DVD: Shrek Para Sempre

Talvez seja proposital e a gente não saiba, mas o fato é que a saga de Shrek, ao longo de quatro filmes, se parece com um relacionamento amoroso. O primeiro filme era a fase do namoro, quando tudo é uma divertida e excitante novidade. A incorreção política era inteligente, as piadas eram realmente engraçadas e o Burro era como aquele cunhado que você adora. O segundo foi como o noivado, mais grandioso e envolvendo mais expectativa, mas, ainda, basicamente, um namoro, com a diferença de que agora os pais dela já se acostumaram com você. O terceiro era, enfim, o casamento - só que um casamento já lá pelo sétimo ano, quando a rotina começa a tirar a graça das coisas. Aquelas suas tiradas espirituosas, que costumavam alegrar as reuniões familiares, já parecem repetitivas e forçadas, e as pessoas riem apenas por educação.
Este quarto (e último) episódio equivale não a um divórcio, mas, a uma dolorosa aceitação de que sua vida conjugal não vai a lugar algum, não importa o que você invente. O melhor, portanto, é parar de reclamar que o casamento o deixou gordo e que seus amigos (com razão) se afastaram, passando a ostentar a hipócrita fachada de "casal estável". Não é de se admirar que o próprio personagem esteja passando por uma crise em sua vida familiar, em que ele sente saudades dos tempos de namoro, quando ainda era um ogro livre da marcação cerrada da mulher e sem três filhos pra criar, comendo e dormindo onde quisesse e fazendo o que bem entendesse.
A solução aparece para Shrek na forma de Rumpelstiltskin, um bruxo/duende que, no passado, esteve prestes a fechar um acordo com os pais de Fiona, em que estes o entregariam o reino de Tão Tão Distante, em troca da libertação da princesa/ogra. Quando já se preparavam para assinar os termos, Fiona foi libertada (por Shrek, no primeiro filme). Agora, ele enxerga na crise de meia-idade do ogro a oportunidade para concretizar seus plano. Em troca de apenas um dia mágico, sem as responsabilidades da sua vida de casado, Shrek concede a Rumpelstiltskin um dia qualquer de sua vida. O problema é que o bruxo lhe toma justamente o dia em que nasceu. Assim, quando acabe aquele dia, Shrek deixará de existir.
Embora Shrek para Sempre não chegue a ser monótono, a primeira risada genuína não vem antes da metade do filme - e isto é muito grave para uma série cujo primeiro capítulo fez muita gente rir até doer o maxilar. Pior, só o fato de que não há mesmo muito motivo para risos, sem que isso se deva à compreensão de que aquela á despedida dos personagens. Tampouco é a culpa exclusiva das piadas escatológicas, que se tornaram uma autêntica praga na produção cômica hollywoodiana dos últimos dez ou quinze anos. O que salta aos olhos é que Shrek, em seu capítulo final, virou, pasme, uma série dramática - e não das melhores. Os bons coadjuvantes reunidos ao longo da tetralogia são desperdiçados - ou será que alguém viu graça no Burro deste episódio? O Gato de Botas, gordo e preguiçoso feito um Garfield, passa o filme fazendo exatemente o que se espera de alguém no seu estado: comendo e dormindo.
Como se vê, uma despedida melancólica e, a julgar pelo estado das coisas, é melhor que não se tente qualquer novidade para "reacender a velha chama", subterfúgio ligeiramente ridículo usado por casais já sem qualquer sintonia entre si. Deixem o Shrek descansar em paz, antes que, num virtual quinto episódio, vejamos seu suicídio por depressão. Melhor ficar com as recordações, já meio amareladas pelo tempo, do saudoso início de namoro.
Este quarto (e último) episódio equivale não a um divórcio, mas, a uma dolorosa aceitação de que sua vida conjugal não vai a lugar algum, não importa o que você invente. O melhor, portanto, é parar de reclamar que o casamento o deixou gordo e que seus amigos (com razão) se afastaram, passando a ostentar a hipócrita fachada de "casal estável". Não é de se admirar que o próprio personagem esteja passando por uma crise em sua vida familiar, em que ele sente saudades dos tempos de namoro, quando ainda era um ogro livre da marcação cerrada da mulher e sem três filhos pra criar, comendo e dormindo onde quisesse e fazendo o que bem entendesse.
A solução aparece para Shrek na forma de Rumpelstiltskin, um bruxo/duende que, no passado, esteve prestes a fechar um acordo com os pais de Fiona, em que estes o entregariam o reino de Tão Tão Distante, em troca da libertação da princesa/ogra. Quando já se preparavam para assinar os termos, Fiona foi libertada (por Shrek, no primeiro filme). Agora, ele enxerga na crise de meia-idade do ogro a oportunidade para concretizar seus plano. Em troca de apenas um dia mágico, sem as responsabilidades da sua vida de casado, Shrek concede a Rumpelstiltskin um dia qualquer de sua vida. O problema é que o bruxo lhe toma justamente o dia em que nasceu. Assim, quando acabe aquele dia, Shrek deixará de existir.
Embora Shrek para Sempre não chegue a ser monótono, a primeira risada genuína não vem antes da metade do filme - e isto é muito grave para uma série cujo primeiro capítulo fez muita gente rir até doer o maxilar. Pior, só o fato de que não há mesmo muito motivo para risos, sem que isso se deva à compreensão de que aquela á despedida dos personagens. Tampouco é a culpa exclusiva das piadas escatológicas, que se tornaram uma autêntica praga na produção cômica hollywoodiana dos últimos dez ou quinze anos. O que salta aos olhos é que Shrek, em seu capítulo final, virou, pasme, uma série dramática - e não das melhores. Os bons coadjuvantes reunidos ao longo da tetralogia são desperdiçados - ou será que alguém viu graça no Burro deste episódio? O Gato de Botas, gordo e preguiçoso feito um Garfield, passa o filme fazendo exatemente o que se espera de alguém no seu estado: comendo e dormindo.
Como se vê, uma despedida melancólica e, a julgar pelo estado das coisas, é melhor que não se tente qualquer novidade para "reacender a velha chama", subterfúgio ligeiramente ridículo usado por casais já sem qualquer sintonia entre si. Deixem o Shrek descansar em paz, antes que, num virtual quinto episódio, vejamos seu suicídio por depressão. Melhor ficar com as recordações, já meio amareladas pelo tempo, do saudoso início de namoro.
2 comentários:
Ha, gostei dessa tua comparação dos filmes com um relacionamento!
Pois é, nem sempre dá pra acertar em tudo... Algumas continuações valem a pena, mas Shrek deveria ter parado no segundo. Tá bom da Dreamworks deixar o ogro aproveitar a vida a cinco.
Ainda não vi.
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