21/06/2009

Starman Vol. 1

Starman Vol. 1

Quando meus alunos reclamam que não têm criatividade para escrever uma redação em inglês, dou o seguinte conselho: não se preocupe em ser criativo, mas verdadeiro; fale de você, das suas experiências e opiniões. Em suma, coloque-se no papel.

Foi o que James Robinson fez ao escrever as excelentes histórias desta primeira (rezemos para que não seja única) coletânea de Starman publicada pela Panini. Robinson fez de Jack Knight (o relutante novo Starman, obrigado a assumir o legado do pai quando seu irmão mais velho é assassinado) uma espécie de alter-ego. Como seu criador, Jack é colecionador de todo tipo de quinquilharia antiga, de álbuns de figurinhas a gravatas, de pôsteres a taças de cristal. O universo do Starman é cheio de referências culturais de décadas passadas, fenômenos pop de pequena e grande magnitudes, coisas que Robinson certamente curtiu muito.

Muito provavelmente, é essa pessoalidade que existe nas histórias que as torna tão agradáveis de ler. Robinson esmerou-se na criação de um universo extremamente compacto, com poucos personagens fixos, todos muito bem delineados. São histórias que brincam com a famosa falta de noção dos super-heróis, com marmanjos vestindo malhas colantes e acessórios ridículos, coisa que Jack, para desgosto de seu pai (o primeiro Starman da Sociedade da Justiça), abomina. O que ele quer mais é ficar atrás do balcão do seu brechó, sem ser incomodado. Acontece que os problemas o procuram e, se não enfrentá-los, a opção que Jack tem é morrer.

Falando nisso, este volume tem dois momentos emblemáticos sobre a morte nos quadrinhos. No primeiro, a única vez em que Jack cede à sede de sangue que acomete os justiceiros mais afoitos, ele sente-se mal e logo trata de jurar: nunca mais - e isso num gibi lançado em plena era Image (1994), com seus ogros homicidas. Na outra, Jack encontra seu irmão morto - e quebra o pau com ele. Ressurreição? Sonho? A história não explica, mas basta uma olhada mais atenta pra sacar a verdade.

Robinson foi feliz, também, na escolha de Tony Harris para os desenhos. Harris dá as histórias de Starman um jeitão noir, com excelente uso de sombras. Na sétima história, ele cede a vez para Teddy H. Kristiansen, ainda mais adequado ao clima de terror da trama com o vilão Sombra. Nos extras, notas feitas pelo próprio Robinson enriquecem e muito a experiência de desfrutar deste belo álbum.

Sem dúvida, um dos melhores volumes de luxo publicados pela Panini. Perdê-lo teria sido imperdoável. Não bastasse a qualidade das histórias, o Submarino fez promoção que baixou o extorsivo perço inicial de R$ 62,00 para meros R$ 19,90, com frete grátis. Mais um belo item para a Estante Encantada, a preço de banana.