26/12/2008

With a little help from my friends

With a little help from my friends

Uma das coisas legais de voltar a um lugar de onde você esteve ausente por muito tempo é observar a reação das pessoas à sua súbita aparição. Obviamente, não há surpresa na alegria daquele grupo especial de amigos, com os quais você compartilhou momentos divertidos, constrangedores ou emocionantes durante os melhores anos da sua vida (no meu caso, não a adolescência, mas os primeiros anos da vida adulta, entre os 19 e os 23).

Curiosa mesmo é a atitude de quem não esteve tão lealmente assim ao seu lado, aquela pessoa que você, talvez, nem valorizasse tanto, e que, de repente, abre um sorriso franco em sua direção, pergunta sobre seu bem-estar e expressa o quanto sua ausência é sentida. Ocorre o oposto, também: pessoas de quem você poderia esperar um pouco mais de entusiasmo com sua volta, mostram-se frias e arredias a mais do que trinta segundos de amenidades protocolares.

A vida é assim mesmo. Como cantou Renato Russo em "Old Friend", "o amor é raro / a vida é estranha / nada dura / as pessoas mudam". Menos ou mais, para melhor ou para pior, as pessoas sempre mudam e, infelizmente, o tempo e a distância podem acabar com coisas muito bonitas que antes existiam. Por outro lado, para cada amigo que se perde na distância ou na memória, surgem outros que preenchem os espaços vazios em seu coração e somam-se aos que ainda estão lá.

Tentar fazer amigos na internet é uma tarefa difícil, também. A gente chega cheio de boas intenções e esbarra em tipos arrogantes, neuróticos ou simplesmente idiotas. É possível, porém, encontrar gente bacana, interessante e verdadeira. Pode demorar, mas a gente encontra. Hoje, em meu MSN, existem alguns quase tão antigos quanto todo o meu tempo como usuário de internet.

Aqui mesmo, no Catapop, alguns leitores e parceiros de blogagem acabaram tornando-se figuras bastante queridas. Isso não quer dizer que a gente pense igual - na verdade, a discordância é mais a regra do que a exceção - e, só para não fugir do que eu disse lá no começo, outros mudaram e hoje simplesmente ignoram o blog que um dia tanto amaram. Tudo bem. A vida é assim.

Meu desejo é que, de agora em diante, você precise cada vez menos remover pessoas de seu coração, para poder colocar outras. Por sorte, ele é bem elástico! Que o Ano Novo traga mais e melhores amigos. Um forte abraço a você que acompanha o Catapop. Feliz 2009!

13/12/2008

Lanterna Verde 3

Lanterna Verde 3

A Guerra dos Anéis continua!

O Conto da Tropa Sinestro dedicado a Parallax é bastante interessante. Primeiro, porque temos o bonito traço da brasileira Adriana Melo. Segundo, porque o argumento de Ron Marz, o criador de Kyle Rayner, trata o personagem (queridíssimo por muitos leitores, apesar da babação com Hal Jordan) com o devido respeito, mostrando-o como alguém capaz de enfrentar a perigosa entidade amarela que dominou seu corpo e o tortura com lembranças de todas as pessoas queridas que ele já viu morrer. Bela abertura. Nota 9,0.

O segundo Conto é protagonizado pelo Superciborgue, torturado pelo desejo e pela sua virtual impossibilidade de morrer. A história da origem de seu poder e de suas motivações - aliás, ele parece ser o único personagem movido por algo diferente do manjado "dominar o universo" - é escrita por Alan Burnett e desenhada por Patrick Blaine. Nela, a Tropa Sinestro alcança a órbita terrestre e já destrói a recém-construída Torre de Vigilância da LJA. Hank Henshaw já era um dos mais perigosos inimigos do Superman. O que dizer de agora, que possui um anel energético amarelo? Nota 7,0.

A expectativa criada pela capa do principal título esmeralda (justamente a que ilustra a edição nacional) fica meio frustrada pelo fato de que, embora a Tropa Sinestro cause estragos, o desenrolar da batalha não passa nem perto do que a imagem sugere. Ao contrário, os Lanternas e demais heróis terrestres conseguem vitórias importantes no episódio. Ivan Reis dá um show em duas imagens de página dupla: a reunião da Tropa Sinestro sobre a Lua e a chegada Tropa dos Lanternas Verdes à Terra. Pena que, logo após vermos Kyle Rayner ganhar forças contra Parallax na primeira história, vejamos ele novamente choroso e dependente da ajuda de Hal Jordan. Geoff Johns, pelo jeito, não quer deixar dúvidas sobre quem é seu Lanterna Verde favorito. Nota 9,0.

Já a história da Tropa dos Lanternas Verdes, escrita por Dave Gibbons, tem uma história com muita ação e violência, prejudicada pela ação de quatro desenhistas! O eficiente titular Patrick Gleason limita-se a desenhar a última página, que mostra a ascensão de Sodam Yat (profetizada por Alan Moore nos anos 80!), enquanto o resto é dividido entre três medíocres: Pascal Alixe, Vicente Fuentes e Dustin Nguyen (este último um mau imitador de Gleason, que é um bom imitador de Doug Mahnke). Uma pena, pois o quebra-pau entre Kilowog e Arkillo tinha tudo para ser memorável. Dividida, também, é a posição dos membros da Tropa em relação ao uso de força letal. A edição termina com a esperada intervenção do Superman Primordial, a desenrolar-se na próxima edição. Nota 8,0.

Lanterna Verde 3 - Panini - 100 páginas - R$ 6,90

Liga da Justiça 72

Liga da Justiça 72

Um por um, os membros da Liga da Justiça vão caindo ante o poder da nova sociedade criminal liderada por Lex Luthor, Coringa e Mulher-Leopardo, uma forçosa inversão da Trindade heróica formada por Superman, Batman e Mulher-Maravilha. Falta à Mulher-Leopardo o cacife para integrar uma cúpula de qualquer coisa. Apesar disso, Dwayne McDuffie lida bem com o grande número de heróis e vilões presentes, jamais perdendo o pique ou o a dimensão da ameça aos heróis. Uma pena que o traço tenha ficado a cargo de um medíocre do porte de Joe Benitez. Nota 7,5.

Na fraca história da Mulher-Maravilha, o único mérito fica para o desenhista Julian Lopez. Não que seu traço seja o fino-do-fino, mas, ao menos, ele consegue desenhar rostos diferentes. Pena que o último quadrinho dê a impressão de que Diana subiu aos céus fazendo um rap! A história de J. Torres ainda é um rescaldo do Ataque das Amazonas e não diz a que veio. Nota 4,0.

Mark Waid escreve uma história veloz e divertida como o próprio Flash. Depois de ajudar a algumas pessoas, seus filhos Iris e Jai ficam à mercê dos monstros marinhos que tomaram Central City e Keystone City e, depois, perdidos numa cidade que não conhecem. Enquanto isso, Wally volta do fundo do rio que separa as duas cidades e descobre os autores e os motivos por trás dos ataques e prepara uma reação. O capista Daniel Acuña revela-se um excelente ilustrador interno, dando o sentido cinético acelerado que o personagem exige e conseguindo a proeza de desenhar crianças que parecem crianças! Nota 8,0.

A história da Sociedade da Justiça é uma calmaria antes da tempestade. Poderosa sonha constantemente com seu primo Kal-L, o Superman da Terra-2, falecido durante a Crise Infinita. Seus sonhos, no entanto, prenunciam a chegada de um outro "estranho visitante", na saga que coloca a SJA na linha de frente dos eventos que parecem conduzir ao Reino do Amanhã. Geoff Johns continua muito à vontade escrevendo esses personagens e Dale Eaglesham faz o que pode, embora falte um certo brilho ao seu desenho. Nota 8,5.

Liga da Justiça 72 - Panini - 100 páginas - R$ 6,90

05/12/2008

O Melhor de 2008 - Música

O Melhor de 2008 - Música

Um ano de fartura, é assim que defino 2008. Gente nova surgindo, jovens talentos seguindo e velhos medalhões retomando o bom caminho. Um ano generoso.

A seguir, você tem uma série de listas que refletem minha relação com a música produzida durante o ano que se encerra e antes dele. Vocês conhecem bem o esquema: listas são feitas para serem contestadas - até mesmo por quem as faz. Enfim, chega de papo e vamos logo abrir os trabalhos com a parte mais difícil.


As 15 Melhores Canções do Ano

Eu devo ter mudado de opinião umas cinco vezes desde que bolei a primeira versão desta lista, mas acho que, do jeito que está, ela enche um CD meio "frankenstein", mas bem bacaninha. Para baixar as canções, clique aqui!

Adele - "Cold Shoulder" – Você não tem que esperar que Amy Winehouse estique as canelas para encontrar opções interessantes. Adele faz um soul pop mais contemporâneo, com uma voz educada e poderosa.

Al Green - "Lay It Down" - Quando a gente ouve Al Green, descobre que existe não uma linha, mas um abismo separando a sensualidade da vulgaridade. Um mestre do amor adulto e dos trinados arrepiantes.

Duffy - "Mercy" - Um convite irresistível à dança e um testemunho à fé de que, apesar da exploração midiática da desgraça de Amy Winehouse, ainda dá pra crer na força da soul music dos anos 00.

Elvis Costello & The Imposters - "American Gangster Time" - Muitas das melhores canções já escritas começam assim: "one, two, three, four...". Pegada rock irrepreensível e um órgão simplesmente infernal.

Estelle & Kanye West - "American Boy" - Talvez o hit mais gostosamente grudento do ano, esta música revelou o talento da ex-rapper Estelle, protegida de John Legend e cantora de beleza e classe incomuns.

Jason Mraz - "Love For A Child" - Mraz é um pequeno gênio melódico. Esta balada de letra saudosista e amarga nos faz lembrar dos melhores momentos de gente bacana como o Elton John dos anos 70.

John Legend & Estelle - "No Other Love" - O "patrão" chamou e ela atendeu: Estelle faz um rap e backing vocals preciosos sobre um reggae simplesmente arrebatador, de um dos melhores cantores da atual safra soul.

Léo Jaime - "Mesmo Assim" - O disco Interlúdio é bem triste em seu total, mas abre com esta baladinha pop que mostra que Léo Jaime não é grande apenas na circunferência abdominal. No talento, também.

Madonna - "Give It 2 Me" - Enquanto essas franguinhas genéricas que tem por aí sofrem tentando reerguer carreiras que mal começaram, Madonna segue ensinando como manter-se no topo - há 25 anos!

Metallica - "The Day That Never Comes" - Depois daquela porcaria chamada St. Anger, o Metallica voltou à carga com Death Magnetic e gerou um belo monstro de peso e feeling autênticos. Air guitar!!!

Morrissey - "That's How People Grow Up" - Uma das duas faixas inéditas da trocentésima coletânea do Morrissey. O disco em si pode ser picareta, mas este rock é uma pérola de desencanto e humor negro.

Nick Cave & The Bad Seeds - "Jesus Of The Moon" - Nick Cave alterna canções cruéis e sombrias com outras de lirismo emocionante. Este blues assombrado freqüentou meu iPobre durante praticamente o ano inteiro.

Paul Weller - "Invisible" - No peito deste homem de carreira longeva e nada óbvia, bate um coração sensível que se despedaça sobre o teclado de um piano, numa balada capaz de comover até a um poste.

Skank - "Ainda Gosto Dela" - Dois anos depois do irregular Carrossel, esta bonita canção com auxílio vocal de Negra Li mostra que o Skank ainda sabe surpreender. Pegada pop e belos adornos eletrônicos.

The Long Blondes - "The Couples" - Ok, é oficial: Kate Jackson é o mais próximo que temos de uma nova Chrissie Hynde (embora Chrissie esteja viva e bem). Feminismo inteligente, divertido e sem cabelo no sovaco.




Companheiras Fiéis
+ 10 canções que fizeram minhas orelhas fumegar de alegria.

Adele – “Daydreamer”
Coldplay - "Viva La Vida"

Estelle & John Legend – “You Are”
Keane – “Spiralling”
Madonna – She’s Not Me”
Nick Cave & The Bad Seeds – “Dig, Lazarus, Dig!”
R.E.M. – “Accelerate”
The BellRays – “Blue Against The Sky”
The Kooks – “Always Where I Need To Be”
The Verve – “Love Is Noise”



Troféu Cabeça de Bacalhau

Os CDs que me deram mais trabalho para achar na internet este ano foram o disco solo homônimo do ex-vocalista do Fine Young Cannibals, Roland Gift (2002), e um disco de duetos entre Marvin Gaye & Tammi Terrell, You’re All I Need (1968).



Troféu Pudim de Jiló
Gente que chegou, não agradou e o vento levou.



Marcelo D2 - Meu Samba É Assim
Erykah BaduNew Amerykah
Depeche ModeUltra e Exciter



Troféu Anti-social

Sade
, sem gravar há sete anos.




Troféu "Sabia Que Eu Não Tava Louco!"

Sem exagero: eu devo ter passado os últimos 25 anos recitando mentalmente um trecho de uma música do Kraftwerk que era usado num antigo comercial do Telecurso, sem jamais saber qual era. Pois eu finalmente achei a danada: trata-se de “Home Computer”, do disco Computer World, de 1978.


Troféu Filho Pródigo

Lobão, ignorado por uns quinze anos, voltou a ser um dos meus favoritos. Seus discos da segunda metade da década de 90 em diante são ótimos!



Troféu Vitória da Baixaria

Ana Carolina, tradicional música de fundo para churrascarias e outros ambientes familiares, cantando sobre paus grandes e coisas igualmente angelicais. Na Bahia, um pagode convoca as mulheres, com todas as letras, a “esfregar a xana no asfalto”. Uma vez disseram que “longe é um lugar que não existe”. Melhor atualizar para “o fundo do poço é um lugar que não existe”.


Troféu Unhas No Toco

2009 parece longe demais quando lembro que U2, Morrissey e Amy Winehouse vão lançar novos discos. Expectativa, também, pela continuidade do processo de amadurecimento artístico de Justin Timberlake e Christina Aguilera, iniciado com os excelentes Futuresex/Lovesounds e Back To Basics, ambos de 2006.

02/12/2008

Batman 72

Batman 72

Edição atípica de Batman, dividida apenas entre o astro principal e o Asa Noturna.

A primeira metade é uma daquelas sensacionais histórias curtas que Paul Dini escreve tão bem, cuja modéstia e eficiência sobressaem principalmente contras as ambiciosas e irregulares histórias que Grant Morrison tem escrito para o personagem. Dini mostra que não é preciso fazer grandes revoluções para tornar o Batman interessante: ele já é interessante e só precisa de boas tramas.

Nesta aqui, Batman investiga a morte de auxiliares de palco do mágico Ivar Loxias. Acidentes acontecem, mas a freqüência chama a atenção do Morcego. Para ajudá-lo, ele convoca uma amiga: Zatanna, com quem tem contas a ajustar desde Crise de Identidade. Dizer mais sobre a história pode estragar a principal surpresa da trama, então digo apenas que Bat e Zat subestimam o perigo que os aguarda. Don Kramer segura bem as pontas nos desenhos e a bonita capa de Simone Bianchi chama a atenção. Nota 9,0.

Já o Asa Noturna passa por uma fase de amargar. Marv Wolfman não consegue levantar o moral do combalido personagem, metido em tramas cada vez piores. Uma antiga paixão do passado procura por Dick e ele teme ser enganado novamente. Só que ele não é o único interessado em descobrir os motivos da misteriosa Liu: há um novo vigilante atuando e ele não é nem um pouco paciente. O zé-ninguém Jon Bosco desenha sobre os esforços de Wolfman, mas me parece improvável que alguém ligue para o que acontece aqui. Nota 4,0.

Batman 72 – Panini – 100 páginas – R$ 6,90.

Superman 72

Superman 72

Esta edição traz a conclusão do arco “O Terceiro Kryptoniano”. Karsta-Ul foi exposta, o que atraiu a atenção do caçador de recompensas Amalak, determinado a exterminar todos os kryptonianos – o que quer dizer que, além de Karsta e Superman, estão em perigo a Supergirl, a Poderosa e até Krypto. Christopher Kent, o filho de Zod adotado pelo Superman, ainda aparece aqui, embora já tenha voltado à Zona Fantasma na conclusão da saga anterior, "Último Filho". Faltou um aviso da Panini aos distraídos.

O texto de Kurt Busiek merecia um desenhista melhor que Rick Leonardi. Ele pode até gozar de status de lenda viva, mas, particularmente, eu nunca fui fã de seu traço. Nas mãos de um desenhista de estilo mais interessante, a história poderia tornar-se um novo clássico, mas acaba sendo apenas um arco agitado, na boa média que as histórias recentes do Superman têm alcançado. Nota 8,0.

A história da Supergirl tem ramificações com a Contagem Regressiva. Participam dela os legionários Karatê Kid e Una, além dos vilões Orr e Equus. Muito além da pancadaria, o que realmente interessa nela é o reencontro de Kara com Kal-El, depois das burradas que a loirinha cometeu durante O Ataque das Amazonas. A série já foi bem pior, mas Tony Bedard não é nenhum gênio. Renato Guedes desenha uma Supergirl diferente, quase normal demais – mas eu é que não confio numa heroína com aqueles mocotós grossos, típicos de gente preguiçosa! Nota 6,0.

Antes da última história, um histórico de todos os personagens envolvidos na saga “Último Filho”. Desenhos de Stephane Roux.

Aí chega “Fuga do Mundo Bizarro”, nova colaboração entre Geoff Johns e o diretor Richard Donner, que aproveita vários conceitos de seu filme de 1978. Essa, sim, aspira à posteridade, embora numa escala bem mais modesta que Último Filho. Bizarro seqüestra Jonathan Kent e, para salvar seu pai, Superman terá que enfrentar a insanidade do Mundo Bizarro, enquanto passagens marcantes de sua infância vêm à tona. Eric Powell tem um traço nostálgico, bonito e bastante fluido. Tudo indica que ficará ainda melhor. Nota 9,0.

Superman 72 – Panini – 100 páginas – R$ 6,90