05/12/2010

Então, é Natal...

Então, é Natal...


Em algum momento entre o ano passado e este que se encerra, eu completei dez anos como usuário de internet, anos estes que somam mais que um quarto da minha existência. Passei por todas as fases obrigatórias: o deslumbramento inicial de achar que salas de bate-papo eram a coisa mais legal do mundo, a inocência útil (a outros) de abrir tudo que me chegasse no e-mail, o deleite com a pornografia farta e gratuita, a formação de uma invejável coleção de mp3 (em quantidade e qualidade), a experiência com novos formatos de interação, como blogs e redes sociais, até chegar ao momento atual, em que já me considero um usuário razoavelmente escolado e responsável.

Ainda que muitos digam que estamos nos tornando mais frios, que as relações estão cada vez mais impessoais, que os jovens preferem a luz de um monitor à presença humana, eu vejo a internet como uma ferramenta de aproximação. Deveria ser óbvio, para qualquer um, que a gente não conversa com janelinhas: são pessoas que estão ali, muitas vezes sem qualquer outa possibilidade de interação amigável - porque a experiência nos mostra, diariamente, que nem todo mundo sabe conviver muito bem com as diferenças e, para quem quer discriminar, maltratar, humilhar e espezinhar, motivos não faltam: pode ser a cor da pele, o penteado, a forma física, a condição sexual, o jeito de falar, andar, vestir-se, o lugar onde se vive. Qualquer coisa, assim entendida, acaba virando combustível para o ódio.

E, sim, faço o mea culpa: já destilei minha porção de veneno e ignorância na internet. Às vezes, até de forma bem-intencionada, diga-se. Sabe quando a gente tem estereótipos na cabeça sobre determinado tipo de gente e precisa escutar ocasionais sermões para poder colocar as ideias no lugar? Não é que eu estivesse sempre errado e os outros sempre certos, mas, a gente sempre se beneficia da troca de impressões opostas, através da qual alcançamos (ou seguimos buscando) um suave equilíbrio. Muitas vezes, fui confrontado com coisas que não queria "ouvir" e, admito, preferi agarrar-me à minha idiotice. Por medo. Por covardia. Por raiva. Sei lá por quê!

Apesar disso (e eu posso estar me repetindo), também é inegável que a internet está cheia de tipos lunáticos, neuróticos, insuportáveis e perigosos. Alguns destes já conseguiram enredar-me em sua "máquina de fazer doido" - certas discussões em bate-papos durante o dia acabavam com meu bom humor e me tiravam o sono à noite. Só que gente doida e maldosa pode ser, também, bastante cativante (isso é, afinal, o que os torna tão perigosos) e até que aprendesse a livrar-me deles sem dor na consciência (não nos ensinam que todo mundo merece uma chance de redimir-se?), dei dolorosas cabeçadas em paredes de arrogância, falsidade e promessas não cumpridas.

Por sorte (veja só!), gente legal também usa a internet - e, cara, posso me considerar bastante afortunado de ter formado um círculo bastante razoável de pessoas, do Brasil e de outros lugares do mundo, que emprestam um pouco mais de graça e leveza ao meu dia, a cada vez que abro o MSN, leio um comentário aqui no Catapop, ou um post em seus próprios blogs ou páginas de Orkut e Twitter. Por mais improvável que isso seja de acontecer, sempre me imagino reunido com essas pessoas, a quem tenho o prazer de considerar bons amigos, em meio a rodadas generosas de cerveja, gargalhadas e muito papo nerd.


Cabe aqui um pequeno aparte: Luwig, Kelnner, Alex Melo, Do Vale, Mauro Sampaio, Paranoid Android... por que nerds nordestinos são tão maneiros? =D

Há gente que odeia o fato de as pessoas ficarem sentimentais nesta época do ano. Dizem que é falsidade, atribuem tal comportamento a culpa católica e outros motivos ainda menos nobres. Defendo-me dizendo que, apesar do ocasional mau humor e impaciência demonstrados em alguns dos meus posts ao longo destes cinco anos de vida do Catapop, eu sou um emotivo por natureza o ano inteiro (sabe como é, canceriano é chegado num melodrama). O Natal é só uma desculpa para eu fazer isso sem parecer muito forçado ou inapropriado.

Portanto, desejo a você, leitor habitual, ocasional ou estreante deste blog, um Natal repleto de alegrias e que 2011 seja um ano, no mínimo, divertido para todos nós. Não importa se você acredita ou não no Menino Jesus, Papai Noel e outras entidades e tradições ligadas à data: qualquer desculpa vale para espalhar bons sentimentos e certas lições jamais perdem seu valor. Soa meloso? Bem, este sou eu, de peito aberto. Viva com isso! Desamarre essa tromba cética e dê um sorriso bonito pro seu amigão aqui, vá! =)



SALDÃO 2010

As melhores HQs do ano

As melhores HQs mensais: Lanterna Verde e Vertigo.
Os melhores encadernados inéditos: Criminal e Ex Machina.
As melhores republicações: Sandman, Camelot 3000 e Alias.


Os melhores filmes do ano
(editada em 05/01/11)

Ilha do Medo
A Origem
A Rede Social
Toy Story 3
Tropa de Elite 2


As melhores músicas do ano
(ou não)

Bryan Ferry, "Alphaville"
Cee-Lo Green, "Fuck You"
Janelle Monáe, "Tightrope"
Marcelo Jeneci, "Felicidade"
Maroon 5, "Give a Little More"
Massive Attack, "Atlas Air"
Ryan Adams, "Disappyramid"
Sade, "The Moon And The Sky"
Sua Mãe, "Vanessa e o Véu"
Tulipa Ruiz, "Efêmera"


As maiores febres do ano
Você bem que tentou, mas não escapou delas.

Crime no Rio (o BBB - Big Brother BOPE - começou mais cedo)
Dilma (na cola de Lula, a primeira mulher no topo da cadeia alimentar)
iPad (todo mundo quer um, mas ninguém sabe muito bem por que)
Facebook (eu saí e todo mundo entrou: isso que é falta de timing)
Wikileaks (um estrago diplomático de que nem James Bond foi capaz)