20/02/2008

Rapidinhas

Rapidinhas

- O Blu-Ray ganhou a guerra dos DVDs de alta definição. Estúdios de cinema e fabricantes de eletrônicos abraçaram o formato, deixando o concorrente HD-DVD a ver navios. Isso vai ajudar a acabar com a pirataria? Claro que não. Não demora muito e o formato vai estar mais barato, havendo gravadores e unidades graváveis à venda. A indústria é um canibal que morde a própria carne e depois fica chorando de fome. Não dá pra entender.

- Tentei abrir o blog da Pixel Media, para ver a declaração do editor Cassius Medauar sobre os erros de português nos lançamentos da editora, mas, infelizmente, algo sempre dava errado. OK, deixe estar. O que interessa é que a atitude é louvável e seria apropriado que alguém da Panini fizesse o mesmo, pois a coisa anda num nível vergonhoso. Não bastassem os erros ortográficos e de concordância, ainda temos que penar com problemas de tradução, palavras que faltam ou estão apagadas.

- Falando na Panini, os anúncios de lançamentos especiais em comemoração aos 70 anos da DC Comics não param. Biblioteca DC (que começa re-republicando em capa dura material dos Grandes Clássicos DC de Novos Titãs e Mulher-Maravilha), Coleção DC 70 Anos (com encadernados da série Greatest Stories Ever Told), A Saga das Trevas Eternas (da Legião de Super-Heróis, em Grandes Clássicos DC 13), Starman de James Robinson e mais alguns outros. Os lançamentos do segundo semestre devem privilegiar o Superman, que também completa sete décadas em 2008.

- Natalie Cole questiona os cinco Grammy entregues a Amy Winehouse, alegando que seria algo como premiar alguém por abusar das drogas. Ora, Natalie, cale essa boca! Primeiro, a Amy é muito mais cantora que você e mereceu até o Grammy que não ganhou. Segundo, você também vivia chapada e nem faz tanto tempo assim. Por último, tá difícil pagar as contas sem um clássico de papai Nat King Cole pra dar uma força, hein? O que você andou fazendo desde o dueto sobrenatural de "Unforgettable"? Hein? Hein?

15/02/2008

Resumão Panini/DC - Janeiro 2008

Resumão Panini/DC - Janeiro 2008

Vamos falar de capas. Simone Bianchi é genial, não vou negar, mas essa capa de Batman 62 é pra lá de sem graça! Nem é a mais feia de fato (prêmio que caberia àquela coisa rosa-choque medonha que envolve Superman & Batman 31), mas fica como puxão de orelhas, para o gênio não relaxar. Por outro lado, Alex Ross pode ser péssimo em cenas de ação, mas ninguém faz pin-ups melhor que ele. A capa de Universo DC 8 é só mais um dos trabalhos memoráveis do cara - e prepare-se para as próximas!


As cinco MELHORES histórias do mês:

1 - Sociedade da Justiça - "A Nova Geração", parte 1 (roteiro de Geoff Johns, arte de Dale Eaglesham, publicada em Universo DC 8)
Geoff Johns não tem a paciência de um Brad Meltzer. O negócio dele é gibi ágil, sem dramas muito profundos e com a ação rolando solta. A volta da SJA é um verdadeiro deleite, com os veteranos assumindo a responsabilidade de treinar os herdeiros das lendas do passado, enquanto estas sofrem ataques mortais. O misterioso novo Starman e o visual de Jakeem Trovoada são os primeiros indícios de que o futuro visto em
Reino do Amanhã pode não ser tão alternativo assim - e vem mais por aí.

2 - Liga da Justiça - "O Rastro do Tornado", parte 4 (roteiro de Brad Meltzer, arte de Ed Benes, publicada em Liga da Justiça 62)

3 - Mulher-Maravilha - "Quem é a Mulher-Maravilha?", final (roteiro de Allan Heinberg, arte de Terry Dodson, publicada em Os Melhores do Mundo 7)

4 - Xeque-Mate - "Peão 502", parte 1 (roteiro de Greg Rucka, arte de Jesus Saiz, publicada em Universo DC 8)

5 - Superman - "A Arte da Galhofa" (roteiro de Kurt Busiek, arte de Mike Manley, publicada em Superman 62)


As cinco PIORES histórias do mês:

1 - Batman Confidencial - "Regras de Compromisso", parte 5 (roteiro de Andy Diggle, arte de Whilce Portacio, publicada em Batman 62)
Ô coisinha sem graça... além da história pífia, somos obrigados a aturar Whilce Portacio, um cara que era, pelo menos, passável, nos tempos em que tentava emular o Jim Lee. Aí ele cismou de estilizar sua "arte" e o resultado é esta seqüência de agressões às nossas retinas. Graças a Deus, acaba na próxima edição e, segundo o editor, não volta mais! Deus a leve!

2 - Renegados - "Cientistas Loucos", parte 3 (roteiro de Judd Winick, arte de Matthew Clark, publicada em Novos Titãs 43)

3 - Íon - "A Princesa de Alytt" (roteiro de Ron Marz, arte de Paco Diaz e Yvel Guichet, publicada em Os Melhores do Mundo 7)

4 - Supergirl - "Amor à Primeira Briga" (roteiro de Joe Kelly, arte de Ian Churchill, publicada em Superman 62)

5 - Batman - "Grotesko", parte 1 (roteiro de John Ostrander, arte de Tom Mandrake, publicada em Batman 62)


Mestres do Lápis: Renato Guedes (OMAC) e Marcos Marz (Batman)

Mestres da Foice: Whilce Portacio (Batman Confidencial) e Koi Turnbull (Superman)


A capa mais bonita: Universo DC 8



A capa mais feia: Batman 62


11/02/2008

Mulheres Que Mudaram Minha Vida

Mulheres Que Mudaram Minha Vida

Capítulo 1
Kate Pierson e Cindy Wilson

Quando o primeiro Rock In Rio foi realizado, em janeiro de 1985, eu tinha apenas 11 anos de idade. Revoltado com nossa súbita mudança da "quase capital" Feira de Santana para a mínúscula Ibotirama (um dia, eu conto essa história, com todos os sórdidos e engraçados detalhes envolvidos), passei parte de minha pré-adolescência numa espécie de hibernação social, durante a qual ficava ruminando frustrações, quase sem botar a cara na rua para qualquer coisa. Será que o Rock poderia encontrar "vítima" mais adequada?

Mesmo sem conhecer 90% daquelas pessoas, eu sabia que alguma coisa realmente importante estava acontecendo. Vendo e ouvindo a História acontecer na tela da minha TV (nos poucos momentos que a Globo nos permitia acompanhar o festival), eu engolia o choro toda vez que ouvia aquele inesquecível tema: "se a vida começasse agora / se o mundo fosse nosso de vez..."

Quando The B-52's apareciam na tela, quase sempre dava-se ênfase ao visual maluco da banda, em especial das vocalistas Kate Pierson e Cindy Wilson, com suas perucas bufantes e roupas atrevidas. A presença deles no festival os levou à alta rotação nos programas de clipes que ainda abundavam nos canais abertos, como o Clip Clip (da Globo), o Super Special (da Bandeirantes, apresentado pelo Emílio Surita!) e o FMTV (da finada Manchete). A insistência era, basicamente, no colorido clip da divertida "Legal Tender".

"Afinal, Batman, por que essas mulheres mudaram a sua vida?", indaga-se o apressado leitor. Ora, meu jovem, o cenário era dominado pelas caretíssimas "musas" da MPB (tipo Simone, com suas batas brancas e pés descalços), e por esforçadas aprendizes, tipo as meninas da Blitz. Assim, era uma novidade e tanto ver alguém direto da "matriz" (os EUA) tão de perto - ainda que "perto" significasse elas lá, no Rio, e eu aqui, no sertão baiano.

Digamos que foi a primeira vez que eu saquei que popstars tinham a obrigação de ser diferentes e divertidos, ou que eles não precisavam ter medo de parecer ridículos, pois todo mundo acabaria achando tudo lindo, mesmo. Mais do que isso, eu me sentia... sei lá... representado ou vingado por elas e por outros daqueles artistas fenomenais que subiram ao palco e fizeram do rock uma tábua de salvação para mim, um cara que queria dizer tanto e não sabia como, nem se haveria alguém interessado.

Depois, claro, quando eu "virei gente", passei a admirá-las por seus dotes vocais (principalmente a Kate) e pela qualidade de muitas das canções do B-52's, como "Private Idaho", "Song For A Future Generation", "Roam" e "Debbie". Com as sucessivas separações e reuniões, Kate Pierson achou tempo para colaborar com gente como R.E.M. (em "Shiny Happy People" e "Me In Honey", do Out Of Time) e Iggy Pop (em "Candy"). Dizem que a banda (completada pelo vocalista Fred Schneider, pelo baixista/guitarrista Keith Strickland e, antigamente, pelo falecido guitarrista Ricky Wilson, irmão de Cindy) só se vira bem em estúdios e vídeos, deixando a desejar em cima do palco.

Ora essa, quem se importa? Sendo tão legais "ao morto", tanto faz se vingam ou não, quando ao vivo. Kate e Cindy mudaram minha vida há mais de 20 anos e eu ainda não me recuperei daquele verão de 1985. Ainda bem!