28/03/2010

Rapidinhas

Rapidinhas

- Nem tudo está perdido neste país: a Justiça brasileira foi exemplar com o casal Nardoni. É certo que todo mundo é inocente até prova em contrário e que o ônus da prova cabe à acusação - e, olha, o que não faltou foi elemento incriminador. A tese da defesa sobre uma terceira pessoa no apartamento (um verdadeiro fantasma, que não foi visto ou filmado, não deixou pegadas, impressões digitais ou cabelos na cena do crime) jamais se sustentou e o veredito não poderia ter sido outro: para a crueldade máxima, pena máxima.

- Retomando o assunto de um post recente, eu sei e você sabe que BBB é só um programa de TV, mas tem gente por aí que parece não entender isso e que precisa urgentemente namorar ou arranjar um quintal pra capinar. Uma coisa é defender com argumentos a permanência de seu preferido e a saída daqueles de quem você não gosta. Outra, bem diferente, é ameaçar de morte a blogueiros e jornalistas por expressar opinião contrária à sua, ou exortar o preconceito em qualquer matiz, achando que uns são "heróis" de qualquer coisa (não levem o Bial tão a sério!) e os outros são escória. Isso não é coisa de gente burra: é coisa de gente perigosa. Denuncie.

- A atriz Zooey Deschanel não é apenas dona de olhos azuis encantadores: também é compositora e cantora de canções pop perfeitas, em parceria com M. Ward, no duo She & Him. Seus dois álbuns, singelamente batizados Volume One (2008) e Volume Two (2010), são cheios de canções doces, inteligentes e assobiáveis, exalando ingenuidade e romantismo à la fifties. Presença garantida nos Melhores do Ano.

- Até que enfim! A Anatel finalmente se deu conta da bandalheira que é a provisão de serviço de banda larga neste país, principalmente na área controlada, praticamente sem concorrência, pela Oi. A falta de concorrência leva a distorções absurdas, como uma diferença de quase 1.000% (!!!) no preço pago pela banda de 1 mb, entre os consumidores do Rio e de Manaus, por exemplo. Até que a Anatel apresente uma decisão oficial, os abusos continuam, mas é bom saber que não estão passando tão abaixo do radar.

Panini e a "revolução silenciosa"

Panini e a "revolução silenciosa"


Em outros tempos, quando o hábito de ler HQs era (permita-me o exagero) vital para minha sobrevivência, o anúncio e o ridículo desenrolar dessa "revolução" prometida pela Panini desde fevereiro já teria motivado uns quatro posts por aqui, comentando e cobrando uma posição dos carcamanos sobre os prometidos novos títulos e séries, além de esperneios pelos conhecidos e prováveis cancelamentos e zeramentos de revistas que estão chegando (Marvel) ou se aproximando (DC) do número 100.

Hoje em dia, estou com o "foda-se" ligado em alta potência. A Panini já deu provas mais do que suficientes de que não pretende segurar a onda de revistas que não vendem (e quem há de culpá-la por isso?), que não é boa para escolher capas ou mixes, não tem pudores em cancelar ou adiar indefinidamente lançamentos anunciados com alarde, não cumpre prazos e não está disposta a ouvir ou atender a boa parte das sugestões do principal interessado em seus produtos: o leitor.

Some-se a isso o irritante e "estrondoso" silêncio dos editores sobre essa tal "revolução", injustificável diante da virtual certeza de que ela não passará disso mesmo: cancelamento, zeramento, aumento ou diminuição do número de páginas. Existe algo novo ou revolucionário nisso? Ora, a Abril aprontava uma dessa a cada dois anos, ou menos. Nada disso impediu a queda nas vendas e o consequente abandono da linha de super-heróis, depois dos fiascos chamados Premium e Planeta DC.

Zerar as revistas até parece uma boa ideia, visto que, ao menos teoricamente, é uma oportunidade de atrair novos leitores. O problema é que a Panini quer conseguir isso sem combinar com os possíveis novos leitores. Onde, exceto nas próprias revistas e sites da editora e em blogs ou fóruns nerds, você viu qualquer comentário ou publicidade referente a essa "nova era"? Qualquer jumento no primeiro ano de Publicidade & Marketing sabe que propaganda é essencial, mas a Panini finge que não precisa atacar o público da TV Globinho, do Bom Dia & Cia e outros espaços infanto-juvenis. Se a ideia é chamar a atenção do público adulto, deveria abrir os cofres e despejar um spot de 15 segundos, que seja, no intervalo de uma telejornal relevante. Ou, então, nesses tempos em que sobram filmes de super-heróis, meter um comercial antes da sessão começar.

Mas, não. Na cabeça deles, ao invés de buscar meios de renovar o público das revistas Marvel e DC, legal mesmo é manter o "mistério", apenas para emputecer os trintões e quarentões que hoje formam a maior parte do público dessas revistas.

Verdade seja dita, até que anunciaram umas coisas bem interessantes. O problema é que é quase tudo de fora do universo de super-heróis: coisas da Vertigo, Wildstorm, Icon... mas, só de terem finalmente lançado Sandman Edição Definitiva Vol. 1 (verdadeiro objeto de desejo, item obrigatório na estante de qualquer nerd que se preze, baseado na edição Absolute original), a editora merece alguns aplausos. A ressalva fica por conta do que parece ser uma espécie de "maldição do número 1": lançam o primeiro volume e simplesmente "esquecem" de lançar os seguintes.

Portanto, se a Panini quer zerar, mudar ou cancelar títulos, que o faça. Minha relação com os quadrinhos hoje é outra. Vou continuar comprando o que me interessar e o orçamento permitir. Não estou 100% indiferente a tudo isso, claro, mas tampouco estou disposto a perder a paciência ou os cabelos por causa de algo que deve me causar prazer. Revolução mesmo, para mim, seria um pouco mais de transparência.

Dias de chuva pedem DVD!

Dias de chuva pedem DVD!


INIMIGOS PÚBLICOS

Ao invés de juntar-se ao coro dos que dizem que só Meryl Streep salva, o diretor Michael Mann constrói uma filmografia em que as mulheres, quando existem, são meras coadjuvantes nos conflitos dos fortes personagens masculinos, geralmente homens envolvidos em conflitos de honra e empenhados em cumprir sua palavra e levar a cabo a tarefa que lhes cabe, mesmo que isso signifique matar gente por encomenda, como em Colateral, de 2004, ou roubar bancos e trazer uma mulher à cumplicidade de uma vida de crimes, como neste Inimigos Públicos.

O filme começa em 1934, com o famoso ladrão de bancos John Dillinger (Johnny Depp, excelente) libertando parceiros de um presídio e iniciando uma onda de crimes em Chicago, à época do nascimento do FBI, quando o diretor J. Edgar Hoover (Billy Crudup) se vê sob enorme pressão para justificar a criação da agência. A solução que encontra é chamar o implacável agente Melvin Purvis (Christian Bale), que inicia um violento jogo de gato e rato com Dillinger. Em meio a tudo isso, Dillinger conhece e se apaixona pela balconista Billie Frechette (Marion Cotillard).

Tenso e intenso, Inimigos Públicos mostra que a mania de glorificar bandidos não é uma mania nova da mídia ou do povo. Enquanto segue para a prisão, Dillinger acena e é aplaudido como se tivesse ganhado a Copa do Mundo - e fica bem mais fácil gostar dele com a cara do Johnny Depp. Mas, se tem outra coisa que Michael Mann gosta de mostrar em seus filmes, além de que o homem tem que honrar sua palavra, é que o crime não compensa. Ainda bem.


ARRASTE-ME PARA O INFERNO

Christine Brown é uma moça do interior que almeja e disputa uma promoção no banco onde trabalha. Na ânsia de fazer bonito perante seu chefe, ela nega a uma velha cigana um extensão do prazo de pagamento de sua hipoteca. Má ideia: a velha não somente constrange e depois ataca Christine na garagem do prédio, como também lhe joga uma maldição inescapável chamada Lâmia: durante três dias, Allison será atormentada por forças do mal e, por fim, será levada viva ao inferno.

Fazia tempo que eu não via um filme de terror realmente assustador e realmente bom, mas Arraste-me Para o Inferno consegue a proeza. Sam Raimi dirige sequências trash tensas e engraçadamente escatológicas, mas que jamais trabalham contra o clima de terror (atenção para a cena da bigorna!). Ao invés de cair no erro habitual de fazer de filmes assim um mero desfile de mortes criativas, Raimi se concentra em detalhar a lenta destruição da esperança da pobre Christine, que passa literalmente o diabo, até que (oh!) surge uma luz no fim do túnel... mas não pense que o caminho até ela será fácil. Assista de noite!



A PRINCESA E O SAPO

O retorno da Disney à animação 2D rendeu um desenho simpático, porém mais infantil, adocicado e moralista do que se poderia esperar. Tiana é uma moça pobre e batalhadora, filha da costureira de uma família riquíssima, na era de ouro do jazz em New Orleans. Seu sonho era abrir um restaurante como seu pai, mas com a morte dele, ela precisa esperar bem mais para alcançar seu objetivo. Já adulta, ela vê chegar à cidade o príncipe Naveen, da fictícia Maldônia, em busca de uma princesa para se casar. O príncipe cai vítima de um vodu para roubar-lhe a identidade e transformar-lhe em um sapo. O feitiço só se quebrará com o beijo de uma princesa - e quando Tiana (que tem aversão ao bicho) cai na besteira de beijar o batráquio real, também é transformada em sapo!

Mesmo que o filme sacaneie a onda "O Segredo", com essa lenga-lenga de "lutar pelo seu sonho" (abdicando de vida social e romântica, Tiana chega a exasperar uma velha bruxa, em sua obstinação), e apesar da presença do elemento morte e da rica trilha sonora rica, faltam ao filme atrativos para o público mais adulto. Crianças, principalmente meninas, hão de curtir muito mais. Não é, de maneira alguma, o que a citação na capa tenta nos empurrar: "a melhor animação desde O Rei Leão". Sem chance! (A melhor animação 2D da Disney, em tempos recentes, é Lilo & Stitch). Porém, deve bastar para manter a gurizada quieta por uma hora e meia.