24/12/2006

Os Nerds Acreditam nos seus Mitos?

Os Nerds Acreditam nos seus Mitos?

É chegado o momento da tradicional mensagem de Natal do Catapop. Tão tradicional que é quase igual à do ano passado, hehehe...


Existe um momento interessante na vida de uma criança. Em um determinado ano ela sabe que os seus pais colocam os presentes no pinheiro na noite de Natal. Mas, apesar disso, ela continua acreditando no Papai Noel. Nesse momento muito especial da vida, a criança acredita em duas coisas (aparentemente contraditórias) ao mesmo tempo: ela sabe a “verdade”, mas continua acreditando no bom velhinho. Ela já foi apresentada à realidade, mas recusa-se a abandonar a fantasia. Ao menos naquele Natal, ela vai acreditar nas duas coisas.

Quando eu era criança, achava que podia pular de um prédio ao outro como fazia o Homem-Aranha nas revistas em formatinho da Editora Abril. Eu sonhava que conseguia dar saltos gigantescos e nem sempre estava dormindo quando fazia isso. Mas eu nunca tentei colocar em prática esses sonhos. Eu nunca pulei da janela como o Homem-Aranha para provar que eu tinha superpoderes. Mas isso não significa que eu não acreditava que podia fazê-lo...

Eu acho que isso tem a ver com todos vocês. Afinal de contas, o que faz um adulto entrar numa banca de revistas para comprar quadrinhos de super-heróis? A minha resposta é simples. Assim como as crianças, os nerds (independente da idade) sempre acreditam nos seus mitos.

É uma maneira muito especial de acreditar. É parecido com aquele Natal, quando a gente acredita no Papai Noel mesmo sabendo que ele não existe. É algo difícil de explicar, mas quem é nerd sabe. Quando lemos uma revista em quadrinhos, a gente acredita em tudo aquilo. Acreditamos que algumas pessoas voam, que outras têm pele de pedra, que alguns têm esqueleto de metal, ou poderes telecinéticos...

Entretanto, alguns personagens não têm nenhum superpoder e mesmo assim conseguem ser heróis. Eu nunca vou esquecer a cena em que o Batman quebra a cara do Supeman em “Cavaleiro das Trevas”! E são justamente estes heróis sem superpoderes a nos mostrar que é possível acreditar em mitos sem ser um lunático. Sem precisar se atirar da janela para ver se consegue voar. Pois os heróis de verdade estão aí. Não têm superpoderes, mas fazem coisas "impossíveis".

Para realizar mudanças é necessário acreditar que as coisas podem ser mudadas. Por isso, acreditar não significa alienar-se. Ao contrário, acreditar nos mitos dos quadrinhos significa ter a consciência de que pessoas comuns podem fazer coisas incríveis.

Acredite nisso e você vai fazer a diferença no mundo em que vivemos. Feliz Natal e um próspero 2007 para todos os leitores do Catapop. Vocês são pessoas especiais. Sabem por quê? Porque quem continua acreditando nos seus mitos de infância, continua sempre acreditando nos seus sonhos. Vivam a realidade, amigos, mas não abandonem a fantasia.

21/12/2006

Troféu Catapop 2006

Troféu Catapop 2006


Caro leitor,

Depois do sucesso estrondoso da edição 2005 do Troféu Catapop, chegou o momento de escolher os melhores de 2006. Este foi um bom ano para os quadrinhos, não apenas pela quantidade absurda de opções nas bancas - apesar do preço salgado de boa parte dos lançamentos - mas, mais importante ainda, pelo alto nível alcançado em boa parte destes. Você tem em mãos algumas opções para escolher os seus melhores do ano, mas, fique à vontade para sair do segmento Marvel/DC (que é aquilo que nós manjamos mais) e votar em mangás, europeus, Disney, Maurício, em quem você quiser. O Troféu Catapop reflete a verdade do leitor do nosso blog.

Lembre-se, o Troféu Catapop refere-se aos lançamentos de quadrinhos ocorridos no Brasil, no ano de 2006.

COMO VOTAR:
mande um e-mail para:
catapopmail@gmail.com
ou vote pela comunidade do orkut

Vocês têm até o final de janeiro para votar. Um grande abraço.

Marlo e Chang


OS INDICADOS:


Revista Mensal

Demolidor
Liga da Justiça
Marvel Max
Marvel Millennium
Novos Titãs
Os Novos Vingadores
Superman
Superman & Batman
X-Men Extra
Wolverine
Outra


Melhor Saga

Decálogo (Demolidor)
Os Infiltrados (Novos Titãs e Renegados)
Inimigo do Estado (Wolverine)
Agente da SHIELD (Wolverine)
Poder Absoluto (Superman & Batman)
Perigo (Surpreendentes X-Men)
Petrificada (Mulher-Maravilha vs. Medusa)
Sacrifício (Superman e Mulher-Maravilha)
Os Supremos Vol. 2
A Zona N (Quarteto Fantástico Millennium)
Motim (Novos Vingadores)
Outra


Roteirista

Brian Bendis (Demolidor, Novos Vingadores, Homem-Aranha Millennium)
Darwyn Cooke (DC: A Nova Fronteira)
Geoff Johns (LJA, Titãs, Lanterna Verde, SJA)
Greg Rucka (Mulher-Maravilha, Superman, Projeto OMAC)
Joss Whedon (Surpreendentes X-Men)
Mark Millar (Supremos, Wolverine)
Warren Ellis (Pesadelo Supremo)
Outro


Artista

Alex Maleev (Demolidor)
Bryan Hitch (Supremos)
Darwyn Cooke (DC: A Nova Fronteira)
David Finch (Novos Vingadores)
Doug Mahnke (Batman)
Drew Johnson (Mulher-Maravilha)
Ed Benes (Superman)
Greg Land (Quarteto Fantástico Millennium, Phoenix Endsong)
Ivan Reis (Guerra Rann-Thanagar)
Jesus Saiz (Projeto OMAC)
John Cassaday (Surpreendentes X-Men)
John Romita Jr. (Wolverine)
Steve McNiven (Pesadelo Supremo, Novos Vingadores)
Outro


Melhor Capa (aguardem um post só com as capas)

Batman 37
Contagem Regressiva Para Crise Infinita 4
Demolidor 30
Os Novos Vingadores 28
Liga da Justiça 44
Marvel Millennium 51
X-Men Extra 51
Dinastia M 2 (capa alternativa)
Crise Infinita 1 – edição especial
X-Men Extra 58
Outra


Melhor Especial ou Minissérie

Contagem Regressiva Para Crise Infinita
DC: A Nova Fronteira
Dinastia M
Pesadelo Supremo
Outra


Melhor Relançamento

Grandes Clássicos DC 6 e 7 - Lanterna Verde e Arqueiro Verde
Grandes Clássicos DC 8 - Superman: As Quatro Estações
Grandes Clássicos DC 9 - As Histórias de Alan Moore
Os Maiores Clássicos do Quarteto Fantástico Vol. 2
Os Maiores Clássicos do Thor
Os Maiores Clássicos dos Vingadores
A Saga da Fênix Negra
X-Men Millennium - O Povo do Amanhã
Outro


Melhor Filme Nerd

Piratas do Caribe 2
Superman - O Retorno
V de Vingança
X-Men: O Confronto Final
Outro


Fiasco do Ano

O anúncio de Jeph Loeb e Joe Madureira em Os Supremos (e depois ainda tem Ed McGuinness!)
O interminável rolo entre a DC, a Pixel e a Panini.
Rob Liefeld vivo e “desenhando”
A MTV sem clips a partir de 2007
Outro

20/12/2006

Ivetão rocks!

Ivetão rocks!

Você pode até não gostar da música dela, mas, a capa da Rolling Stone de dezembro está aí pra não deixar dúvidas: a bola de Ivete Sangalo está muito cheia. Apesar do ecletismo exagerado dos convidados e do fato de ela ter umas músicas bem chatas, não dá pra negar: ninguém no Brasil, além dela, faz um show desses. Clique aqui para ver outras imagens.

Os Novos Vingadores 34

Os Novos Vingadores 34

Uma edição onde os roteiristas deixaram a peteca cair...

Sentinela – Conclusão
Roteiro: Brian Michael Bendis – Desenhos: Steve McNiven

Emma Frost entra na mente de Bob Reynolds, o Sentinela, para tentar ajudá-lo a recuperar a sanidade. Enquanto isso, ele usa seus poderes para cagar a pau os maiores super-heróis do mundo. Sozinho, o Sentinela (ou seu lado sombrio, o Vácuo) arrebenta os Vingadores, os Inumanos, os X-Men e o Quarteto Fantástico.

Emma descobre que o Sentinela era um grande herói, mas ninguém lembra dele porque sua mente foi manipulada. Ele mesmo esqueceu quem era, e fez com que todo o mundo também esquecesse. Entenderam?

O que eu acho disso tudo: Bendis vinha fazendo um bom trabalho com os Novos Vingadores até esse arco. A história do Sentinela é simplesmente absurda. A começar pelo nome do personagem, que remete automaticamente aos robôzões que a gente já conhecia. Não tinha outro nome pra colocar?

O Sentinela é uma mistura do Thor com o escoteiro da DC Comics. Ele foi inserido à marra na genealogia da Marvel. É como se ele sempre tivesse existido mas a gente não soubesse. Todas as pessoas do mundo foram manipuladas para esquecê-lo, incluindo a gente, os leitores.

O uniforme é meio gay, a genealogia absurda e arbitrária, ele tem poderes demais (o cara deu um cacete nos X-Men, Inumanos, Vingadores e Quarteto… Tá difícil de engolir essa. Eu não li a mini-serie do Jenkins que explica a origem do Sentinela. Mas duvido que faça alguma diferença pra essa confusão toda.

Apesar do Steve McNiven ruleiar total, o Bendis viajou na maionese. Nota 5.


Homem de Ferro: Dinastia M – Capítulo 3
Roteiro: Greg Pak – Desenhos Pat Lee

No universo da Dinastia M, Tony Stark é apenas uma sombra de seu pai, o autoritário Howard Stark. As duas gerações Stark se enfrentam em meio ao confronto entre Sentinelas e humanos. Participações de Johnny Storm e Henry Pym. Fraco. Nota 5.

Capitão América: O Soldado Invernal – Parte 2
Roteiro: Ed Brubaker – Desenhos: Michael Lark

Investigações da SHIELD levam a crer que Bucky, parceiro do Capitão América na Segunda Guerra Mundial, está vivo e virou um agente inimigo. Ele estaria trabalhando para o general russo Aleksander Lukin, assassino do Caveira Vermelha e detentor do Cubo Cósmico. O Capita e a SHIELD tentam eliminar Lukin mas esbarram na politicagem do governo dos EUA. Bons desenhos de Lark e roteiro razoável de Brubaker, embora eu ache que deveriam deixar o Bucky descansar em paz. Nota 6.

Jovens Vingadores: Identidades Secretas – Parte 2
Roteiro: Allan Heinberg – Desenhos: Andréa Divito

Os Jovens Vingadores enfrentam Mister Hyde. O Patriota é flagrado se drogando com MGH, o hormônio de crescimento mutante. Após o confronto, o jovem bandeiroso abandona o grupo depois de confessar que seus poderes vêm de doses de MGH. Acho que não precisavam queimar o Patriota desse jeito. Mas tem que acostumar, de cabeça de roteirista saem coisas estranhas mesmo... Nota 6.

Os Novos Vingadores 34
Panini Comics
Novembro de 2006
R$ 6,90

19/12/2006

DC fica na Panini

DC fica na Panini

Fim da novela: leia
aqui.

Morreu Joseph Barbera

Morreu Joseph Barbera


Morreu nesta segunda-feira, aos 95 anos de idade, Joseph Barbera. Junto com Willian Hanna (falecido em 2001) ele criou personagens como Zé Colméia, Tom e Jerry, Os Flinstones, Os Jetsons e Scooby Doo.

Fica aqui a homenagem do Catapop a esse gênio do entretenimento. Clique na imagem abaixo para assistir a cena antológica onde Gene Kelly contracena com Jerry no filme "Anchors Aweigh", que marcou a estréia do ratinho mais famoso do estúdio Hanna-Barbera.

18/12/2006

A Vida é uma Pegadinha

A Vida é uma pegadinha



Sensacional esse vídeo de 6 minutos que foi ao ar no Fantástico de ontem. Selton Mello, sob direção de João Falcão, interpreta um cara que acredita que a sua vida é um programa de TV. Clique na imagem para assistir. Vale a pena.

Parabéns Inter

Parabéns Inter

15/12/2006

Rapidinhas (com um breve adeus)

Rapidinhas (com um breve adeus)

>> DC: A Nova Fronteira 2 é, por incrível que pareça, ainda melhor do que o primeiro volume. Nele, somos reapresentados ao verdadeiro conceito de heroísmo, que passa longe de simplesmente furar pessoas com balas ou garras. Nas mãos de Darwyn Cooke, ficaram os prêmios e a honra de continuar o trabalho de Will Eisner (com o Spirit). Nas nossas, o panteão da DC em toda a sua glória original, nostalgicamente a caminho do futuro, em mais um clássico que nasce. Nota 10.

>> Depois do esquisitão Iggy Pop, a Rolling Stone botou Ivete Sangalo, linda, na capa e mostrou que veio mesmo para ficar. A pluralidade temática agrada até a quem não estava acostumado a comprar revistas de showbusiness. Não à toa, pois quem tem c*, tem medo, a Bizz anunciou, para 2007, mudanças editoriais e ação em diversas frentes – aliás, vale o elogio, a edição de dezembro está muito bacana. Quem vai ganhar essa briga? O leitor, claro!

>> Não sei quanto a vocês
, mas, eu mal via a hora de estar em férias – e o grande dia chegou! Saibam que certos morcegos adoram o sol, e este aqui vai espreguiçar suas asas em alguma praia do litoral baiano. Deixo-os com minhas impressões sobre o que consumi (ou fui obrigado a engolir) de cultura pop em 2006 e com a obrigação de registrar seu voto para o Troféu Catapop 2007! O honorável Chang fará contato e dirá como. Se bater saudade, eu mando um flash, em edição extraordinária. Se não, nos vemos em janeiro! Abraço a todos!

Rebobinando 2006 - Música

Rebobinando 2006 - Música

O mainstream pop brasileiro atingiu níveis inacreditavelmente baixos ao longo do ano, com as paradas dominadas pelas canções mais quadradas, babacas e sem-sal possíveis. O “reggae de cachoeira” faz estragos o ano todo, com as insuportáveis “Desenho de Deus”, de Armandinho (juro, uma das piores coisas que já ouvi na vida) e “Me Namora” (Edu Ribeiro) tocando em todo lugar.

As trilhas de novelas forçaram o aparecimento mais candidatas ao anonimato: a “globalizada” Marina Elali, que canta em inglês (culpada pela melosa “One Last Cry”) e a bela Tânia Mara, com a gradiloqüente e enjoativa “Se Quiser”. Pior que isso, só mesmo a sonolenta “Eu Sei”, dos Papas da Língua (quem?).

A Calypsomania colocou o brega paraense em todas as rádios e canais e está impossível não notar: o Brasil assumiu sua cara feia e desdentada, decretando que o brega é chique, que o ruim é bom, e que o feio é bonito. Pior ainda é ter Regina Casé enaltecendo porcarias na TV, como se fossem o que há de mais legal na vida. Dá um tempo, sua gorda escrota!

Pode colocar a culpa desse caos na grave estagnação da nossa cena roqueira, também. Tivemos uma dose cavalar de tudo que menos precisávamos: clones do CPM 22! Fresno, NxZero e Hateen são os mais recentes filhotes da nefasta linhagem emo, ou hardcore melódico, ou seja lá como chamem esse estrume. Pessoal, tem gente com mais de 15 anos que também ouve música, sabiam?

Os medalhões não ajudaram, apelando para mais discos ao vivo (Barão Vermelho), acústicos (O Rappa) e trabalhos inéditos com o pé no freio (Skank). Dizem que a cena independente fervilha na internet. Como ponto de partida, tudo bem, mas, o que martela na nossa cabeça todos os dias é a FM e a TV. Longe desses canais, pode ser a coisa mais legal do mundo, mas, vai nascer e morrer sem atingir um público decente.

Pra não dizer que foi tudo uma droga, Caetano Veloso (sim, aquele sessentão egocêntrico, auto-indulgente e chegado a polêmicas baratas) lançou um disco enxuto e surpreendente, , cheirando a sexo e a ódio. Sandy & Júnior também me surpreenderam: a julgar por algumas faixas de trabalho, eles estão refinando sua música. Esqueça o preconceito e preste atenção nos refrãos, nos timbres... pouca gente faz pop desse nível no Brasil. Daqui a um tempo, quando os “anos histéricos” tiverem ficado para trás de vez, será possível curti-los numa boa.

Encerrando, um apelo final: chega de Zeca Pagodinho! Não que sua música não seja legal, mas, ver sua cara de cachaceiro na TV um dia sim, e o outro também, é dose! (“Opa, uma pra mim, também”, diz o Zeca)

As cinco melhores músicas do ano (não, não tem nenhuma brasileira!)
“Another Sunny Day”, Belle & Sebastian
“Crazy”, Gnarls Barkley
“I Don’t Feel Like Dancing”, Scissor Sisters
“Sexyback”, Justin Timberlake
“Stormy Weather”, Echo & The Bunnymen

Rebobinando 2006 – Quadrinhos

Rebobinando 2006 – Quadrinhos

A maior saga do ano não saiu da cabeça de nenhum roteirista, nem foi estrelada por nenhum de nossos heróis favoritos. Não, meus caros. Os protagonistas do mais bombástico (alguns diriam “bobástico”) acontecimento do ano foram editores e executivos americanos e brasileiros, em busca de um possível novo lar para a DC Comics em nosso país.

Segundo Fabiano Denardin, editor de especiais da Panini/DC, “a crise nas infinitas editoras chegou ao fim”. Para bom entendedor, meia palavra basta: a Panini deve continuar sendo a casa da DC Comics no Brasil, pondo fim à negociação mais secreta e tensa dos últimos anos, que se estendeu durante quase 90 dias e, até este momento, não teve confirmação oficial, com todas as letras.

O infindável rolo, que fez os leitores mais ansiosos arrancarem os cabelos e perderem o sono, começou em setembro, quando o Universo HQ divulgou que a DC adotara a Pixel Media como nova parceira, para estender a competição com a Marvel para além-EUA e beneficiar os leitores brasileiros com mais títulos e menores preços. Me engana que eu gosto! A rasteira na Pixel serviu para a gente se desiludir de uma vez: quadrinhos não são filantropia, os caras gostam mesmo é de dinheiro - e isso inclui suportar andar de mãozinhas dadas com a sempre privilegiada concorrente. Detalhe: o bafafá todo ocorreu exatamente durante o lançamento de Dinastia M, da Marvel, que teve seu potencial de polêmica esvaziado pela novela DC/Pixel. Será que foi de propósito?

Seja como for, a Panini não deixou por menos e se transformou num monstro monopolista, que ficará ainda maior em 2007: além de DC, Marvel, mangás e quadrinhos europeus, eles abocanharam a Top Cow e serão a nova casa da Turma da Mônica a partir de janeiro. Se houve uma derrota, foi a mudança de nome da revista Wizard, cujo copyright no Brasil pertence à franquia de idiomas, para o insosso Wizmania. Incrível mesmo é que, com tamanho poderio, a Panini não consiga impor ordem à bagunçadíssima distribuição da Canaglia... ops, Chinaglia!

Rebobinando 2006 – Cinema

Rebobinando 2006 – Cinema

Quero começar esta retrospectiva com um pedido de Natal: em 2007, eu quero ver o fim dos filmes sobre serial killers com mortes esdrúxulas e dos filmes de terror japoneses. Eu sei que é praticamente impossível, mas, pedir não custa nada. Já deu no saco. Chega de aparições japonesas com a cara pintada de branco e de finais “surpreendentes”!

Destaco os filmes abaixo entre os lançamentos de 2006. Ordem meramente alfabética.

Crash – No Limite
O filme de Paul Haggis tirou o Oscar das mãos de Brokeback Mountain. Polêmicas meritórias à parte, este filme é daqueles a que não se fica indiferente. Histórias aparentemente desconexas vão se interligando numa teia de racismo, medo e paranóia. Um filme que radiografa tão bem a alma norte-americana de hoje e consegue extrair grandes atuações de Matt Dillon e Sandra Bullock tem mais é que ser premiado mesmo.

O Grande Truque
Não apenas um “filme de mágicos”, este é um filme mágico. Contando com um elenco simplesmente extraordinário, Christopher Nolan transformou a saga de agressiva rivalidade entre dois ilusionistas no filme mais intrigante de 2006. Ciência de mentira? Magia de verdade? Você está olhando atentamente?

Superman – O Retorno
O maior dos heróis voltou às telas em grande estilo, com o carimbo do prestigiado Bryan Singer (X-Men 1 e 2). O desconhecido Brandon Routh deu novo rosto ao herói que, no imaginário popular, sempre teve as feições de Christopher Reeve. Apaixonado pelos filmes clássicos, Singer fez prevalecer o drama sobre a ação, mas, já promete corrigir esta pequena mancada na continuação, em 2009.

V de Vingança
Renegado por Alan Moore, autor da minissérie que o deu origem, este filme foi uma agradável surpresa, depois da frieza de Constantine e da ruindade gritante de Mulher-Gato. Onde todo mundo esperava pirotecnias mil, os Irmãos Wachovski souberam ser discretos e deixaram que a força subversiva magnética da história reinasse. Mesmo distante do original, um filme nerd que valeu a pena.

X-Men – O Confronto Final
Para garantir que ninguém ficasse fazendo comparações com o trabalho de Bryan Singer nos dois filmes anteriores, Brett Ratner optou por deixar as discussões filosóficas na superfície e caprichar nas cenas de ação, dando aos fãs uma espécie de “gibi filmado” com que eles sempre sonharam, frenético e de curta duração. Você esperou pra ver aquela cena depois dos créditos, né?

14/12/2006

Corja de Ladrões

Corja de Ladrões


Pois acreditem no absurdo. Os Deputados Federais e Senadores dobraram o próprio salário. Vejam só que pouca vergonha:

Em 2003 os parlamentares aumentaram seu salário de R$ 8.280 para R$ 12.720;

Agora, dia 14 de dezembro de 2006, aumentaram de R$ 12.720 para R$ 24.500.

É realmente uma máfia. 7 senadores e 22 deputados participaram dessa reunião vergonhosa para a história do Brasil. Apenas 3 parlamentares votaram contra o assalto aos cofres públicos: a senadora Heloisa Helena (PSol-AL), o deputado Chico Alencar (PSol-AL) e o deputado Henrique Fontana (PT-RS).

Se fosse na Bolívia o povo ia para as ruas e quebrava tudo.

Clique aqui para ler a notícia.
Clique aqui para saber quem votou a favor da robalheira.

Damn Blogger!!!

Damn Blogger!!!

Pessoal, o Blogger está de TPM e sacaneou nosso sistema de comentários. Em seu lugar, colocamos o Haloscan, que parece meio lerdo na atualização, mas, deve quebrar um galho. Se e quando as coisas voltarem ao normal com o Blogger, os antigos pitacos de vocês devem retornar. Mas, se a gente tomar gosto pelo Haloscan, ele fica.

Abraço a todos!

11/12/2006

Turistas

Turistas
Em um país onde vale tudo, tudo pode acontecer...
(dito pelo narrador no trailer do filme)


Um grupo de jovens turistas norte-americanos se perde em uma floresta do Brasil. Logo eles estão ambientados com o paraíso: jogam futebol, sambam, curtem uma prainha. Entretanto, em uma festa, eles são dopados, roubados e viram alvo de psicopatas que querem retirar seus órgãos. Clique aqui para ver o trailer legendado.

Se você não estava na Sibéria nas últimas semanas deve saber da enorme polêmica que o filme vem causando no Brasil, mesmo antes de sua estréia. A Embratur já esperneou e disse que irá realizar uma campanha internacional para amenizar os possíveis danos que o filme traga à imagem do país. Ao mesmo tempo, internautas estão fazendo um movimento para que os brasileiros boicotem o filme nos cinemas.

Acho que para analisar o caso a gente precisa ir um pouco além do senso comum. Em primeiro lugar, deve ficar claro que o filme não é um documentário. Ele vai na onda de sucessos como Jogos Mortais, que misturam suspense, terror e cenas repugnantes resultando em um produto que lota os cinemas. Para mim isso é lógico: Quem paga ingresso para assistir Jogos Mortais vai ao cinema para assistir Turistas.

Eu não assisti nenhum dos Jogos Mortais, e nem pretendo fazê-lo. Tenho outras prioridades para gastar o meu tempo e dinheiro. Há muitos filmes bons esperando para serem assistidos, por isso não perco tempo com lixo. Mas respeito que deseja fazê-lo. Como dizem nossos amigos gringos, este é um país livre! Cada um tem o direito de fazer o que quiser com seu dinheiro! Inclusive rasgá-lo.

É justamente aí que está a diferença entre Turistas e as outras bobagens cinematográficas que o antecederam. Na visão do filme, o Brasil não é um país livre. Não é nem mesmo um país civilizado. O Brasil é retratado como a representação da barbárie, em contraposição ao espírito civilizador encarnado pelos EUA. Trata-se do conhecido “choque de civilizações” alardeado pela direita norte-americana, só que agora adaptado aos trópicos. Nesse choque, a expressão "civilizações" é apenas um eufemismo, visto que as culturas diferentes devem ser homogeneizadas pelo modelo estadunidense. Dessa forma só existe uma civilização.

A classe média norte americana é uma das mais ignorantes do mundo. Uma pesquisa revelou que a maioria dela acredita que o homem pré-histórico foi contemporâneo dos dinossauros, como nos Flinstones. E esse cidadão “civilizado”, que elegeu Bush pai uma vez e Bush filho duas, vai sentar no cinema, assistir Turistas e pensar: Ohhh, thank you God! Como é bom ser americano!

É óbvio que nós temos nossos problemas. Corrupção, desigualdade social, violência, analfabetismo, pontos cegos no radar de tráfego aéreo. Não vou me cansar aqui os enumerando. Mas lembrem: Nossos problemas históricos não podem justificar a manipulação ideológica do imaginário. Na verdade, a dominação cultural que implica na aceitação de imaginários manipulados é que constitui um dos elementos explicativos de nosso subdesenvolvimento.

Turistas não é um documentário. É uma obra de ficção, ambientada (e filmada) no Brasil. Mas qual a legitimidade de uma ficção que tenta criar um imaginário assombroso com relação a um país? Muita. Ela tem a legitimidade de quem tem o poder de moldar preconceitos.

A maioria dos filmes imbecis de terror se passa nos EUA, dirão alguns. Qual o problema de se fazer um no Brasil? Em primeiro lugar, é fundamental saber quem faz a caricatura: o opressor ou o oprimido. Entre um caso e outro há uma diferença abissal. O problema, meus caros, é quem produz o filme e qual a ideologia que ele representa.

O cinema é uma arma de propaganda política e ideológica poderosa. Através da sétima arte pode-se exercer a maior de todas as dominações, ou seja, aquela da qual nem nos apercebemos. Assim nós temos uma imagem do Iraque, do Afeganistão, do Vietnã, de Cuba, da África, do México, sem precisar nunca colocar os pés nesses lugares. Sem jamais sair de sua cidadezinha no Alabama ou no Arkansas, o cidadão civilizado conhece o mundo selvagem. E os bárbaros conhecem a civilização. Basta assistir “Chamas da Vingança”, “Rambo”, “007”, “Falcão Negro em Perigo”, “Três Reis” e outros filmes hollywoodianos preconceituosos.

E o Brasil não entrou nessa lista agora. Cidade de Deus, filme brasileiro para americano ver, mostrava nosso país como um reino da selvageria. Essa é a ideologia por trás de todos os exemplos anteriores: Os EUA representam um ideal de modernidade que deve ser levado aos povos inferiores. Ao fim e ao cabo, é a civilização contra a barbárie. São os civilizados caucasianos de olhos azuis que falam inglês, sendo atacados pelos violentos bárbaros negros, mulatos e indígenas que falam uma língua estranha em um país exótico.

Eu não vou aderir à campanha pelo boicote ao filme. Simplesmente não vou assistir pelo mesmo motivo pelo qual não assisti Jogos Mortais: Eu tenho mais o que fazer. Se você leu este texto até aqui e mesmo assim vai ao cinema gastar dinheiro com essa porcaria, ao menos lembre quem você é quando sentar na poltrona. Você é um dos bandidos. Você, de tênis Nike, é um dos bárbaros. Lembre que os mocinhos são aqueles que acreditam que o homem das cavernas caçava dinossauros com arco e flecha.

Em outras palavras, vá ao cinema mas torça pelos mestiços. Como eu já escrevi em outro post: Nerd sim, alienado não.

07/12/2006

MTV sem M

MTV sem M

Qual a primeira coisa que lhe vêm à cabeça quando se fala na MTV? Clips, certo? Pois se você gosta de clips e da MTV, prepare-se para uma notícia que parece pegadinha: a MTV Brasil não vai mais exibir clips. Isso mesmo. A filial nacional da emissora americana, que estreou em 1981 passando vídeos musicais 24 horas por dia, anunciou esta semana que os poucos clips restantes estarão restritos à alta madrugada ou a trechos em programas como o Top Top.

Segundo o diretor da MTV Brasil, Zico Góes (anote este nome: no futuro, quando se falar do fim da MTV, será ele o culpado), “clips derrubam a audiência” e a intenção agora é investir ainda mais em programas de comportamento, como as já consagradas “maravilhas” Beija Sapo, Ponto Pê, Gordo Freak Show e outras de igual quilate. Segundo ele, também, o público que quer ver clipes não liga mais a TV e, sim, o computador, para procurar no YouTube o clip que lhe agrada.

É triste ver a miopia de certas pessoas que se acham geniais. A MTV americana, por acaso, vai deixar de exibir clips? Ela tem medo de fechar? Muito pelo contrário, abriu mais dois canais-irmãos, a MTV Latino e a MTV Soul, que passam clips praticamente o tempo inteiro. Quanto à internet, existe uma grande parcela da população que não possui banda larga em casa e assistir clips em conexão discada exige paciência de Jó. Claro que alguém que mora nas capitais onde a MTV tem sinal aberto (Salvador, por exemplo) e quer ver clips, vai primeiro pensar neste bendito canal e não em correr para um cyber café.

Pois eu tenho uma teoria para este triste estado das coisas: a culpa é toda deste senhor, Zico Góes, que resolveu investir todas as fichas da emissora no volúvel público adolescente (gente que muda de opinião e de gosto a cada segundo e, portanto, pode gostar da MTV hoje e odiá-la amanhã), afugentando os adultos interessados, com programas cada vez mais vazios e imbecis, além de priorizar artistas cada vez mais rasteiros. De cada cinco clips exibidos na MTV nos últimos três anos, três pareciam reservados para Pitty, CPM 22 e Charlie Brown Jr. A mesmice e a repetição tornaram-se regra e, assim, não há amor aos clips que resista.

Então, já que agora, paradoxalmente, “music” é algo que não existe na Music Television Brasil, sugiro algumas mudanças para o nome do canal. Pode ser STV (Sex Television, já que a putaria corre solta em certos programas), ZTV (Zico Television, em homenagem ao gênio por trás da decadência do canal) ou, para não ficar muito diferente, pode ser RMTV (Retardamento Mental Television – esse eu não vou precisar explicar, né?).

06/12/2006

Demolidor: Decálogo

Demolidor: Decálogo


Pessoas se reúnem numa igreja da Cozinha do Inferno para conversar sobre o Demolidor. É uma espécie de terapia de grupo, onde o padre tenta fazer o papel de psicólogo. Cada um expõe seus problemas e conta como o Demolidor afetou suas vidas. Alguns o defendem, outros o condenam.

O roteiro é de uma tensão psicológica incrível. O leitor fica envolvido nos relatos dos moradores da Cozinha, mas ao mesmo tempo pergunta: onde Bendis quer chegar com tudo isso?

Do meio pro fim, a história toma um caminho de suspense macabro. Eu li tudo de madrugada, e confesso que tive dificuldade para dormir depois. Os desenhos sombrios de Maleev contribuem muito para criar uma atmosfera sinistra.


Na transição da parte 4 para a 5 há uma revelação surpreendente. Tão surpreendente que a gente pega as edições anteriores e começa a reler pensando: putz! Como é possível isso? Esse é o ponto alto da história. O final é um tanto decepcionante, mas só esse lance vale o arco inteiro.

Eu não vou contar mais nada. Vai ler que vale a pena, nerd! Nota 8,5.

Decálogo
Roteiro: Brian Michael Bendis
Desenhos: Alex Maleev
Na revista do Demolidor 30 a 33
R$ 5,90

05/12/2006

Marvel Millennium Anual 1

Marvel Millennium Anual 1

Aqui está uma revista que vale cada centavo deste extorsivo preço de capa! A Marvel caprihou nas ediões anuais da linha Ultimate. A Panini só comeu bola ao permitir que esta edição só chegasse às bancas depois de MMHA 58, que traz acontecimentos posteriores, no caso dos Supremos.

Homem-Aranha
(Bendis/Brooks)
Se Peter Parker e Kitty Pryde estão sofrendo com os mesmos problemas (o fim do namoro, o deslocamento em seus grupos), por que não sofrer juntos? Brian Bendis traz uma bem-vinda novidade ao universo do Aranha: Peter e Kitty começam a namorar! Tudo isso com aqueles dálogos de quem sabe tudo sobre a cabecinha oca dos jovens americanos. O vai-não-vai entre os dois rende cenas excelentes. Mark Brooks parece querer desenhar igual a Mark Bagley. Melhor sorte na sua próxima escolha de referênias, Brooks! Nota 10.

Quarteto Fantástico
(Millar/Lee)
Nesta história, nós e o Quarteto somos apresentados aos Inumanos do Ultiverso ligeiramente diferentes dos tradicionais (por exemplo, há uma Górgona, ao invés de um Górgon). O encontro é motivado pela fuga de Crystalis, que nem a pau quer se casar com o irmão de Raio Negro, Maximus. A loirinha acaba sendo levada de volta e o Quarteto se mete no que deveria ser uma missão de resgate, mas, que toma um rumo inesperado. A arte de Jae Lee tem detratores, mas, eu gosto. Nota 8,0.

X-Men
(Vaughan/Raney)
Gambit e Vampira roubam o rubi Cytorak de um cassino dos Fenris, mas, a chegada do Fanático acaba no de sempre: muita porrada! O grandão quer reconquistar Vampira (sim, bate um coração dentro daquela máquina desgovernada) e coloca Gambit no seu devido lugar, ao dizer "este deve ser o poder mais ridículo que eu já vi!". No calor da batalha, o cajun comete uma burrada das grandes e o que começou mal, acaba bem pior. Muita ação e uma surpresinha no final. A arte de Raney é sempre bem-vinda. Nota 9,0.

Os Supremos
(Millar/Dillon)
Se os Supremos já são o filé do filé na revista mensal, não seria numa edição especial que Millar ia deixar a peteca cair. Com desenhos de Steve Dillon, aqui conhecemos os bastidores da operação de expansão do programa de supersoldados, que o governo reprova e que desperta a ira dos inimigos dos EUA, resultando no que vimos em MMHA 58. Nick Fury mostra por que é o cara e última página leva a gente a exclamar, "mas que tremendo motherfucker, esse Fury!" Ciência, tecnologia e força bruta a serviço do império estadunidense. Eles bem que mereceram a trozoba que levaram. Nota 10.

Marvel Millennium Anual 1 - Panini - 164 páginas - R$ 16,90

02/12/2006

Novas fotos

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Algumas imagens novas dos filmes nerds que vêm por aí: Quarteto Fantástico 2, Homem Aranha 3 e Motoqueiro Fantasma. Do quarteto 2 eu espero um filme nos moldes do primeiro: diversão, pipoca, bons efeitos especiais e Jessica Alba. Já Aranha 3 e Motoqueiro, acho que vão ser filmaços. Clique nas imagens para ampliar.