26/01/2012

As Aventuras de Tintim


Já ouvi falar muito da criação do quadrinista belga Hergé (1907-1983), mas, nunca li uma história sequer. Nada contra Tintim, que fique claro. Eu, simplesmente, não tive a oportunidade ainda. Daí que, quando foi anunciado que Steven Spielberg dirigiria uma adaptação em CGI, eu não sabia bem o que esperar - mas, hey, quase tudo em que Spielberg põe a mão, seja como diretor ou produtor, merece, no mínimo, uma espiada.

Assistindo a As Aventuras de Tintim, felizmente, constatei que é verdade o que dizem por aí: é o melhor filme de Spielberg em muito tempo - e se um terço do que dizem sobre a ruindade de Cavalo de Guerra for verdade, vai ser difícil acreditar que o mesmo sujeito tenha realizado dois filmes de resultados tão díspares, quase simultaneamente.

Após comprar uma antiga miniatura de galeão pirata, Tintim (Jamie Bell) é perseguido e, por fim, capturado pelo sinistro Sakharin (Daniel Craig). No cativeiro, conhece o Capitão Haddock (Andy Serkis) e é arrastado para uma disputa pelo tesouro naufragado do pirata Rackham, o Terrível. Não há muito mais a dizer sobre a história, porque logo começa o esperado e sensacional jogo de gato-e-rato, com improváveis desafios à física que aproximam o filme de outro produto com a marca Spielberg: Indiana Jones. Só que, mesmo considerando a origem cartunesca, não há nada tão ridículo quanto formigas loucas se empilhando. Ufa!

Com sua história simples e aquele perfeito timing de ação e comédia que aprendemos a amar em Spielberg (e que andava esquecido desde, sei lá, Prenda-me Se For Capaz? Antes disso?), As Aventuras de Tintim possui um bom punhado de cenas que grudam na memória, como a abertura, a trombada de navios no oceano (na qual revisitamos um momento sempre impactante e já tradicional nos seus filmes de fantasia: uma "chuva" de coisas), a exibição do "rouxinol milanês" (sem perguntas, por favor) e a vertiginosa perseguição no porto de Bagghar, um primor de técnica em um plano-sequência de vários minutos, enquanto os personagens disputam preciosos pergaminhos. Uma verdadeira aula de cinema, que põe Spielberg no lugar que lhe é de direito: ainda um dos maiores diretores vivos.


A técnica de captura de movimentos está simplesmente perfeita e, não fosse pelos traços cartunescos dos personagens principais, o filme passaria como live action numa boa. A movimentação dos personagens é incrivelmente fluida. Apesar do realismo, o "sotaque" dos quadrinhos e dos desenhos animados é perceptível em algumas cenas que beiram o pastelão, na presença do cãozinho Milu (mais inteligente do que a maioria dos humanos que passam pela tela) e no desenvolvimento superficial dos personagens. Haddock tem algumas "epifanias", mas é tudo muito rápido e simplista - trata-se de um filme infantil, enfim. Uma pausa para a plateia respirar e conhecê-los melhor, contudo, talvez tivesse feito bem ao resultado final.

Chega a ser triste ler que As Aventuras de Tintim não foi bem de bilheteria nos EUA, contando agora com melhor sorte no circuito internacional para que seja realizado o segundo filme, em que Spielberg trocará de lugar com aquele que foi seu diretor de segunda unidade neste primeiro Tintim: Peter Jackson (O Senhor dos Anéis). Como se vê, o que não falta à dupla é know-how e cacife. Esperemos, então, por boas notícias.

3 comentários:

Gerlande Diogo disse...

Já li Tintim e gostei muito, mas o filme ainda não vi. Verei.

Do Vale. disse...

Cara, tu disse tudo. =D

Elias disse...

Li em outro site q é o melhor filme do spielberg desde o meu AMADO jurassic park. nao sei se é a velhice, mas o spielberg ultimamente nao tem sido mais o mesmo.