30/06/2010

U2 360º At The Rose Bowl

Comente e concorra a Batman - Guerra Ao Crime! Sorteio: 27/07!
U2 360º At The Rose Bowl

Mesmo que você não goste do U2, deveria levantar as mãos ao céu e agradecer por sua existência. Pense bem: há quanto tempo o showbusiness está tomado por idiotas e nulidades? Se não são rappers boçais, são ídolos adolescentes fabricados em série, ou moças rebolativas que falam de amor e pedem respeito, mas adoram brincar de piranhas interesseiras. A maior parte deles são meras marionetes, frutos das mentes diabólicas de produtores que carregam uma fórmula de pop star no bolso, cujos ingredientes variam levemente a cada seis meses.

Assim sendo, é reconfortante que exista uma banda como o U2, que sempre teve total controle sobre sua carreira e há muitos anos não é ameaçada em seu trono de Maior Banda do Mundo, por mera incompetência dos concorrentes. Desde os anos 90, existe um furadíssimo conceito em voga, segundo o qual o megaestrelato é algo a ser temido e demonizado. Oh, as pressões da fama! Oh, os paparazzi, que não me deixam tomar água de coco em paz! Oh, os jornalistas, que esculacham meu novo CD, cheio de elementos "mudernos"! Não lembro quem foi o sábio que disse: "Não quer ser famoso? Vai fazer cerâmica, não rock and roll!"

E, meu Deus, como o U2 gosta de ser e de parecer grande! Um show do U2 (e eu digo isso com certeza, mesmo antes de ter vivido a experiência in loco) é uma experiência transformadora de vidas. Se não pela invejável coleção de hinos de estádio ou pelos apelos político-sociais de Bono, então, que seja pelo inigualável deleite visual e sensorial que têm sido suas turnês, ao longo dos últimos vinte anos.

A 360º Tour tem como atrativo principal o gigantesco palco montado no centro das arenas, acabando com a área normalmente "morta" atrás das estruturas e permitindo ao público um visão de (dãããã!) 360 graus. A Garra, como é chamado, é um primor de design arquitetônico e tecnologia de iluminação. Ele chega a rivalizar com a própria banda pela atenção do público, e não é pra menos: a gente fica feito criança, esperando pela nova traquinagem daquele caro e imenso brinquedo. Em certos momentos, sua beleza é de tirar o fôlego.

Felizmente, o U2 se garante. Como eu já disse antes, a coleção de hits que levam fãs à rouquidão é impressionante. Isso vale para algumas das canções novas. Ao contrário de turnês anteriores, como a PopMart ou a Vertigo, em que Bono soava rouco, quase exausto, este registro beira a perfeição e ele chega bem a todas as notas, inclusive na exigente "No Line On The Horizon". Além do gogó tinindo, Bono está perceptivelmente feliz e leva a platéia na palma da mão o tempo todo, amparado por um guitarrista excepcionalmente versátil (The Edge, quem mais?) e uma cozinha (Larry Mullen e Adam Clayton) que alterna - e até mescla - peso e ternura.

O show traz U2 para todos os gostos: estão aqui a faceta guitarreira e inconsequente (em "Vertigo", ele cita Mick Jagger e não precisa explicar mais nada: "it's only rock and roll, but I like it"), o intimismo semiacústico ("In A Little While") os hinos políticos e carregados de palavras de ordem ("Unknown Caller", "Sunday Bloody Sunday"), reverências ao glorioso passado ("The Unforgettable Fire"), brincadeiras eletrônicas ("I'll Go Crazy If I Don't Go Crazy Tonight" vira uma rave gigante) e neoclássicos de rachar o concreto ("Elevation", "Beautiful Day").

Vale dizer que o telão circular de alta definição que adorna a parte central da Garra é utilizado com inteligência, divertindo e amolecendo os corações mais petrificados, principalmente na mensagem de Desmond Tutu que precede "One". O espanto é ainda maior quando suas placas se afastam e ajudam a transformar em momentos inesquecíveis canções que já nasceram grandes, como "City Of Blinding Lights" (quantas bandas que você conhece compõem, aos 25 anos de estrada, uma canção perfeitamente digna de figurar em um Top 10 de Todos os Tempos?).

Esse DVD só tem um defeito grave: eleva a índices insuportáveis minha ansiedade pela passagem dessa turnê pelo Brasil - e agora, com essa história de cirurgia na coluna de Bono, sabe-se lá se, quando e como isso vai acontecer. Seja quando for, não importa o quanto seja preciso esperar, um bom show de rock (e aqui temos un SENHOR show de rock) sempre vale a pena.

22/06/2010

Hellblazer - Congelado

Comente e concorra a Batman - Guerra Ao Crime! Sorteio: 27/07
Hellblazer - Congelado


Eu nem ia comprar esse encadernado, mas depois de empolgados comentários do amigo Luwig, decidi arriscar. O resultado é que acabei com mais um belo item na minha coleção: Congelado é umas dessas histórias cuja leitura, uma vez iniciada, não se consegue interromper.

A passagem de Brian Azzarello (100 Balas) por Hellblazer é criticada pelos puristas porque pouco tem de sobrenatural. Para mim, Azzarello acertou em cheio e é isso que me faz gostar de suas histórias: nas andanças de John Constantine escritas por ele, o que mais assusta é ver que as pessoas guardam dentro de si coisas muito mais apavorantes do que qualquer espírito ou demônio. É a (má) natureza humana a serviço do terror.

Foi assim no único arco que acompanhei da extinta Pixel Magazine, quando Constantine foi colocado numa prisão, acusado pela morte de um amigo que havia se suicidado. Um único momento já justificaria as intenções de Azzarello: a cena em que Constantine enfeza tanto um grupo de presos muçulmanos, a ponto de os caras não se tocarem que estão rezando de costas para Mecca - algo aparentemente tão simples, mas um pecado mortal para os islâmicos e uma sacada mais herética do que qualquer aparição com chifres ou olhos fumegantes.

Depois de uma história introdutória que ainda faz menção aos eventos que viveu na prisão (arte de Steve Dillon), temos a história "Congelado" em si. Durante uma fortíssima nevasca, Constantine se vê em um bar de beira de estrada nos EUA, cercado de caipiras mal-encarados e histórias sobre um certo "Geleiro", um secular assassino serial que ataca em dias de nevasca. Uma morte misteriosa acontece e os presentes trocam suspeitas entre si, até que a chegada de três forasteiros complica ainda mais as coisas.

Como eu já entreguei no início, o sobrenatural praticamente inexiste na história - isto é, se você acredita que apenas monstros, fantasmas e feiticeiros podem ser chamados assim. Azzarello, porém, extrai dos seus personagens contínuas revelações e bola tensas reviravoltas, que aumentam o clima tétrico do isolamento imposto pelo clima. Se você gosta de terror psicológico, o Constantine de Brian Azzarello é a sua leitura. O ótimo Marcelo Frusin, parceiro do escritor em Loveless, é o artista.

O encadernado se encerra com um conto da juventude de John na Londres dos anos do punk, quando ele apenas brincava com o que viria a ser sua verdadeira vocação (arte de Guy Davis). Esta talvez agrade mais ao fãs das típicas histórias do personagem, mas ainda há espaço para algumas desmistificações e brincadeiras. Não é que seja melhor ou pior que o trabalho de outros escritores que passaram pela série, antes ou depois, mas não dá pra negar que o Hellblazer de Brian Azzarello tem personalidade própria e única. Nota 10.

13/06/2010

The Batman apaga velinhas...

The Batman apaga velinhas...
...mas é você que se dá bem!


No dia 27 deste mês, é aniversário do Batman. Não da genial criação de Bob Kane, mas deste genérico que, vez por outra, te escreve. Aceito de bom grado todos os parabéns e desejos de felicidade, mas não vou reclamar se algum leitor se sentir compelido a presentear-me com
isto, isto ou isto.

Vamos, porém, tentar algo diferente este ano: a ocasião do meu aniversário vai servir como desculpa para VOCÊ ganhar um presente!

Trata-se de mais uma daquelas incríveis e suculentas promoções do Catapop, que fazem o mais tímido dos leitores deste seu amado blog sair do armário. Vocês já sabem como a brincadeira funciona: TODO MUNDO residente no Brasil que deixar comentários no Catapop, a partir de hoje, vai concorrer ao sorteio de um exemplar do raro Batman - Guerra Ao Crime, o fabuloso álbum escrito por Paul Dini e magistralmente pintado por Alex Ross, publicado no Brasil, há 10 anos, pela Editora Abril.

O sorteio acontecerá no dia 27 - não deste mês, que já está muito próximo, mas de JULHO, exatamente um mês depois de eu completar... aham.. trinta e uns. Espalhe a boa nova para aquele seu amigo que visita o blog, mas não tem o hábito de deixar comentários. Na pior das hipóteses, ele vai descobrir que comentar não dói. Na melhor, pode acabar com um clássico quiróptero na estante!

OK, começou! Vamos ver quem será o felizardo! Boa sorte a todos! =)

08/06/2010

Fúria de Titãs

Fúria de Titãs


Antes de qualquer coisa, um conselho de amigo: economize seu dinheiro e assista a este filme em 2D. Ele é vendido como 3D, baseado na mera suposição de que somos todos idiotas. Acredite: não há sequer UMA cena em 3D nele. Passei todo o tempo de projeção com aqueles óculos estúpidos na cara e não houve um único quadro em que eles fossem necessários.

Se fosse este o único problema de Fúria de Titãs, eu não estaria me sentindo tão lesado. O que realmente incomoda é que ele seja tão apressado, tão esquecível, tão insatisfatório. Não há a menor chance de ele roubar o status de cult do original de 1981, ainda que o stop motion do mestre Ray Harryhausen possa causar ataques de riso na molecada de hoje. Este remake de Louis Leterrier não demora a adentrar as brumas do esquecimento.

Não dá para negar que as criaturas digitais são extremamente bem-feitas e que as cenas de luta são dirigidas com habilidade, mas, exceto por isso, o que sobra? Bons atores no auge da canastrice e personagens que entram e saem da trama sem chance alguma de desenvolvimento. É tudo tão rápido e superficial que você se pergunta se não valeria a pena o filme ter ao menos os 12 minutos a mais do original, e se isso não é reflexo da cultura digital, em que tudo se resolve em 140 caracteres e diálogos com mais de três frases já se tornam cansativos.

É divertido? É, mas como dizia Arnaldo Antunes, a gente quer comida, diversão e arte. Do jeito que ficou, Fúria de Titãs é só comida: fast food que engana o estômago (leia-se o cérebro) por alguns minutos, mas não nutre. Talvez seja um pouco de diversão, também, desde que seu senso crítico esteja ligado em baixíssima potência. Quanto à Arte, essa passou bem longe ou foi, em algum momento, devorada pelo Kraken. Se você decidir esperar pelo DVD, vai estar sendo esperto. Nota 5.

02/06/2010

Vertigo na Panini

Vertigo na Panini:
Universo em Expansão

Quando a Panini assumiu a publicação dos materiais da Vertigo/Wildstorm, muita gente se preocupou e havia boas razões para isso, sendo a principal delas o descompromisso da editora em concluir as coleções de encadernados que começa (vale lembrar que a Panini já havia publicado Vertigo duas vezes, de forma isolada: We3 e Os Leões de Bagdá).

Quase um ano depois do lançamento da Vertigo mensal número 1, o curioso quadro que se vê é que os encadernados vão muito bem, obrigado, e a revista mensal é que capenga entre atrasos, devido aos quais já tivemos 3 meses sem Vertigo: a edição que chegará às bancas em julho (espera-se) será a 7, quando deveria ser a 10. Por outro lado, depois de um começo tímido, as edições encadernadas parecem ter-se provado um belo negócio para leitores e editores, em vista da quantidade de lançamentos recentes e da dificuldade em encontrar alguns deles em lojas físicas e virtuais.

Veja o caso de Ex Machina, da Wildstorm, por exemplo. A série de Brian K. Vaughn teve um encadernado (Estado de Emergência) publicado pela Panini em 2005 e outro (Símbolo) pela Pixel em 2008. Pois agora, antes mesmo que se completasse um ano desde o terceiro volume (Fato Vs. Ficção), a Panini já soltou o quarto (Marcha À Guerra). A série narra as aventuras e desventuras de Mitchell Hundred, um homem que adquire a capacidade de falar com máquinas e tenta ser um super-herói "da vida real", mas acaba descobrindo que pode fazer mais atuando na política - o que não o impede de recorrer aos seus poderes quando necessário. Trata-se de uma das séries mais premiadas, inteligentes e interessantes deste século e, sinto anunciar, o primeiro volume já se tornou uma raridade na internet - mas eu tenho o meu! =)

A Panini também recomeçou Sandman, Y - O Último Homem, Frequência Global e Transmetropolitan, deu sequência a Fábulas e lançou um volume inédito de Preacher - a expectativa é que a série de Garth Ennis seja finalmente concluída aqui no Brasil, depois de passar por diversas editoras. Trouxe, ainda, os primeiros volumes de séries premiadas lá fora, como Os Perdedores (Andy Diggle), Loveless - Terra Sem Lei (Brian Azzarello) e Oceano (Warren Ellis). A principal promessa ainda pendente é a compilação que reúne os volumes 1 e 2 de A Liga Extraordinária (Alan Moore).

Obviamente, há muito mais que a Panini pode lançar ou relançar, mas, para quem começou este trabalho com olhares ultra-desconfiados sobre si, até que ela anda fazendo seu dever de casa bonitinho. O legal é que, depois de anos esnobando a Vertigo, agora eu estou fazendo parte dos felizardos que contemplam, desfrutam e aplaudem este renascimento do selo no Brasil. Muito ainda pode ser questionado sobre os critérios de publicação e venda (capa dura x capa cartão, bancas x livrarias, setorizada x nacional), mas, da mesma forma que caprichamos nas cacetadas quando ela erra, é de bom tom reconhecer e elogiar a Panini quando ela acerta.