23/05/2011

Aumenta o som!

Faz muito tempo desde a última vez em que fiz um "resumo da ópera" da minha pasta de mp3, que cresce e encolhe ao sabor de minhas descobertas, redescobertas, cismas e arrependimentos. Hoje, quando escrevo este texto, ela soma 1.205 CDs.

Obviamente, eu baixo muito mais coisa do que consigo ouvir, o que é uma atitude meio (ou muito) besta. Às vezes, baixo um CD inteiro porque gostei de uma canção daquele fulano e levo meses até finalmente criar interesse pelo restante de suas criações. Noutras, baixo logo um monte de coisas de certo artista, confiando que seu estilo casa perfeitamente com minhas preferências - e não é raro que me arrependa.


Não há de ser o caso, porém, com Ron Sexsmith, trovador americano que está na ativa desde 1995. Embora seu nome me venha à cabeça desde os tempos da Bizz, só agora baixei seus discos, motivado pela simplicidade e crua beleza de "Secret Heart". O cara é prolífico: em 16 anos, 11 álbuns (e olha que pode haver mais algum do qual eu não estou ciente). Apenas a título de comparação, no mesmo período, Sade lançou dois. Por falar na Rainha do Cool, um ano após Soldier of Love, ela voltou à carga com uma coletânea dupla (The Ultimate Collection) e uma turnê que, em breve, deve gerar um DVD e/ou CD ao vivo. A gente tem que consumir Sade em goles generosos e fartar-se dela logo, porque, depois, infelizmente, sempre vem uma seca prolongada.

Alguns nomes clássicos e recentes foram finalmente riscados da minha "lista da vergonha" e começam a ser devidamente conhecidos e reconhecidos: gente ignorada por mim durante anos, como Pixies, Nick Drake, TV on the Radio, Foo Fighters, The Strokes e, pasmem, até Paul McCartney. Dado o tamanho da discografia de Sir Paul, terei trabalho árduo (mas, prazeroso) durante algumas semanas.


Novos artistas também continuam chegando aos montes. Entre os mais bacanas, destaco Grace Potter & The Nocturnals, Black Joe Lewis & The Honeybears, Jamie Lidell, Feist, The Black Keys, Joan As Police Woman, The Boxer Rebellion e o recém-finado LCD Soundsystem.

Embora pop/rock em inglês continue sendo minha seara favorita, minha amizade com um cantor soteropolitano (atualmente em hibernação artística), apaixonado por MPB, me fez escutar muita coisa boa que eu desconhecia completamente e revisitar outras de que, intimamente, sempre gostei. Veja bem, não estou me tornando um "mpbesta", mas, preciso admitir que muita coisa do presente e do passado deste gênero merece ser escutado com mais atenção.

Por isso é que não resisti à tentação de digitalizar suas caixas de remasters das fases iniciais e mais criativas de Tim Maia (antes de ficar bregão e preguiçoso) e Jorge Ben (antes de ser Benjor e virar uma caricatura de si), por exemplo. Dono de uma coleção imensa de CDs, meu amigo, às vezes, me surpreende ao mostrar um momento inspirado de alguém que eu, de maneira não raramente preconceituosa, considero brega ou simplesmente ruim. Nessas horas, me pego pensando (ou dizendo): hey, isso é muito legal! Em troca, ofereço pepitas do meu acervo de pop estrangeiro (e de alguns novos artistas nacionais que passam invisíveis no seu radar) e também lhe provoco gratas surpresas. Amigo, afinal, é pra essas coisas.


Apesar dos esforços dele, porém, minha balança pende muito mais para o lado dos gringos: segundo o Windows Media Player, minha coleção tem 704 horas de música em inglês contra 268 horas de música brasileira. Muito, muito atrás mesmo, o cancioneiro em espanhol tem meras 24 horas, apesar da recentes adições de jovens intérpretes pop latinas, como Natalia Lafourcade e Francisca Valenzuela.

Pouco menos de um mês para o fim de sua primeira metade, o ano de 2011 já tem 29 horas de música, ainda bem longe dos dez mais numerosos que, pela ordem, são:

2010 - 66.8 horas
2009 - 58.3 horas
2008 - 54.5 horas
2005 - 48.6 horas
2007 - 46.5 horas
2006 - 44.4 horas
2004 - 41.4 horas
2003 - 39.4 horas
1998 - 37.6 horas
1999 - 35.5 horas

O artista com maior número de álbuns é Caetano Veloso: são 29 discos, muitos dos quais baixados durante uma semana de "febre" que tive de conhecer seus a fundo seus primeiros trabalhos. Nenhuma surpresa aí, acreditem. Apesar da sua chatice como persona pública e de ocasionalmente lançar trabalhos preguiçosos, Caetano sempre foi capaz de despertar meu interesse, poética e musicalmente. Ultrapassou, com folgas, a mana Bethânia e seu amigo Lulu Santos, os recordistas anteriores.

E você, caro(a) leitor(a) do Catapop, que sons andam fazendo sua cabeça, enquanto você navega na internet, lava a louça, toma banho ou dirige pela cidade?

16/05/2011

Across the Universe

Trinta e três canções dos Beatles ajudam a contar a história de amor entre o jovem estivador inglês Jude (Jim Sturgess) e a adolescente americana Lucy (Evan Rachel Wood), tendo como pano de fundo alguns dos acontecimentos mais importantes da segunda metade dos anos 60: a Guerra do Vietnam, os conflitos raciais em Detroit, o movimento hippie e os primórdios da pop art. Across the Universe, porém, não agradará apenas a quem curte as universalmente famosas criações de McCartney, Lennon, Harrison e Starr.

Lançado no Brasil em dezembro de 2007, o filme é centrado em seis personagens principais: além de Jude e Lucy, há a jovem de ascendência oriental Prudence (T.V. Carpio), o guitarrista negro Jo-Jo (Martin Luther McCoy), a sexy cantora Sadie (Dana Fuchs) e o irmão de Lucy, Max (Joe Anderson). Seus destinos convergem no célebre Village, o bairro mais boêmio da Nova York daqueles tempos... e lá, o destino encarrega-se de testar a força dos laços que os unem.

Desde a primeira cena, chama a atenção o talento vocal dos atores que, sim, emprestaram suas próprias vozes aos caprichados arranjos das clássicas canções e se saíram muito bem. Os óbvios destaques, porém, são os dois músicos profissionais, Sadie e Jo-Jo - melhor dizendo, Dana Fuchs e Martin Luther. Quando os dois cantam e tocam, a gente sente aquela energia rara, autêntica, típica dos artistas do período. Não é preciso ser gênio para identificá-los como referências a Janis Joplin e Jimi Hendrix, mas, em certos momentos, é possível ver traços de Ike & Tina Turner (felizmente, sem os célebres tabefes).

No momento mais psicodélico do filme, Bono (U2) faz uma participação curiosa, na qual entoa "I Am the Walrus". Joe Cocker e Salma Hayek também aparecem em pontas interessantes. Longe da velocidade frenética de um Moulin Rouge, por exemplo, o filme de Julie Taymor (Frida) tem ritmo paciente, mas, conta com visual extasiante (argumento irrefutável para você alugar o blu-ray, se puder), figurino caprichado (concorreu ao Oscar 2008), o carisma e a competência de seus atores e um repertório inigualável, detalhes que tornam seus 130 minutos um deleite. Se ainda não viu, veja. Jai Guru Deva Om pra você.

01/05/2011

Thor

Thor


Thor deve dar sequência à série de êxitos dos Marvel Studios, iniciada há 3 anos com o primeiro filme do Homem de Ferro. Enquanto não consegue tomar da Fox os direitos sobre os filmes de outros heróis, como X-Men e Demolidor, a Marvel vai dando forma a um universo cinematográfico bastante coeso, visando abrir caminho para outro célebre supergrupo da casa: Os Vingadores têm sua estréia marcada para julho do ano que vem, exatamente um ano depois de Capitão América - O Primeiro Vingador, o próximo da fila.

Não há nada de genial em
Thor. É um bom filme de ação, tecnicamente impecável e com algumas doses de humor, mas, que não consegue sobressair frente a outras adaptações de HQs da Marvel, como Homem de Ferro ou X-Men 2. O roteiro pode reduzido em uma frase: banido de Asgard para a Terra, Thor precisa provar seu valor, salvar seus amigos e beijar a mocinha (e estamos falando de Natalie Portman: ele TEM que querer beijá-la!). Simplista da minha parte, claro, mas não vai mesmo muito além disso. Pelo menos, tanta "profundidade" foi entregue a atores capazes de dar a ela um mínimo de dignidade: Natalie (Jane Foster), Anthony Hopkins (Odin), Stellan Skasgaard (Dr. Selvig), Ray Stevenson (Volstagg). Mesmo os semidesconhecidos Chris Hemsworth (Thor) e Tom Hiddleston (Loki) dão conta do recado direitinho.

Certamente, ajudou ter no comando alguém como
Kenneth Branagh, um diretor afeito, desde outros tempos, ao porte épico exigido para as tomadas em Asgard, por exemplo. A cidade dos deuses nórdicos está belíssima no filme - e há cenas que me fizeram lamentar minha opção pelo 2D, pois o efeito tridimensional deve ter deixado tudo ainda mais deslumbrante. Branagh engendrou cenas de ação bastante empolgantes, principalmente aquelas em que o poder (e o peso) de Mjolnir são demonstrados contra os gigantes de gelo e, depois, contra o Destruidor (hey, isso não é spoiler, está nos trailers!).

A aparição de
Jeremy Renner como Clint Barton (o Gavião Arqueiro) e a já tradicional cena "escondida" apontam, mais uma vez, para o filme dos Vingadores, onde tudo deve convergir. Thor é, enfim, um filme digno da mitologia que compõe, embora tenha limitações como produto de cinema. Tenho a impressão de que o filme dos Vingadores será do tipo "oito ou oitenta": ou Joss Whedon doma as feras ao seu dispor e nos entrega um filmaço, ou a briga de egos gerará uma porcaria inominável que a Marvel (assim como nós) tentará esquecer. No meio dessa briga de cachorro grande, porém, o nosso miúdo Deus do Trovão, vulgo Chris Hemsworth, vai ficar só assistindo, mesmo.