19/02/2011

Academia, ainda que tardia!

Academia, ainda que tardia!


Por quanto tempo se pode lutar contra o bom senso?

Veja o meu caso, por exemplo. Passei boa parte da minha vida completamente afastado dos assim chamados hábitos saudáveis. Na infância, em Feira de Santana, minha mãe sempre dava um jeito de meter um atestado para as aulas de educação física, devido a complicações respiratórias que ocasionalmente me levavam a salas de emergência. Na adolescência, quando quase todo mundo escolhe um esporte para ajudar na modelagem do físico e na descarga de toda aquela energia, eu me mantive isolado do mundo com meus discos, meu gibis e meus complexos, na firme crença de que, enquanto todo mundo criava corpo, eu teria aquele cabeção e aquelas costelas aparentes por toda a vida.

Já um jovem adulto, saí do meu casulo e liguei-me à galera do basquete de Ibotirama, amigos herdados do meu irmão Malcon, falecido em 1990. Além de terem me ajudado a superar a dor desta perda, estes amigos logo se converteram nas pessoas mais queridas deste e de outros períodos importantes na minha história. Nada disso, porém, me fez ter ânimo para a prática esportiva. Eu me envolvia na organização de torneios, corria atrás de patrocínios e cheguei a ser nomeado (hahaha!) técnico do time em algumas ocasiões. Eles, definitivamente, gostavam muito de mim mesmo, porque, embora eu até entendesse do jogo, não tinha muita noção de como orientá-los em quadra. Assim, eu acabava sendo mais um "totem" no banco, um mediador para as decisões técnicas que, no fundo, eram os próprios jogadores que tomavam entre si.

Com estas amizades, nasceu meu amor pelo esporte - naquele tempo, principalmente pelo basquete. Adorávamos a NBA, sabíamos os nomes e escalações de quase todos os times, comprávamos aqueles maravilhosos álbuns de cards da Topps e a Bandeirantes (atual Band) se esmerava na exibição de jogos ao vivo ou em compactos que faziam a delícia de nossa galera. Por volta de 1995, a basquete estava numa curva ascendente de popularidade e cheguei a ter carta e foto publicadas numa revista nacional chamada World Basketball, extinta não muito tempo depois. Entre amigos, eu arriscava umas cestas e tinha até uma mão boa, mas a ideia de suar durante uma hora atrás de um bola laranja continuava me parecendo pouquíssimo atraente.

Como era de se esperar, junto com as amizades feitas em uma cidade do interior sem opções de lazer, veio a cerveja. Muita cerveja. Por uns bons anos, nossa rotina era treino até as 19 horas e, depois, parada obrigatória no Pingo D'água, bar localizado bem no centro da cidade, onde ficávamos até as 21 ou 22 horas. Todo dia, sem falta. As loucuras cometidas sob efeito de tanto álcool renderiam um livro ou dois e, quem sabe, um dia eu conto algumas pra vocês (hmm, acho que já prometi isso antes), mas não hoje.

Igualmente esperado era que toda aquela vida sedentária, um dia, cobrasse sua fatura. Começou com uns pneuzinhos discretos. Lembro de um amigo da minha mãe dizer, "Marlo, você é um magro com gordura, como pode isso?". Não dei muita importância (no sentido de que não mudei meus hábitos, motivado por este comentário), mas também não consegui esquecer. Em 1996, uma vez sacramentado o fim do seu casamento, minha mãe mudou-se para Itumbiara, GO. Marcone e Marcel, meus irmãos mais novos, foram pouco depois. Três meses depois, seria a minha vez. Desempregado, fui chamado para voltar a Ibotirama e trabalhar com meu pai em seu então recém-aberto mercado. Reencontrei a galera do basquete. Para minha surpresa, havia começado um processo de degradação do esporte na cidade como um todo e dos esportistas em particular: não havia mais time de basquete e meus atléticos amigos estavam todos ficando gordos e carecas (doce vingança para quem sempre foi zoado por ter generosas entradas capilares). Eu, com minha magreza, pelo menos mantinha uma silhueta esguia, apesar dos pneuzinhos não arredarem pé da minha cintura.

Voltei para Itumbiara em 1999 e, durante muitos anos, mantive meu peso entre 70 e 73 kg, boa média para meus 1,77m de altura. Mas, conforme avançam os anos, o metabolismo da gente já não é mais o mesmo. Meus pneuzinhos já não eram mais tão "zinhos" assim. Aquele buchinho, antes charmoso, começava a fazer "eclipse" quando eu olhava para o meu amigo lá embaixo. Um FDP amigo de Marcone disse que eu era magro, mas tava de peitos caídos. A cruel verdade das lentes das câmeras, captando todo o esplendor da minha nascente baranguice, não deixou dúvidas e me disse, com todas as letras e efeito de eco: tá na hora de se mexer, Marlinho!

Eis que, à beira dos 30 anos, decidi entrar numa academia. Após uma semana de treinamento aeróbico para condicionamento, meu primeiro dia de musculação foi uma comédia - pelo menos, para quem assistia ao meu patético esforço para fazer supino, sem qualquer força nos braços, o que me obrigou a fazê-lo levantando apenas a barra, sem um halter sequer. O instrutor se divertia e eu me sentia um cretino, mas levei numa boa e empenhei-me em melhorar. Alguns dias depois, ficou fácil erguer pesos e quando os benefícios começaram a ficar evidentes no meu corpo, me senti muito bem. Só que, como acontece com os piores artistas, o sucesso trouxe acomodação: os intervalos de minhas visitas à academia foram ficando maiores e, um dia, simplesmente parei de ir e meu corpo logo voltou ao seu barango mode.

Corta para 2005: aos 32 anos, estava de volta à Bahia, morando em Alagoinhas, onde vivo até hoje. Vendo as fotos daqueles meus primeiros meses por aqui, hoje vejo que era feliz e não sabia: meu peso médio era de 75 kg. Três anos depois, saltou para 80 kg. Luz amarela acesa. As sucessivas entradas e saídas de academias contribuíram para um desagradável "efeito sanfona", potencializado pela minha mania de descontar na geladeira minhas ansiedades e frustrações (e vale dizer que, nos últimos tempos, tive várias delas).

Novo corte, agora direto para 2011: em meados de janeiro, volto das férias pesando 86 kg. Luz vermelha piscando freneticamente e o alarme gritando "aroooooga! aroooooga!". Hora de uma mudança de postura. Primeira coisa, deixei de malhar sem supervisão. Sempre me senti ciente das minhas necessidades de exercício, mas, de repente, me ocorreu o óbvio. Professores recebem diploma por um motivo: eles sabem o que fazem. Com a humildade de reconhecer que precisava de ajuda para perder peso de maneira saudável, pedi ao professor apenas que me deixasse à vontade para correr na esteira o quanto aguentasse, visto que é o único exercício aeróbico que me dá prazer (odeio bicicletas ergométricas e elípticos, por exemplo). Mudei o foco dos meus equivocados anseios, da hipertrofia muscular para a redução de medidas. Ganhar músculo é fácil para mim, posso fazer isso a qualquer momento, depois que emagrecer.

Cortei pão branco, refrigerante, doces, embutidos e queijos amarelos da minha dieta diária. Chocolate, coisa que amo, agora só amargo, a 70% de cacau, da Cacau Show (ca$hing!) - e o fato de ele ser bem mais caro que o normal me ajudará a não abusar. Aumentei o consumo de frutas, leite desnatado e pão integral. Parei de comprar, também, sucos em caixa, sempre absurdamente doces - açúcar, aliás, eu nem uso em casa, já faz um tempão. Terminando a rodada de novidades, provei produtos da Herbalife (ca$hing!) em três ocasiões, trocando-os pelo almoço. Dá uma fome do cão nos primeiros dias, mas a gente se acostuma a não receber tanto peso no estômago e deixa de se sentir a perigo. Minha intenção é substituir de vez o almoço pelo shake nutritivo.

Ao contrário de outras vezes em que adotei regimes radicais, porém, não me sinto privado de qualquer coisa, nem louco para me atracar com um pacote de biscoitos ou um pote de sorvete. Higiene mental também foi parte importante nesse processo: superar antigos problemas que me causavam desgosto e ansiedade me deu novo gás e clareou muitas coisas em minha mente, inclusive na hora de fazer compras, trazendo o benefício extra da economia de dinheiro. Minha capacidade aeróbica está espantosa: corro durante 60 minutos e não me sinto um lixo pelo resto do dia, como acontecia antes. Melhor que isso, só mesmo contando a vocês que de 86 kg, em um mês, passei a pesar 81 kg. =)

Não vou me iludir, tentando me convencer que nunca mais beberei refrigerante ou cerveja, ou que nunca mais porei uma sobremesa doce ou salgada na boca. Sou humano e há ocasiões em que até por educação não se deve recusar uma delícia qualquer. Hoje, por exemplo, depois de uma semana inteira "na linha", me permiti tomar uma Coca-Cola. Parece um prazer muito pequeno, perto de tudo aquilo que eu cortei, mas conservar um senso de recompensa, além daquela que se percebe na balança, é fundamental para manter o estímulo.

Peço perdão se este post, meio egoísta em seu conteúdo, se afasta demais daquilo que você está acostumado a ler aqui. Desculpe se meu texto pareceu narcisista, superficial, propagandesco ou simplesmente chato. Eu estou realmente me sentindo muito bem com o rumo que minha vida tomou nas últimas semanas e há outras alegrias que eu gostaria de compartilhar, mas que talvez sejam muito íntimas para vir a público. Falar de como estou aprendendo a tomar as decisões corretas em prol da minha saúde (e, por tabela, da minha estética), sem que elas pareçam grandes sacrifícios, foi o melhor que este momento pôde render, por enquanto. Quem sabe, quando eu tiver chegado aos desejados 75 kg, possa publicar umas fotos no estilo "antes e depois". Será um choque para vocês e um orgulho para mim.

7 comentários:

Alexandre disse...

No post você pediu desculpas pelo que seria um tom narcisista, ou chato.
São desnecessárias, para quem leu o texto. Em nenhum momento temos mais um maluco despejando euforicamante as conquistas de 2cm a mais nas coxas, ou que levanta mais 25 kg. no supino.
Na verdade é bem humano, reflexivo sobre os benefícios, inclusive os financeiros, dessa nova atitude, cinete sobre os reveses, e sabe valorizar as pequenas transgressões (uma vida sem Coca-Cola, nunca!).
Engraçado que este é um "irmão gêmeo" daquele outro o "Estressado, eu?" do ano passado.
Se reparar bem, os dois são balanços de sua história.
Antes de ser leitor do Catapop, sou seu amigo, então altruísticamente desejo bem mais que esteja bem, curtindo a vida, do que sedentário perca tempo escrevendo num computador lamentando dela.

Fabiano belchior disse...

É isso aí, Marlo. Só tenho uma coisa a lhe dizer: "Run, Forrest. Run!". Na verdade, tenho mais uma: Ob-la-di Ob-la-da não é nem de longe uma das piores músicas de todos os tempos! (beatlemaniac mode on). :)

Luwig disse...

Quando concluí meu curso, 6 anos atrás, tinha exatamente 75 kg (e 1,82 m). Sei lá que diabos aconteceu comigo, mas parece que cochilei e acordei com 92kg. Estou também me empenhando para reaver meu status quo e já perdi cerca de 3 kg, mas estou tendo uma dificuldade imensa para cortar certos alimentos que, diga-se de passagem, não são luxos, como o meu macarrão safado e o pão francês miolento. Mas uma coisa eu digo, meu chapa, seu texto foi inspirador. Abração.

diogonautico disse...

Não precisa se desculpar, o post ficou legal.

Caesius Maximus disse...

Faltou uma coisa: terminar o post com um "beijo do gordo!"

Huahuahuahuahuhauahuah!!!

(Não deu pra deixar passar, né?) :P

Anônimo disse...

Caro amigo virtual, os produtos Herbalife tem efeito satisfatório enquanto é "consumido" ao abandonar esses "alimentos milagrosos da Hebalife você arrependerá, aproveit enauqnto é cedo e modifiique sua alimentação pra melhor mas sem Herbalife

Marlo de Sousa disse...

ALEXANDRE, agradeço pela amizade e incentivo. Sim, uma vida sem transgressões não tem graça alguma. O negócio é transgredir consciente de até onde se pode ir. Tô aprendendo, acho.

FABIANO, vulgo Fanque, como diz nosso filósofo favorito, "idiota é quem faz idiotice". Estou tentando abandonar algumas que eu costumava cometer, mas tá difícil não achar que "Ob-la-di, Ob-la-da" é uma droga. =D

LUWIG, é possível, amigo! Vá tentando cortar o pão branco aos poucos: farinha branca quase não tem valor nutritivo e, na verdade, aumenta a fome depois. Pão integral é meio sem graça, mas dá sensação de saciedade por mais tempo. A tudo nos acostumamos, amigo. Boa sorte aí com seus esforços!

DIOGO, então tá: desculpa porra nenhuma! =D

CAESIUS MAXIMUS, pare de sacanear seus amigos e trate de rascunhar um post sobre o Luthor Jr. que logo chega!

ANÔNIMO, sua afirmação de que os produtos Herbalife só funcionam enquanto os usamos é meio óbvia - se eu não usá-los, como vão funcionar? Jamais usei Herbalife contando com efeitos "milagrosos", mas como auxiliares em um processo que inclui outros esforços. Eu tinha a mesma descrença que você, mas, hoje, admito: o troço funciona, sim. Talvez eu acabe modificando minha alimentação a ponto de não precisar mais de Herbalife, mas consumi-los não me causa qualquer transtorno. "Você se arrependerá" soa muito catastrófico, não acha? Pode identificar-se na próxima, todo mundo aqui tem direito a opinião.

STALONE, que publicou nos comentários do JS-Kit, obrigado pelos bons fluidos.

Abraços a todos!