20/12/2006

Ivetão rocks!

Ivetão rocks!

Você pode até não gostar da música dela, mas, a capa da Rolling Stone de dezembro está aí pra não deixar dúvidas: a bola de Ivete Sangalo está muito cheia. Apesar do ecletismo exagerado dos convidados e do fato de ela ter umas músicas bem chatas, não dá pra negar: ninguém no Brasil, além dela, faz um show desses. Clique aqui para ver outras imagens.

15/12/2006

Rapidinhas (com um breve adeus)

Rapidinhas (com um breve adeus)

>> DC: A Nova Fronteira 2 é, por incrível que pareça, ainda melhor do que o primeiro volume. Nele, somos reapresentados ao verdadeiro conceito de heroísmo, que passa longe de simplesmente furar pessoas com balas ou garras. Nas mãos de Darwyn Cooke, ficaram os prêmios e a honra de continuar o trabalho de Will Eisner (com o Spirit). Nas nossas, o panteão da DC em toda a sua glória original, nostalgicamente a caminho do futuro, em mais um clássico que nasce. Nota 10.

>> Depois do esquisitão Iggy Pop, a Rolling Stone botou Ivete Sangalo, linda, na capa e mostrou que veio mesmo para ficar. A pluralidade temática agrada até a quem não estava acostumado a comprar revistas de showbusiness. Não à toa, pois quem tem c*, tem medo, a Bizz anunciou, para 2007, mudanças editoriais e ação em diversas frentes – aliás, vale o elogio, a edição de dezembro está muito bacana. Quem vai ganhar essa briga? O leitor, claro!

>> Não sei quanto a vocês
, mas, eu mal via a hora de estar em férias – e o grande dia chegou! Saibam que certos morcegos adoram o sol, e este aqui vai espreguiçar suas asas em alguma praia do litoral baiano. Deixo-os com minhas impressões sobre o que consumi (ou fui obrigado a engolir) de cultura pop em 2006 e com a obrigação de registrar seu voto para o Troféu Catapop 2007! Abraço a todos!

Rebobinando 2006 - Música

Rebobinando 2006 - Música

O mainstream pop brasileiro atingiu níveis inacreditavelmente baixos ao longo do ano, com as paradas dominadas pelas canções mais quadradas, babacas e sem-sal possíveis. O “reggae de cachoeira” faz estragos o ano todo, com as insuportáveis “Desenho de Deus”, de Armandinho (juro, uma das piores coisas que já ouvi na vida) e “Me Namora” (Edu Ribeiro) tocando em todo lugar.

As trilhas de novelas forçaram o aparecimento mais candidatas ao anonimato: a “globalizada” Marina Elali, que canta em inglês (culpada pela melosa “One Last Cry”) e a bela Tânia Mara, com a gradiloqüente e enjoativa “Se Quiser”. Pior que isso, só mesmo a sonolenta “Eu Sei”, dos Papas da Língua (quem?).

A Calypsomania colocou o brega paraense em todas as rádios e canais e está impossível não notar: o Brasil assumiu sua cara feia e desdentada, decretando que o brega é chique, que o ruim é bom, e que o feio é bonito. Pior ainda é ter Regina Casé enaltecendo porcarias na TV, como se fossem o que há de mais legal na vida. Dá um tempo, sua gorda escrota!

Pode colocar a culpa desse caos na grave estagnação da nossa cena roqueira, também. Tivemos uma dose cavalar de tudo que menos precisávamos: clones do CPM 22! Fresno, NxZero e Hateen são os mais recentes filhotes da nefasta linhagem emo, ou hardcore melódico, ou seja lá como chamem esse estrume. Pessoal, tem gente com mais de 15 anos que também ouve música, sabiam?

Os medalhões não ajudaram, apelando para mais discos ao vivo (Barão Vermelho), acústicos (O Rappa) e trabalhos inéditos com o pé no freio (Skank). Dizem que a cena independente fervilha na internet. Como ponto de partida, tudo bem, mas, o que martela na nossa cabeça todos os dias é a FM e a TV. Longe desses canais, pode ser a coisa mais legal do mundo, mas, vai nascer e morrer sem atingir um público decente.

Pra não dizer que foi tudo uma droga, Caetano Veloso (sim, aquele sessentão egocêntrico, auto-indulgente e chegado a polêmicas baratas) lançou um disco enxuto e surpreendente, , cheirando a sexo e a ódio. Sandy & Júnior também me surpreenderam: a julgar por algumas faixas de trabalho, eles estão refinando sua música. Esqueça o preconceito e preste atenção nos refrãos, nos timbres... pouca gente faz pop desse nível no Brasil. Daqui a um tempo, quando os “anos histéricos” tiverem ficado para trás de vez, será possível curti-los numa boa.

Encerrando, um apelo final: chega de Zeca Pagodinho! Não que sua música não seja legal, mas, ver sua cara de cachaceiro na TV um dia sim, e o outro também, é dose! (“Opa, uma pra mim, também”, diz o Zeca)

As cinco melhores músicas do ano (não, não tem nenhuma brasileira!)
“Another Sunny Day”, Belle & Sebastian
“Crazy”, Gnarls Barkley
“I Don’t Feel Like Dancing”, Scissor Sisters
“Sexyback”, Justin Timberlake
“Stormy Weather”, Echo & The Bunnymen

Rebobinando 2006 – Quadrinhos

Rebobinando 2006 – Quadrinhos

A maior saga do ano não saiu da cabeça de nenhum roteirista, nem foi estrelada por nenhum de nossos heróis favoritos. Não, meus caros. Os protagonistas do mais bombástico (alguns diriam “bobástico”) acontecimento do ano foram editores e executivos americanos e brasileiros, em busca de um possível novo lar para a DC Comics em nosso país.

Segundo Fabiano Denardin, editor de especiais da Panini/DC, “a crise nas infinitas editoras chegou ao fim”. Para bom entendedor, meia palavra basta: a Panini deve continuar sendo a casa da DC Comics no Brasil, pondo fim à negociação mais secreta e tensa dos últimos anos, que se estendeu durante quase 90 dias e, até este momento, não teve confirmação oficial, com todas as letras.

O infindável rolo, que fez os leitores mais ansiosos arrancarem os cabelos e perderem o sono, começou em setembro, quando o Universo HQ divulgou que a DC adotara a Pixel Media como nova parceira, para estender a competição com a Marvel para além-EUA e beneficiar os leitores brasileiros com mais títulos e menores preços. Me engana que eu gosto! A rasteira na Pixel serviu para a gente se desiludir de uma vez: quadrinhos não são filantropia, os caras gostam mesmo é de dinheiro - e isso inclui suportar andar de mãozinhas dadas com a sempre privilegiada concorrente. Detalhe: o bafafá todo ocorreu exatamente durante o lançamento de Dinastia M, da Marvel, que teve seu potencial de polêmica esvaziado pela novela DC/Pixel. Será que foi de propósito?

Seja como for, a Panini não deixou por menos e se transformou num monstro monopolista, que ficará ainda maior em 2007: além de DC, Marvel, mangás e quadrinhos europeus, eles abocanharam a Top Cow e serão a nova casa da Turma da Mônica a partir de janeiro. Se houve uma derrota, foi a mudança de nome da revista Wizard, cujo copyright no Brasil pertence à franquia de idiomas, para o insosso Wizmania. Incrível mesmo é que, com tamanho poderio, a Panini não consiga impor ordem à bagunçadíssima distribuição da Canaglia... ops, Chinaglia!

Rebobinando 2006 – Cinema

Rebobinando 2006 – Cinema

Quero começar esta retrospectiva com um pedido de Natal: em 2007, eu quero ver o fim dos filmes sobre serial killers com mortes esdrúxulas e dos filmes de terror japoneses. Eu sei que é praticamente impossível, mas, pedir não custa nada. Já deu no saco. Chega de aparições japonesas com a cara pintada de branco e de finais “surpreendentes”!

Destaco os filmes abaixo entre os lançamentos de 2006. Ordem meramente alfabética.

Crash – No Limite
O filme de Paul Haggis tirou o Oscar das mãos de Brokeback Mountain. Polêmicas meritórias à parte, este filme é daqueles a que não se fica indiferente. Histórias aparentemente desconexas vão se interligando numa teia de racismo, medo e paranóia. Um filme que radiografa tão bem a alma norte-americana de hoje e consegue extrair grandes atuações de Matt Dillon e Sandra Bullock tem mais é que ser premiado mesmo.

O Grande Truque
Não apenas um “filme de mágicos”, este é um filme mágico. Contando com um elenco simplesmente extraordinário, Christopher Nolan transformou a saga de agressiva rivalidade entre dois ilusionistas no filme mais intrigante de 2006. Ciência de mentira? Magia de verdade? Você está olhando atentamente?

Superman – O Retorno
O maior dos heróis voltou às telas em grande estilo, com o carimbo do prestigiado Bryan Singer (X-Men 1 e 2). O desconhecido Brandon Routh deu novo rosto ao herói que, no imaginário popular, sempre teve as feições de Christopher Reeve. Apaixonado pelos filmes clássicos, Singer fez prevalecer o drama sobre a ação, mas, já promete corrigir esta pequena mancada na continuação, em 2009.

V de Vingança
Renegado por Alan Moore, autor da minissérie que o deu origem, este filme foi uma agradável surpresa, depois da frieza de Constantine e da ruindade gritante de Mulher-Gato. Onde todo mundo esperava pirotecnias mil, os Irmãos Wachovski souberam ser discretos e deixaram que a força subversiva magnética da história reinasse. Mesmo distante do original, um filme nerd que valeu a pena.

X-Men – O Confronto Final
Para garantir que ninguém ficasse fazendo comparações com o trabalho de Bryan Singer nos dois filmes anteriores, Brett Ratner optou por deixar as discussões filosóficas na superfície e caprichar nas cenas de ação, dando aos fãs uma espécie de “gibi filmado” com que eles sempre sonharam, frenético e de curta duração. Você esperou pra ver aquela cena depois dos créditos, né?

14/12/2006

Damn Blogger!!!

Damn Blogger!!!

Pessoal, o Blogger está de TPM e sacaneou nosso sistema de comentários. Em seu lugar, colocamos o Haloscan, que parece meio lerdo na atualização, mas, deve quebrar um galho. Se e quando as coisas voltarem ao normal com o Blogger, os antigos pitacos de vocês devem retornar. Mas, se a gente tomar gosto pelo Haloscan, ele fica.

Abraço a todos!

07/12/2006

MTV sem M

MTV sem M

Qual a primeira coisa que lhe vêm à cabeça quando se fala na MTV? Clips, certo? Pois se você gosta de clips e da MTV, prepare-se para uma notícia que parece pegadinha: a MTV Brasil não vai mais exibir clips. Isso mesmo. A filial nacional da emissora americana, que estreou em 1981 passando vídeos musicais 24 horas por dia, anunciou esta semana que os poucos clips restantes estarão restritos à alta madrugada ou a trechos em programas como o Top Top.

Segundo o diretor da MTV Brasil, Zico Góes (anote este nome: no futuro, quando se falar do fim da MTV, será ele o culpado), “clips derrubam a audiência” e a intenção agora é investir ainda mais em programas de comportamento, como as já consagradas “maravilhas” Beija Sapo, Ponto Pê, Gordo Freak Show e outras de igual quilate. Segundo ele, também, o público que quer ver clipes não liga mais a TV e, sim, o computador, para procurar no YouTube o clip que lhe agrada.

É triste ver a miopia de certas pessoas que se acham geniais. A MTV americana, por acaso, vai deixar de exibir clips? Ela tem medo de fechar? Muito pelo contrário, abriu mais dois canais-irmãos, a MTV Latino e a MTV Soul, que passam clips praticamente o tempo inteiro. Quanto à internet, existe uma grande parcela da população que não possui banda larga em casa e assistir clips em conexão discada exige paciência de Jó. Claro que alguém que mora nas capitais onde a MTV tem sinal aberto (Salvador, por exemplo) e quer ver clips, vai primeiro pensar neste bendito canal e não em correr para um cyber café.

Pois eu tenho uma teoria para este triste estado das coisas: a culpa é toda deste senhor, Zico Góes, que resolveu investir todas as fichas da emissora no volúvel público adolescente (gente que muda de opinião e de gosto a cada segundo e, portanto, pode gostar da MTV hoje e odiá-la amanhã), afugentando os adultos interessados, com programas cada vez mais vazios e imbecis, além de priorizar artistas cada vez mais rasteiros. De cada cinco clips exibidos na MTV nos últimos três anos, três pareciam reservados para Pitty, CPM 22 e Charlie Brown Jr. A mesmice e a repetição tornaram-se regra e, assim, não há amor aos clips que resista.

Então, já que agora, paradoxalmente, “music” é algo que não existe na Music Television Brasil, sugiro algumas mudanças para o nome do canal. Pode ser STV (Sex Television, já que a putaria corre solta em certos programas), ZTV (Zico Television, em homenagem ao gênio por trás da decadência do canal) ou, para não ficar muito diferente, pode ser RMTV (Retardamento Mental Television – esse eu não vou precisar explicar, né?).

05/12/2006

Marvel Millennium Anual 1

Marvel Millennium Anual 1

Aqui está uma revista que vale cada centavo deste extorsivo preço de capa! A Marvel caprihou nas ediões anuais da linha Ultimate. A Panini só comeu bola ao permitir que esta edição só chegasse às bancas depois de MMHA 58, que traz acontecimentos posteriores, no caso dos Supremos.

Homem-Aranha
(Bendis/Brooks)
Se Peter Parker e Kitty Pryde estão sofrendo com os mesmos problemas (o fim do namoro, o deslocamento em seus grupos), por que não sofrer juntos? Brian Bendis traz uma bem-vinda novidade ao universo do Aranha: Peter e Kitty começam a namorar! Tudo isso com aqueles dálogos de quem sabe tudo sobre a cabecinha oca dos jovens americanos. O vai-não-vai entre os dois rende cenas excelentes. Mark Brooks parece querer desenhar igual a Mark Bagley. Melhor sorte na sua próxima escolha de referênias, Brooks! Nota 10.

Quarteto Fantástico
(Millar/Lee)
Nesta história, nós e o Quarteto somos apresentados aos Inumanos do Ultiverso ligeiramente diferentes dos tradicionais (por exemplo, há uma Górgona, ao invés de um Górgon). O encontro é motivado pela fuga de Crystalis, que nem a pau quer se casar com o irmão de Raio Negro, Maximus. A loirinha acaba sendo levada de volta e o Quarteto se mete no que deveria ser uma missão de resgate, mas, que toma um rumo inesperado. A arte de Jae Lee tem detratores, mas, eu gosto. Nota 8,0.

X-Men
(Vaughan/Raney)
Gambit e Vampira roubam o rubi Cytorak de um cassino dos Fenris, mas, a chegada do Fanático acaba no de sempre: muita porrada! O grandão quer reconquistar Vampira (sim, bate um coração dentro daquela máquina desgovernada) e coloca Gambit no seu devido lugar, ao dizer "este deve ser o poder mais ridículo que eu já vi!". No calor da batalha, o cajun comete uma burrada das grandes e o que começou mal, acaba bem pior. Muita ação e uma surpresinha no final. A arte de Raney é sempre bem-vinda. Nota 9,0.

Os Supremos
(Millar/Dillon)
Se os Supremos já são o filé do filé na revista mensal, não seria numa edição especial que Millar ia deixar a peteca cair. Com desenhos de Steve Dillon, aqui conhecemos os bastidores da operação de expansão do programa de supersoldados, que o governo reprova e que desperta a ira dos inimigos dos EUA, resultando no que vimos em MMHA 58. Nick Fury mostra por que é o cara e última página leva a gente a exclamar, "mas que tremendo motherfucker, esse Fury!" Ciência, tecnologia e força bruta a serviço do império estadunidense. Eles bem que mereceram a trozoba que levaram. Nota 10.

Marvel Millennium Anual 1 - Panini - 164 páginas - R$ 16,90