31/01/2007

DVD: A Vila

DVD: A Vila

No caminho de volta da locadora, encontro um amigo e ele me pergunta que filme eu aluguei. “A Vila”, respondo, e ouço de volta: “pô, escolheu mal, hein?”.

Por que quase todo mundo odeia este filme? As críticas costumam ser tão inflamadas que relutei por muito tempo em assisti-lo, até que finalmente venci o receio, para poder ter opinião própria, e quer saber? Não é, nem de longe, um filme ruim, como se diz por aí.

Uma pequena comunidade rural vive isolada da civilização, em um pequeno vale, cercado por uma floresta. Nela, habitam seres monstruosos, conhecidos pelos moradores da vila como “aqueles de quem não se fala”. A paz é mantida através de um acordo: os monstros não entram na vila, desde que nenhum humano ouse passar pela floresta. A cor vermelha é proibida, por entenderem que ela funciona como chamariz para as criaturas.

A rotina de paz é quebrada por um jovem local (Joaquin Phoenix) que, entediado com a vida local e curioso sobre o mundo lá fora, avança algumas centenas de metros floresta adentro, causando a volta dos monstros, que esfolam pequenos animais como aviso. A paixão do jovem por uma moça cega (a ótima Bryce Dallas Howard) acaba sendo sua ruína e única esperança de salvação. O problema é que, para ajudá-lo, ela terá que atravessar a floresta proibida.

Considero A Vila uma interessante metáfora sobre medo e manipulação. A paranóia americana com sua segurança depois do 11/09/2001 é o paralelo mais óbvio – e, da mesma forma que na realidade, os poderosos locais (um grupo de “sábios”, entre os quais estão William Hurt e uma desperdiçada Sigourney Weaver) sabem e têm a esconder muito mais do que parece.

Pelo jeito, M. Night Shyamalan só reconquistará público e crítica no dia em que fizer O Sexto Sentido 2. A Vila pode não ser genial, mas, pelo menos, não tem passagens ultra-tediosas como algumas de Corpo Fechado. Os melhores elementos do “jeito Shyamalan” de filmar estão lá: o vermelho como mau presságio, o terror pela sugestão e uma surpresa final. Pena que o público entre nos cinemas para ver seus filmes sempre esperando ver alguém que está morto e não sabia. Nota 7,0.

Atrasadinhas!

Atrasadinhas!

Batman 49

"Franquia" (Winick/Davis)
O Capuz Vermelho quer os negócios do Máscara Negra a qualquer custo, mas, o Exterminador chama o Máscara para a Sociedade. Winick encontrou seu tom para o Batman e explora bem o conflito entre Bruce e Jason, além de ter transformado o Máscara Negra em um bandidão de primeira. Mas, Doug Mahnke faz falta. Nota 8,0.

"A Forma das Coisas que Estão por Vir" (Lieberman/Barrionuevo)
Silêncio, esse vilãozinho de bosta, arma um plano idiota com a ajuda do novo Cara-de-Barro e some em meio à fumaça, pra variar. Tá na hora do Batman dar um cacete federal nesse indivíduo, e também, de Lieberman ter novas idéias. Fraca. Nota 4,0.

"Cidade do Crime" (Lapham/Bachs)
Quase um ano depois, esta tortura finalmente acaba. Sim, o fim é tão medíocre e sonolento quanto o começo e o meio – e nem ficamos sabendo que diabo é a tal Corporação! Nota 0.

Asa Noturna (Grayson/Hester)
Dick volta a Blüdhaven e encontra o Robin, além de descobrir que sua famiglia está prestes a entrar para a Sociedade – mas o Exterminador sabe quem ele é e pode comprometer seu disfarce. Problemas para Dick! Devin Grayson escreve histórias ágeis e agradáveis, que fluem bem no estilo de Phil Hester. Nota 7,5.

Batman 49 (Dez/06) – Panini – 100 páginas - R$ 6,90



Superman & Batman 18

Batman (Morrison/Adlard)
O Morrison que escreve este one-shot interessante e temporão (um ano anterior às edições em curso) é Robbie, não Grant. Presos num incêndio, Batman e Sr. Frio discutem sua antiga rivalidade. Adoro histórias que exploram a esquizofrenia dos inimigos do Morcego. Bela capa de Jae Lee, preterida por mais um clichezão de Turner – mas, nesta revista, até que faz sentido. Nota 8,0.

Supergirl (Loeb/Churchill)
Ainda não estamos livres de Jeph Loeb. Ele volta para um one-shot de S&B na próxima edição e segue nos roteiros da priminha de aço. Kara treina com ajuda dos Renegados e parte para enfrentar Lex Luthor sozinha, a burra... De bom, temos a loirinha derretida pelo Asa Noturna. De ruim, o gancho para a próxima parte, um daqueles momentos vergonhosos que Loeb sempre nos empurra. Nota 5,0.

Arqueiro Verde (Winick/Garney)
Pouca coisa acontece nessa história. O Dr. Luz ataca Mia na escola e a tontinha o leva direto para Connor. Os dois só enfrentam o agora célebre estuprador na próxima edição. Ollie só aparece dando uma prensa na Nevasca, no comecinho – coisa que já tinha sido mostrada na edição anterior. Winick já teve momentos melhores. Garney, não. Nota 5,0.

Mulher-Maravilha (Rucka/Richards)
O brasileiro Cliff Richards recebeu a graça de desenhar Diana, mas, seu estilo é bem morno. Diana decide entregar-se ao Tribunal de Haia pela morte de Maxwell Lord e é espreitada pela Mulher-Leopardo, cujas memórias guiam a história. Aumenta a desconfiança da Marinha em relação ao clima em Themyscira, que aguarda um grande conflito. Rucka segue em ótima fase. Nota 8,0.

Superman & Batman 18 (Dez/06) – Panini – 100 páginas – R$ 6,90



Marvel Millennium 60

Homem-Aranha (Bendis/Bagley)
O Ômega Vermelho surge do nada, o Homem-Aranha aparece pra salvar a pátria e a Silver Sable tema missão de capturá-lo. Só isso. Resenha preguiçosa? Sim, mas, Brian Bendis também parece ter escrito isso entre goles de margarita, numa rede. Bagley é aquilo de sempre. Só mesmo a obstinação em bater o recorde de dupla criativa (criativa?) mais longeva justifica a permanência dos dois no título. Nota 5,0.

X-Men (Vaughn/Immonen)
Magneto quer aproveitar a tentativa de resgate de Lorna Dane para escapar, também. Mesmo com a ajuda de Mística, Forge e Longshot, ele ainda precisam passar pelos X-Men. Saiba que Xavier é sapecador: Mística e Emma Frost têm um passado com o careca, que, pelo jeito, só não levanta a própria bunda da cadeira! Aqui vemos o primeiro sinal de intolerância do católico Noturno sobre a condição sexual de Colossus. Polêmica! Nota 8,0.

Quarteto Fantástico (Millar/Land)
Libertar Namor e permitir que Sue finja (sei...) interesse por ele, pra desvendar segredos da Atlântida, pode não ter sido exatamente uma boa idéia da Dra. Storm e de Reed. Mark Millar também coloca os dois num interessante diálogo científico sobre a natureza e a extensão dos poderes e da inteligência de Reed. Nos desenhos, um show praticamente cinematográfico de Greg Land. Nota 8,5.

Os Supremos (Millar/Hitch)
É hora da reação contra Os Libertadores: enquanto Thor entra em transe religioso, Tony Stark protagoniza a virada de mesa mais elaborada dos últimos tempos, cabendo ao Gavião Arqueiro a mais esquisita e improvável, uma daquelas maluquices que fazem a gente amar o Millar. Com a série próxima do fim, está difícil agüentar sua bimestralidade. Nota 9,0.

Marvel Millennium 60 (Dez/06) – Panini – 100 páginas – R$ 6,90

30/01/2007

Marisa Monte - Universo Particular

Marisa Monte - Universo Particular

Assisti ao show de Marisa Monte, Universo Particular, no Teatro Castro Alves, em Salvador. Durante cerca de uma hora e meia, ela equilibrou hits de seus primeiros discos com outros mais recentes, de seu trabalho com os Tribalistas e de seus dois discos simultâneos do ano passado. O som era cristalino e a gente conseguia ouvir cada acorde dos instrumentos de sua excelente banda.

A produção visual era um show à parte, discreta e elegante. Uma bela sacada foi o uso de um trabalho do artista plástico Franklin Cassaro, em que dois cubos de papel vermelho fazem as vezes de pássaros na gaiola, durante o samba “Meu Canário”. Durante “Segue o Seco”, velas nos telões expressam as preces do nordestino, e em “Maria de Verdade”, pequenas borboletas amarelas acompanham as inquietas mãos de Marisa.

O repertório do disco Infinito Particular, bem diferente do atual padrão pop brasileiro, foi acompanhado com reservas pelo público, que só esteve mais à vontade com as canções presentes em trilhas de novelas. Mesmo assim, ninguém ficava indiferente à força das canções ou à envolvente atmosfera provocada pelo brilhante trabalho de iluminação.

Diferente mesmo foi ver Marisa sair de sua costumeira postura de diva e frontwoman e integrar-se à sua banda em boa parte do show, tocando violão e cantando como se fosse só mais uma ali. Claro, isso (e o fato de ela ofegar excessivamente em seus diálogos com o público) é cuidadosamente planejado para mostrá-la “humana” e aproximá-la dos presentes. Estes, no entanto, querem mesmo é adorá-la.

Marisa merece. Hoje, só se fala de Ivete Sangalo e sua capacidade de sacudir estádios, mas, é bom, para variar, ver alguém dedicada a provocar sensações mais calorosas e menos calorentas em seu público. Marisa não é uma entertainer de mão cheia como Ivete. É apenas (como se isso fosse pouco!) uma cantora fenomenal, mas, há gente que só quer escutar boa música, ao invés de perder 700 calorias pulando durante duas horas.

A Panini tarda, tarda...

A Panini tarda, tarda muito,
muito mesmo, mas, não falha!

Somente nos últimos dias de janeiro é que, finalmente, os leitores puderam comprar as últimas edições mensais de dezembro da Marvel e da DC. Ainda ficaram faltando alguns especiais. O rolo da renovação com a DC e o assalto à Mythos foram as causas do atraso, que já comprometeu as edições de janeiro, também. Colocar o cronograma em dia vai ser complicado – inclusive para o leitor, que deve gastar uma nota entre fevereiro e março.

Mas, nem tudo é má notícia! O ano começou com boas novas (pôxa, tava na hora!):

1) A Panini abriu sistema de assinaturas para a Turma da Mônica e alguns sites falam que, em breve, pacotes Marvel e DC também estarão disponíveis! Isso pode acabar com os males da distribuição, que causa buracos nas nossas coleções. Ou não. É a Panini, não esqueça.

2) Páginas internas do DC Apresenta 1 (com a origem da Poderosa, nas bancas até a próxima semana) trazem anúncios de novidades aguardadas com grande expectativa pelos leitores: as maxisséries Justiça (de Alex Ross) e Sete Soldados da Vitória (Grant Morrison), além de Tropa dos Lanternas Verdes: Recarga. Nada sobre a forma de publicação, porém.

3) DC Apresenta 1 tem 100 páginas em papel LWC e o mesmo preço de uma edição mensal normal, R$ 6,90. Lembre-se que Contagem Regressiva Para Crise Infinita, no mesmo formato, custava R$ 8,90. Dessas três, uma: a) a queda do dólar finalmente se refletiu nas contas da Panini e teremos gibis melhores por R$ 6,90; b) os gibis continuam em Pisa Brite e o preço baixa; ou c) alguém da gráfica da errou o preço e sumirá misteriosamente.

Aguardemos, na torcida pelo melhor.

22/01/2007

Estante Encantada

Estante Encantada

O nome deste post foi surrupiado do The Pulse, sem o devido pagamento de royalties ao amigo Luwig. Estante encantada, segundo ele, são aqueles itens mais queridos da sua coleção de quadrinhos. Vou aplicar o mesmo princípio à minha coleção de cds, evitando aqueles nomes muito manjados, tipo U2, Smiths ou R.E.M., pra não soar como mais do mesmo.

Escolhi dez álbuns que tenho muito prazer em escutar e nem sempre são lembrados naquelas famosas listas de 10, 20, 50, 100 melhores disso ou daquilo. Sintam-se à vontade para montar suas próprias listas, nos comentários. A seleção ficou assim:

Morrissey
Beethoven Was Deaf (1993)

Estou me contradizendo logo de saída, né? Dê um desconto, afinal, boa parte do que sei de inglês hoje, eu devo às letras de Morrissey, com e sem os Smiths. Além disso, este é um disco ao vivo que mostra todo o poder de fogo da banda recrutada por ele para a turnê do disco Your Arsenal, do ano anterior. Rockabilly alucinado e baladas de cortar o coração. Ouça com fones de ouvido, pois as duas guitarras fazem diálogos infernais, com destaque para “The National Front Disco”.

The Wallflowers
Bringing Down The Horse (1996)

Só mesmo o fracasso em suportar o peso do sobrenome Dylan pode ter feito Jakob e sua banda se afastarem do aparentemente inevitável megaestrelato, tamanha a coleção de hits e canções agradáveis que é este disco de estréia do Wallflowers. Ele contém uma das músicas mais bonitas dos anos 90, “6th Avenue Heartache” e todo o disco é recheado de belos rocks com cheiro de country e folk, como “Three Marlenas”, “The Difference” e “Josephine”.

Manic Street Preachers
This Is My Truth, Tell Me Yours (1998)

Logo após o elogiado Everything Must Go (1996), o MSP descobriu que dava pra unir o seu competente hard rock à grandiosidade existencial típica do britpop. O resultado foi este belo disco, em que sobressaem o emocionante arranjo de cordas para “The Everlasting” e as porradas guitarreiras de “You Stole The Sun From My Heart” (com refrão explosivo) e “Nobody Loved You”.

Belle & Sebastian
Dear Catastrophe Waitress (2004)

Estes escoceses deram o que falar desde sua estréia, em 1996, mas, eu só vim a conhecê-los quase dez anos depois, justamente com este disco, em que seu pop acústico melodioso e confessional é temperado com psicodelia, metais e pitadas de surf music à la Beach Boys. Trocando Glasgow pelo litoral da Califórnia, o Belle & Sebastian abriu a janela, deixou o sol entrar e sua música pegou um bronze danado.

Midnight Oil
Blue Sky Mining (1990)

A banda australiana militava pesado pelas causas ambientais e pelos direitos dos trabalhadores. O disco de 1990 foi seu vôo mais alto pelos céus da fama, com letras panfletárias e música vigorosa, uma espécie de punk superproduzido, como na faixa-título, em “King Of The Mountain” e nas sombrias baladas “River Runs Red” e “Bedlam Bridge”. Depois do fim da banda, no começo desta década, Peter Garrett elegeu-se deputado.

Cowboy Junkies
The Caution Horses (1990)

Lay It Down (1996) pode ter sido mais pop e maduro, mas, foi com este disco que descobri o som destes canadenses loucos por country e blues. Apoiado na voz suave de Margo Timmins e nos inspirados arranjos e letras de seu irmão Michael, The Caution Horses é perfeito para embalar madrugadas de suspiros e dor-de-cotovelo. Ouça “Sun Comes Up, It’s Tuesday Morning” e “Where Are You Tonight” e sinta-se em um saloon às duas da manhã, de porre.

U2, Aztec Câmera, KD Lang e outros
Red Hot + Blue: A Tribute To Cole Porter (1990)

O primeiro e mais bem-acabado produto ligado à fundação Red Hot (que levanta fundos para pesquisa e combate à AIDS) traz 20 artistas em versões mais (Neneh Cherry, Neville Brothers, Debbie Harry e Iggy Pop) ou menos (Tom Waits, Lisa Stansfield, Jody Watley) inspiradas de clássicos de Cole Porter, um dos compositores americanos mais populares do começo do século XX. Prepare-se para disparar seu arrepiômetro ao som de KD Lang e sua poderosa versão bossa nova de “So In Love”.

Montell Jordan
This Is How We Do It (1995)

Montell quem? Ele tinha uma voz “de derreter manteiga”, segundo as mulheres, tamanho o calor que emanava de seus baladões R&B, cheios de sexo quase explícito, como “I Wanna”, “Dont’ Keep Me Waiting” e “Down On My Knees”. Só que Montell também fazia bonito no sacolejo da faixa-título, seu solitário hit. Um entre centenas de coadjuvantes na briga entre Babyface e R. Kelly pelo reinado do R&B nos anos 90, Montell ficou a ver navios, embora lance discos até hoje.

Fine Young Cannibals
The Finest (1999)

Esta é uma coletânea de alto valor, visto que a carreira do FYC foi curta e seus discos estão fora de catálogo há um bom tempo. O melhor de seu soul eletrônico está devidamente representado aqui: “Johnny Come Home”, “She Drives Me Crazy”, “Good Thing”, “Funny How Love Is” e muitas outras, além de três inéditas. Aguardo ansioso (porém, sem muita fé) pelo lançamento em DVD do show Live At The Paramount, em que, acompanhados de um sexteto vocal feminino, Roland Gift, David Steele e Andy Cox arrasam geral.

Jorge Cabeleira
...E O Dia Em Que Seremos Todos Inúteis (1994)

Tem Brasil, viu? Durante um arrocho financeiro, por volta de 1996, eu vendi este disco a um sebo. Quatro anos depois, zapeando entre os cds, olha ele lá, quietinho em seu lugar! Pior pra quem bobeou, pois este é um dos melhores discos de estréia do rock BR dos anos 90 e não tive dúvidas na hora de comprá-lo de volta. A banda não se criou, mas, a pegada de “Carolina”, a velocidade de “Silepse” e o misticismo de “Os Segredos de Sumé” (com Zé Ramalho) são de primeira.

007 - Cassino Royale

007 - Cassino Royale

Vou começar a resenha deste filme falando sobre outro, porque, provavelmente, será a única vez que falarei dele: não há beleza ou talento de Patrícia Pillar que sustente Zuzu Angel. Ô coisa chata! Pronto, falei.

O mais recente filme de James Bond, curiosamente, fala sobre seus primórdios como agente 00, aqueles que têm permissão para matar. Logo depois de promovido, Bond (Daniel Craig, estreando na série) está em missão para impedir a detonação de uma bomba durante um jogo, na África. A perseguição ao terrorista, de alta adrenalina e com lances acrobáticos inacreditáveis, culmina numa vertiginosa briga sobre uma grua e numa bela safadeza de Bond, justamente quando ele parece rendido.

Seguindo as pistas de um novo atentado e contrariando o MI-6, Bond vai ao encalço de Le Chiffre (Madds Mikkelsen), provável financiador deste e de outros atos terroristas, um homem que, literalmente, chora lágrimas de sangue, seguindo a tradição de vilões exóticos da série. O trabalho de Bond é garantir que Le Chiffre não tenha como reembolsar seus clientes pela fortuna que recebeu, o que o leva ao Cassino Royale, em Montenegro, onde enfrenta seu inimigo na mesa de carteado e fora dela.

A Bond Girl da vez é Eva Green, como Vesper Lynd, uma agente encarregada de prover e acompanhar os gastos de Bond no cassino, uma espécie de espiã-auditora. Bond se apaixona por ela – só para, mais tarde, descobrirmos por que ele nunca mais cairia nessa.

Martin Campbell já havia dirigido a estréia de Pierce Brosnan, há 12 anos (em 007 Contra Goldeneye), mas, faz um trabalho muito melhor com Craig, que também é um Bond melhor do que seu antecessor. Insistir em seu nome, criticado por meio mundo, foi um grande acerto do estúdio. Seu corpo malhado permitiu até uma cena que homenageia a famosa saída da água de Ursula Andress em 007 Contra O Satânico Dr. No, agora com o sexo trocado.

As traquitanas eletrônicas inventadas por Q não fizeram falta, uma vez que o filme tenta seguir uma linha mais realista – pelo menos, até onde é possível para um filme de 007. Craig emplacou bonito e deve protagonizar mais três filmes da série. Um belo recomeço para uma das franquias mais famosas e rentáveis de Hollywood. Nota 9,0.

PS: uma pequena correção, também sobre outro filme: em meus comentários, sempre atribuí V de Vingança aos Irmãos Wachovsky, mas, eles são apenas produtores do filme. O diretor é James McTeigue.

19/01/2007

Ano novo, visual novo!

Ano novo, visual novo!

Aos que estavam cansados de entrar aqui e ver, quase um mês depois do Natal, desejos de "boas festas", é chegada a hora do alívio. Além do óbvio ululante das novas cores do logotipo, também temos novos avatares fodões, e trocamos o olhar triste da musa de Roy Liechtenstein pela graça sorridente dos personagens de Maurício de Sousa, no link para divulgação. Gostou? Não gostou? Queremos saber!

Bizz ou Rolling Stone?

Bizz ou Rolling Stone?

A Bizz voltou às bancas cerca de um ano e meio atrás. A Rolling Stone estreou há quatro meses. Movido pela antiga paixão (no caso da Bizz) e pela busca de novidades (no caso da RS), tenho comprado as duas, mensalmente. A menos que um arrocho no orçamento me obrigue a tanto, não pretendo deixar uma pela outra. Seguirei fiel às duas, feito malandro que “sustenta” duas mulheres. Aí, você me pergunta: o que uma tem que a outra não tem?

Vamos começar pela novata. A Rolling Stone sempre chega às bancas impressionando com seu tamanho, o generoso número de páginas e a variedade de sua pauta. Além dos obrigatórios mundos da música e do cinema, a revista abre espaço para política, moda, religião e tecnologia.

A revista já mostrou que não dá bola para patrulha de leitorzinho enfezado, colocando na capa figuras tão díspares quanto Ivete Sangalo e Iggy Pop, sem preocupação com “coerência”, “bom gosto” e outras queixas datadas. Está no editorial: o que importa é a relevância, não o estilo ou a tribo. Isso tem um lado bom e um lado ruim. O bom é que, por exemplo, colocar Iggy Pop na capa corrigiu uma falha monumental da Bizz em seus 16 anos anteriores, quando ele era muito mais falado e curtido. O ruim é que periga darem capa pra Banda Calypso ou pra Tati Quebra-Barraco – olha eu encarnando o leitorzinho enfezado...

As matérias costumam ser bastante extensas, o que dá aquela sensação de dinheiro bem investido. No meu caso, também causa uma senhora preguiça e sempre acaba ficando uma coisa ou outra da edição que eu não consigo ler até o fim. A verdade é que tem muita encheção de lingüiça no meio, principalmente nas matérias importadas. Não sei se americano tem mesmo tanto gosto por tantas minúcias, ou se lá também tem que os considere prolixos.

O grande senão da revista é o Guia, a seção de lançamentos. As resenhas de CDs ainda são muito fracas, com uma ou outra exceção. O nível vem melhorando a cada edição, mas, eles ainda têm muito chão pra percorrer até adquirir a cancha da parceira/rival veterana.

Já a Bizz do século 21 chegou fazendo feio, magrinha e cara. A falta de um rumo editorial no início foi confessada pelo editor Ricardo Alexandre em uma entrevista na comuna do Orkut, mas, aos trancos e barrancos, a revista criou personalidade e hoje vem apresentando edições impecáveis em seqüência.

Na parte gráfica, há que se elogiar a nova estrutura, com papel melhor e lombada quadrada. O design interno é bonito e bem-bolado, bastante agradável de ler. O texto é econômico, porém, satisfatório. A seção de lançamentos dá um banho na RS, com resenhas bem mais interessantes.

Se, por um lado, a revista arriscou ao dar capa para Jack Johnson (um ápice negativo de vendas, segundo o editor) e Devendra Banhart (ainda que chamando atenção para o nome de Caetano Veloso), por outro, já deu espaço para seus costumeiros “coronéis”, gente como Renato Russo, U2, Marcelo D2 e Axl Rose (acredite, sem lançar disco há 13 anos, ele emplacou umas das edições mais vendidas da nova Bizz), que todo ano ganhavam uma capa - às vezes, até duas.

A edição deste mês traz Pitty (argh!) na capa e um detalhe de humor negro que deve ter sido involuntário: na chamada do Prêmio Bizz, lê-se o nome do U2; logo acima, onde se lê sobre a tal “new rave”, um grupo chamado Bono Must Die é destaque! Bom humor, diga-se, era uma marca da revista que estava fazendo falta nesta nova fase, mas, aos poucos, eles parecem estar reaprendendo a sorrir.

Enfim, Bizz e Rolling Stone não devem ser encaradas como escolhas excludentes, pois as duas trilham caminhos diferentes e se completam quando abordam o mesmo assunto. Melhor ou pior, isso varia mês a mês, conforme o gosto e o humor do leitor. Enquanto der, sigo com as duas, pois informação nunca é demais para o nerd que se preza!

14/01/2007

Você se lembra da minha voz?

Você se lembra da minha voz?

Apesar de haver quem diga que eu poderia ser locutor, e a menos que muito treino possa dar jeito na situação, é duro admitir: minha voz é um desastre na hora de cantar. Dói no coração imaginar que, mesmo que eu ainda venha a aprender a tocar algum instrumento, jamais serei capaz de alcançar aquelas notas que só cachorro escuta.

Como estou impossivelmente longe de virar um Marvin Gaye ou Cee-Lo (até porque nasci com a cor errada), preciso focar meu desejo de aprender a cantar em timbres possíveis pro meu gogó, sem muito alcance, mas, com boa afinação. Eis aqui cinco caras que representam bem o meu sonho de agitar multidões.

Morrissey – O ex-vocalista dos Smiths é como vinho: melhor conforme passa o tempo. Na época do grupo, era mais conhecido pela dramaticidade e/ou deboche de sua interpretação do que pela beleza do seu timbre. Mas, escutando seus trabalhos mais recentes, é nítida sua evolução. Emoção e senso melódico corretamente dosados.

Jeff Buckley – Precocemente falecido há dez anos, Jeff é um furacão emocional, com timbre cristalino e capaz de inflexões incríveis. Emular o drama contido em sua voz seria trabalho digno de Hércules. Duvida? Escute “Last Goodbye”.

Rufus Wainwright – Ele é o fanho mais bacana do planeta. De primeira, pode parecer monocórdico ou fúnebre, mas, que nada! Rufus é um cara que escreve belas melodias folk e lançou uma versão de “Across The Universe”, dos Beatles, que rivaliza com a original.

Chris Cornell – Se as guitarras soassem um pouco mais altas, eu gostaria de levar estádios ao delírio com a voz de um autêntico rocker. Embora o Audioslave esteja afastado das multidões, o estilo de Cornell é clássico e atemporal – e o melhor é que ele ainda está vivo!

Justin Timberlake – Eu quero um falsete assim, mamãe! Se o Justin, branquinho daquele jeito, consegue, por que não eu? A agilidade nos pés também deve integrar o pacote. Eu nunca desperdiçaria a chance de fazer uma coreografia infernal para “Sexyback”!

PS: pra não me acusarem de pouco patriótico, Samuel Rosa, do Skank, seria uma boa escolha brazuca, pela facilidade com que transita entre baladas acústicas, power pop e batidas eletrônicas. Só que eu visitaria o cabeleireiro de vez em quando!

12/01/2007

Crise Infinita 1

Crise Infinita 1

Um programa de erradicação de meta-humanos. O espírito da vingança divina descontrolado, em caça às criaturas mágicas do planeta. Uma sociedade de vilões que multiplicou sua eficiência. Uma guerra entre dois planetas que já envolve outras raças e pode engolfar todo o universo. Como se tudo isso fosse pouco, os três maiores heróis do planeta (Superman, Batman e Mulher-Maravilha) vivem momentos de decepção e desconfiança mútua.

O cenário é sombrio e a Crise Infinita é mesmo muito séria. Os quatro eventos da Contagem Regressiva, narrados durante seis meses, convergem nesta série que é o grande evento da DC para o ano. Muitos morrerão, outros sumirão e a cronologia deve ser revista mais uma vez. Apesar do potencial, há quem diga que a Crise Infinita é um ápice chocho das pretensões da DC, tendo havido coisa melhor antes (Crise de Identidade, Projeto OMAC, Crise de Consciência) e havendo melhor depois (a megassérie 52).

Seja como for, o primeiro número é bom o suficiente para prender a atenção do leitor. Já há um bom número de mortes na primeira edição e a "trindade" está a um passo da dissolução total. A Sociedade de Supervilões se mostra mais mortífera do que nunca. O universo está um caos e misteriosos observadores discutem se devem ou não intervir.

Um mal da Crise Infinita é que ela não será facilmente digerida por quem não conhece a Crise Nas Infinitas Terras, de 20 anos atrás. Já na Contagem, Pária e Lady Quark voltaram a aparecer. Nesta edição, outros personagens do clássico dão as caras. Menos mal que a Panini republicou a série, há cerca de quatro anos.

O argumento de Johns é bacana e tem diálogos envolventes. Phil Jimenez refina ainda mais seu estilo e está muito próximo do que George Pérez fez na Crise anterior. Uma boa edição de estréia. Nota 8,0.

SPOILER: Obituário da edição!!!
Se estiver interessado, clique e passe o mouse até o fim do spoiler:
Caça-Ratos (vilão do Batman), Dr. Polaris (inimigo do Lanterna Verde), Condor Negro, Lady Fantasma, Bomba Humana e, aparentemente, Tio Sam e Detonador (todos Combatentes da Liberdade). FIM DO SPOILER.

PS: George Pérez, em geral, é muito superior a Jim Lee, mas, desta vez, eu preferi a capa do china ao clichê estático que Pérez entregou:

07/01/2007

Maratona de DVDs

Maratona de DVDs


>> As Crônicas de Nárnia
Em seu lançamento, falaram tão mal deste filme - que era infantilóide, apressado, mal-realizado - que eu acabei desenvolvendo uma certa "prevenção" contra ele. Com a desculpa de agradar aos meus sobrinhos, aproveitei a deixa, e quer saber? É bem legalzinho. Não é um Senhor dos Anéis, obviamente. Tem mesmo aqueles problemas todos: é simplista e há ocasiões em que os "defeitos especiais" saltam aos olhos mais atentos. Mas, Nárnia tem Tilda Swinton e ela é boa demais. Sua interpretação da Feiticeira Branca é de gelar o sangue. Nota 7,0.

>> Donnie Darko
Muito falado e pouco visto, com Jake Gyllenhaal. Custo baixo e boas idéias. Darko é sonâmbulo, escapou de um desastre aéreo no chão (assista e entenda) e tem visões sobre morte e o fim do mundo. Prepare-se para debater o final durante horas com seus amigos e para as comparações com outros filmes, como Efeito Borboleta. Durante uma menção à trilogia De Volta Para O Futuro, a legendagem chama o carro DeLorean de "DuLoren". É a calcinha temporal. Será que assim dá pra reconstituir hímens sem cirurgia? Nota 8,0.

>> Vôo 93
Um dos diretores mais fodões da atualidade (Paul Greengrass) e um elenco de ilustres desconhecidos refazem os últimos momentos dos passageiros do avião que, em 11/09/2001, rumava para o Capitólio, mas, se espatifou no meio do caminho. Pior do que pensar que tudo aquilo é verdade, é imaginar que a verdade pode ter sido bem pior. Um teste e tanto para os nervos. Nota 10.

>> Piratas do Caribe 2: O Baú da Morte
Sim, Johnny Depp comanda, a gente dá boas risadas e os efeitos especiais são de encher os olhos. Porém, não consegui evitar aquela sensação de estar vendo muita correria e pouca história, nem deixar de pensar que o primeiro era muito mais merecedor de alcançar cifras bilionárias. Mas, Davy Jones é um vilão memorável e o gancho para o terceiro filme é bem bacana. Nota 8,0.

06/01/2007

Novidades da Panini

Novidades da Panini para o início de 2007

Os leitores da Panini Comics continuam sofrendo e, agora, até o acaso conspira contra nós. Como se fosse pouco o atraso que já acontece quando tudo está "bem", a sede da Mythos (parceira da Panini na edição das revistas que amamos) foi assaltada e levaram os pcs onde a galera trampava. Felizmente, havia backup de praticamente tudo, mas, o checklist de janeiro ainda não foi publicado e sabe Deus quando é que as revistas deste mês chegarão às bancas, já que algumas de dezembro ainda não viram a luz do dia.

Apesar disso, a Panini já divulgou um pouco do que vem por aí: cinco novas revistas da Marvel, Avante, Vingadores! (com Jovens Vingadores, Fugitivos e Mulher-Hulk) e Marvel Action (com Demolidor, Pantera Negra, Cavaleiro da Lua e a minissérie Justiceiro x Mercenário), ambas com 100 páginas; além delas, três novas revistas em formatinho da linha Geração Marvel: Quarteto Fantástico, Vingadores e Quarteto Futuro (lembra?).

Vão sair ainda o segundo volume de Os Maiores Clássicos do Thor, com mais da fase de Walt Simonson e um inesperado Os Maiores Clássicos da Tropa Alfa, com o fino da fase escrita e desenhada por John Byrne. Marvel Max passa a ter 100 páginas a partir da edição de janeiro, trazendo a aguardada Zumbis Marvel.

A DC veio com a bola murcha, mas, desta vez, não é por "preconceito" ou favorecimeto à Marvel e, sim, pela novela da renovação com a Panini. Segundo José Eduardo Severo Martins, cappo da Panini por aqui, a DC ganha mais um título mensal em breve e neste mês estréia DC Apresenta, trazendo a origem da Poderosa, publicada em JSA Classified e de importância para a Crise Infinita. O primeiro número da Crise, por falar nela, chega às bancas durante a próxima semana. Enquanto isso, aguardamos pacientes pelas edições de dezembro de Batman e Superman & Batman.

Por fim, já estão nas bancas as primeiras edições da Turma da Mônica. São oito títulos: Mônica, Cebolinha, Cascão, Chico Bento e Magali, sendo que os três primeiro também ganharam almanaques. O formato, o número de paginas e o preço, aleluia!, continuam iguais aos da Globo.

Portanto, prepare o bolso, porque, ao que parece, quando as coisas voltarem ao normal, a Panini vai tomar uma boa parte de nosso rico e suado dinheirinho!