justiça!), lá pelo mês de agosto ou setembro, depois de presenciar estes eventos. É mais um importante passo da DC Comics rumo ao fim da própria inocência.

O lance é o seguinte: rastreando sucessivos atentados contra a sua vida e suas finanças, o Besouro Azul descobre uma rede de espionagem que está catalogando identidades, relações, poderes e fraquezas de toda a comunidade de super-heróis. Sua busca pela verdade se liga a fatos que têm conexão com quase todos os eventos que vão culminar na Crise Infinita.

A história é muito bem contada a seis mãos pelos atuais bam-bam-bam da editora (Geoff Johns, Greg Rucka, Judd Winick) e agradavelmente ilustrada pelos competentes Rags Morales, Ed Benes, Jesus Saiz, Ivan Reis e Phil Jimenez. O único problema de verdade que eu enxergo é que, em minha modesta opinião, a Liga da Justiça nunca seria tão negligente diante de tantos fatos que indicam uma obviamente perigosa conspiração. O único que parece estar antenado aos fatos é o Batman, que, embora despache o Besouro sem muita cerimônia, prova que não é o maior dos detetives à toa.

Além da excelente condução da trama, que não deixa a gente querer largar o gibi por nada e tem uma conclusão de gelar o sangue, a Panini se esmerou no detalhamento das evidências da Crise, plantadas já há algum tempo e no aquecimento para a minissérie com nome igual a este especial, reunindo os quatro principais que compõem a contagem: Guerra Rann-Thanagar, Projeto OMAC, Dia de Vingança e Vilões Unidos. Como brinde, um pôster com a arte de capa, desenhada por Jim Lee e pintada por Alex Ross.

O universo DC jamais será o mesmo. A Contagem Regressiva para Crise Infinita começou! Nota 9,0.


Contagem Regressiva Para Crise Infinita - 100 páginas em papel LWC - R$ 8,90.

19/07/2006

Superpost!

Superman - O Retorno


Foram, pelo menos 20 anos de expectativa, desde a bomba Superman IV - Em Busca Da Paz, até que o Último Filho de Krypton voltasse às telas. Roteiros, atores e diretores foram cogitados e descartados aos montes, até que Bryan Singer decidiu "trair" a Marvel/Fox e abandonar o então futuro X-Men 3 para dedicar-se ao filme que traria o maior dos heróis de volta à tela.

A missão foi cumprida com êxito. Singer segue criando filmes que impressionam pela qualidade técnica e cuidado com o roteiro, ainda que este novo não seja "o" filme definitivo do Superman (trono que parece inegociável com o original de 1978).

Superman - O Retorno considera os acontecimentos dos dois primeiros filmes da antiga série, exceto a revelação da identidade secreta do herói a Lois Lane. Depois de cinco anos em busca de vestígios de Krypton, Kal-El retorna à Terra e descobre que sua fortaleza da solidão foi pilhada por Lex Luthor e que seu grande amor, Lois Lane, não só está casada, como tem um filho com Richard, sobrinho de Perry White. À vida pessoal conturbada, o herói ainda tem que somar o plano de Lex Luthor de usar a tecnologia kryptoniana roubada em proveito próprio, o que coloca o planeta (leia-se os EUA) em perigo iminente.

Pelo amor de Deus... parem de querer comparar Brandon Routh com Christopher Reeve! Não é que ele seja pior ou melhor, mas, Reeve morreu e existe uma aura mítica em torno da sua encarnação de Superman, o que leva os fãs mais roxos a estrilarem "heresia!" a qualquer sinal de novidade. Se há algo a reclamar, é que Routh deixou seus bons momentos para Clark, enquanto o herói é ligeiramente impassível - mas, se eu fosse praticamente invulnerável, talvez, também, fosse blasé daquele jeito.

A Lois Lane de Kate Bosworth também é convincente. Nem achei que ela pareceu jovem demais para o papel, como eu temia. Está adequada e sua função é a de sempre: meter-se em confusão e deixar a zorra para o Superman resolver. Para sua sorte, ao ver-se ameaçada de morte por um capanga de Lex Luthor, ela conta com um inesperado protetor (quem já viu o filme sabe do que estou falando).

Já Kevin Spacey... ora, estamos falando de Kevin Spacey! Seu Luthor é encantador e claramente psicótico. Depois de passar boa parte do filme agindo mais como um teórico do crime, o vilão dá uma bela sova no Superman e expressa toda a sua fúria e inveja com arrepiante violência.

O elenco de coadjuvantes também dá conta do recado, até mesmo o insosso James Marsden (o cornão Ciclope da série mutante). Tecnicamente falando, o filme é irretocável e, pelo menos, duas cenas passarão ao imaginário cinematográfico coletivo moderno: uma mostrando a adolescência do herói, descobrindo seu poder de vôo em meio a um milharal; e a outra, o espetacular salvamento do avião em queda, no qual está Lois Lane (sempre ela).

Pena que exista por aí tanta má vontade com um filme tão bonito, impecavelmente dirigido e fotografado. Não há excelência dramática, porém, há eficiência. Singer entregou um clássico moderno e, se há justiça no mundo, a franquia do Superman está reaberta e a todo gás! Nota 9,0!

Superman - Identidade Secreta

Na pequena Picketsville, estado do Kansas, nasceu Clark Kent, um jovem comum, batizado em homenagem ao maior dos heróis. O que pode parecer uma bênção para os nerds mais alucinados, para Clark é uma maldição, pois a coisa que ele mais detesta no mundo é piada com seu nome! Isto é, fora passar a vida inteira ganhando revista do Superman, boneco do Superman, filme do Superman...

A vida de Clark começa a mudar quando ele percebe que suas semelhanças com o herói não se limitam ao nome e ao estado natal. Ele tem superpoderes! O que fazer com eles? A quem contar sobre eles? Como o governo vai reagir?

Em poucas palavras: simplesmente, a melhor história do Superman que já li. Vá lá, não é "o" Superman, mas acaba dando na mesma. Kurt Busiek escreveu e Stuart Immonen desenhou uma aventura clássica, com heroísmo, romantismo e a dose certa de moralidade (não moralismo) que todo herói devia carregar nas veias. Um deleite para os olhos e para o coração. Nota 10!

Novos Titãs 24


O super em questão aqui não é o Superman, e, sim, o Superboy. Como ficamos sabendo há alguns meses, o DNA de Conner é metade do Superman e metade de Lex Luthor. Pois a banda podre agora se manifesta e Superboy dá um cacete dos bons nos seus companheiros! Ele despedaça o Cyborg, nocauteia a Moça-Maravilha e quebra o braço do Robin! Geoff Johns escreveu uma história sensacional, fazendo lembrar os melhores momentos de Marv Wolfman, quando a equipe sofria o diabo nas mãos de vilões e membros traidores! A melhor história dos Titãs, desde que a Panini começou a publicá-los!

A história dos Renegados interliga-se com esta, já que o traidor da equipe não é Morfo, como Arsenal pensava, e, também está agindo a mando de Lex Luthor. Judd Winick não é Johns, mas, não deixa a peteca cair e a história termina com as equipes acuadas, mais uma vez! As duas histórias estão claramente ligadas à Crise Infinita que se aproxima.

Ah, tem também as aventuras-solo do Robin e ainda Aves de Rapina, mas, eu ainda não consegui parar de ler as duas primeiras!

10/07/2006

Superman & Batman 12

Superman & Batman
Jeph Loeb e Ed McGuinness
Depois de derrotar o Caveira Atômico, aperfeiçoado por um misterioso patrocinador (que Batman não tarda a dizer quem é), os Melhores do Mundo são atacados e derrotados pelos Máximos, depois da morte de um deles, supostamente pelas mãos de nossos heróis. Apesar da pancadaria, a história não é das melhores. No fim, Bizarro e Batzarro partem para o resgate (ou não). O grande lance destas histórias são os recordatórios, com as divergências de opiniões entre Batman e Superman. Mas é pouco pra fazer desta uma história legal. Nota 6,0.

Mulher-Maravilha
Greg Rucka, Dave Johnson e Rags Morales
Na primeira história, desenhada por Dave Johnson, Greg Rucka sai-se bem melhor que Geoff Johns na trama iniciada em LJA 42, na qual Zoom junta-se à Mulher-Leopardo e seus inimigos naturais (Flash e Mulher-Maravilha, claro), também. Apesar disso, é melhor que a visão de Diana volte logo, pois já está ficando difícil acreditar que ela praticamente não foi afetada por sua perda. A Mulher faz de tudo, é pior do que a menina de América! Nota 7,0.
Na segunda, Diana é enviada por Atenas para resgatar Hermes da sua prisão no Tártaro, o reino dos mortos comandado por Hades, irmão de Zeus, que, junto com ele e Ares, prepara um revide pela sua deposição do trono do Olimpo. Acompanhando a amazona, vão a Moça-Maravilha e o minotauro Ferdinand, que tem motivos pessoais na busca. Rucka brilha como sempre e Morales, apesar de desenhar rostos estranhos, é um bom narrador. Nota 8,5.

Arqueiro Verde
Judd Winick e Eric Battle
Este tal de Battle é um desenhista horrível! O Arqueiro merecia alguém melhor. A história de Winick não é ruim, mas, pô... Arsenal apanhando até a beira da morte de novo? Já chega, né? O cara se tornou o saco de pancadas favorito dos escritores e passa o diabo nas mãos do nanico Drakon. Enquanto os Renegados dão uma força aos arqueiros - afinal, Roy é um deles - o misterioso mandante dos ataques a Ollie e seus protegidos é revelado: o novo e aboiolado Charada! Da primeira vez foi fácil, mas, e agora? História legal, prejudicada pela arte porca! Nota 8,0.

Superman & Batman 12
(Junho 2006) - 100 páginas - R$ 6,90

05/07/2006

Grandes Clássicos DC 6 - Lanterna Verde & Arqueiro Verde, Vol. 1


Quando assumiu o título do Lanterna Verde, em 1970, Dennis O'Neill deixou pra trás a cansada moda dos vilões alienígenas e/ou robóticos e mirou nos dramas que atormentavam o american way of life naquela época - afinal, o Vietnã havia cobrado sua cota de sangue e a inocência veio por terra com o fim do sonho hippie.

Assim, com a ajuda do artista Neal Adams, colocou o Lanterna Verde (Hal Jordan) numa caminhonete com o Arqueiro Verde (com a eventual companhia de um guardião do universo ou da Canário Negro) e, juntos, os heróis descobriram o lado escuro da alma americana: a exploração trabalhista, e explosão do consumo de drogas, a crueldade com os índios, a poluição ambiental e alguns outros aspectos.

Ainda que hoje, depois de tanto realismo injetado nos quadrinhos nos anos seguintes, as histórias pareçam simplistas, para a época foi tudo um assombro e trouxe um ar de relevância a um veículo artístico tido como "menor", ainda mais dentro da DC Comics, que sempre primou pelo conceitos fantásticos, ao contrário do "pé-no-chão" da Marvel. As chagas da América são profundas, mas, neste caso, também, extremamente prazerosas. Excelente leitura! Nota 10.

Grandes Clássicos DC 6
(Março 2006, setorizada) - 180 páginas - R$ 24,90.