05/12/2010

Então, é Natal...

Então, é Natal...


Em algum momento entre o ano passado e este que se encerra, eu completei dez anos como usuário de internet, anos estes que somam mais que um quarto da minha existência. Passei por todas as fases obrigatórias: o deslumbramento inicial de achar que salas de bate-papo eram a coisa mais legal do mundo, a inocência útil (a outros) de abrir tudo que me chegasse no e-mail, o deleite com a pornografia farta e gratuita, a formação de uma invejável coleção de mp3 (em quantidade e qualidade), a experiência com novos formatos de interação, como blogs e redes sociais, até chegar ao momento atual, em que já me considero um usuário razoavelmente escolado e responsável.

Ainda que muitos digam que estamos nos tornando mais frios, que as relações estão cada vez mais impessoais, que os jovens preferem a luz de um monitor à presença humana, eu vejo a internet como uma ferramenta de aproximação. Deveria ser óbvio, para qualquer um, que a gente não conversa com janelinhas: são pessoas que estão ali, muitas vezes sem qualquer outa possibilidade de interação amigável - porque a experiência nos mostra, diariamente, que nem todo mundo sabe conviver muito bem com as diferenças e, para quem quer discriminar, maltratar, humilhar e espezinhar, motivos não faltam: pode ser a cor da pele, o penteado, a forma física, a condição sexual, o jeito de falar, andar, vestir-se, o lugar onde se vive. Qualquer coisa, assim entendida, acaba virando combustível para o ódio.

E, sim, faço o mea culpa: já destilei minha porção de veneno e ignorância na internet. Às vezes, até de forma bem-intencionada, diga-se. Sabe quando a gente tem estereótipos na cabeça sobre determinado tipo de gente e precisa escutar ocasionais sermões para poder colocar as ideias no lugar? Não é que eu estivesse sempre errado e os outros sempre certos, mas, a gente sempre se beneficia da troca de impressões opostas, através da qual alcançamos (ou seguimos buscando) um suave equilíbrio. Muitas vezes, fui confrontado com coisas que não queria "ouvir" e, admito, preferi agarrar-me à minha idiotice. Por medo. Por covardia. Por raiva. Sei lá por quê!

Apesar disso (e eu posso estar me repetindo), também é inegável que a internet está cheia de tipos lunáticos, neuróticos, insuportáveis e perigosos. Alguns destes já conseguiram enredar-me em sua "máquina de fazer doido" - certas discussões em bate-papos durante o dia acabavam com meu bom humor e me tiravam o sono à noite. Só que gente doida e maldosa pode ser, também, bastante cativante (isso é, afinal, o que os torna tão perigosos) e até que aprendesse a livrar-me deles sem dor na consciência (não nos ensinam que todo mundo merece uma chance de redimir-se?), dei dolorosas cabeçadas em paredes de arrogância, falsidade e promessas não cumpridas.

Por sorte (veja só!), gente legal também usa a internet - e, cara, posso me considerar bastante afortunado de ter formado um círculo bastante razoável de pessoas, do Brasil e de outros lugares do mundo, que emprestam um pouco mais de graça e leveza ao meu dia, a cada vez que abro o MSN, leio um comentário aqui no Catapop, ou um post em seus próprios blogs ou páginas de Orkut e Twitter. Por mais improvável que isso seja de acontecer, sempre me imagino reunido com essas pessoas, a quem tenho o prazer de considerar bons amigos, em meio a rodadas generosas de cerveja, gargalhadas e muito papo nerd.


Cabe aqui um pequeno aparte: Luwig, Kelnner, Alex Melo, Do Vale, Mauro Sampaio, Paranoid Android... por que nerds nordestinos são tão maneiros? =D

Há gente que odeia o fato de as pessoas ficarem sentimentais nesta época do ano. Dizem que é falsidade, atribuem tal comportamento a culpa católica e outros motivos ainda menos nobres. Defendo-me dizendo que, apesar do ocasional mau humor e impaciência demonstrados em alguns dos meus posts ao longo destes cinco anos de vida do Catapop, eu sou um emotivo por natureza o ano inteiro (sabe como é, canceriano é chegado num melodrama). O Natal é só uma desculpa para eu fazer isso sem parecer muito forçado ou inapropriado.

Portanto, desejo a você, leitor habitual, ocasional ou estreante deste blog, um Natal repleto de alegrias e que 2011 seja um ano, no mínimo, divertido para todos nós. Não importa se você acredita ou não no Menino Jesus, Papai Noel e outras entidades e tradições ligadas à data: qualquer desculpa vale para espalhar bons sentimentos e certas lições jamais perdem seu valor. Soa meloso? Bem, este sou eu, de peito aberto. Viva com isso! Desamarre essa tromba cética e dê um sorriso bonito pro seu amigão aqui, vá! =)



SALDÃO 2010

As melhores HQs do ano

As melhores HQs mensais: Lanterna Verde e Vertigo.
Os melhores encadernados inéditos: Criminal e Ex Machina.
As melhores republicações: Sandman, Camelot 3000 e Alias.


Os melhores filmes do ano
(editada em 05/01/11)

Ilha do Medo
A Origem
A Rede Social
Toy Story 3
Tropa de Elite 2


As melhores músicas do ano
(ou não)

Bryan Ferry, "Alphaville"
Cee-Lo Green, "Fuck You"
Janelle Monáe, "Tightrope"
Marcelo Jeneci, "Felicidade"
Maroon 5, "Give a Little More"
Massive Attack, "Atlas Air"
Ryan Adams, "Disappyramid"
Sade, "The Moon And The Sky"
Sua Mãe, "Vanessa e o Véu"
Tulipa Ruiz, "Efêmera"


As maiores febres do ano
Você bem que tentou, mas não escapou delas.

Crime no Rio (o BBB - Big Brother BOPE - começou mais cedo)
Dilma (na cola de Lula, a primeira mulher no topo da cadeia alimentar)
iPad (todo mundo quer um, mas ninguém sabe muito bem por que)
Facebook (eu saí e todo mundo entrou: isso que é falta de timing)
Wikileaks (um estrago diplomático de que nem James Bond foi capaz)

28/11/2010

RED - Aposentados e Perigosos

RED - Aposentados e Perigosos

O Gibi


Warren Ellis é cultuado como um dos melhores escritores de quadrinhos em atividade. Existem excelentes razões para isso, mas, nem mesmo ele está livre de uma pisada na bola.

RED - Aposentados e Perigosos configura-se como uma dessas decepções. Não que seja ruim, mas já vimos tudo isso antes vezes demais. É a velha história do agente que, após anos de trabalho sujo, torna-se uma ameaça aos seus contratantes. Com medo de que ele abra o bico, a CIA manda um mundaréu de gente pra eliminá-lo.

Previsivelmente, Paul Moses atira muito melhor do que todos os seus atacantes, não importa quantos sejam. Ele mata rigorosamente TODO MUNDO sem sofrer um arranhão. E, claro, chegando aos figurões que o desejam morto, ele toma aquela manjada lição sobre "como o mundo de verdade funciona".

Ou seja, clichê em cima de clichê. Por sorte, Cully Hamner desenha de modo ágil e faz com que a leitura flua tão rápido que a gente nem tem tempo de criticar demais. Por conta da estreia do filme baseado nela, RED teve lançamento pontual da Panini, mas, infelizmente, é esquecível e dispensável.



O Filme


Por sorte, RED - Aposentados e Perigosos, o filme, vira a trama de Ellis praticamente do avesso, colocando Frank Moses (Bruce Willis - sim, o nome foi modificado para o filme) ao lado de outros colegas e dando-lhe um interesse amoroso (Sarah, personagem de Mary-Louise Parker, que tem excelente timing cômico). Além disso, entra em ação a figura de um superagente da CIA, William Cooper, (Karl Urban) que dá muito trabalho a Moses.

Como na HQ, Moses é perseguido por sua participação em antigas missões, potencialmente comprometedoras para a agenda política de certos figurões. Ele sequestra a pobre Sarah (funcionária do Seguro Social e virtualmente a única pessoa em que ele confia) por achar que ela corre perigo por conhecê-lo. Os dois vão contatando outros agentes aposentados que trabalharam com Frank (interpretados por Morgan Freeman, Helen Mirren e John Malkovich - a este último couberam o papel mais simplório e as falas mais previsíveis). Assim, todos eles acabam na mira da CIA.

Como se vê, clichezão brabo, também! Acontece que o filme tem um roteiro muito mais bem boladao do que uma adaptação mais fiel à HQ poderia permitir. Os novos personagens e seus ótimos intérpretes ganham a simpatia do espectador no instante em que aparecem na tela. O humor funciona bem e aqueles momentos obrigatórios de "fodonice", em que as leis da Física e da Lógica são jogadas no lixo, jogam a favor da diversão.

Nada se compara, porém, à delícia de ver Helen Mirren, tão acostumada ao papel de lady refinada, divertindo-se de montão ao matar gente com armas espalhafatosas, sem sequer piscar os olhos! Não à toa, seu mais constante parceiro de cena, Brian Cox, também está muito à vontade como um agente russo bonachão. Morgan Freeman tem pouco a fazer e Malkovich, como já dito, infelizmente, é pouco mais que um alívio cômico. Willis e Urban, por sua vez, entregam-se à violência da trama com a paixão de, digamos, um John McClane e um Eomer. =)

Entre a HQ e o filme, o segundo leva clara vantagem. Criador e criatura foram superados por um clone bastardo e geneticamente modificado.

18/11/2010

Pequenas observações do cotidiano

Pequenas observações do cotidiano


Mulher não dirige carro velho. >> Preste atenção quando sair à rua: você não vê mulheres dirigindo uma fubica qualquer. Carro velho é coisa pra homem e, nestes casos, elas se contentam em bancar a passageira relutante - isso, quando não preferem pegar ônibus a entrar naquele traste metálico. Mulheres só querem dirigir carros novos ou, no mínimo, muito bem conservados - e quem há de culpá-las por isso?

Pernas são magnéticas. >> Esqueça o óbvio ululante de que elas atraem olhares famintos e mãos bobas. Pernas adultas são especialmente atrativas para crianças. Não importa se existem 50 metros livres à direita e outros 50 à esquerda, crianças correndo vão, fatalmente, esbarrar nas nossas pernas - e seus pais vão sempre olhar torto pra gente, apesar de nossa inocência.

A sua fila sempre anda mais devagar. >> Ao chegar em um banco, cinema, seja onde for, você, espertamente, escolhe aquela fila com menos gente. É batata: vai acontecer alguma coisa (algum problema de sistema, troca de bobinas de papel, falta de troco, etc) que, misteriosamente, faz todas as outras andarem mais depressa e pessoas que chegaram bem depois de você acabam sendo atendidas antes.

Baianos não têm identidade própria fora da Bahia. >> Se você é baiano, seu nome pode ser Bill Clinton da Silva de Jesus, mas ninguém lhe conhecerá por este ou outro nome, que não "baiano" - e, apesar de isso estar explícito no seu sotaque, sempre perguntam se você é da Bahia e te submetem ao ridículo de reproduzir expressões como "bichim" e "oxente" - que nem são tipicamente baianos. Preferimos "ôxe". =D

Bichas adoram hipérboles. >> A alta popularidade entre as bibas de cantoras com sex appeal claramente heterossexual (Beyoncé, por exemplo) continua um mistério para mim. O que eu não consigo deixar de perceber é como bicha gosta de exagerar, dizendo que fulana é "maravilhuóóóósa", "é tu-dô", ou que o show dela foi "muito perfeito" (sic), como se algo pudesse ser "pouco perfeito".

14/11/2010

Um banquinho, um violão...e um revólver!

Um banquinho, um violão... e um revólver!

Fico espantado de ver a durabilidade de certas canções no repertório dos barzinhos e rodas de violão. Os anos passam, as gerações se sucedem, e lá estão elas, garbosas, onipresentes, muitas vezes ignorando o fato de que o contexto que as gerou não existe mais, ou que aquela gíria na sua letra já não é entendida pelo pessoal mais jovem - ou que, simplesmente, a gente não aguenta mais ouvir aquela droga.

Fico em dúvida se isso é reflexo da incontestável qualidade dessas canções ou sintoma da ruindade das atuais. Na verdade, acredito que tenha menos a ver com a idade da canção e mais com a insistência dos violonistas naquelas de apelo mais imediato e garantido. Afinal, por que queimar cartuchos com uma música bacana mas, hoje, semidesconhecida, como "Eclipse Oculto", de Caetano Veloso, quando "Sozinho" vai fazer o bar inteiro reverberar?

Ainda assim, não há doce tão gostoso que não enjoe. Dá um certo bode sentar para tomar um choppinho e ser capaz de virtualmente adivinhar todo o repertório do cara ao microfone. Pior ainda se o dito cujo a) esforça-se para imitar o cantor original, ou b) só consegue imprimir "personalidade" própria quebrando a melodia original a ponto de deixá-la irreconhecível. Violonista "excêntrico" é um porre!

A seguir, você tem uma pequena lista de músicas impiedosamente repetidas pelos bares da vida. Escolha seu objeto de ódio ou faça sua própria lista nos comentários.

"Madalena do Jucu", Martinho da Vila
Madalena, Madalena / Você é meu bem querer / Eu vou falar pra todo mundo / Vou falar pra todo mundo / Que eu só quero é você
Certos nomes são caros ao samba e Madalena é um favorito, mas coitada da "homeageada". Por causa dessa canção (e de algumas outras), o nome Madalena só me inspira dificuldades desanimadoras para namorar uma mulher que, afinal, não merece o esforço.

"Andança", Beth Carvalho
Olha a lua mansa se derramar / Ao luar descansa meu caminhar / Meu olhar em festa se fez feliz / Lembrando a seresta que um dia eu fiz / (Por onde for quero ser seu par)
Essa é uma daquelas que pouca gente se preocupa em decorar a letra, limitando-se ao "amooooor... amooooor..." entre as frases acima - e, claro, ninguém deixa passar a chance de trocar "meu namorado é rei" por "seu namorado é gay". Sua glória (e sua perdição) é que não funciona sem o publico pra ajudar no "amoooor...", parece ficar um buraco na melodia.

"Noite do Prazer", Brylho
Na madrugada a vitrola rolando blues / Tocando BB King sem parar / Sinto por dentro uma força brilhando, uma luz / A energia que emana de todo prazer
Falemos sério: uma festa em que toca BB King sem parar só pode estar muito CHATA! Vítima de famosos equívocos ("trocando de biquini sem parar"), esta música é simpática, mas a tal festa só me faz pensar num salão mal iluminado, com gente entediada no sofá e um bêbado fazendo air guitar no centro.

"Pais e Filhos", Legião Urbana
É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã / Porque se você parar pra pensar, na verdade não há
A Legião tem dezenas de músicas superiores a esta, em letra e melodia. Isso não impediu a sentimentalóide "Pais e Filhos" de tocar até além do limite do suportável e tornar-se obrigatória entre as concessões à música "jovem" dos MPBistas menos tolerantes. Um dia, descobrirão que ela era a canção preferida da Suzanne von Richtoffen.

Qualquer coisa do Jorge Benjor
Cá pra nós, Benjor é deveras superestimado. As canções que o fazem famoso mais parecem jingles: "Taj Mahal", "Chove Chuva", "País Tropical" (chapa branca até dizer chega), "W/Brasil" (esta É, de fato, um jingle - e dos ruins). Deve haver em seus discos, principalmente aqueles da primeira metade dos anos 70, canções que mereçam mais crédito. Missão para um futuro próximo: garimpar o Jorge Ben, pré-numerologia, que valha a pena.

Caetano Veloso, "Sozinho"
Às vezes, no silêncio da noite / Eu fico imaginando nós dois / Eu fico ali sonhando acordado / Juntando o antes o agora e o depois
Ok, a música é de Peninha, Sandra de Sá já havia gravado antes, mas quem há de contestar que foi Caetano quem a formatou para voz e violão? Tamanho desserviço é comprovado pela absoluta incapacidade dos cantores de escapar às inflexões e maneirismos caetanianos e pelas inevitáveis palminhas que surgem, emulando o que se ouve no CD Prenda Minha.

"Borboletas", Victor e Leo
Você tenta provar que tudo em nós morreu / Borboletas sempre voltam e o seu jardim sou eu
É cedo para incluí-la nesta lista? Não se você, como eu, vive perto de algum espaço de festas e já teve que submeter-se a um karaokê em que ela foi executada (com requintes de crueldade) nada menos que SETE vezes seguidas, por um bando de tias bêbadas. Além disso, abriu as portas para o sertanejo pop dominar TODOS os canais midiáticos existentes. Para certos crimes não há perdão.

"Maluco Beleza", Raul Seixas
Eu vou ficaaaaaaaaaaaaaaaaaaar / Ficar com certeza / Maluco Beleza
Esta é a PIOR música de Raul Seixas e umas das canções mais chatas que existem no universo. Nada mais a declarar. "Toca Raul" my eggs!

07/11/2010

Criminal - Covarde

Criminal - Covarde


Foram longos meses desde o lançamento deste primeiro encadernado de Criminal até que eu, finalmente, decidisse comprá-lo. Minha decisão era guiada por duas razões: a primeira é que, naquele momento, a Panini ainda parecia presa à "maldição do número 1", ou seja, lançava o primeiro volume de uma coleção e depois simplesmente a deixava de lado; a segunda era que outros lançamentos pareciam, à primeira vista, mais interessantes, o que sempre me fazia adiar sua aquisição.

Mas, antes tarde do que nunca. Uma conjunção de fatores favoráveis trouxe Criminal - Covarde às minhas mãos: o anúncio do segundo volume no newsletter da Panini e uma promoção que baixou seu preço a R$ 25. Houve, ainda, uma motivação muito mais nobre: Ed Brubaker é um dos melhores escritores de comics em atividade nos EUA. Apesar da sua questionável passagem por X-Men (uma série que, afinal, se distancia demais de seu "habitat natural"), Brubaker dificilmente erra quando escreve histórias policiais ou de espionagem. Os memoráveis arcos que escreveu para Batman, Gotham Central e Demolidor estão aí para confirmar isso.

Criminal segue de perto a vida de Leo Patterson, um ladrão que goza da nada invejável reputação de ser um cagão: quando a coisa aperta, pode ter certeza que Leo será o primeiro a piar fino e dar no pé. Não se trata apenas de medo, mas de um extremado senso de autopreservação - afinal, quando criança, Leo viu seu pai ir para um presídio e lá morrer, e a coisa que mais o apavora é pensar que pode ter o mesmo destino. Assim, cada roubo praticado por Leo envolve meticuloso planejamento e variadas rotas de fuga. Para ele, ficar vivo é melhor do que ficar rico e as regras que criou para si são suas únicas garantias.

Por seu talento, Leo é contratado por um tira corrupto para ajudar no roubo de provas contra um traficante de joias. Ele reúne uma equipe com gente de sua confiança, mas as coisas dão brutalmente errado - e eu não posso contar mais do que isso sem estragar surpresas. O que você pode saber é que, com Leo, as coisas simplesmente não param de piorar... e que há muito mais a descobrir sobre esse homem famoso por sua covardia.

Um detalhe importante: uma vez que você inicie a leitura deste livro, não vai conseguir largá-lo. A história de Brubaker, primorosamente ilustrada por Sean Phillips, é absurdamente magnética, transitando entre o noir e o contemporâneo, com personagens críveis e diálogos que respeitam os neurônios do leitor. Não à toa, faturou o Eisner (o "Oscar" das HQs) de 2007 como Melhor Série Nova. Ainda bem que o segundo volume, chamado Lawless (em inglês mesmo, já que é um sobrenome), já está a caminho. Criminal não é recomendada apenas a quem gosta de boas HQs: ela é perfeita para qualquer um que aprecie boa literatura policial. Irrepreensível.


Cabe aqui um aparte. É fato: a Panini parece finalmente livre da supracitada "maldição do número 1". Os encadernados da linha Vertigo/Wildstorm saem com uma periodicidade decente (Y - O Último Homem, por exemplo, já terá seu quarto volume publicado em dezembro, pouco mais de um ano desde o primeiro), a variedade de títulos tem crescido e, depois de um período de estagnação, os lançamentos DC e Marvel começaram a tornar-se mais frequentes, incluindo coisas que muita gente apostava que nunca veria, como o segundo volume de A Morte do Superman. Ponto positivo, parabéns registrados, mas, ainda há muitas coleções que precisam sair do ponto morto, entre as quais Os Supremos, Liga da Justiça por Grant Morrison e Starman. Vamos cobrar!

12/10/2010

Tropa de Elite 2

Tropa de Elite 2


O cinema nacional não está acostumado a continuações. Pelo menos, não a continuações cuja qualidade rivalize com a do original. Ou são meras reprises do primeiro (caso de Se Eu Fosse Você), ou caça-níqueis repulsivos e de nível rastejante (Os Normais) e, claro, filmes da Xuxa ou do Didi não contam.

O êxito como sequência seria um detalhe mínimo na folha corrida de Tropa de Elite 2, não fosse o primeiro um dos filmes mais assistidos, comentados e elogiados dos últimos anos. Igualar o êxito de Tropa de Elite (2007) já seria um feito e tanto, mas este novo filme vai muito além. Desta vez, ao invés de mirar em traficantes e policiais pés-rapados, o filme aponta suas armas para os altos escalões de poder, tanto na polícia quanto nas esferas políticas. Os peixes que o agora Coronel Nascimento (Wagner Moura, novamente soberbo) encara são muito maiores, mais vorazes e mais perigosos.

Passado cerca de 15 anos após o fim do primeiro filme, Tropa 2 captura um momento conturbadíssimo na vida de Nascimento: sua ex-mulher está casada com um desafeto, seu filho cresce com uma visão negativa do seu trabalho e decisões precipitadas do agora Capitão Mathias (André Ramiro, outro colosso) abalam sua carreira e a amizade entre os dois. Apesar disso, Nascimento se vê promovido a subsecretário de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro e acredita ter nas mãos uma boa oportunidade de fazer o BOPE voltar aos seus dias de glória. No entanto, o cenário se modificou demais e rápido demais, e suas boas intenções acabam em a) frustração e b) ajudando o inimigo. São muitos (e duros) os reveses enfrentados por Nascimento, até que finalmente entenda que jogo está jogando.

José Padilha mostra que não teve "sorte" com o primeiro filme: o sucesso daquele filme e deste (que logo deve destronar alguns dos atuais campeões nacionais de bilheteria) se devem a uma combinação de fatores muito mais ligados ao trabalho do que ao acaso: roteiro poderoso, direção segura, atores formidáveis, senso de ação e drama e uma incrível coragem de conseguir patrocínio estatal para um filme que põe o dedo na cara das autoridades, como poucas vezes se viu por aqui - e, se existe algo que se possa criticar, é que o filme meio que sepulta nossas esperanças de ver algo mudar (pelo menos, a curto prazo).

Bem, a gente já anda bastante desiludido de qualquer maneira. Afinal, este é o país que elegeu o Tiririca e que batalha arduamente pela volta de seres gosmentos e rastejantes, como Fernando Collor, Jader Barbalho e o clã Sarney. Quem sabe, possamos sonhar com um Tropa de Elite 3, no qual veremos o Senador Nascimento desferir socos e coronhadas nas caras de alguns deles.

Rapidinhas

Rapidinhas

Hoje vai ao ar o último capítulo da minissérie A Cura, aparentemente só mais um subproduto da onda espírita dos últimos meses, mas, com positivas diferenças em relação às típicas produções da Globo: locação fora do eixo RJ-SP (Diamantina, MG), história forte e misteriosa e um elenco afiado, com especial destaque a Selton Mello, como o atormentado Dimas. Uma série muito bem cuidada e que mereceu boa audiência.

Clamor por Justiça, publicada há cinco meses em Liga da Justiça, anda a passos lentos, mas, pelo menos, inicia uma necessária sacudida no status quo da equipe. O capítulo da edição 94 foi violento e dramático e, no geral, a história já fez mais pela equipe do que tudo que veio antes, desde o fim da passagem de Brad Meltzer. Se James Robinson vai segurar a peteca no título mensal (quando promove uma grande reformulação na equipe), saberemos em breve. Por enquanto, está indo muito bem, ainda mais contando com este artista maravilhoso que é Mauro Cascioli.

Ainda sobre HQs, preciso elogiar a Panini pela reedição de Camelot 3000. A versão da Mythos, de alguns anos atrás, foi criticada por erros grosseiros de revisão e pela má qualidade gráfica. Nesta, a ainda poderosa história de Mike W. Barr, desenhada por um Brian Bolland ainda distante do requinte mostrado em A Piada Mortal, por exemplo, ganha uma apresentação à altura do conteúdo, um clássico digno de figurar na estante de qualquer leitor de HQs que se preze. O preço bruto (R$ 82) é salgado, mas vale a pena pesquisar ofertas.

Talvez isto mereça um post inteiro, mas, estou com certa pressa de registrar minha indignação contra a palhaçada que virou o debate político entre os candidatos a presidente do segundo turno, com os dois disputando quem posa melhor de santinho-do-pau-oco: o pragmático que regulamentou sem piscar o aborto em casos de estupro e risco de vida para a mãe (medida necessária, mas que agora parece envergonhá-lo) ou a fantoche de Lula que era pró-aborto até ontem e hoje, em busca de acalmar aos histéricos evangélicos que provocou ao dizer que nem Cristo lhe tirava a vitória, fica apelando ao nome de Deus (no qual, comunista que costumava ser, provavelmente nem acredita). Enquanto perdem tempo com essa questão medieval, os problemas de verdade seguem sem solução.

Pra finalizar, eu gostaria muito de saber quem ainda acredita que votar em figuras como Tiririca realmente funciona como voto de protesto. Para mim, é apenas prova da falta de seriedade e da real dimensão do que significa votar. Parabéns, seus idiotas! Agora, às custas do seu criativo "protesto", um palhaço que sequer sabe ler ou tem noção do trabalho que deve realizar, vai passar quatro anos ganhando dinheiro às minhas custas. "Pior do que tá, não fica"? Amigos, o fundo do poço, no Brasil, é um lugar que não existe. Pense nisso, antes de "protestar" de novo, daqui a quatro anos.

25/09/2010

Mais e Melhores Rocks!

Mais e Melhores Rocks


Meus recentes lapsos de silêncio devem muito à falta de graça do mundo. Sim, é verdade que eu não posso ir ao cinema com a frequência que gostaria; é verdade que não tenho acesso aos shows que gostaria de ver; é verdade que não tenho sequer TV por assinatura - mas, puxa vida, será que o pouco que está ao meu alcance tem que ser assim tão sem sal?

Eu gostaria de escrever mais sobre música, por exemplo. Mais especificamente, eu gostaria de poder escrever mais sobre rock nacional. Acontece que, não sei se você percebeu, o rock brasileiro é uma coisa morta. Ou será que alguém deposita alguma fé genuína em bandas como Restart, coroada no VMB 2010 de maneira constrangedora, entre as vaias dos que perceberam a forçação de barra que foram seus cinco prêmios? Alguém realmente acredita que o Restart possa, um dia, ter algo a dizer que interesse a alguém com mais de 14 anos?

Somado a isso, existe a degradação ou transmutação das gerações que já fizeram algo de interessante pela música jovem neste país. A geração 80, salvo exceções, está rica e feliz por fazer cover de si mesmos nas Festas Ploc da vida, ou fazendo MPB. A geração 90 patina na medianidade que sempre lhe foi característica. A geração 00 simplesmente não aconteceu, a não ser que você leve a sério a própria Restart e seus iguais: Hori, Cine, Hevo 84, etc. Mallu Magalhães? NOT.

E, por favor, não me mandem vasculhar a internet em busca de boas bandas brasileiras de rock. Eu já faço isso e, não vou mentir, até que esbarro com gente interessante, mas o que eu quero dizer é que não deveria ser necessário "garimpar" atrás de boas bandas! O mainstream brasileiro já foi um lugar verdejante, com bandas inteligentes e de pegada verdadeiramente Rock and Roll, e não vou gastar saliva aqui citando nomes. A própria falta de um grande ídolo rocker nos tempos que vão é a prova cabal de que não tem ninguém em atividade capaz de sacudir tal marasmo.

Falando nisso, faço minhas as palavras de Lobão, em entrevista à Billboard Brasil de julho: chega de internet, de esquema pequeno, de amadorismo, de "brodagem"! O sertanejo universitário e o gospel prosperam, beirando um irritante monopólio nas rádios e TVs, porque pensam grande: querem encher estádios, ter produção cara, fazer qualquer programa de TV que os convide e ficar milionários antes dos 30 anos. Soa familiar? Sim, essas deveriam ser as preocupações de quem faz rock! No entanto, as tais bandas "interessantes" da internet se contentam em tocar no palco alternativo de festivais do interior, em troca de merreca, tudo "na brodagem".

Aliás, esse gosto pelo "alternativo" ainda vai sepultar de vez qualquer esperança de ver o rock nas cabeças mais uma vez. Pelamordedeus, quando é que vão acabar com essa coisa anacrônica de dizer que "a Globo é o mal" e que "Faustão, nem morto"? Se você quer ser famoso, é inevitável: tem que passar pela Globo - de preferência, pelo Faustão. A integridade militante é linda, mas não vai botar um centavo na sua conta - e, ora bolas, quem não quer ser famoso deveria ser proibido de fazer rock! Deixe para fazer cu doce quando for alguém na vida.

Mas estou me empolgando e perdendo o foco. Voltando. O incipiente rock brasileiro não pode responder sozinho pela apatia que me assalta. Claro que o rock gringo, também, já foi infinitamente mais interessante do que é hoje, mas, como eu disse naquele malfadado post ilustrado pelo Justin Bieber (toc-toc-toc), as coisas saíram do controle. Por exemplo, o TVZ (do Multishow) já foi um programa de clips bastante interessante, com aquele lance da legendagem e tal. Hoje, parece uma filial do Disney Channel: Jonas Brothers, Camp Rock, Demi Lovato, Selena Gomez, Miley Cyrus e... Justin Bieber (toc-toc-toc). Esses irritantes garotos de comercial de margarina se alternam no Top 10 (do TVZ e da MTV) com as nulidades emo locais, ou com os cafetões e as vagabundas do rap/R&B.

O rock, então, perdeu a capacidade de encantar? É claro que não. O poder do rock de juntar as pessoas em torno da música não tem comparação. Nos outros gêneros, música é o de menos. Quem vai a um show de axé ou de forró eletrônico, por exemplo, vai mais interessado em contrair herpes labial, que é o prêmio reservado ao ganhador do concurso "quem beija mais". Num show sertanejo, as meninas vão para gritar sem parar porque os cantores são "lindos" e os homens vão para vigiá-las, entre gritos de "aôô, peão 'xonado!". Num show gospel, vão, segundo dizem, para "adorar Jesus".

Um show de Rock, por sua vez, tem no próprio Rock o seu maior atrativo, até porque é virtualmente impossível namorar nesses shows: a audiência masculina é absurdamente maior que a feminina. Não que isso faça muita diferença, pois, como eu disse, as pessoas se reunem em torno da música em si. Um show de Rock, apesar de algumas pessoas que insistem em bancar as cinegrafistas, com suas câmeras e celulares atrapalhando a visão de quem está atrás, é feito para a gente se esgoelar nos refrãos, fazer air guitar nos solos e testar nossa capacidade de suportar aperto, calor, sede e vontade de fazer xixi, já que às vezes é impossível sair do lugar. É uma experiência estafante, mas altamente recompensadora.

Porque, sim, ora bolas, o Rock é uma coisa verdadeiramente mágica. Apesar da MTV, do Disney Channel, dos empresários, da saturação, da superexposição, do ostracismo e dos maltratos que sofre, através de fusões indevidas e "revoluções" que o desvirtuam, a força transformadora e agregadora do Rock permanece. O rock não é conhecido por salvar favelados do tráfico, nem rende histórias edificantes pro Globo Repórter, mas eu vou sempre ser grato porque ele ME salvou da tristeza e da mediocridade e, ao contrário do que muita gente diz que ele causa, não me fez querer tomar drogas, nem me transformou numa pessoa violenta. Tampouco vi brigas descontroladas nos shows de rock a que estive presente, coisas comuns, por exemplo, na exaltada e excessivamente alcoólica alegria das micaretas.

Bem, não sei se me fiz claro pra você, já que nem eu entendo muito bem onde estou querendo chegar. Acho que só queria desabafar minha frustração de ver o Rock ser tão ignorado ou pervertido pela mídia e estar tão longe da maioria dos jovens corações, quando podia fazer tanto bem a eles. Deve haver, por aí, novas e boas bandas capazes de fazer isso pelos garotos e garotas de hoje - mas, definitivamente, não são aquelas que estão mais visivelmente ao seu alcance. Tomara que essa seja, de verdade, uma geração mais esperta que a minha, mas não vou prender a respiração, esperando que seus olhos se abram.

11/09/2010

Kick-Ass

Kick-Ass


Mark Millar é conhecido por ser um escritor capaz de começar suas histórias de modo arrebatador e levá-las por rumos surpreendentes, mas, infelizmente, concluí-las de modo medíocre ou covarde. A exceção mais notável é, logicamente, Os Supremos Vol. 1 (a melhor HQ de ação do começo do século 21). Tudo mais parece milimetricamente planejado para transformar-se em um típico filme de ação hollywoodiano: barulhento, bonito, com algumas sacadas geniais e prontamente esquecível - e, dada a frequência e a velocidade com que criações suas chegam às telas, caso de Kick-Ass, é de se indagar se isso não é proposital.

Eu ainda não vi Kick-Ass, o filme, e não tinha lido muita coisa sobre a HQ, exceto a premissa central: adolescente se questiona por que não existem super-heróis no mundo real e decide abrir caminho, com muita coragem e total falta de noção de perigo, logo inspirando a outros malucos fantasiados. Os trailers eram bons, o filme foi razoavelmente bem na bilheteria e, aliado ao hype do lançamento do último número da série nos EUA (apenas um mês antes de o filme estrear, o que provavelmente corrobora minha suposição que encerra o parágrafo anterior), animou a Panini a lançar este encadernado por aqui.

Kick-Ass, porém, não é nenhuma obra-prima e nem vai revolucionar qualquer coisa. Tampouco deve ser essa a intenção de Millar. É uma revista veloz, sangrenta, divertida e nada mais que isso. Talvez seja culpa exclusivamente nossa ou da mídia, afinal, que se dê tanta importância ao que ele diz ou escreve. Ele deve achar bem divertido ver seu nome em jornais, revistas e sites, adornando declarações rotuladas como "polêmicas". É um jeito meio "caetanovelosiano" de ser.

A história tem um protagonista muito simpático e é impossível não torcer por ele ou identificar-se com paixão e suas teorias sobre o universo nerd em geral e dos super-heróis em particular. Além disso, ele realiza uma de nossas mais secretas fantasias: a de bolar um uniforme e um nome legais e descer o pau na bandidagem. Como todo adolescente de verdade, ele ainda tem que conquistar o coração da garota mais bonita da sala, que o despreza e, como era de se esperar (pelo menos, em uma revista que se propõe a abordar o assunto de maneira mais ou menos realista), logo ele descobre, também, que nas ruas a violência pega muito mais pesado do que nos gibis.

Violência esta, aliás, que explode gloriosa no traço econômico e eficiente de John Romita Jr., principalmente nas cenas em que a pequena Hit-Girl sacode suas espadas: a guria de 10 anos nem pisca ao cortar cabeças e membros e o desenhista não alivia nos detalhes. A trama usa e abusa de velhos clichês sobre responsabilidade, lealdade e traição, já vistos várias vezes antes, no cinema e nos quadrinhos. As referências pop se acumulam em cada página e os nerds vão ter pequenos orgasmos a cada menção. Tamanho exercício de metalinguagem deve ter sido bastante divertido para Millar e Romita.

Por sorte, eles não são os únicos a divertir-se. Ainda que esteja longe de ser uma obra-prima, Kick-Ass oferece uma leitura empolgante e ultra-rápida (o encadernado se esgota em cerca de uma hora, se muito) e deve ser o momento mais feliz do inconstante Millar nos últimos anos. É lazer barato em conteúdo e intenções, e a Panini bem podia ter dispensado o luxo da capa dura, garantindo um preço mais camarada. Se eu não tivesse conseguido um belo desconto, não teria arriscado.


Kick-Ass - Panini Books - 212 páginas

Alias, Vol. 1

Alias, Vol. 1


Houve um tempo em que o hoje manjado estilo de Brian Michael Bendis estava a serviço de ideias verdadeiramente boas, mesmo quando improváveis. Quem diria, por exemplo, que transformar uma esquecida heroína da série D dos Vingadores em uma detetive particular, problemática e boca-suja, poderia render uma série adulta igualmente popular e premiada? Pois foi esta a proeza conseguida com Alias, um dos primeiros e melhores títulos da linha MAX, um selo adulto da Marvel Comics.

O habitual ping-pong verbal proposto por Bendis é uma saraivada de frases curtas, uma troca de perguntas e respostas que pode estender-se por toda uma página ou até mais, alternada com ocasionais rompantes de verborragia, sempre recheados de coloquialismos. Em Novos Vingadores, título também escrito por Bendis já há alguns anos, soa deslocado e irritante. Em Alias, porém, o estilo cai como uma luva na personalidade retraída e pouco paciente de Jessica Jones.

Espertamente, Bendis não desvincula Jessica totalmente do universo Marvel conhecido. Com isso, temos pontas ilustres de personagens como o Capitão América, Demolidor e Miss Marvel, o que traz um maior senso de familiaridade e proporciona bons momentos, como aqueles em que Jessica recorda com certa vergonha do seu tempo como vingadora, seja pelo uniforme sem-noção ou por achar que não tem a "chama" do heroísmo em si. Ainda assim, ela, às vezes, precisa apelar a esses poderes que já nem sabe usar direito.

Na primeira das histórias deste encadernado, Jessica é contratada por uma mulher para localizar sua irmã. Um caso aparentemente simples, mas que se complica muito quando Jessica descobre um detalhe muito importante sobre o namorado da procurada. A contratante, porém, lhe deu telefone endereços falsos. Quando parece que nada pode piorar, Jessica acaba envolvida em uma trama para incriminá-la e, além de descobrir a verdade sobre sua cliente, precisa sobreviver para chegar ao centro de uma conspiração.

A segunda também diz respeito a gente desaparecida - desta vez, alguém razoavelmente famoso: Rick Jones, antigo parceiro de aventuras do Capitão América, do Hulk e do Capitão Marvel. Sua alegada esposa procura a ajuda de Jessica Jones, o que a leva ao encontro de um Rick Jones delirante e arredio, ao mesmo tempo em que tenta elucidar um caso de infidelidade conjugal.

Fechando a edição, J. Jonah Jameson, o irascível dono do Clarim Diário, aproveita o ensejo da revelação pública da identidade do Demolidor e contrata Jessica Jones a peso de ouro para descobrir a identidade do Homem-Aranha, seu Santo Graal particular. Será que Jessica colocará o profissionalismo acima do corporativismo super-heroico?

Todas as histórias foram ilustradas pelo competentíssimo Michael Gaydos, que imprime às desventuras de Jessica Jones um clima quase noir, cheios de ambientes mal iluminados, gente bebendo e fumando e alguma (eventualmente muita) tensão sexual. Para mim, que havia me desfeito há alguns anos de minha coleção de Marvel Max, onde essas histórias foram publicadas entre 2003 e 2005, foi um prazer reencontrar Jessica. Aguardo ansioso pelos próximos volumes.


Alias, Vol. 1 - Panini Books - 228 páginas

07/09/2010

Estressado, eu?

Estressado, eu?


Há alguns meses, eu convivia com manchas vermelhas em minhas bochechas. Elas não coçavam ou causavam qualquer incômodo, além do visual à la Papai Noel e das piadas dos meus alunos sobre eu estar me maquiando. Nada, enfim, que me motivasse a procurar um dermatologista.

Inicialmente, achei que poderiam ser consequência da luz solar incidindo através das lentes dos meus óculos. Depois, como não melhorassem com o uso contínuo de óculos escuros, associei-as a alguma alergia alimentar - sempre me pareciam um pouco mais vermelhas quando eu abusava, por exemplo, de cerveja ou de chocolate. Cheguei a cogitar que fosse algum tipo de micose, provocado por unhas contaminadas. Sabe como é, o homem coça algumas partes do corpo instintivamente e vai que, num momento de distração...

Daí que, na minha insistência em bancar o Dr. House do litoral norte baiano, as manchas chegaram, em agosto, a uma preocupante aparência de irritação, com mudança na textura da pele. Ok, se eu precisava de motivos para ficar preocupado, acabara de encontrá-los. Antes de finalmente convencer-me da necessidade de ir ao médico, ainda botei a culpa em inocentes caixas de Bis que eu havia devorado naqueles dias.

Ok, consulta marcada. De cara, sou depenado em R$ 130, mas o tal médico tem fama de melhor da cidade. Sou atendido no começo da tarde e mal me olha (com uma lupa cheia de luzes psicodélicas, hiperlegal), o doutor vai logo dizendo: "isso é dermatite seborréica, geralmente causada por stress; não é nada mortal", ele me tranquiliza.

Saio do consultório com receitas que me custam mais R$ 60 em remédios e pedidos de exames que ainda não fiz e devem me custar mais uns dinheiros. Levo, também, a certidão de entrada no clube dos estressados, condição da qual sempre me esquivei, tendo como sagradas as minhas horas de descanso e lazer, e raramente levando trabalho para casa.

Acontece que o stress, embora quase sempre relacionado a excesso de trabalho, não tem nele sua única causa. Muitos são os fatores que podem desencadeá-lo e eu me via acometido por alguns deles. Não vou aborrecê-los com detalhes sobre os comos e os porquês, mas basta que você saiba que poucos ditados são tão simples e tão cheios de sabedoria quanto "o que não tem remédio, remediado está". De repente, percebi que dava a certas coisas um peso muito maior do que elas realmente tinham.

Espero, enfim, estar no caminho certo. A medicação tem funcionado, minhas bochechas já estão com tonalidades e texturas naturais e (oba!), uma vez que alergias estão descartadas, não preciso me privar de mariscos, chocolate ou cerveja! =)

Foi assim, que dentro desse homérico esforço em prol da minha plena recuperação (ah, como eu precisava de uma desculpa assim!), passei parte deste feriado prolongado em Salvador, usufruindo de prazeres bem simples da vida, como banho de mar, cerveja gelada, boa comida e boas companhias.

Meu último programa na capital baiana foi um almoço no restaurante em estilo australiano Outback, cuja franquia soteropolitana está localizada no shopping Iguatemi. Chegando lá, eu e um amigo traçamos uma blooming onion, uma grande cebola assada e acompanhada de molho picante, acompanhada de generosas canecas de chopp, como a que você vê na foto que abre este post.


Como prato principal, costelas de porco com molho barbecue. Carne macia, desprendendo-se com deliciosa facilidade das costelas, acompanhadas unicamente por batatas fritas. Um assado divino, de lamber os beiços. Nessas horas, a gente manda às favas todo o risco de câncer supostamente decorrente do consumo de carne e dá uma risadinha sacana, direcionada a quem prefere atracar-se com um prato de salada de alface com bife de soja.


Coroando a orgia gastronômica, uma sobremesa exageradamente doce e gostosa: Cinnamon Oblivion - uma generosa bola de sorvete de creme, decorada com nozes carameladas, uma bola de chantilly e maçãs douradas em calda de canela. Fazia tempo que eu não encarava um troço tão opulento.


O problema de se comer no Outback é que ele não é exatamente um restaurante popular, embora possua um cardápio "de pobre" (aspas muito necessárias), com refeições a preços mais acessíveis. Minha pedida é o best-seller da casa, mas o menu é cheio de outras coisas que parecem deliciosas. Se tem Outback na sua cidade, apareça e trace uma costelinha de vez em quando,
mate!

Ah, eu juro que este post não foi encomendado pelo Outback.


PS: Fico meio puto quando lojas e restaurantes (o Outback entre eles) fazem uso de termos em inglês para coisas que têm tradução bem simples em português. Por que, diabos, uma loja anuncia uma "sale", com "50% off", se é bem mais garantido anunciar "liquidação" com "50% de desconto"? Por que uma anunciar uma sobremesa que leva molho de "raspberry", quando é bem mais fácil entender "framboesa"? Não consigo deixar de pensar que isso é artimanha para cobrar mais caro por coisas absolutamente prosaicas.

29/08/2010

A Origem

A Origem

Nestes tempos de internet, reações pré-programadas costumam tomar o lugar das verdadeiras sensações - e nada melhor que um filme como Inception (não vou usar o estúpido título nacional durante este review), que trata diretamente do subconsciente e de percepção de realidade, para trazer isso à tona.

Logo que o filme saiu, adjetivos hiperbólicos eram a regra. Afinal, trata-se do novo filme de Christopher Nolan, o diretor que vinha de um filme elogiado e bilionário (Batman - O Cavaleiro das Trevas) e que sempre demonstrou respeito aos neurônios do espectador. Intrincado, complexo, complicado, enigmático, feito para poucos: a babação de ovo e a pretensão de colocá-lo acima da capacidade de compreensão dos pobres mortais eram tamanhas que eu comecei a ficar desconfiado de que o filme fosse, enfim, uma bela droga, e que esse papo todo de "complexo", na verdade, era para não dizer "chato".

A má notícia sobre Inception não chega a ser má de verdade: é que ele realmente tem muitos diálogos e exige atenção, mas não impede que um fã de filmes do Michael Bay, por exemplo, possa estar na fila para assistí-lo. Claro, é outro grau de complexidade, mas não é nada que um mero mortal não consiga decifrar e certamente não obriga ninguém a ver o filme mais de uma vez - exceto, talvez, para divertir-se em alto nível.

A esta altura, a história do filme não é mais novidade para ninguém. O agente Cobb (Leonardo DiCaprio, escolhendo seus filmes cada vez melhor) especializado em roubo de informações escondidas em pensamentos e sonhos recebe uma proposta para fazer o contrário: plantar uma ideia (isso que é a tal Inception, que pode ser traduzida como "inserção"). Só que para que essa ideia não seja reconhecida pelo cérebro como alheia (e, portanto, fraudulenta), é necessário descer às mais baixas camadas do subconsciente - e o risco de não voltar de lá é bem grande.

Cobb leva consigo uma equipe de especialistas em construção, manipulação e invasão de sonhos. A única novata entre eles é a arquiteta Ariadne (Ellen Page), que não demora a perceber o risco que representa a interferência da presença, nos sonhos, da falecida mulher de Cobb, Mal (Marion Cotillard), com quem ele viveu um sonho que pareceu ter durado décadas. Ariadne tenta demover Cobb da ideia, mas esta é sua chance de poder voltar a ver os filhos que se viu forçado a abandonar. Por eles, Cobb é capaz de enfrentar essa tarefa dificílima, mas que ele alega já ter realizado antes.


Nolan volta a trabalhar com alguns de seus favoritos, como Ken Watanabe, Cillian Murphy e Michael Caine, além de abrir a porta para outros talentos, como Tom Hardy e Josph Gordon-Levitt (de 500 Dias Com Ela - só eu enxergo uma assustadora semelhança dele com Heath Ledger?) e tirar Tom Berenger do limbo. Como de costume, nada na trama é supérfluo e cada palavra dita tem uma finalidade. Deve ser essa a tal "complexidade" a que se referem os deslumbrados: a ausência de piadas com peidos e outras gracinhas fora de hora, o que não quer dizer que não haja humor, a cargo dos disfarces de Eames (Hardy).

O filme aborda interessantes questões sobre os sonhos, coisas que a gente sabe por experiência, mas que dificilmente levamos a uma conversa de mesa de bar: o fato de que sempre acordamos ao morrer no nosso sonho, ou que nunca lembramos de como eles começam, ou como um "chute" (um desequilíbrio físico, como uma "pescada" ou uma queda) pode servir como garantia de despertar.

Por fim, os efeitos especiais. Se a visão da cidade dobrando-se sobre si mesma vista nos trailers já era suficientemente impressionante, o que se passa no sonho da equipe enquanto a van em que se encontram é perseguida e metralhada é de encher os olhos: toda a inércia das curvas e capotagens é refletida na primeira camada de sonhos, onde está o encarregado da segurança onírica, Arthur (Gordon-Levitt). Com isso, a percepção do que é embaixo ou em cima fica completamente embaralhada, resultando em espetaculares lutas sem gravidade, muito mais fluidas do que vimos em Matrix, por exemplo. O timing de Christopher Nolan para a ação o qualifica como um dos melhores diretores em atividade no gênero.

Inception é, até segunda ordem, o melhor filme de um ano relativamente fraco, até o momento. Para mim, correspondeu e até superou à expectativa criada pelos trailers e pelo que habitualmente se espera de Christopher Nolan: entretenimento de qualidade, extremamente bem realizado e recompensador para os neurônios - e, só para não perder o costume, com um final ambíguo, aberto a diversas interpretações. Quer saber? Dá mesmo vontade de ver de novo!

28/08/2010

Especial HQ

Especial HQ

A Noite Mais Densa 1 e 2



O vencedor (e vendedor) evento da DC em 2009 estreou no Brasil em julho. Desde a volta de Hal Jordan em Lanterna Verde: Renascimento (2005), Geoff Johns começou a plantar sementes que devolveram a grandeza ao Lanterna Verde. Primeiro, estourou uma guerra contra a Tropa Sinestro, dotada de anéis amarelos energizados pelo medo, que provocou uma série de mudanças nas leis que regem o trabalho dos lanternas. Ao fim dela, sobre o cadáver do Antimonitor, surgiu a lanterna negra da morte. Pouco a pouco, espectros de outras cores começaram a surgir: o vermelho da ira, o laranja da cobiça, o azul da esperança e o violeta do amor (o único previamente conhecido, energia manipulada pela Safira Estrela). Ainda estamos por conhecer a luz índigo e a emoção que ela representa.

A Noite Mais Densa é uma guerra envolvendo os sete espectros cromáticos e diz respeito a uma profecia descrita por Alan Moore, durante sua passagem pelo título, na década de 1980, que falava de uma "catástrofe final" enfrentada pela Tropa - e que resultaria em seu fim. Nas mãos de um escritor menos habilidoso, essa história de anéis de outras cores teria altas chances de virar algo ridículo, mas Geoff Johns pegou a ideia aventada por Moore em UMA página e desenvolveu (com o auxílio de Dave Gibbons e Peter J. Tomasi) toda uma empolgante mitologia em torno dela, com aventuras que se superavam a cada edição. Mesmo assim, o insuportável Moore não perdeu a oportunidade de dizer que a DC estava, como sempre, ganhando dinheiro com ideias "suas". Ora, Moore, CALE ESSA BOCA!

Pois bem, o ponto culminante desse rolo todo é a tal Noite. Energizados por anéis negros, os mortos começam a levantar-se por todo o universo - e, claro, é por aqui que o bicho pega especialmente pesado. O plano é simples: para "silenciar" a caótica sinfonia emocional dos seres vivos, os mortos precisam arrancar-lhes o coração (argh!). Assim, desde o primeiro número e sem muita espera, vemos mortos ilustres como J'onn J'onzz, Ralph e Sue Dibny enfrentando seus antigos amigos e matando alguns deles de forma bastante cruel. Em Oa, lanternas mortos em combate também ressuscitam e a guardiã Cicatriz (fazendo jogo duplo desde a guerra com Sinestro) finalmente revela aos demais sua nova natureza.

Serão meses de muita emoção, pelo que se vê. Ainda que os diálogos de Johns não tenham o capricho apresentado nas Origens Secretas do Lanterna Verde e do Superman, não se pode negar que ele sabe prender a atenção do leitor, ainda mais quando pode contar com um ilustrador soberbo como Ivan Reis. O brasileiro nos dá algumas das splash pages mais espetaculares da atualidade e consegue imprimir o clima de terror necessário à trama. Completando cada edição, temos um Conto das Tropas. Na primeira edição, um vislumbre da juventude de Mongul, o golpista que tenta controlar a Tropa Sinestro; na segunda, a emocionante origem do Santo Andarilho, o primeiro Lanterna Azul.


Anuais e Especiais DC/Panini

Como parte da propalada revolução de maio, a Panini vem constantemente desovando volumosos especiais dos personagens DC, complementando ou encerrando sagas iniciadas nas revistas mensais. Muitos destes levam a chancela "Anual", quando a Panini não é exatamente conhecida por respeito a periodicidades. Para que se tenha uma idéia, o Batman Anual 1 é de 2005 e só agora vemos o segundo! Falando nele...


Batman Anual 2 trouxe eventos ligados à pouco empolgante Batalha Pelo Capuz, saga tão pífia que até mesmo estes tie-ins, aparentemente inexpressivos, são leitura mais interessante que a saga original. Na primeira história, o Sr. Frio tenta se dar bem na ausência do Batman, mas o Comissário Gordon mostra que se vira bem sem o morcego. Na segunda, a mulher do Morcego Humano é sequestrada pelo Dr. Phosphorus e Kirk Langstrom acaba fazendo uma grande descoberta sobre sua transformação. Em seguida, Oráculo enfrenta o Calculador em ambientes virtuais e reais, para impedi-lo de usar os restos da equação antivida ("esquecida" após o fim da Crise Final). Na melhor história da coletânea, vemos a jornada de Jeremiah Arkham em busca dos últimos residentes do destruído Asilo Arkham. Fechando a edição, uma dispensável aventura com vários dos colaboradores de Oráculo.

Superman Anual 1 é parte de um dos maiores desastres editoriais recentes: a maluquice que se tornou a publicação de algumas das melhores sagas do Superman em muitos anos, cortesia de Geoff Johns e outros inspirados colaboradores. Por exemplo, Mundo de Novo Krypton se espalhava por todos os supertítulos americanos e vinha até numerada, para que se soubesse onde achar o próximo capítulo. A Panini, por sua vez, decidiu pular capítulos, estupidamente achando que a série principal se sustentava sozinha. Por algum tempo, funcionou. Agora, temos, por exemplo, capítulos esclarecedores de Supergirl referindo-se a eventos publicados há quase seis meses, na revista Superman. Vergonhoso! Voltando ao Anual em si, ele traz o princípio do trabalho de Mon-El como protetor da Terra (enquanto o Superman se exila em Novo Krypton), uma nova versão para sua origem e a verdade sobre o passado de Tara Ak-Var e Chris Kent, respectivamente a Pássaro Flamejante e o Asa Noturna de Krypton. As duas primeiras são bem divertidas, mas o conto da origem dos jovens heróis kryptonianos é prolixo ao ponto de cansar.



Mulher-Maravilha Especial 1 é curioso. Com a redução do número de páginas de Liga da Justiça, Diana havia virado uma "sem-teto". Para acertar sua cronologia, afetada por quatro meses de afastamento, lançou-se este especial, com o fim da aventura mais empolgante de Diana desde a fatídica aventura da fase Rucka que tirou-lhe temporariamente a visão. Nela, a Mulher-Maravilha tem que enfrentar uma vilã de visual ridículo (uma placa de espinhos sobre os olhos?) e nome autoexplicativo (Genocídio), que, entretanto, lhe dá uma surra inesquecível, além de roubar e corromper o laço mágico. Há tempos não víamos Diana tão sofrida, tão atormentada, e tão dividida em sua fé e seu compromisso com os deuses. É o ponto alto da mediana passagem de Gail Simone pelo título até aqui. Uma pena que Aaron Lopresti seja um desenhista tão sem sal. Com auxílio de alguém melhor, Gail poderia ter feito história.

Por fim, Liga da Justiça Anual 1 traz histórias "esquecidas" pela Panini, com o propósito de lançar Clamor Por Justiça logo no início da revolução. São os últimos momentos da equipe reunida por Brad Meltzer na Saga do Tornado, há pouco mais de dois anos. Reduzidos a meia dúzia de heróis da segunda divisão, a Liga da Justiça enfrenta a Gangue Royal Flush, reunida a serviço de Roleta e Amos Fortuna. Sobre a segunda parte da história, um Confidencial em cinco partes, não tenho muito o que falar. A impressão que tenho, sempre que começo a lê-la, é a de estar lendo um gibi (não lá muito bom) dos anos 80. Não consigo pensar em nada mais anacrônico que o traço do John Byrne. Verdade que a culpa da história fraca não é dele, e sim, de Roger Stern; mesmo assim, não consigo deixar de pensar que Byrne é o Chris Claremont da DC: alguém que já teve seus dias de glória há muito tempo atrás e se arrasta entre os vivos, mendigando atenção.


Batman & Robin
(publicada em Batman)



Não quero falar agora da revista do Batman de um modo geral, apenas do novo título bolado por Grant Morrison, de longe o mais interessante de todos (e olha que a concorrência com a Batwoman de Greg Rucka é duríssima). Enquanto nos outros títulos Dick Grayson e Damian Wayne oscilam entre autopiedade (no caso do primeiro) e mera chatice (no caso do segundo), Morrison preferiu fazer de Grayson um Batman mais confortável em seu posto, ainda que alguns dramas sobre adequação lhe afetem; Damian, por sua vez, tem a arrogância de alguém criado como príncipe, ciente de sua herança genética e da eficácia de seu treinamento entre assassinos. A esperteza dos diálogos de Morrison são a chave para tornar a sua interpretação dos atritos entre Dick e Damian a mais eficiente de todas.

Some-se a isso o fato de que Frank Quitely, mesmo com um traço claramente desleixado em relação a histórias melhor arte-finalizadas, desenha uma sequência invejável de cenas inesquecíveis, que certamente habitarão o imaginário icônico do personagem por toda a eternidade. Duvida? Escolha seu momento favorito: a primeira aparição do novo Batmóvel? A dupla planando em direção ao teto da DPGC ou mergulhando entre as escadas? Dick derrotando com elegância circense os soldados do Circo do Estranho? Assim fica fácil que Batman volte a ser minha revista favorita!

01/08/2010

A Sombra do Batman 1

A Sombra do Batman 1


Ao contrário de Universo DC, que vai exigir um pouco mais de boa vontade para continuar sendo comprada, este bat-título, produto da recente revolución da Panini, estreou redondinho. Não perfeito, ainda, mas são tantas as suas qualidades que os defeitos acabam sumindo em meio a eles.

Batman Confidencial - "O Filho do Ódio"

Batman Confidential 13 e 14 (Texto de Tony Bedard, arte de Rags Morales)
Sim, eu era um daqueles que se arrepiavam só de ouvir a palavra "Confidencial", depois que uma tsunami desses títulos consumiu precioso espaço nas revistas da DC/Panini, geralmente trazendo histórias desimportantes e pouco empolgantes. No caso do Batman, pior ainda, pois evocava o "estilo" de Whilce Portacio, responsável pelo desejo de automutilação ocular de alguns leitores.

Mas não é que o negócio engrena bonito nessa história? Tony Bedard é um escritor de segundo escalão na DC, mas esta sua história tem todos os elementos de um bom conto do Batman: segredos, ação, bons coadjuvantes e um vilão que dá um pouco mais de trabalho do que Batman gostaria. No caso, um bat-imitador, assassino de policiais persegue James Gordon por conta de algo que ocorreu 25 anos antes. O que aconteceu, só esperando a próxima edição pra saber. Trata-se de um conto do passado, com Dick ainda iniciando na carreira de Asa Noturna. Boa trama, mas não a ponto de ter sido eleita para a capa, com essa chamada pavorosa, quando havia concorrentes tão superiores. Nota 8.


As Sereias de Gotham - "União"
Gotham City Sirens 1 (Texto de Paul Dini, arte de Guillem March)
Com a aparente morte de Batman (ocorrida na Crise Final) e desfrutando dos muitos milhões roubados de Tommy Elliott (o vilão Silêncio), a recuperada Mulher-Gato volta à ação em Gotham, mas o cenário parece muito perigoso para uma gata solitária. A solução é aliar-se a outras garotas que só querem se divertir (roubando): Hera Venenosa e Arlequina.

O mote para a união das três não é dos mais convincentes, mas Paul Dini sabe como escrever uma história divertida - e também sabe arranjar um jeito de enfiar a Zatanna em suas tramas. Assim, temos um primeiro capítulo veloz, com muito bom humor, o Charada numa situação de dar dó e a famosa frase "não há honra entre ladrões" aplicada na prática, já na primeira hora das meninas como trio. Promete. Nota 7,5.


Batgirl - "O Despertar da Batgirl"
Batgirl 1 (Texto de Bryan O. Miller, arte de Lee Garbett)
O manto de Batgirl troca de mãos novamente: depois de Bárbara Gordon e Cassandra Cain, é a vez da "ressuscitada" Stephanie Brown assumir a tarefa. Não há muito o que dizer sobre a história, exceto que ela segue por caminhos já trilhados antes e seguros: uma "passagem de bastão" meio penosa, alguma hesitação, dificuldades de conciliação com a vida civil, etc. O melhor ficou para o mês que vem, com Bárbara intimando Stephanie para uma conversinha. Está longe de ser genial, mas é legalzinha. Nota 7,0.


Robin Vermelho - "O Graal"
Red Robin 1 (Texto de Chris Yost, arte de Ramon Bachs)
Quando Tim Drake surgiu, ele logo conquistou uma legião de fãs por um motivo muito simples: ele amava ser o Robin. Os primeiros arcos do personagem, escritos por Chuck Dixon, mereceriam inclusive uma republicação. Daí que, mesmo considerando tudo que lhe aconteceu ultimamente (perdeu o pai verdadeiro em Crise de Identidade e o adotivo em Crise Final) e que acabou preterido por Dick Grayson como seu Robin, não dá para engolir tanta choradeira, indecisão e problemas de atitude vindos de alguém que sempre primou pelo comportamento centrado e disciplinado. Aí, ele se mete em um uniforme usado por Jason Todd e diz que pode "passar dos limites" e "deduz", do nada, que Bruce está vivo. Tim já teve - e merece - dias melhores. Nota 5,0.


Batwoman - "Elegia"
Detective Comics 854 (Texto de Greg Rucka, arte de J. H. Williams III)
Como convém, o prato principal, o filé, ficou para o final. Todo a imprensa comentou essa revista porque a nova Batwoman é (oh!) lésbica. Francamente, isto é o menos importante de tudo. Primeiro, porque temos uma trama que dá continuidade aos eventos de 52 e Questão: A Bíblia do Crime, envolvendo a volta das operações da Religião do Crime em Gotham. Segundo, porque Greg Rucka está duplamente à vontade, escrevendo histórias eletrizantes e protagonizadas por uma mulher. Terceiro, porque cada página de J. H. Williams III (sacou?) é um delírio surreal e psicodélico, com colorização diferenciada e diagramação revolucionária. Ao fim da leitura, recolha os cacos do seu queixo no chão e reze para que os próximos 30 dias passem depressa. Nota 10.

A Sombra do Batman 1 (Julho 2010) - Panini Comics - 148 páginas - R$ 14,90

500 Dias com Ela

500 Dias Com Ela


Amor não correspondido é tema recorrente nas canções pop. Artistas britânicos como The Smiths pegam especialmente pesado nesse tema, fazendo a trilha sonora perfeita para as desventuras dos mais sensíveis (e frustrados). Não é à toa que eles - e outros - permeiam os 95 minutos de 500 Dias com Ela. Como é dito logo no começo, o filme é uma história sobre o amor, mas não é uma história de amor.

Spoiler? Não, está lá no estojo do DVD: "ele se apaixona; ela, não". A luta de Hansen (Joseph Gordon-Levitt, simpático e talentoso) não é contra rivais, mas contra a indisposição da própria "mulher da sua vida", Summer (Zooey Deschanel, magnética e talentosa) em assumir um romance. Para ela, relações transitórias e descompromissadas trazem menos sofrimento. Para ele, um romântico embalado pelas letras de Morrissey e outros melancólicos profissionais, o verdadeiro amor é o que conta.

O filme avança e retrocede nos tais 500 dias, mostrando o desabrochar e o murchar da paixão entre Hansen e Summer. As pistas estão ali e a direção de Marc Webb (diretor escalado para o reboot do Homem-Aranha) encontra recursos muito criativos. A história jamais descamba para a infantilidade; os momentos mais alegres e mais sofridos parecem perfeitamente plausíveis e é inevitável que a gente se identifique - a menos, claro, que você nunca tenha amado alguém, o que seria péssimo.

E se o final reserva uma surpresa agridoce (calma, não morre ninguém), é porque, mais uma vez, a realidade se interpõe às pessoas de modos absolutamente criativos - e, felizmente, há gente atenta o bastante para captá-los e transformá-los em filmes agradáveis como este, sobre amor e desamor, sobre compromisso e desapego, sobre o que queremos e o que podemos ter. É adulto, mas com leveza.


PS: OK, os olhos de Zooey Deschanel. Você não consegue evitar de se apaixonar por ela, ainda mais porque ela quase sempre faz o papel da garota adorável e ligeiramente nerd. Só espero que essas escolhas não a transformem na Meg Ryan desta geração: alguém presa a um só tipo de personagem, a "maluquinha adorável" das comédias românticas. É hora de diversificar

PS 2: adorei a fonte Trebuchet! Virou padrão por aqui! =)

27/07/2010

And the winner is...

And the winner is...


...Alberto Silva! O pernambucano, residente em Jaboatão dos Guararapes e de casamento marcado para o próximo ano, venceu a vantagem dos que concorriam com chances dobradas e faturou o bat-neoclássico Guerra Ao Crime, escrito por Paul Dini e ilustrado por Alex Ross.

Parabéns, Alberto! Se ouvir um tumulto na sua festa de casamento, provavelmente é um arrastão da nerdaiada nordestina, reunida para te dar um abraço - e aproveitar dos comes e bebes, claro! Que sua união com Sabina seja feliz e que seu filho seja um pequeno batmaníaco! =)

Aos demais participantes, meus agradecimentos. Espero que continuem por aí, comentando sempre. Abraços a todos!


Concorreram: Adailton, Alberto Slva, Alex, Alexandre Melo, Caesius Maxi, Do Vale, Douglas Bonifácio, Gabi, Ícaro, Mauro Sampaio, Paranoid Android e Rodrigo Sava.

24/07/2010

Você não pode falar assim comigo!

Você não pode falar assim comigo!


A típica mistura de coitadismo com patriotismo de quinta e hipocrisia de primeira que acomete boa parte dos brasileiros atingiu uma espécie de ápice na semana que se encerra, quando uma turba de twitteiros locais registrou com um "CALA BOCA SYLVESTER STALLONE" sua indignação com uma declaração do astro, em resposta à pergunta de um fã, durante a apresentação do filme Os Mercenários, na San Diego Comic Con. Segundo Stallone, aqui eles podiam quebrar tudo, atirar nas pessoas, destruir o país inteiro, e os brasileiros ainda diziam "muito obrigado, e aqui está um macaco para você levar pro seu país!"

Diante das reações inflamadas no Twitter, ao pobre Stallone só restou desculpar-se, expressando carinho e admiração pelo Brasil e pelos brasileiros, afirmando que expressou-se mal ao tentar dar uma resposta bem-humorada. Não é difícil acreditar nisso. Talvez ele estivesse, inclusive, tentando debochar de uma possível visão estereotipada sobre o nosso país, por parte do rapaz que lhe fez a pergunta. Acontece que, ainda que estivesse sendo inocentemente sincero em seu preconceito, Stallone teria todo o direito de dizer o que disse - e nós teríamos que ouvir tudo caladinhos.

Sabe por quê? Porque quando um argentino residente em Belo Horizonte solicitou a proibição, devida a preconceito, do comercial das latas falantes da Skol, que chamava a seus conterrâneos de "maricón", muita gente ficou triste (afinal, todo mundo achava o comercial o máximo) e disse que era "frescura de argentino". Argentinos, aliás, são vítimas de todo tipo de deselegância por parte dos brasileiros e nós achamos tudo isso muito normal - e não é que argentinos não mereçam ser sacaneados, mas, quando brincamos com alguém, devemos estar preparados para o caso de brincarem de volta.

Isso sem mencionar o vasto repertório de piadas sobre as faculdades intelectuais dos portugueses, as limitações genitais dos japoneses, ou o hábito de falar com as mãos dos italianos. O estrago será ainda maior, se incluirmos as "piadas internas", aquelas sobre a nossa própria e endêmica corrupção, ou sobre determinados grupos étnicos, sociais e sexuais. O brasileiro é um gozador nato e, não me entenda mal, não há nada de (muito) errado com um pouco de incorreção política, desde que equilibrada com um mínimo de graça e leveza. Acontece que o brasileiro sabe rir de tudo e de todos... menos de si mesmo.

Veja o exemplo do que aconteceu com Os Simpsons, há alguns anos. A cada episódio, o desenho destrói dezenas de dogmas do american way of life e esculacha sem dó uma pá de gente, de respeitados figurões políticos a patéticas subcelebridades desesperadas por atenção. Os fãs no Brasil são milhões. Porém, quando eles atacaram o circo do absurdo que sempre foi nosso mercado de apresentadoras infantis loirinhas em trajes minúsculos, a gritaria foi geral, e até nossos diplomatas ficaram ofendidinhos. Do episódio, constavam ainda sequestros e assaltos vividos pela família Simpson em terras brasileiras. Onde está a mentira?

Mais recentemente, o roteirista Warren Ellis, contratado da Marvel Comics, esteve duas vezes digladiando com internautas brasileiros. Na primeira, por declarar-se, via Twitter, ignorante do fato de que suas obras eram publicadas no Brasil e que ele tinha fãs por aqui. Os recalcados fanboys brasileiros acusaram o escritor de preconceito: "não, senhor Ellis, aqui nós ainda andamos nus, enquanto cobras e macacos circulam pelas ruas!". Veja bem: NÓS atribuímos sentido discriminatório à declaração. Na segunda, durante a Copa do Mundo, já ciente de nossa irritabilidade (e pouco se lixando para ela), disse que "gostaria de usar um raio da morte para cortar os jogadores do time brasileiro ao meio". Pronto: foi a desculpa para os nossos (oh!) sensíveis e (oh!) tão patrióticos twitteiros dizerem que "Warren Ellis gostaria de matar todos os brasileiros com um raio", seguido de uma enxurrada de unfollow (o ato de deixar seguir alguém no Twitter) por parte dos nossos conterrâneos.

Agora, o Stallone. É incrível como gostamos de desperdiçar energia com causas pouco proveitosas e lamentável que queiramos negar a outros um direito do qual não abrimos mão. Alguém viu os ingleses em campanha "SHUT UP BRAZILIANS" por chamarmos o Mick Jagger de pé-frio? Nós queremos posar de muito avançados e civilizados, mas, na verdade, estamos andando para trás, ficando carrancudos, moralistas e reacionários. Estamos virando um povo que se leva a sério demais, preocupados que estamos em apontar defeitos alheios, enquanto a desordem toma conta de nossa própria casa. Essa mania de fazer beicinho e cobrar reparação a cada vez que somos alvo de gozação só mostra que os séculos que passamos não sendo "ninguém" para o mundo nos fizeram muito mal: adorávamos ser a pedra, mas, agora que crescemos e aparecemos, está doendo ser a vidraça.

18/07/2010

Odeio "antenados"!

Odeio "antenados"!




Antes de começar este post, um puxão de orelha: pessoal, eu me dispus a sortear entre vocês um gibi bonito e bacana, em troca de uma coisa bem simples: comentários. Só que um monte de gente apareceu no post específico sobre o prêmio e não deu mais as caras. Duvido que não tenham nada a acrescentar sobre qualquer coisa que eu tenha escrito desde então - e, ainda que não tenham, podem muito bem escrever deixando sugestões de pautas. Como agradecimento aos leitores mais fiéis, estes terão chance dobrada no sorteio de Batman - Guerra ao Crime. Está pertinho, dia 27 é logo ali.

Há algum tempo, em um post com este mesmo nome, eu desanquei algumas crenças arrotadas com irritantes frequência por gente que se acha muito esclarecida. Desta vez, quero ajudar a acabar com mitos sobre os quadrinhos, igualmente comuns entre quem os lê e quem não os lê. Vamos a alguns deles:

"Quadrinho é coisa de criança!"
Ok, não vou ser gentil: é preciso ser um jumento batizado para não perceber (ou aceitar) o óbvio: assim como existem livros e filmes para crianças e adultos, existem revistas em quadrinhos direcionadas a públicos específicos. Me dá nos nervos quando alguém me vê com uma revista na mão e diz, com aquele ar compadecido, como que duvidando das minhas faculdades mentais: "nossa, você ainda lê gibi?". Ao invés de desferir impropérios, tento manter a calma e lembrar que estamos numa nação de analfabetos funcionais. É claro que aquela pessoa não sabe que existem quadrinhos dignos da atenção dos adultos. Provavelmente, as únicas coisas que ela lê são cardápios, tabelas de preços e scraps de Orkut. Releve, irmão, releve.

"A Marvel é melhor que a DC!"
Lógico, também existe quem diga que a DC é melhor que a Marvel, mas, como é público e notório que a Marvel vende mais, resolvi pegar no pé da maioria. Meninos, já passou da hora de pararmos com essa estupidez. Vamos dar as mãos e cantar juntos. Não tem essa de "melhor". O que existem são ciclos de histórias boas e ruins, conforme a inspiração dos escritores escalados e a "lua" em que se encontra seu signo. É possível amar igualmente a personagens e histórias das duas editoras, sem qualquer prejuízo. Esse negócio de "ah, a Marvel é mais realista e a DC é mais fantasiosa" pode ter sido verdade um dia, mas hoje o estilo das duas é praticamente indistinto: quando a coisa aperta, metem logo uma mega-saga para matar personagens importantes e ressuscitá-los mais à frente. Eu sou feliz em minha bigamia: compro as da DC (o que a torna minha "esposa") e leio emprestadas as da Marvel (minha "amante").

"Não leio super-heróis, só quadrinhos adultos!"
Nossa, é mesmo? GRANDE BOSTA! Desde quando a leitura desse ou daquele tipo de quadrinhos confere a alguém um certificado de maturidade? Talvez os títulos da Vertigo e outras editoras sejam um pouco mais, digamos, desafiadores que os de super-heróis, mas o que realmente diz algo sobre a qualidade de um gibi é o prazer que sua leitura proporciona, não a quantidade de cenas de nudez, sexo ou violência, nem a proporção de palavrões em cada balão de diálogo. Vou mais longe: existem coisas bem ingênuas da Disney e da Turma da Mônica que são muito melhores do que certos gibis escritos para gente "adulta" e "esperta".

"Os caras usam colante e cueca por cima da calça!"
Pense um pouco. Se você fosse um cara com o poder de voar ou correr a velocidades supersônicas, o que iria preferir: um uniforme aerodinâmico, colado ao seu corpo, que lhe permitisse alcançar velocidade máxima, ou uma roupa de "gente séria", cheia de bolsos e outros espaços onde o ar poderia se acumular e reduzir sua performance? Isso, sem mencionar o risco de a roupa se rasgar na correria e deixar todo mundo ver que você é o super-herói menos dotado do planeta. O colante garante liberdade de movimento, por isso a preferência. Quanto à cueca... hey, quem te disse que aquilo é uma cueca? Alguém já viu o Superman só com a malha azul? Ou o Batman só de malha cinza? Eu acho que é peça única - afinal, quando rasga, rasga tudo junto. Pode até ser um erro estético, mas não é cueca (nem sunga)!

"O Batman tem um caso com o Robin!"
Meu Deus... Seu avô dizia isso quando era jovem e já não era engraçado naquele tempo. Basta a leitura de UMA história para essa teoria cair por Terra. O único problema de verdade com a Dupla Dinâmica é que o Robin, com seu uniforme chamativo e seu comportamento juvenil (claro, afinal ele é um jovem), contraria um pouco a proposta sombria do Batman - o que nunca o impediu de brilhar, tanto com o Morcego quanto em histórias-solo, ou com os Titãs. Para quem não sabe (por exemplo, você, que acha que quadrinho é coisa de criança, acha ridículo marmanjo usar colante, só lê quadrinhos "adultos" e acha que Batman e Robin são amantes): Bruce Wayne é PAI ADOTIVO de Dick Grayson (o primeiro Robin, agora Asa Noturna e, atualmente, cumprindo turno como Batman) e Tim Drake (o Robin dos últimos 20 anos, agora de novo uniforme e chamando-se Robin Vermelho) e PAI BIOLÓGICO de Damian Wayne, o atual Robin, filho dele com Tália e neto do vilão Ra's Al Ghul. PAI, e não namorado, entendeu? Tá bem explicado ou quer que eu desenhe?