Rio

Na falta de qualquer argumento válido contra Rio, os críticos estão dizendo que o filme alimenta ainda mais a imagem estereotipada que as plateias estrangeiras têm dos brasileiros e mostra um Rio de Janeiro quase utópico de tão tranquilo. Ou então, implicam que o Brasil é muito mais do que apenas o Rio e que a insistência em samba e carnaval não deixa espaço para outros valores locais.
Vamos por partes:
Sim, é verdade que Rio investe pesado na imagem do brasileiro como povo alegre e que conta as horas para o carnaval. Diga-me, então, onde está a mentira ou o exagero. Claro, existem pessoas que não gostam de carnaval e preferem isolar-se em seus lares, bem longe da folia - mas, sinceramente, que graça haveria em gente assim para ser mostrada em uma produção que, enfim, é voltada para o público infantil? A quem interessa a carranca "consciente" de quem só enxerga barulho, sujeira e promiscuidade numa festa que mobiliza milhões de pessoas (e de reais) país afora (enquanto paga pau para raves, Mardi Gras e outras festas iguaizinhas em outros países)? À gurizada, certamente, não - e, admita, a você tampouco.
Outra coisa: o Rio mostrado em Rio não é imaculado. Estão ali os traficantes de animais, as crianças abandonadas, as favelas - impecavelmente retratadas, exceto pela ausência de menores com metralhadoras e cadáveres pela rua (novamente, a quem interessaria ver isso?). A realidade não é só formada por desgraças: todos os dias, muita gente sai de casa feliz, passa o dia feliz e volta para casa feliz. Ainda bem!
Por fim, vamos parar de bairrismo e coitadismo: o Brasil não é só o Rio de Janeiro, mas, querer ignorar sua representatividade ou recusar-se a admitir que o carnaval é a maior festa brasileira (e que retratá-la de modo positivo deveria ser absolutamente natural para nós) é pura e teimosa burrice. Deixe as denúncias de exploração sexual e envolvimento de bicheiros com as escolas de samba para os documentários.
Ao filme, portanto:
Capturado ainda bebê por traficantes, Blu é um macho de arara azul que vai parar em uma cidadezinha de Minnesotta (EUA), onde é criado por Linda com muito amor, mas sem jamais aprender a voar. Adulto, Blu é identificado como último macho da espécie pelo biólogo Túlio, que pretende levá-lo para o Rio, onde mantém, em seu centro de recuperação de aves silvestres feridas, uma fêmea chamada Jade. Inicialmente relutante, Linda acaba concordando com a viagem ao Brasil. Os dois pássaros, porém, acabam sequestrados por traficantes de animais. Além de fugir, Blu precisará encontrar seu caminho de volta para Linda, descobrir se pode aprender a voar e, principalmente, entender-se com Jade e, assim, salvar sua espécie da extinção.

A história de Rio é, como não podia deixar de ser, contada com a ajuda de outros animais espertos, humanos bons e maus, muito humor e alguma emoção. O que mais impressiona, porém, é o espetáculo visual da construção digital da Cidade Maravilhosa. Dos quiosques da orla carioca ao Jardim Botânico, passando pelas favelas e pelos obrigatórios Pão de Açúcar e Cristo Redentor, o filme revela o cuidado do diretor Carlos Saldanha (responsável pela trilogia A Era do Gelo) em mostrar ao mundo uma cidade que continua linda, apesar de todos os maus tratos a que é seguidamente submetida. Não há massacre de Realengo que embace sua beleza. Ainda bem (também)!
Caso seja difícil sentir orgulho da imagem (estereotipada, mas positiva) que o filme faz dos brasileiros em geral e dos cariocas em particular, tente sentir-se bem com o fato de que temos em Hollywood um diretor que não deve nada aos seus pares americanos, cujo nome é sinônimo de diversão (o que interessa diretamente a nós) e sucesso (o que interessa diretamente a Hollywood). Caso você insista em torcer o nariz, vá atrás dos 5.847 outros filmes que falam das mazelas nacionais e tenha seu dia estragado. Rio não foi mesmo feito para você.
Vamos por partes:
Sim, é verdade que Rio investe pesado na imagem do brasileiro como povo alegre e que conta as horas para o carnaval. Diga-me, então, onde está a mentira ou o exagero. Claro, existem pessoas que não gostam de carnaval e preferem isolar-se em seus lares, bem longe da folia - mas, sinceramente, que graça haveria em gente assim para ser mostrada em uma produção que, enfim, é voltada para o público infantil? A quem interessa a carranca "consciente" de quem só enxerga barulho, sujeira e promiscuidade numa festa que mobiliza milhões de pessoas (e de reais) país afora (enquanto paga pau para raves, Mardi Gras e outras festas iguaizinhas em outros países)? À gurizada, certamente, não - e, admita, a você tampouco.
Outra coisa: o Rio mostrado em Rio não é imaculado. Estão ali os traficantes de animais, as crianças abandonadas, as favelas - impecavelmente retratadas, exceto pela ausência de menores com metralhadoras e cadáveres pela rua (novamente, a quem interessaria ver isso?). A realidade não é só formada por desgraças: todos os dias, muita gente sai de casa feliz, passa o dia feliz e volta para casa feliz. Ainda bem!
Por fim, vamos parar de bairrismo e coitadismo: o Brasil não é só o Rio de Janeiro, mas, querer ignorar sua representatividade ou recusar-se a admitir que o carnaval é a maior festa brasileira (e que retratá-la de modo positivo deveria ser absolutamente natural para nós) é pura e teimosa burrice. Deixe as denúncias de exploração sexual e envolvimento de bicheiros com as escolas de samba para os documentários.
Ao filme, portanto:
Capturado ainda bebê por traficantes, Blu é um macho de arara azul que vai parar em uma cidadezinha de Minnesotta (EUA), onde é criado por Linda com muito amor, mas sem jamais aprender a voar. Adulto, Blu é identificado como último macho da espécie pelo biólogo Túlio, que pretende levá-lo para o Rio, onde mantém, em seu centro de recuperação de aves silvestres feridas, uma fêmea chamada Jade. Inicialmente relutante, Linda acaba concordando com a viagem ao Brasil. Os dois pássaros, porém, acabam sequestrados por traficantes de animais. Além de fugir, Blu precisará encontrar seu caminho de volta para Linda, descobrir se pode aprender a voar e, principalmente, entender-se com Jade e, assim, salvar sua espécie da extinção.

A história de Rio é, como não podia deixar de ser, contada com a ajuda de outros animais espertos, humanos bons e maus, muito humor e alguma emoção. O que mais impressiona, porém, é o espetáculo visual da construção digital da Cidade Maravilhosa. Dos quiosques da orla carioca ao Jardim Botânico, passando pelas favelas e pelos obrigatórios Pão de Açúcar e Cristo Redentor, o filme revela o cuidado do diretor Carlos Saldanha (responsável pela trilogia A Era do Gelo) em mostrar ao mundo uma cidade que continua linda, apesar de todos os maus tratos a que é seguidamente submetida. Não há massacre de Realengo que embace sua beleza. Ainda bem (também)!
Caso seja difícil sentir orgulho da imagem (estereotipada, mas positiva) que o filme faz dos brasileiros em geral e dos cariocas em particular, tente sentir-se bem com o fato de que temos em Hollywood um diretor que não deve nada aos seus pares americanos, cujo nome é sinônimo de diversão (o que interessa diretamente a nós) e sucesso (o que interessa diretamente a Hollywood). Caso você insista em torcer o nariz, vá atrás dos 5.847 outros filmes que falam das mazelas nacionais e tenha seu dia estragado. Rio não foi mesmo feito para você.
6 comentários:
Ainda não vi RIO, mas gostaria de meter o bedelho.
Vendo os chiliques contra o filme, remeti-me a frase do Tom Jobim que dizia que no Brasil, sucesso das pessoas, é tomado pelas outras como uma ofensa pessoal.
Os reclamões parecem, ou não querem entender, que o que Carlos Saldanha quis fazer é um retrato afetuoso, dentro dum empreendimento caro que olha no mercado global. Não é, e ele não está errado, intenção dele purgar nossos complexos de inferioridade, ou mostrar a "verdade" brasileira.
Alías, o que esses caras chamam de "verdade", é tão canhestro quanto à música de Carlinhos Brown, que com seus números de estréia, felizmente não levou sua nhaca azarada para o filme (ops, seria isso uma visão preconceituosa da "realidade" brasileira minha?)
Ainda ñ vi o filme, mas como os críticos geralmente são muito malas acho q essas críticas negativas são exageradamente infundadas. Ô povinho chato! Tô contigo e ñ abro Marlo.
Vi e gostei demais. Tudo muito, muito bom. Assinaria embaixo do seu texto, "Dono da Bagaça", se soubesse escrever tão bem. Vou divulgar, certo? Parabéns!
Este filme trouxe algumas lições de vida uma delas é como superar o medo....o engraçado ao assistir o filme as crianças questionando, porque Blu não conseguia....
Assistam
É a primeira vez que acesso este blog, gostei muito da matéria, sugestão, poderia enviar para jornais para publicarem, principalmente na parte de cartas do leitor. parabens !!!!
adorei o filme.. a imagem é linda e confesso que foi muito legal ver o brasil assim num desenho.. kkk coisa rara de se ver.. é de certa forma exotico ao se comparar com oq a gente geralmente assiste.. embora sejamos brasileiros kkk
Postar um comentário