19/07/2009

Viver sem fronteiras... e sem banda larga.

Viver sem fronteiras... e sem banda larga.


Na contramão dos avanços tecnológicos e das facilidades de aquisição oferecidas pelas empresas de telefonia, estou de volta à era da internet discada em minha casa - e acredite, digo isso com certo orgulho.

Há pelo menos uma coisa que pode ser dita da internet discada que não pode ser compartilhada com as conexões banda larga oferecidas por aí: ela é estável e cumpre o que promete. É assumidamente de baixa performance, mas não te deixa na mão. As conexões mais rápidas, porém, fazem o mundo parecer ao alcance de um clique, mas, às vezes, basta uma nuvem um pouco maior para que o encanto se desfaça.

Eu estava usando, há cerca de quatro meses, a TIM WEB de supostos 600 kbps e tráfego ilimitado de dados. O preço seria de R$ 39,90 nos três primeiros meses e saltaria para R$ 89,90 nos meses seguintes. Obviamente, eu tentaria conseguir algum desconto com os bônus acumulados no meu celular pós-pago, mas, ainda que não conseguisse, estaria satisfeito em pagar o extorsivo preço bruto. Bastava que a TIM cumprisse metade do que prometia - e não cumpria.

Quando contratei o plano, fui lembrado pela atendente que a rede 3G da TIM não cobria minha cidade, o que limitaria o desempenho do modem. Não sabia, porém, que limitaria tanto assim. Dos 600 kbps prometidos, dificilmente ultrapassava 180. Veja bem, eu não estou falando de uma velocidade constante, estou falando de picos. A média era bem inferior, ficando em torno dos 50 a 80 kbps, com downloads que raramente chegavam a 10 kbps.

(Neste exato momento, realizo uma verificação da velocidade real de minha conexão discada, através de um dos muitos sites que o fazem, e ela marca 56,7 kbps - exatamente o que se espera de uma linha desse tipo. Viva o dial-up!)

Assim, depois de meses de lentidão, instabilidade e pelo menos uma pane mais séria, que durou cerca de três dias, rescindi o contrato de prestação de serviços da TIM, sem qualquer briga - afinal, o idiota aqui ouviu da atendente que havia limitações, mas, mesmo assim, resolveu arriscar. Resumo da ópera até aqui: estou de volta à internet discada e tenho uma razoavelmente vultosa multa a pagar.

Mas (e sempre tem um "mas")...

O fim do meu contrato com a TIM WEB coincidiu com o fim de minha fidelização no celular. Depois de percorrer as lojas de outras operadoras em busca de uma boa desculpa para mudar de "casa", frustração: apesar dos planos semelhantes ao que já possuo, ninguém quis me dar um aparelho decente em troca da portabilidade.

A TIM, obviamente, não precisava saber disso.

Daí, ligo pra lá e resolvo dar uma chance a eles. Justiça seja feita, não tenho queixas em relação à qualidade do sinal, pacote de serviços ou tarifa praticada no celular. Para garantir minha fidelidade, o primeiro aparelho que me vêm à cabeça pedir-lhes é o Sony Ericsson W760, vendido na internet (e na própria TIM) por cerca de R$ 1.000,00. Imaginava que não fosse ser muito fácil, mas bastou mencionar (mentirosamente) que a concorrência tinha me oferecido o aparelho de graça pra que a atendente se esmerasse em me conseguir uma oferta igual. Depois de muita lerdeza (este é um traço típico e irritante da TIM: o atendimento é sempre muito, muito demorado), ela volta e me diz que não consegue fechar a entrega gratuita do aparelho por um problema de sistema, mas que voltaria a me ligar no dia seguinte para terminar a transação.

Promessa feita e cumprida, com um porém: ela agora fala que o celular me sairia com um grande desconto que, ainda assim, me faria pagar 12 parcelas de vinte e poucos reais. Nada da gratuidade anunciada no dia anterior. Revoltado, mas muito paciente, explico a ela que não faz sentido pagar por um aparelho que eu, supostamente, teria de graça da operadora X. Ela diz que não pode reduzir o valor. Eu não aceito a oferta, claro, e encerro a ligação.

Acostumado ao amadorismo do telemarketing da empresa, já havia percebido antes que uma atendente sempre diz uma coisa diferente da outra. Ligo de volta poucos minutos depois e refaço a proposta de fidelização em troca do aparelho gratuito. Depois de muita demora, volta a nova atendente com uma oferta de preço diferente da anterior. Novamente, recuso-me a pagar seja lá quanto for e sou taxativo: "se o aparelho não vier de graça, eu encerro minhas relações com a TIM hoje mesmo, pois a concorrência vai me ligar" (nova mentira). Ela pede mais um (longo) tempo e volta com o OK da sua supervisora. O aparelho, enfim, seria meu a custo zero.

Pode parecer uma vitória pequena, mesquinha. Há que se lembrar, porém, que a competição entre as operadoras não baixou os preços tanto quanto a gente esperava; além disso, todo plano de vantagens tem uma série de "pegadinhas" que limitam seu pleno usufruto. Na falta de uma legislação mais rígida ou de melhor fiscalização, as empresas estão sempre vendendo gato por lebre, como é o caso da internet 3G: a insatisfação é geral. As promessas de velocidade esbarram na pobreza técnica de nossa rede de dados e, enquanto a gente paga caro pra ter uma internet banda-não-tão-larga-assim, de 300 kbps a 4 megas e sujeitas a toda sorte de problemas, na Europa, por um preço equivalente, o padrão doméstico das conexões oferecidas pela própria Telecom Italia (sim, a TIM) já é de 10 megas acima.

É de chorar.

13/07/2009

Homem de Ferro - Extremis

Homem de Ferro - Extremis

Em alta desde o excelente filme do ano passado (cuja continuação, prevista para ano que vem, já geral alta expectativa), o Homem de Ferro tem ganhado contínuo destaque entre os lançamentos da Marvel e, por consequência, da Panini Brasil.

Este encadernado compila as seis primeiras edições de Iron Man, lançadas no Brasil em forma de minissérie, em 2006. A trama de Warren Ellis atualiza o herói para o século 21, não apenas em seu contexto, mas também em sua relação com o equipamento que lhe confere poder. Pontuada por citações a pessoas e eventos científicos cruciais da história recente, Ellis faz de forma divertida e inteligente o que sabe melhor: criar ciência fantástica com um pé na realidade (ou seria ciência real com um pé na fantasia?).

Extremis é o nome dado a uma nova tentativa de soro de supersoldado, experimento cujo único sucesso, até então, era o Capitão América. Só que ao invés de simplesmente amplificar força e reflexos, o Extremis promove uma completa remodelação interna do corpo humano, a partir do centro cerebral de regeneração. O soro é roubado e vendido a terroristas, o que provoca uma tragédia.

Ao reconhecer os efeitos de sua criação, a cientista Maya Hansen apela a Tony Stark, esperando que seus contatos com os Vingadores e a SHIELD ajudem a minimizar os problemas. O que Tony não esperava é que a cobaia do Extremis se revelasse um desafio superior a toda sua tecnologia, o que quase lhe custa a vida e o obriga a tomar uma decisão que pode resultar no upgrade supremo de seu armamento... ou na sua morte.

O trabalho admirável de Adi Granov na concepção da nova armadura do Homem de Ferro rendeu-lhe convite como consultor de design no filme, mas seus méritos não estão resumidos a ela. Com um estilo que faz lembrar John Cassaday (Surpreendentes X-Men), Granov é econômico nos cenários, mas desenhas celulares, carros e o próprio Tony Stark de modo verossímil, ao invés de hi-tech exacerbado ou uma montanha de músculos, incompatível com o semi-sedentarismo do personagem.

Extremis, com sua agilidade e respeito à inteligência do leitor, é uma ótima adição à coleção de qualquer fã de bons quadrinhos. Merece a Estante Encantada!

05/07/2009

Espanando a poeira!

Espanando a poeira!

Livro: Leite Derramado

É triste, mas é um fato: é raro a gente dar dicas de livros aqui no Catapop. Confesso que isso acontece porque eu realmente não leio tantos livros quanto deveria, gastando (e, às vezes, desperdiçando) muito do meu tempo com DC e Marvel. Por isso, mesmo com a torpe desculpa de que tenha sido incluído em um pedido à FNAC apenas para completar o valor mínimo para frete grátis, Leite Derramado acabou se revelando uma prazerosa surpresa.

Esquecido no leito de um hospital qualquer do Rio de Janeiro, um homem conta sua história e de sua família, ao longo de pouco mais de cem anos, acompanhando as transformações físicas e sociais da cidade e alguns momentos importantes da história do Brasil. Seus relatos são desconexos, cheios de idas e voltas no tempo, e jogam para o leitor a tarefa de discernir o que é verdade do que é delírio senil na sua jornada dos nobres palacetes dos primeiros anos do século XX à virtual indigência dos dias atuais, tudo sempre pontuado pela figura de uma mulher jovem e enigmática, chamada Matilde, único amor da sua longa vida.

A linguagem rica e direta que faz a fama da obra musical de Chico Buarque se faz presente neste livro de leitura agradável e altamente recomendável. Confesso que agora fiquei curioso para ler Estorvo, Benjamin e Budapeste, seus livros anteriores, dos quais me esquivei pela cisma de que Chico estivesse apenas pleiteando, na literatura, a adulação que lhe é dedicada no campo da música, onde "gênio" é o adjetivo mais modesto que seus fãs lhe aplicam. Não me restam dúvidas, porém, de que ele domina o ofício de escrever.


HQ: Liga da Justiça por Grant Morrison Vol. 1

Na segunda metade da década de 90, passado o boom da novidade que foi a Liga da Justiça Internacional, voltada para o humor, a principal equipe da DC padecia com sagas fuleiras e consequentes baixas vendas. Para dar novo gás à série, foi chamado um certo escocês, de prestígio até então inabalado, que já havia legado um punhado de obras-primas à editora, como a reformulação do Homem-Animal e a graphic novel Asilo Arkham.

O primeiro grande acerto de Grant Morrison foi perceber o óbvio ululante: para ser realmente a maior equipe de heróis da DC, a Liga da Justiça teria que contar com seus maiores heróis. Isso significaria ter em suas fileiras os assim chamados Sete Magníficos: Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde, Aquaman, Flash e Caçador de Marte. Outros viriam, claro, mas era importante iniciar os trabalhos com um dream team super-heroico. O segundo acerto foi torná-los ligeiramente arrogantes: ora, bolas, se você e seus colegas têm o poder de chutar bundas e partir o mundo ao meio, para que falsa modéstia? A LJA de Morrison era o ápice da concentração de poder e sabia perfeitamente disso. O terceiro foi deixar de lado os vilões mais manjados e investir na criação de novos e perigosos tipos (por exemplo, os marcianos brancos e os anjos caídos) e no enfodecimento de figuras patéticas do passado, como o Chave.

Os desafios propostos por Morrison à LJA eram sempre grandiosos, verdadeiros acaba-mundos que não poderiam ser resolvidos por nenhum dos heróis isoladamente. Entretanto, desde cedo notamos uma predileção do escritor pelo Batman: em meio a tantas figuras com poderes mitológicos, diversas vezes cabia ao único ser humano sem poderes da equipe ("o homem mais perigoso do mundo", segundo Superman) a missão de tirá-la das piores enrascadas. Morrison foi ainda o único escritor que aproveitou, de maneira digna e grandiosa, o curto período em que o Superman ostentou poderes elétricos.

Lamenta-se, apenas, a escolha de um desenhista de segundo escalão, Howard Porter, para ilustrar este momento singular da equipe. Imagino que uma pressão da DC por regularidade nas entregas tenha sido o único motivo a afastar Morrison de seu habitual colaborador, Frank Quitely (um lerdo, porém, um criador de sequências inesquecíveis). Por sorte, tivemos um gostinho da parceria na saga Terra 2 - que, esperamos, constará de algum novo volume por vir.

Infelizmente, a Panini tem uma política de encadernação para lá de obscura, e a gente não tem como saber que coleções podem um dia ganhar o sonhado Volume 2. Mesmo assim, essa coleção reúne aventuras de primeira e que só haviam sido publicadas aqui em formatinho. O luxo da capa dura era dispensável, mas a edição da Panini peca mesmo é por não ter extras, exceto por uma galeria de capas. Era pra encher o volume com entrevistas e textos de Morrison sobre seus conceitos para a equipe. Apesar das falhas, é um deleite reler este material.

HQ: Universo DC: Começa a Crise Final

A DC perdeu tempo e dinheiro (deles e da gente) durante meses a fio, com a Contagem Regressiva e as séries que, aqui, compuseram o Prelúdio Para a Crise Final. Nesta edição, que prepara o terreno para mais um mega-evento de nível cósmico, nada daquilo é sequer mencionado - nem mesmo o aparentemente mais relevante deles, a morte dos Novos Deuses. Não se fala em Donna Troy, Jason Todd ou Kyle Rayner. Não se fala em Monitores, Monarca ou Batedora. Enfim, foi um jeito mais ou menos educado que Grant Morrison e Geoff Johns acharam para dizer: "esqueçam aquela baboseira, o que realmente importa para a Crise Final é o que está acontecendo em Batman, Superman, Mulher-Maravilha e Lanterna Verde!".

Mais do que simplesmente ajeitar o pano de fundo para a Crise Final, este especial cria expectativa para sagas que começam a desenrolar-se desde já e se estendem até o ano que vem: Descanse em Paz (Batman), A Legião dos Três Mundos (Superman) e A Noite Mais Densa (Lanterna Verde). São poucas páginas, desenhadas por prata-da-casa, como Ivan Reis, George Pérez, Ed Benes e Aaron Lopresti.

O grande "tchan" da edição é a maneira sutil como se vai revelando a identidade do seu narrador - e a última página provoca arrepios na espinha, quando a gente saca quem é! Já vimos esse filme, é verdade - só que nunca antes com este personagem. Ou muito me engano, ou esse negócio vai sair bonito: Grant Morrison comanda o evento principal, enquanto Geoff Johns, Greg Rucka, Peter J. Tomasi e Brad Meltzer seguram as pontas nos acontecimentos paralelos. Que venha a (última?) Crise!


DVD: Roma - Primeira Temporada

Uma ótima dica (meio tardia, é verdade) de DVD é esta excelente série da HBO, que recria de modo impressionante o período de ascensão e queda do imperador Júlio César. Contando com um excelente elenco de semidesconhecidos, Roma é um espetáculo memorável de história, política, erotismo e violência exacerbada, com sequências que chegam a chocar. Mesmo assim, tem alguns bons momentos de humor - e não há nada mais engraçado do que comparar a famosa e suntuosa Cleópatra de Elizabeth Taylor com a vagabundazinha sem glamour algum que ela se revela na série. Vale um aviso: tire as crianças da sala. A nudez frontal, inclusive masculina e em "posição de batalha", é constante.


DVD: As Crônicas de Nárnia - Príncipe Caspian

Depois de voltarem a ser crianças comuns em Londres, mesmo tendo memórias de toda uma vida adulta como reis em Nárnia, Peter, Edmund, Susan e Lucy são chamados de volta, mas as coisas estão muito diferentes: Nárnia foi conquistada por humanos e as criaturas mágicas foram caçadas até a quase extinção. Os sobreviventes juntam-se às quatro crianças para reconduzir ao poder o jovem príncipe Caspian, caçado por seu tio Miraz, que deseja o trono para si e seu recém-nascido filho.

Pode estar "na moda" fazer segundos capítulos mais "sombrios", mas não é apenas o tom mais sério que segura este filme: a história é muito bem contada e todo o elenco a interpreta muito bem. Existem reviravoltas estratégicas arrepiantes e alguns sacrifícios extremos são feitos em nome da liberdade. Não se via uma gota de sangue no primeiro episódio, mas neste ele jorra com certa generosidade - nada capaz de chocar criancinhas, claro, mas o toque realista é bem-vindo. Os efeitos especiais criam momentos arrebatadores, que fazem desta continuação uma ótima pedida para uma tarde de ócio.


DVD: Ensaio Sobre a Cegueira

Acometida por uma súbita e inexplicável epidemia de cegueira, a humanidade se perde em conflito e degradação, retornando aos instintos básicos que os aproximam da total descivilização: em nome da segurança, da saciedade da fome e da sede, do impulso sexual e do desejo de poder, as pessoas apelam à segregação, ao roubo, ao estupro e ao assassinato. O único resquício de sanidade e organização é a mulher de um médico (Julianne Moore), que se empenha de corpo e alma em amenizar o sofrimento e os problemas originados pela cegueira - e que, estranhamente, não é afetada.

Parece um cenário horrível, né? E nós, que nem temos a desculpa da doença?

O Mestre Chang já comentou o filme antes. Clique aqui para ler.


1958-2009


Eu sempre vou lembrar onde estava e o que estava fazendo em 25 de Junho de 2009. Adeus, Michael.