25/03/2011

Navalha no Colante

Navalha no colante


Acho que estou "crescendo".

A leitura de quadrinhos Marvel/DC é um lazer constante na minha vida há uns 25 anos. Já tive tantas coleções que, hoje, mover tal volume de revistas exigiria uma logística das mais complexas. Felizmente, em prol da minha tranquilidade, tornei-me um adepto do desapego: quando não vejo mais condições de manter determinada coleção, seja por questões econômicas, de espaço ou simplesmente porque aquela revista virou uma bela droga, desfaço-me dela e pronto. Sim, às vezes, até bate um arrependimento, uma vontade de ler algo que não possuo mais, mas, atualmente, isso não ocorre com a frequência de antes.

Daí, que, depois de limar completamente as mensais da Marvel da minha lista de compras, chegou a hora de passar a navalha na DC, também. A partir de agora, minha lista de compras está limitada a Batman, Lanterna Verde e A Sombra do Batman, além da Vertigo e alguns especiais, como a nova minissérie O Dia Mais Claro, que sucede (dããã) A Noite Mais Densa. Os outros três títulos regulares da editora (Superman, Liga da Justiça e Universo DC) caem na vala do esquecimento por um motivo muito simples: tornaram-se horríveis.

Eu já havia elogiado Superman incansavelmente aqui, mas a Panini fez tamanha lambança na publicação a partir de "O Mundo de Novo Krypton", publicando capítulos fora de ordem e jogando alguns (da Supergirl) em Universo DC, manobra suja com intuito de levantar o moral de uma revista que já nasceu praticamente condenada, devido à insistência dos editores em fazê-la parecer uma Superman/Batman vitaminada. Resultou que, embora os capítulos sejam até agradáveis de se ler, a história perdeu completamente a coesão.

Liga da Justiça virou outro pé-de-sofá. Não bastasse a fase de James Robinson pegar uma ideia interessante (a "gradução" dos titãs Donna Troy, Cyborg e Estelar, além do Batman/Dick Grayson e do "Superman genérico" Mon-El) e fazer dela uma série absolutamente anódina, ainda resolveram dar a ela, a partir de abril, a mesma estrutura de Universo DC: 148 páginas, 6 histórias, por R$ 14,90 - o que é R$ 1,90 a mais do que duas de 76 paginas (há coisas que só a Panini faz por você). Meterão em seu mix uma minissérie diretamente ligada aos eventos de O Dia Mais Claro: "Liga Da Justiça: Geração Perdida", que eu esperava poder comprar em separado. Junte-se a isso o fim da publicação regular de Sociedade da Justiça e a fase sem sal por que passam Flash e Arqueiro Verde: ficou impossível não abandonar a LJA.

Felizmente, os bat-títulos e a revista do Lanterna continuam bastante agradáveis de ler, especialmente esta última, onde as séries mais afetadas pelo Dia Mais Claro (Lanterna Verde e Tropa dos Lanternas Verdes) estão em grande fase. No caso do Batman, as reviravoltas promovidas por Grant Morrison nem sempre agradam, mas, quando isso acontece, sempre se pode contar com gente como Paul Dini (Ruas de Gotham) e Greg Rucka (Batwoman) para dar uma força. Mesmo séries menores, como Robin Vermelho e Batgirl, pegaram um ritmo gostoso de acompanhar. Os Confidenciais publicados têm sido bem legais, também.


Minha menina-dos-olhos, porém, tem sido a linha adulta (essa palavra...) da Panini. As cinco séries publicadas mensalmente em Vertigo não têm todas o mesmo alto nível em todas as edições, mas os grandes momentos se alternam com agradável constância, fazendo valer (e muito) o investimento de R$ 9,90. Os encadernados saem com uma boa frequência e algumas séries se tornaram nada menos que obrigatórias para mim, como Ex Machina, Y - O Último Homem, Loveless, Criminal e Sandman, cujo segundo "tijolão" acaba de sair.

Enfim, ainda não fiquei "adulto" a ponto de abandonar a galera de colantes coloridos, mas, por conta de más fases dos títulos e decisões editoriais equivocadas, estou limitando seu consumo. Se der para folhear algo na banca ou ler emprestado de alguém, ótimo. Se não der, não vou ficar de luto. Já vai longe o tempo em que eu me importava tanto com certas coisas. Tenho plena certeza que jamais largarei por completo o hábito de ler quadrinhos, mas meu atual desapego me poupa muito desgosto - e dinheiro!

7 comentários:

Alexandre disse...

Pensando no moleque que era 25 anos atrás, sem dúvida que meu amor pelas HQ's cresceu dezenas de vezes, só que com a idade, também descobri outras coisas, e elas tomaram a dianteira nas minhas preferências.
Uma pena, mas assim é a vida.

Caesius Maximus disse...

Eu abandonei a leitura de hqs. Não por completo, mas só compro algo que esteja descolado da cronologia DC (caso da Vertigo) em situações muito específicas: quando tenho tempo de sobra pra matar e preciso ocupar esseócio com algo prazeroso. No mais, estudo com muito carinho em terminar de doar minhas revistas para a Gibiteca de Curitiba, que, em 2005, recebeu minhas revistas Marvel (e alguma coisa da DC) com um sorriso enorme.
Não é por ter virado gente grande, mas porque o espaço em casa precisará ser adaptado para outros itens... Fraldas, quem sabe... hehehe

diogonautico disse...

Faz bem Marlo,afinal a "qualidade" das histórias não fazem jus a tanto gasto. Poucas revistas valem a pena comprar como Sandman por exemplo.Enfim, o melhor é selecionar o que vale a pena e o resto é resto.

Do Vale disse...

Desisti de mix há uns 40 e 10 anos... Só Mágico Vento e encadernados mesmo pra mim.
Ah, tem que acrescentar Fábulas e DMZ na tua lista de séries, valem a pena.
Abração (seu porra =D)!

Gustavo disse...

Quase na mesma, Marlo; minhas compras limitaram-se atualmente a Lanterna Verde, O Dia Mais Claro e um ou outro especial...

Paranoid Android disse...

Fiz até um rascunho dia desses de um texto sobre desistir de alguns títulos mensais, mas deixei pra lá, assim como tô deixando o blog.

Eu parei com Liga, Vingadores, Marvel Ultimate e LV, que voltei só por causa da merda da Noite mais Densa. Tô cada vez mais sem saco pra mega sagas.

De herói, fiquei apenas com as 2 do Batman, Superman e Aranha.

Vertigo - a mensal - tô cada vez mais fã. Scalped ruleia muito! E os encadernados também compro a maioria - Sandman tenho todos da Conrad já.

Fora isso, alguns mangás, mas nenhum deles é mensal, de modo que não pesa muito no orçamento nerd.

Marlo de Sousa disse...

ALEXANDRE, é verdade: com o tempo, muitas coisas roubam das HQs as primeiras posições na nossa lista de prioridades: trabalho, amor, sexo, contas... Parece triste, mas não é de hoje que lazer é só para horas vagas, mesmo. É o preço de ficar adulto.

CAESIUS MAXIMUS, também pretendo doar parte de minha coleção à Biblioteca local. Não sei como eles pretendem tratar minhas outrora preciosas revistas, mas nem quero, ou sofrerei de desgosto e arrependimento. Ignorance is bliss.

DIOGO, sim estou cada vez mais seletivo em minhas leituras - e isso tem a ver não só com crescimento, no sentido da idade, mas num amadurecimento como leitor. Um dia, isso chega para todos, creio.

DO VALE, eu já leio Fábulas emprestado - e é realmente sensacional, uma das melhores coisas publicadas aqui. DMZ (ou ZDM) não me pegou tanto assim, pelo que li na extinta Pixel Magazine. Boa, mas não é TUUUUDO aquilo. Quem sabe, avançando um pouco mais algumas histórias, eu acabe mudando de opinião.

GUSTAVO, que bom que você escolheu as mais legais! =)

PARANOID ANDROID, já vi um post novo do S&D hoje, então, vou considerar que você ainda não abandonou seu blog totalmente. Sim, Vertigo é boa demais e aquele primeiro capítulo de "Mães Mortas", em Escalpo, foi umas das melhores coisas que li recentemente. Ruleia demais!

Abraços a todos!