Qual é a graça?
Vão dizer que eu estou de mau humor enquanto escrevo estas linhas nada delicadas sobre os ídolos de muita gente, mas juro que não é o caso. Estes três atores já tiveram sua graça e costumavam justificar uma ocasional visita minha à locadora, mas, nos últimos anos, perderam a mão e o rumo, entregando filmes cada vez mais debilóides. Portanto, se você pretende ir ao cinema para ver sua mais nova "obra" (do verbo "obrar"), lembre-se de NÃO me chamar.
Eddie Murphy

Ele já foi o maior nome da comédia americana, lá pelos anos 80, quando conquistou o mundo com Um Tira da Pesada e outros filmes muito divertidos. Depois de um período de ostracismo, ensaiou uma volta nos anos 90, com O Professor Aloprado. Na década que passou, seu único trabalho digno de nota foi uma dublagem, o Burro de Shrek. O fato, porém, é que Eddie Murphy perdeu sua estrela e há muito, MUITO tempo, não faz um filme que preste. Basta lembrar que ele é dono de um dos fracassos mais retumbantes da História, As Aventuras de Pluto Nash, que custou 100 milhões de dólares e não rendeu nem um décimo disso. Seus filmes mais recentes são uma sucessão de piadas ruins e egolatria, vide a obsessão de interpretar diversos papéis em cada filme. Curiosamente, ele fica bem como coadjuvante, seja cômico (Os Picaretas) ou dramático (Dreamgirls). Quem sabe, ainda possa rolar uma "ressurreição".
Jackie Chan

Chan saiu de Hong Kong, onde era ídolo dos filmes de ação à la Bruce Lee, para vir aos EUA reforçar todos os estereótipos que os americanos alimentam sobre civilizações orientais. Ninguém vai negar que, por um tempo, suas criativas coreografias marciais e sua capacidade de usar qualquer coisa ao alcance das mãos para dar porrada encantaram as plateias em alguns filmes divertidos, como Bater e Correr ou A Hora do Rush. Mas, então, as rugas começaram a aparecer numa velocidade superior às cirurgias plásticas e começou a ficar meio ridículo ver aquele vovô metido em filmes cada vez piores, com fiapos de roteiro sustentando sequências sonolentas e inverossímeis de wi-fu e a expressão única de "china bonzinho" que ele ostenta, enquanto regurgita filosofia de almanque sobre coisas como paciência e destino. Chan é peça de museu - e olhe lá.
Adam Sandler

Por que gostam tanto desse cara? Tá, ele fez umas coisas legais, mas, sinceramente, NÃO É engraçado por si só, costuma levar um banho dos parceiros de cena e seus filmes mais famosos são comédias, ao mesmo tempo, escatológicas e moralistas. Um de seus maiores sucessos é Click, um filme absurdamente RUIM que não se decide entre ser comédia ou drama, com cenas mortalmente constrangedoras, como aquela em que peida na cara de um "congelado" David Hasselhoff. No geral, o "humor" de seus filmes vem disso: piadas sobre fluidos corporais ou insinuações de baixo calão que já foram vistas e ouvidas 3.659 vezes. Não fosse a ajuda de colegas bem mais talentosos, como Drew Barrymore e Jack Nicholson (com quem dividiu seu único filme que realmente me fez rir, Tratamento de Choque), estaria fazendo filmes de orçamento limitado, sem direito a passagem pelo cinema.
6 comentários:
Murphy já era desde a metade dos 90.
Chan encheu tb, gostava muito dos primeiros, mas hj tá uma merda.
E Sandler, eu até curto, mas era bem melhor no Saturday Night Live. Mas ele tem um drama excelente, Embriagado de Amor.
Eddie Murphy disse uma vez que parou de se preocupar com a carreira 80 milhões de dólares atrás. É bem isso mesmo, no último tempos achei mais divertido acompanhar aquele humilhante processo de paternidade movido contra ele por uma ex-spice girl do que em boa parte de seus filmes.
Já o Adam Sandler é um exemplo para nossos humoristas que se imaginam engraçados se maquiando e travestindo-se bizarramente de mulher, da importância dum roteiro!
Sandler é uma espécie de Bill Murray que não funciona, só que as histórias são muito bem amarradas. Dias desses revi aquela comédia besta em que ele se casa com um amigo (sic), as cenas dele procurando uma capela, ou saindo duma festa com seuvida desse cara: um panaca sem-noção.
noivo, Jessica Biel, e o irmão gay da última são boas. Não é ele, mas a situação bem construída.
No mais, como lembrou o Paranoid Android, o único filme que vale a pena pagar para vê-lo é o Embriagado de Amor, pela sacação do diretor PT Anderson para fazê-lo interpretar o papel da vida desse cara: um panaca sem-noção.
Vamos lá,
Meu Eddie Murphy só fez sete filmes na década de 80 e morreu em circunstâncias misteriosas. Saudades do Eddie de 48 Horas 1 & 2, Trocando as Bolas, Um Tira da Pesada 1 & 2, O Rapto do Menino Dourado e Um Príncipe em NY.
Lembro que num dia bom gostei de Jackie Chan no primeiro A Hora do Rush, mas náo me pergunte o motivo.
Vez ou outra Adam Sandler me surpreende, mas de cada 10 vergonhas alheias, saiu 1 (ou metade de um) que preste. Nesse mata-mata pessoal sobrevivem Reine sobre Mim, Embriagado de Amor e Tá Rindo de Quê. Três ótimos filmes que passam muito longe do geralmente costuma fazer.
Adam Sandler só é engraçado para pré-adolescentes, como todo e qualquer comediante que abusa de piadinhas escatológicas (Eddie Murphy parece ter se juntado ao time). Jackie Chan precisa entender que a idade chega. E isso para o tipo de filme que ele faz é algo que pesa muito.
Um que se dependesse de seu último filme para entrar no time é o Ben Stiler. O terceiro filme da série "Entrando numa fria" é péssimo. Mas um cara que fez Zoolander ainda tem crédito na casa...
Minha esposa dá a Adam Sandler o benefício de ser carismático, sendo essa a razão de seu sucesso. Pode até ser, mas isso não o exime de ser um péssimo ator.
O Eddie Murphy fez tanta coisa legal nos anos 80, fico admirado de como o cara se perdeu. (Os Picaretas é muito bom, um dos últimos onde ele acertou).
Quanto ao Jackie Chan, viu um, viu todos.
E comigo acontece o mesmo caso do camarada acima: minha namorada acha o Adam Sandler um "gatchenho". E, além dos filmes que vocês citaram, acrescento Como se Fosse a Primeira Vez, com a Drew "Tá Loco!" Barrymore.
Haaa, faltou o Jack Black aí! =D
Em tempo: assisti dias atrás o filme "Raw", do Eddie Murphy, gravado em uma de suas apresentações ao vivo, stand-up, 1987.
Ele admite que seu estilo é baseado no de Richard Pryor. E quem assistiu a uma apresentação de Chris Rock no mesmo estilo sabe de onde ele recebeu influência.
Eddie estava no auge e com a língua bastante afiada. Bons tempos...
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