23/02/2007

Grandes Astros - Superman 1

Grandes Astros - Superman 1

Enquanto Frank Miller optou por recontar o surgimento da Dupla Dinâmica (com um pé no clássico O Cavaleiro das Trevas), Grant Morrison resumiu a origem do Superman a apenas uma página e colocou o herói em uma trama em que ele enfrenta a possibilidade de morte, justamente por ação do sol que abastece seus poderes.

É interessante ver que, de quem esperaríamos as maiores pirações, é justamente de quem vem um tom mais reverente. É óbvio que Grant Morrison ama o Superman do jeito que ele é: o herói de caráter inabalável idealizado por Siegel e Shuster, que enfrenta ameaças mortais (como o Lex Luthor com ares de gênio do mal) e ainda acha tempo para ser o desajeitado Clark Kent e cortejar Lois Lane.

O que torna esta revista especial (e faz de Morrison um criador tão adorado) é o absoluto comprometimento com a diversão, sem prejuízo para a inteligência do leitor. Os diálogos são simples e certeiros, nada é supérfluo. Onde outros cairiam na tentação das "ousadias" fáceis, Morrison começou tímido, mas, concentrado.

Isso sem falar de uma das capas de gibis mais bonitas dos últimos tempos, cortesia de Frank Quitely, um artista em constante evolução e com domínio narrativo perfeito. Seu esmero costuma resultar em grandes atrasos na publicação, mas, a espera sempre vale a pena. Quando foi a última vez que você viu uma página dupla tão singelamente bonita quanto aquela em que o Superman voa junto ao sol?

Não sei que surpresas nos aguardam ao longo da série, pois evitei os spoilers a todo custo, mas, com os nomes envolvidos, devemos esperar momentos inesquecíveis a cada número. Um gibi pra guardar no coração. Nota 10.

Grandes Astros - Superman 1 - Panini - 28 páginas - R$ 3,90.

Cinqüentonas!

Cinqüentonas!


As três primeiras revistas da DC pela Panini alcançaram a 50ª edição. Parece incrível, mas, é a primeira vez, em mais de 20 anos, que a revista do Batman alcança esta numeração. Como brindes, três belos pôsteres, dois com arte de Jim Lee (Batman e Superman) e um de Alex Ross (LJA). Não parece grande coisa, mas, é um presente bem menos safado do que aquele baralhinho das edições 50 da Marvel. Vamos aos reviews das cinqüentonas!


Batman 50

"Franquia", parte 2 (Winick/Mahnke)
Batman toma partido e tenta proteger o Capuz Vermelho da Sociedade, aliada ao Máscara Negra. Pode não ter sido a decisão mais esperta que o Morcego já tomou. Winick anda inspirado, injetando muito humor e ação às tramas. Nota 8,5.

"A Carta" (Lieberman/Barrionuevo)
A morte de um antigo empregado desenterra uma sujeira do passado de Thomas Wayne e Bruce sai em busca da verdade. Lieberman não brilha, mas, também não incomoda - e não tem o Silêncio, viva! Nota 5,0.

"Vítimas" (McCarthy/Chiang)
Victor Szasz (esquecido desde Terra de Ninguém!) escapa da prisão e esfaqueia Alfred! Mas, Victor marca sua pele à toa, pois o mordomo é duro na queda e sobrevive. Imagine se o doido vai deixar barato. "Curtível" e só. Nota 6,5.

"Assinado, Sophia" (Grayson/Chiang)
Dick pede um encontro com o Exterminador, enquanto as coisas vão de mal a pior para a família mafiosa em que está infiltrado. História mais fraca que nos últimos meses, mas, ainda interessante. Nota 7,0.


Superman 50

"Revés e Ruína" (Rucka/Guedes)
O brazuca Renato Guedes desenha a boa conclusão do arco do Ruína - o reincidente "amigo" Emil Hamilton. Nunzio DePhilips e Christina Weir assinam, mas, é claro que é o mérito é de Rucka, dono do "enredo". Sei... Nota 8,0.

"Profundezas" (Simone/Byrne)
Enquanto o Superman enfrenta uma apaixonada Rainha das Fábulas, Lois tenta sobreviver aos corruptos que denunciou. Parece as coisas que Byrne escrevia para a Action Comics, nos anos 80. Divertida e ligeira. Nota 7,0.

"Pedras" (Verheiden/Benes/Reis)
A Sociedade recruta uma nova Blackrock e ela dá um trabalhão ao Super. Impossível não reparar que Benes desenha mulheres de olhar vazio, enquanto Reis quebra tudo nas cenas de ação. Nota 7,0.

"Foco" (Verheiden/Derenick)
Superman resolve seus problemas com a nova Blackrock, enquanto Luthor tenta sobreviver aos OMACs no Alaska. O melhor são as recordações de Luthor, em contraponto à visão de Clark. Nada genial, mas, eficiente. Nota 7,5.


Liga da Justiça 50

Liga da Justiça (Harras/Derenick)
Bob Harras tenta, mas, ele não é Geoff Johns. Os dramas que impõe à Liga soam muito afetados. Quase desfeito, o grupo tenta alistar Asa Noturna, enquanto o Chave segue matando - e culpando a Liga por isso. Nota 6,0.

Sociedade da Justiça (Champagne/Kramer)
Lutando em duas frentes, a SJA está "no sal": na Terra, metade da equipe é refém de Mordru. Na quinta dimensão, precisam enfrentar Jakeem Trovoada, convertido em um tirano. Champagne vai encontrando um bom ritmo. Nota 7,5.

Lanterna Verde (Johns/Bianchi)
O destemido Jordan enfrenta, ao mesmo tempo, Hector Hammond, o Tubarão, os ETs que criaram os dois e o Mão Negra - e dá conta do recado! Além de muita ação na trama de Johns, a bonita arte de Simone Bianchi. Nota 8,5.

Flash (Cavalieri/Semeiks)
Muito distante da boa fase escrita por Johns, a história do Flash apresenta uma interessante visão dos poderes do Mestre dos Espelhos, mas, peca ao fazer de Vandal Savage um arremedo de Ra's Al Ghul. Fraca. Nota 5,0.

13/02/2007

Grandes Astros - Batman & Robin 1

Grandes Astros - Batman & Robin 1

É melhor tomar cuidado com o que você lê na internet. Nos sites e fóruns da vida, enquanto o "Superman reloaded" de Grant Morrison é coberto de elogios (certamente, com toda razão), "lixo" é o afago mais carinhoso reservado a esta releitura das origens do Robin, pelas mãos de Frank Miller e Jim Lee. Não é bem assim.

Misturando conceitos dos clássicos de Bob Kane e de suas próprias criações (também já clássicas), Frank Miller não inovou em nada, mas, até aqui, não merece a impiedosa espinafrada de que foi vítima lá fora. Seu Batman é um autêntico motherfucker e com ele não tem lero-lero, nem vem-cá-que-eu-também-quero. O cara chama o Robin de soldado e entra de sola com o Batmóvel sobre viaturas policiais.

Como é usual de Miller, há muita ambigüidade sexual e uma mulher exibindo curvas perigosas - no caso, Vicki Vale, doidinha pra, digamos, "doar" ao Bruce Wayne. Em vários momentos, Jim Lee incorpora o estilo narrativo de seu colega escritor (repare no rosto do Batman na última página, bem como o morcego em seu peito), imprimindo sensualidade e brutalidade. Lee caprichou e não ignora o fato de que Dick Grayson é apenas um garoto de 12 anos, evitando os músculos que artistas mais distraídos impõem a pré-adolescentes, o que os torna mini-adultos bombados.

A história é basicamente aquela que todo mundo conhece: durante uma exibição dos Graysons Voadores, os pais de Dick são assassinados. Em meio ao luto, surge o Batman (não Bruce Wayne) e, sem dar muita escolha, convoca o garoto para sua guerra contra o crime. É mais do mesmo, mas, é muito bem feito. Nota 8,0.

Grandes Astros - Batman & Robin 1 - Panini - 28 páginas - R$ 3,90.

Luxo e lixo da MPB

Luxo e lixo da MPB

Neste último fim de semana, tive o prazer de assistir a um show emocionante do primeiro ao último momento, quando, infelizmente, descambou para uma exibição de arrogância e antipatia, por parte de uma assim chamada "diva" da MPB. Tratava-se de um show comemorativo pelos 113 anos de nascimento da mais famosa ialorixá da Bahia, Mãe Menininha do Gantois, uma mulher cuja história se confunde com o último século de história do próprio Estado.

No ingresso do evento, realizado na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, eram prometidas as presenças de Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa, Gerônimo (o homem que compôs a seminal "É d'Oxum"), Marienne de Castro (uma ex-vocalista da Timbalada que se dedica ao samba de roda), Márcia Short (de volta à Banda Mel, agora Cor de Mel) e Daniela Mercury, sendo que esta acabou não comparecendo, alegando dificuldades para chegar a tempo de São Paulo.

No palco, idealizado por Gringo Cardia (coisa chique, portanto), uma imensa reprodução da foto de Mãe Menininha que ilustra este post, ornada com detalhes dourados, além de cadeiras onde se sentaram parentes da mãe-de-santo e matronas como Dona Canô, mãe de Caetano e Bethânia. Por sua amizade com Mãe Menininha e seu trabalho na divulgação dos ritmos locais, a atriz Regina Casé também estava presente.

O show estava concentrado em canções que exaltavam ao mar e à herança africana na Bahia. Enfeitiçado pela alta concentração de talento por metro quadrado, o público respondia com aplausos entusiasmados a cada canção, com destaque para as participações de Maria Bethânia (feia, sim, mas, com voz e presença de palco invejáveis) e da novata Marienne, que fez todo mundo dançar com sua voz calorosa, seu sorriso fácil e o irresistível balanço do samba do Recôncavo. Se ninguém enfiá-la num axezão à la Cláudia Leite, esta menina vai longe, muito longe.

Velhos sucessos cantados em uníssono davam ao show o merecido ar de celebração, enquanto às menos conhecidas reservava-se um respeitoso silêncio. Tudo ia às mil maravilhas e, apesar da frustração causada pela ausência de Daniela Mercury, todos aplaudiram de pé quando eles se reuniram para a saudação final ao público, que não arredou pé, à espera de um bis. Banda e cantores deixaram o palco e foram para trás do cenário, restando alguns no palco, entre abraços e reverências. Paciente, a platéia deu um urro ao ver Gal Costa empunhar um microfone e dirigir-se à frente do palco. Pobres de nós, preparados para tudo, menos para o que veio a seguir!

"É o seguinte: o show acabou. Como deu aquele estalo nas caixas, na hora de 'Luz do Sol', o diretor do show pediu que a gente repetisse a música, pra sair direito no DVD. Então, a gente vai voltar pra tocar essa música, mas, é só por isso, tá?"

Uma merecida e estrondosa vaia irrompeu, enquanto comentários pipocavam: "'só por isso' é sacanagem, hein, Gal?", "só por isso, eu vou embora!", "só por isso, não bato mais palmas!" Com a infeliz escolha de palavras da fatal e boçal Gal, boa parte dos presentes, inclusive este que vos escreve, acabou deixando o local, com a sensação de ter comido um jiló, escondido no sorvete de chocolate.

Bastava dizer, "pessoal, a gente precisa gravar uma música de novo, vamos todos participar, pra ficar bem bonito no DVD", mas, não. Gal Costa quis deixar bem claro que não precisa do seu público. Vive como um personagem, diva 24 horas por dia. Um final melancólico para um concerto tão belo. Melhor deletar Gal da memória e guardar no coração as emoções daquela (ainda e apesar de tudo) inesquecível noite de sábado.

09/02/2007

Bizz e Rolling Stone: coincidências

Você acredita em coincidências?

Acreditando ou não, neste mês teremos o primeiro duelo de verdade entre a Bizz e a Rolling Stone: ambas não apenas estampam a futura passagem do Coldplay pelo Brasil na sua capa, como escolheram fotos praticamente idênticas!

Vale ressaltar que é muito saudável que, pela primeira vez desde a sua volta, a Bizz tenha finalmente escolhido para sua capa uma banda gringa viva, ativa e relevante (e que me desculpem os fãs do Jack Johnson, capa em Jan/06, mas, ele não é astro o suficiente para tanto), ao invés de dinossauros e ídolos mortos.