01/07/2011

Belzonte Procêis!

Normalmente, em um período de férias como este que agora acaba, eu aproveitaria o tempo livre para postar feito louco, contando a você (quase) tudo que andei fazendo, lendo, vendo e ouvindo. Mas, admito, estou com um certo bode de blogar. Pode ser temporário, pode não ser. O fato é que eu vejo a data da última postagem ficar cada vez mais distante e não sinto mais aquela culpa que costumava me corroer. Você quer ler postagens novas, tudo bem... só que eu também quero ter o direito de fazer coisas diferentes, ou de guardar para mim certas opiniões e descobertas. Entenda, eu não vou desistir do blog e não quero fazer parecer que sua opinião não importa, mas acho que nem tudo tem que virar assunto pra postagem. Tem dias que, por mais que eu tente, não pinga uma gota de inspiração - ou de vontade de escrever. Paciência.

Mas, enfim... Estive eu recentemente pelas bandas de Belo Horizonte, onze anos após a primeira vez, quando fui intérprete para uma família de americanos que veio conhecer um parente brasileiro que não falava inglês. Se você acha que viajar de graça, comer e beber bem, conhecer lugares e pessoas fantásticas (e ainda ser pago para isso!) pode ser chamado de "trabalho", então, foi isso: eu fui a BH pela primeira vez a trabalho.

Desta vez, o intuito era gastar alguns dos meus dias de folga, pelo recesso de São João, na companhia de minha irmã e meus sobrinhos, que estariam reunidos na cidade, onde o mais velho dos garotos faz faculdade. Foram quatro dias sensacionais, entre os quais o glorioso 27 de junho, aniversário deste que vos escreve. Fazia tempo desde a última vez que fiz uma viagem tão divertida e proveitosa.

Devo dizer que Belo Horizonte é uma das metrópoles mais agradáveis que tive a oportunidade de conhecer. O povo é educado e prestativo, principalmente no comércio, onde a gente é sempre atendido com um sorriso. Não houve um lugar onde eu entrasse para não ser abordado com gentileza e onde não fizessem de tudo para mostrar que, sim, o bem-estar e a satisfação do cliente importam tanto quanto o dinheiro que ele pretende gastar. Atenção, cavalos batizados que trabalham em certas lojas, bares e restaurantes de Salvador: aprendam com os mineiros a receber os turistas!


Na noite do meu aniversário, por exemplo, sem que houvesse "Parabéns pra Você" ou qualquer alarde sobre a data de nossa parte, eu e alguns amigos fomos surpreendidos pela chegada de um "bolo" feito de algodão doce, sobre o qual faiscava uma velinha, além do bibelô que você vê na foto acima como presente. A garçonete havia "pescado" a informação do meu aniversário enquanto nos servia e, discretamente, eles armaram tudo por conta própria. Pequenos gestos que deixam o cliente feliz e fazem a gente querer voltar e recomendar. Falando nisso, indo a BH, não deixe de visitar este lugar tão agradável: a choperia Pinguim.

Outras reuniões divertidas aconteceram no bar Soho Orbis, onde o "couvert" cobre o direito de usar as dezenas de jogos de mesa disponíveis, tornando os encontros mais divertidos e prolongados - e, se você perde a noção, acaba gastando muito mais do que queria, também; no restaurante Casa Cheia, situado no Mercado Central, pode-se comer pratos e tira-gostos premiados por um preço razoável, com aquele ar "mundano light" que os bons botecos têm.

"Mexidoido Chapado", um dos hits do cardápio do Casa Cheia.


O "Coisário" do bar Soho Orbis, na Savassi.

Para não dizer que é tudo perfeito, os banheiros são pagos em muitos lugares públicos - e quando estamos falando de um banheiro horrível como o do Shopping Cidade, fica bem doloroso puxar nossas sagradas moedinhas do bolso. Outro lugar que não valeu a pena visitar foi o jardim zoológico, mal planejado e mal cuidado. Satisfeita a curiosidade, foi a primeira e última vez que estive lá.

Mas, por mais atrativos que BH tenha, a verdadeira cereja do bolo nesta viagem foi, sem dúvida, a visita ao Centro de Arte Contemporânea Inhotim, localizado no município de Brumadinho, a cerca de 100 km da capital. Trata-se de uma imensa e magnífica área verde, com projeto paisagístico de Roberto Burle Marx, em que obras assinadas por grandes nomes da arte contemporânea brasileira (como Hélio Oiticica, Adriana Varejão e Tunga) estão expostas em galerias ou integradas à paisagem, belíssima para onde quer que se olhe.

Vista aérea do Inhotim.


Detalhe do interior.

Arte contemporânea, porém, é aquela coisa: algumas obras possuem inegável valor, enquanto outras precisam contar com doses ultragenerosas de boa vontade para provocar algo mais que indiferença. Que me desculpe quem gosta, mas, para mim, um quarto escuro, com um monte de cabos espalhados pelo chão e objetos que fazem lembrar uma oficina abandonada, com umas poucas e fraquíssimas lâmpadas tentando quebrar o breu quase total, só pode ser chamado de arte por alguns dos melhores amigos do "artista" (e vai que é só pra não magoar o coitadinho).

"True Rouge", de Tunga.


"Troca-Troca", de Jarbas Lopes.

As tais "instalações" são, portanto, um desafio à sensibilidade e à percepção dos visitantes. Umas funcionam muito bem, encantando, divertindo e emocionando. Outras fazem a gente querer pedir o dinheiro de volta e tacar a tal "obra" na cabeça de quem a cometeu. Ao fim do passeio, os pontos positivos superam com folga os negativos e você se sente um pouco mais rico ao deixar o Inhotim. Isto é, "rico" em termos, porque a lojinha de souvenirs na entrada é uma tentação e muita gente acaba deixando lá muito mais do que imaginava.

Assim foram, então, estas duas semanas de silêncio aqui no blog. Eram minhas férias, afinal, ora pombas! Espero que você ainda esteja aí, lendo este finalzinho da postagem e disposto a me dar mais um voto de confiança. Nos próximos dias, reviews e dicas de coisas que andei lendo, assistindo e escutando. Até a próxima.

3 comentários:

Gabriel disse...

Que belezura de post!

Gerlande Diogo disse...

Não é só em Salvador que existem cavalos batizados. Em Recife tem cada um... boas férias!

Carolina Prestes disse...

Olá Marlo, sempre passo por aqui e realmente notei sua ausência...rs
Não conheço Belo Horizonte, mas como vc descreveu deve ser um bom lugar para passear. Você iria adorar conhecer o sul do Brasil, cidades maravilhosas, história, cultura, clima, tudo completamente diferente e encantador. Beijo e até...