16/05/2011

Across the Universe

Trinta e três canções dos Beatles ajudam a contar a história de amor entre o jovem estivador inglês Jude (Jim Sturgess) e a adolescente americana Lucy (Evan Rachel Wood), tendo como pano de fundo alguns dos acontecimentos mais importantes da segunda metade dos anos 60: a Guerra do Vietnam, os conflitos raciais em Detroit, o movimento hippie e os primórdios da pop art. Across the Universe, porém, não agradará apenas a quem curte as universalmente famosas criações de McCartney, Lennon, Harrison e Starr.

Lançado no Brasil em dezembro de 2007, o filme é centrado em seis personagens principais: além de Jude e Lucy, há a jovem de ascendência oriental Prudence (T.V. Carpio), o guitarrista negro Jo-Jo (Martin Luther McCoy), a sexy cantora Sadie (Dana Fuchs) e o irmão de Lucy, Max (Joe Anderson). Seus destinos convergem no célebre Village, o bairro mais boêmio da Nova York daqueles tempos... e lá, o destino encarrega-se de testar a força dos laços que os unem.

Desde a primeira cena, chama a atenção o talento vocal dos atores que, sim, emprestaram suas próprias vozes aos caprichados arranjos das clássicas canções e se saíram muito bem. Os óbvios destaques, porém, são os dois músicos profissionais, Sadie e Jo-Jo - melhor dizendo, Dana Fuchs e Martin Luther. Quando os dois cantam e tocam, a gente sente aquela energia rara, autêntica, típica dos artistas do período. Não é preciso ser gênio para identificá-los como referências a Janis Joplin e Jimi Hendrix, mas, em certos momentos, é possível ver traços de Ike & Tina Turner (felizmente, sem os célebres tabefes).

No momento mais psicodélico do filme, Bono (U2) faz uma participação curiosa, na qual entoa "I Am the Walrus". Joe Cocker e Salma Hayek também aparecem em pontas interessantes. Longe da velocidade frenética de um Moulin Rouge, por exemplo, o filme de Julie Taymor (Frida) tem ritmo paciente, mas, conta com visual extasiante (argumento irrefutável para você alugar o blu-ray, se puder), figurino caprichado (concorreu ao Oscar 2008), o carisma e a competência de seus atores e um repertório inigualável, detalhes que tornam seus 130 minutos um deleite. Se ainda não viu, veja. Jai Guru Deva Om pra você.

2 comentários:

Duda Valverde disse...

Muitíssimo obrigado pela dica, Marlo.
Seus comentários são de sensibilidade rara. Cantores fantásticos atuam, canções imortais fazem as cores dançar. Valeu e muito a lembrança.
Abraços.

Gustavo disse...

Só vi alguns trechos no Youtube, seems awesome!