Após a segunda morte da Bizz, em julho de 2007, a Rolling Stone ficou como o único veículo de imprensa musical de grande alcance e não excessivamente segmentado. Neste mês, ela comemora 3 anos nas bancas e eu não estou nem um pouco afim de aplaudir.
Cansei da RS na edição de agosto, aquela com uma bela capa dedicada a Raul Seixas e outra (medonha!) a Michael Jackson. Cansei daquele formato cretino. Cansei das capas que abrem no meio, abrem para trás, dobram, desdobram. Cansei dos suplementos inúteis que despencam quando eu abro uma edição plastificada. Cansei das inúmeras páginas de publicidade. Cansei das extensas matérias sobre política, desmatamento e trabalho escravo, que roubam o espaço da cultura pop (se eu quisesse saber da "dura realidade", compraria a Veja). Cansei das insuportavelmente prolixas reportagens gringas, que tentam (em vão) dar substância a esses ídolos fuleiros que dominam as paradas.
Dada a profusão de anunciantes graúdos, arrisco dizer que a revista deve estar vendendo bem. Palmas pros editores, que devem estar rindo de orelha a orelha, ainda mais depois que sua principal concorrente foi pro saco. Na verdade, a Bizz versão século 21 pecou demais com suas idiossincrasias e nem deve ter dado tanto trabalho assim. Porém, a soberba edição especial dedicada a Michael Jackson, publicada em julho deste ano, dá uma aula de precisão, concisão e emoção textual na RS. Gostaria de acreditar que isso sinaliza uma nova ressurreição da Bizz num futuro próximo e aproveito para dar algumas sugestões: a) que zerem a numeração; b) que não metam um mala-cabeça desconhecido na capa (Devendra Banhart?); c) que deem atenção aos bons nomes de hoje em dia, ao invés de excessivo saudosismo e necrofilia; d) que não capitulem à nauseante onda black-baba norte-americana. Seja como for, a Rolling Stone acaba de ganhar uma concorrente de peso, a Billboard Brasil. A capa da primeira edição traz o assim chamado Rei - sim, ele, o meu amigo Roberto Carlos. Entretanto, por que, meu Deus, mais uma revista com formato "excêntrico"? Juro, isso me desanima demais. Ninguém pensa no suplício que é segurar um trambolho desse na sagrada hora do "número 2"? Apesar disso, decidi repensar minha imediata decisão de não comprá-la e aguardo a chegada de um exemplar por aqui.
Assim, terei uma opção à manjada e altamente questionável lista das 100 Maiores Músicas Brasileiras que orna a capa da RS deste mês. É aquilo mesmo que você está pensando: "Carinhoso", "Águas de Março", "Garota de Ipanema", "Trem das Onze" e uma interminável sequência de obviedades, coroada com a consagração da hiperestimada "Construção", de Chico Buarque, como a primeira colocada (buuuuuu!!!). Isso sem falar nos disparatados critérios que excluíram toda e qualquer canção da Legião Urbana (gostem ou não, canções como "Tempo Perdido" e "Será" marcaram toda uma geração e deveriam estar ali), mas deram um lugarzinho (o 100º) à breguice de "Anna Júlia", dos bajulados Los Hermanos. Inacreditável.
Aguardem, para breve, a minha própria edição desta lista. Tenho certeza de que vai sair muito mais legal.
EDITANDO:Eu juro que procurei bastante quando folheei a revista na banca, mas, deixei escapar "Que País É Este?" ali no 81º lugar. Enfim, tem Legião Urbana na lista da RS, mas isso não a tornou melhor. Esperem e verão.