Todo esse bafafá sobre o zeramento dos títulos da DC Comics até que pareceu simpático no começo e eu nem duvido que acabe gerando bons frutos. Agora, porém, começa a feder a manobra "quesadiana", algo que, dentro de alguns anos, se revelará como "realidade alternativa", "uma das 52 Terras do UDC" ou coisa que o valha.
Claro que podemos esperar coisas boas da Liga da Justiça de Geoff Johns e Jim Lee, ou do Superman de Grant Morrison e Rags Morales, entre outros. Por outro lado, dá um desespero ver que a DC continua apostando alto em figuras já queimadíssimas nas suas próprias fileiras e nas alheias. Ineptos crônicos, do porte de Dan Jurgens, Scott Lobdell, Gail Simone e Tony Daniel, para mencionar apenas alguns.
Nada contra mudanças nos uniformes, algumas eram necessárias e foram muito bem sacadas; nada contra a fusão com o universo Wildstorm, por mais que os ideais de um acabem contaminando (e, por consequência, entrando em conflito com) os pregados pelo outro; nada contra rejuvenescer e retocar (outra vez) a origem dos maiores ícones da casa; caramba, eu engulo até que Barbara Gordon levante de suas cadeiras de rodas, deixe de ser Oráculo e volte a ser a Batgirl, se isso for garantia de que a coisa será levada nos colhões, como um reboot sério e válido que passa a ser o novo status quo da editora, e que ela o defenderá com unhas e dentes como sendo a sua nova verdade.
Claro que podemos esperar coisas boas da Liga da Justiça de Geoff Johns e Jim Lee, ou do Superman de Grant Morrison e Rags Morales, entre outros. Por outro lado, dá um desespero ver que a DC continua apostando alto em figuras já queimadíssimas nas suas próprias fileiras e nas alheias. Ineptos crônicos, do porte de Dan Jurgens, Scott Lobdell, Gail Simone e Tony Daniel, para mencionar apenas alguns.
Nada contra mudanças nos uniformes, algumas eram necessárias e foram muito bem sacadas; nada contra a fusão com o universo Wildstorm, por mais que os ideais de um acabem contaminando (e, por consequência, entrando em conflito com) os pregados pelo outro; nada contra rejuvenescer e retocar (outra vez) a origem dos maiores ícones da casa; caramba, eu engulo até que Barbara Gordon levante de suas cadeiras de rodas, deixe de ser Oráculo e volte a ser a Batgirl, se isso for garantia de que a coisa será levada nos colhões, como um reboot sério e válido que passa a ser o novo status quo da editora, e que ela o defenderá com unhas e dentes como sendo a sua nova verdade.

Infelizmente, não é essa a impressão que me passa. Tudo me parece muito volátil e suscetível à pressão dos leitores mais antigos, geralmente quarentões que exigem "respeito" pela cronologia dos seus mitos, ao mesmo tempo em que reclamam que o peso dela não facilita o acesso de novos leitores. Nos fóruns da vida, eles já devem estar ouriçados com a "heresia" de modificar o uniforme do Superman, retirando a cueca vermelha sobre a malha azul, detalhe que é motivo de piada desde sempre.
Eu queria que fosse algo mais gradual, profundo e bem pensado. Por exemplo, seria interessante ver Dan DiDio um dia chegar e anunciar algo do tipo:
- Olha só, vocês que nos desculpem, mas, nós vamos precisar zerar o Universo DC uma vez mais. Temos títulos demais, equipes parecidas demais e um monte de buchas que tentamos fazer parecer heroizões motherfuckers e não conseguimos. Além do mais, não queremos ficar eternamente como reféns da intolerância de velhos leitores que, hoje, devem estar muito mais preocupados em pagar a faculdade dos seus filhos do que com as novas revistas que lançamos. Precisamos rejuvenescer nosso público e isso só se consegue dando a eles a chance de acompanhar nossos heróis desde o começo. Teremos menos títulos, mas, conforme eles forem sendo abraçados pelo público, outros virão. Outra coisa: vai tudo pra internet no mesmo dia em que chega às comic shops. Sim, entendemos o risco, mas, queremos dar a estes possíveis novos leitores, que já nasceram plugados na internet e que talvez consumam scans ilegais de nossos quadrinhos, a oportunidade de adquiri-los honestamente, com alta qualidade e a um preço acessível. Estamos tentando modernizar nossos amados heróis e nossas estratégias comerciais e é assim que será, de agora em diante. Esperamos que você queira nos acompanhar, mas, se alguém preferir comer a poeira da História, é uma escolha legítima à qual todos têm o direito. Nos vemos por aí.
Mas, aí, vemos heróis e equipes ostentando características que evocam momentos de um passado bastante recente, o que joga por terra a teoria do reset total. Novamente, nada contra, mas que se tenha a honestidade de anunciar a coisa como ela é, ao invés de ficar jogando na internet pistas sobre mudanças supostamente bombásticas que são, na verdade, mais do mesmo - o que é, exatamente, o que a coisa agora parece.

Por aqui, a Panini ainda não anunciou se vai ou não zerar seus títulos nacionais no momento cronológico correto, mas, cá pra nós, deveria. Aliás, deveria também adotar a venda digital. O iPad e seus similares já são o objeto de desejo de quase todo mundo ligado em tecnologia e seu barateamento nos próximos meses há de impulsionar ainda mais o mercado de leitura digital, que ainda engatinha aqui no Brasil. De repente, a ideia de ter milhares de livros e HQs em um mero tablet ou HD externo me parece muito mais atraente do que ficar comprando armários ou estantes para ver suas páginas amarelando e juntando ácaros. Ainda gosto bastante de sentir um livro ou gibi novo nas mãos e acho que ainda demora muito, mas muito tempo mesmo, até que o digital seja a regra e não a exceção, mas, estou me importando cada vez menos com certos purismos.
Enfim, boa sorte à DC na sua empreitada. Quando saírem por aqui, vou até comprar alguns títulos pra experimentar, mas, são poucos aqueles nos quais estou botando fé. Seria ótimo queimar minha língua e ver um montão deles ganhando reviews favoráveis por aí, porém, cada vez mais, parece que limitei meu consumo no momento exato. Se antes eu ficava roendo as unhas e comprava tudo que saía, hoje prefiro manter uma distância protocolar e analisar muito bem antes de gastar meu tempo e meu dinheiro com certas coisas.

5 comentários:
Eu até vou animar a comprar, pois acho que o preço deverá compensar.
Problema é que, se a appStore brasileira continuar com essas homossexualidades bichísticas de não ofecer alguns softwares por aqui, não teremos acesso a mais esse benefício.
E eu torço pra que eu queime a língua também, porque sou "DCzista" desde sempre - e tirando XMen e uma ou outra coisa, acho a Marvel um saco.
Olha, meu amigo se o DiDio chegasse com uma dessas, eu até deixaria passar o grotesco anúncio de Liefeld em Rapina & Columba*. Mas a verdade dos fatos é que esse é um belo momento para quem procurava por encerramentos (meu caso!).
Espero que eles tenham mais sucesso com a turminha do Crepúsculo e Yu-Gi-Oh do que tiveram com os "quarentões". Mas se queriam mesmo aumentar seus números na Diamond, o "reboot" pode até iludí-los momentaneamente com uma fatia maior do mercado, mas não me parece algo que se sustente depois de 3 ou 4 meses.
Estabilidade nos quadrinhos é algo absurdo, utópico eu diria, sobremaneira na parcela super-heróica da Nona Arte, mas ao menos crível quando se tem uma boa equipe criativa no comando de uma revista. O que por sinal são raros os casos nesses 52 títulos.
Nem esta Liga me atrai por melhor que seja o hype a seu respeito. E de todos os autores escalados, Grant Morrison não me convence com toda essa empolgação com "Action Comics #1", logo ele, um dos maiores entusiastas do passado, que alguns crêem que passou a maior parte de sua vida adulta nos arquivos da DC. Duvido que alguém assim sequer consegue pronunciar de bom grado alto tão vil quanto o termo "reboot". Sem falar que melaram com todo seu planejamento de 24 edições para com Batman Incorporated, abreviando o belo status quo que vinha construindo tão meticulosamente. Aliás, Batman Incorporated vinha sendo desde seu lançamento o melhor título da casa, com louvor. Seu "hiato" forçoso até 2012 desce como um chopp quente goela abaixo e já promete ser algo deveras bagunçado, tendo em vista o que Bruce prometera na edição especial 'Batman, The Return'.
Dentre estas promessas, aparentemente quebradas pela interferência editorial massiva, a de Barbara voltar a andar e pior, voltar a ser "Batgirl", chega a ser leviana. E só pra constar, concordei com tudo o que a Jill Pantozzi disse aqui (http://www.newsarama.com/comics/oracle-is-stronger-than-batgirl-110606.html).
Você falou em manobra "quesadiana", sei lá, queria mesmo que fosse, pelo menos o Joe é do meio. Tudo isso só se parece com ideia de executivo da Warner.
Abração. Fui.
(*) Não, eu me conheço. Não, não deixaria.
Outra, o que está para acontecer com o atual cenário dos Batmen multinacionais parece a mesma coisa que fizeram com o escocês no New X-Men e sua Corporação X. Pelo visto, o raio (do Flash?) caiu duas vezes no mesmo lugar e essa ideia de heróis globalizados é pra lá de agourenta.
O que mais me chateia na DC é esse ambiente de casa de Noca. Há anos parece que ninguém tem uma visão editoral para o universo.
Dan Didio deve se comportar no dia-a-dia como o Jack Donaghy, do 30 ROCK, ao dar o sinal verde para tantas asneiras nesses anos. E como explicar a ascensão do merda do Jim Lee no organograma? Se o china coreano fosse um executivo tão bom, a Wildstorm ainda seria produtiva.
É lamentável que decisões como esse reboot (que pode não ser um reboot, mas também pode, se pegar, até que mude de ideia... de novo!) me fazem pensar que HQ's são coisas de 2 tipos de tontos. O que aprova isso, e daqueles que torram seu dinheiro só para ter raiva.
Estou realmente pensando em comprar um tablet e adquirir algumas dessas edições 1, no original mesmo, já que o idioma não é problema e ficamos livres dessa defasagem de 1 ano da Panini...
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