30/11/2009

Não basta ter um blog!

Não basta ter um blog!
Tem que vestir a camisa!


Estou de volta, amigos! Durante estes mais de 30 dias de ausência, estive focado em redigir meu TCC para o curso de Gestão de Recursos Humanos e corrigir montanhas de tarefas dos meus alunos de inglês. As danadas são como formigas: você mata (corrige) muitas delas, mas sempre aparecem muitas outras no dia seguinte.

Estive de tal forma absorvido por trabalho e estudos (e por ocasionais ondas de preguiça, falta de assunto ou de vontade de escrever) que, nessa brincadeira, o blog fez seu quinto aniversário (no dia 03/11) e a efeméride passou em branco. Ok, não é por isso que o mundo vai acabar - e, sim, por causa do alinhamento dos planetas em 2012, conforme a crítica que você lê no post abaixo.

Férias à vista, é claro que terei mais tempo para entretê-los, enquanto meu honorável sócio se desvencilha de suas próprias pendengas. Assim sendo, esperem atualizações mais constantes por aqui e comentários mais frequentes em seus próprios blogs. Tenho muita coisa pra contar e acho que vai ser bem mais divertido a partir de agora.

Sobre a foto acima, um amigo proprietário de uma malharia em Ibotirama fez duas camisas assim, como cortesia. Uma foi imediatamente abduzida por um outro amigo e a outra viajou comigo até Alagoinhas, com a idéia inicial de sorteá-la entre os leitores desta bagaça. No meio da loucura que foi este ano, a coitada acabou esquecida em algum canto do meu guarda-roupas, até ser resgatada hoje. Ao invés de sorteá-la, porém, achei que seria mais divertido eu mesmo ver as caras curiosas das pessoas, ao me perguntar "o que é isso?", "que blog é esse?", "é seu?" e coisas assim. Prometo pensar em algo bacana para compensar esse lapso de egoísmo.

Bom, chega de enrolação. O Catapop está oficialmente de volta, lindo, lépido e fagueiro. Aproveitem os posts abaixo e os muitos que virão, não esquecendo de deixar seus preciosos comentários. Nos vemos por aí!

Cinema - como há muito não se via!

Cinema
Como há muito não se via!

Distrito 9


OK, o ano não terminou ainda, mas pode dar isso como oficial: já temos o melhor filme do ano ele se chama Distrito 9. Fazia tempo que eu não saía do cinema com a sensação de ter visto a História acontecer - e com isso eu não quero dizer que ele seja candidato a 14 Oscars (embora deva colecionar um bom número de indicações) ou que ele seja excepcionalmente original e inovador, mas escreva o que eu digo: Distrito 9 é um filme com colhões, bolas imensas e pesadas, e deve não só redefinir o gênero ficção científica, como gerar uma montanha de imitações.

No filme, a chegada dos extra-terrestres já aconteceu há cerca de 30 anos, quando uma nave imensa emperrou sobre Johannesburg, na África do Sul. Como não havia qualquer espécie de contato, os humanos invadiram a nave e descobriram uma população de milhares de seres vivendo às escuras, desnutridos e desorientados, que são gentilmente trazidos à "civilização" abaixo e amontoados numa favela. Os ETs são pejorativamente chamados de "camarões", devido à sua aparência, e rechaçados como feios, sujos e malvados pela população humana. Eles até querem ir embora, mas não têm como consertar a nave-mãe.

Metáforas para a escravidão, a imigração ilegal e a situação da população latina e negra nos centros urbanos mundo afora? Pode ser. No entanto, assim como na vida real, o filme trata logo de mostrar outros negros (imigrantes nigerianos) aproveitando-se da situação de extrema miséria em que vivem os aliens, que se alimentam de lixo e são viciados em ração para gatos (sim, o negócio dá barato nos camarões). Embora tenham trazido toneladas de armas, os humanos simplesmente não conseguem fazê-las funcionar e elas ficam estocadas em centros de pesquisa, sem qualquer valor prático.

Diante do aumento da população de aliens e do crescente descontentamento dos humanos, o governo sul-africano decide transferi-los para um "Distrito 10", maior e muito mais longe da zona urbana. O processo de desocupação, feito com a "delicadeza" que é peculiar às forças policiais de qualquer lugar do mundo, encontra resistências. Cabe ao burocrata nerd Wikus van der Merwen (personagem de Sharlto Copley - alô, Oscar!), um engomadinho que você odeia desde o primeiro minuto em tela, a tarefa de convencer os aliens a partir. Durante uma vistoria a um barraco, Wikus é borrifado com uma sustância combustível orgânica que, de alguma forma, altera seu DNA. Sim, ele começa a se transformar num "camarão".

Você já matou a charada a essa altura, né? De mero testa-de-ferro para um desagradável processo de remoção, Wikus passa a possuir a chave para o funcionamento das armas alienígenas nas mãos de humanos e para o aperfeiçoamento de outras biotecnologias militares. Devidamente sacaneado, perseguido e estropiado, ele só encontra ajuda entre seus supostos inimigos: os ETs, especialmente na figura do carismático Chris, que alega ter, na nave-mãe, os meios para restaurar sua fisiologia. Depois de escolhas erradas e difíceis e de algumas desilusões, Wikus vê sua lealdade dividida e se transforma, finalmente, num homem de verdade - paradoxalmente, enquanto perde sua humanidade aos poucos.

A opção pelo realismo, que vai da imagem granulada à câmara trêmula e o tom documental, passando pelo notável trabalho de composição da nave-mãe e da integração dos ETs aos cenários naturais, não impediu que o filme funcione, também, como grande cinema de aventura, com belos momentos de ação, reviravoltas e uma conclusão corajosa, que pode ser um tapa na cara dos viciados em finais felizes, mas que se encaixa perfeitamente na proposta do diretor Neil Blomkamp, acertada aposta do já consagrado Peter Jackson para uma necessária oxigenação do sci-fi.

O melhor de tudo: Distrito 9, apesar de sua perfeição técnica, custou míseros 30 milhões de dólares, uma merreca para os padrões de hollywood, e fez bonito nas bilheterias, mostrando que não há pirotecnia visual que substitua as boas idéias. 14 Oscars? Exagero, claro, ainda mais quando se fala em um gênero "menor" do Cinema. A falta de reconhecimento em prêmios, porém, não tira os méritos de Distrito 9 - e eles são muitos!


2012


Esse negócio de o mundo acabar com data marcada já aconteceu e deu chabu tantas vezes antes, que é de impressionar que as pessoas se deixem levar por esse tipo de bobagem de alinhamento dos planetas e afins. Apesar disso, tem gente levando a sério a data 21 de dezembro de 2012 como prazo final de validade do planeta Terra. Calotes, suicídios e diversos tipos de despirocação encontraram a mais perfeita das desculpas. Já dá até pra ver alguns americanos, em 2013, abrindo processo contra os maias pela previsão furada.

Falando do filme, porém, ele é o que os trailers já prometiam: o maior, mais absurdo e mais destrutivo fim do mundo que o dinheiro pode comprar. Nisso, o diretor Roland Emmerich (que já destruiu este judiado planeta outras duas vezes, em Independence Day e O Dia Depois de Amanhã) cumpre perfeitamente as expectativas. Para criar empatia com o público, dois caras carismáticos na linha de frente dos eventos: John Cusack como o escritor divorciado e empenhado em reconquistar o amor da ex-mulher e o respeito do filho mais velho (que gosta mais do padrasto), e Chiwetel Ejiofor como o cientista que tem a micada missão de avisar ao presidente dos EUA que a vaca foi pro brejo e atolou.

Por um bom tempo, pensamos estar vendo um tipo diferente de filme com a assinatura de Emmerich, apesar da presença de seus cacoetes: o maluco esclarecido (Woody Harrelson, hilariante), a súbita anulação de leis da física e o bichinho que se salva em momento de grande perigo. Sim, apesar de tudo isso, o filme rola de maneira mais sombria que o habitual e a sequências de tragédias chega a exasperar, em certos momentos. Pare de ler aqui, se não quiser ler SPOILERS.

Ok, o aviso foi dado. Vamos em frente.

No entanto, o filme se perde quando opta por dois pesos e duas medidas no que diz respeito, por exemplo, ao impacto das explosões que criam um supervulcão no Yellowstone National Park. Enquanto o personagem de Harrelson é devidamente liquefeito pela onda de choque, o de Cusack e sua família recebem uma baforadinha inofensiva, mesmo estando em igual distância. Quando o adorado padrasto de seu filho morre (depois de salvar todo mundo praticamente sozinho), ele nem se preocupa em informar à família e estes, pasmem, não dão pela falta dele! Isso mesmo! O menino e a mulher, que supostamente o amavam, sequer perguntam onde ele está! Inacreditável! Por fim, existe a inevitável patriotada: embora o consórcio de salvação da raça humana seja multinacional e o "inimigo" mais visível seja um cientista militar americano, cabe ao personagem de Chiwetel Ejiofor dar uma lição de moral (admito, bem tocante) nos desalmados europeus e asiáticos.

No final, mais maniqueísmo, embora "do bem": a África é o único continente poupado do pior da devastação e deve ser, pela segunda vez, o berço da raça humana. A mensagem é clara: olhem para lá, eles existem e são nosso irmãos, façam alguma coisa agora, pois pode não haver um depois. Infelizmente, a reflexão costuma durar o mesmo tempo de um filme do Roland Emmerich. Depois, todo mundo volta a se preocupar com coisas mais importantes, como o abdômen tanquinho do vampiro emo Edward.

Y - O Último Homem, Vol. 1

Y - O Último Homem, Vol. 1


Esta é uma das HQs mais hypadas e premiadas dos últimos tempos. Ao relançá-la desde o início, a Panini nos dá um presente e nos cria uma preocupação. O presente é que Y - O Último Homem, Vol. 1 vale cada centavo de seus R$ 16,90, desde a opção pela capa cartonada, que barateia e populariza o encadernado, nesses tempos em que até gibis de 50 páginas ganham capa dura no Brasil. O problema é o de não saber se a publicação de Y prossegue sem sustos até o fim, ou se vai ser vítima da "maldição do número 1" de que padecem os encadernados da editora.

Se você não leu ou nunca ouviu falar, a trama é simples: num belo dia, os machos do planeta, humanos ou não, simplesmente morrem todos, com exceção de Yorick e seu mico Ampersand. Não se sabe com certeza por que foram poupados, mas você deve achar que é o sonho de qualquer homem (ou mico) ser o único macho num planeta só de fêmas. Afinal, um mundo dirigido por estes seres tão sensíveis (e provavelmente muito dispostas para tentativas de dar à luz outros homens) só pode ser o melhor dos mundos pra se viver, certo?

Reconsidere.

Em Y, as mulheres dão fiel continuidade às mesmas cagadas da falecida porção masculina: violência, discriminação, disputa pelo poder. Pior, parecem bem mais interessadas em acabar com a raça do pobre Yorick do que em prestar favores de alcova. Claro, existem focos de razão na previsível histeria que se instala, como a mãe de Yorick e a mulher designada para garantir sua segurança (afinal, ele é agora a pessoa mais importante do planeta), uma agente federal conhecida apenas como 355, até que Yorick lhe põe o apelido de Fran.

A idéia pode não ser nova, mas o roteiro de Brian K. Vaughn (ganhador do Eisner) distribui cutucadas nos mais diferentes alvos: os homens, as mulheres, os republicanos, as feministas, os machistas. O apocalipse misantrópico é mostrado em várias frentes (nos EUA, na Austrália, no Oriente Médio) que terminam por convergir. Adequadamente, a artista da série é uma mulher, Pia Guerra. O Eisner recebido por ela talvez seja um exagero politicamente correto, mas jamais poderão acusá-la de incompetente. É um traço simples e dinâmico, quase um storyboard pra um já vindouro filme - e Hollywood seria uma tonta de não aproveitar tanto potencial.