05/02/2012

A Alma Imoral



Nada mais apropriado que encerrar as férias (um período sempre cercado da expectativa de prazeres variados e ininterruptos) no teatro e dar de cara com um monólogo em que nossas definições sobre o que é bom, justo, correto e moral são desafiadas, comparadas e, possivelmente, transformadas. A Alma Imoral é um espetáculo ao qual não se fica indiferente.

A judia budista (sim, isso existe e rende um divertido prólogo) Clarice Niskier põe-se nua diante da plateia (literal e figurativamente) e, baseando-se no livro homônimo do rabino Nilton Bonder, publicado em 1998, busca na Bíblia, na ciência e na filosofia, histórias antigas e recentes que ilustrem o eterno e interno conflito entre nossas luzes e nossas sombras, força-motriz de nossa continuidade e evolução.

Conceitos aparentemente familiares, como "corpo", "alma", "tradição" e "traição" ganham sentidos mais amplos e correlações mais estreitas, que mexem com nossos dogmas e nos apresentam a pequenas e grandes belezas e feiúras, frequentemente escondidas sob a casca das aparências e do "bom comportamento".

Sem levantar bandeiras em favor desta ou daquela religião, A Alma Imoral trata da busca pelo caminho do meio, o delicado equilíbrio entre os anseios do corpo e as necessidades da alma que nos aproxima de Deus. Por mais budista que isso soe, é para isso que nós (de qualquer religião ou de nenhuma delas) estamos aqui.

Dona de muito carisma, Clarice tem o público na mão e, lá pelo meio da peça, oferece-lhes a chance de ouvir novamente qualquer trecho que lhes tenha tocado em particular. Aproveita a deixa para, também, contar piadas e histórias paralelas que enchem o espetáculo de riqueza, em contraste com o cenário e a iluminação econômicos.

Levou seis anos até que o espetáculo chegasse a Salvador, no teatro da Livraria Cultura. Na saída, fui direto atrás do livro do rabino Bonder. Se a peça já passou por sua cidade, espero que tenha tido o prazer de assistí-la. Se não viu, informe-se sobre a próxima temporada e não deixe passar a oportunidade. Sua alma imoral agradece.

3 comentários:

Alexandre Melo disse...

Já li e vi entrevistas do rabino Nilton Bonder (será que foi sua família que patentou a supercola?). Ela tem uma postura muito interessante, lembrou-me o rabino vivido pelo Ben Stiller no Tenha Fé (dirigido por Edward Norton), nada daquela auto-ajuda barata misturada com a baboseira d'O Segredo que faz o padre Marcelo Rossi e o padre favorito das groupies, Fábio de Melo.
Quando falava do Talmude havia um esforço em traduzir sua reflexões para a vida moderna, mas sem pedantismo e falsa simplicidade, fico feliz que uma adaptação de seus escritos parece ter conseguido o mesmo resultado.

Anônimo disse...

onde baixar XRumer 7.0.10 ?
Envie-me por favor URL!!!
É o melhor programa para massa postagem em fóruns ! XRumer pode quebrar a maioria dos tipos de captchas !

Marlo de Sousa disse...

ANÔNIMO, Não faço ideia. Boa sorte na sua procura.

ALEXANDRE, ainda não iniciei a leitura do livro de Bonder, mas imagino que vá bem além de onde a peça já vai, mesmo com a limitação do tempo. Também gostei de "Tenha Fé" e achei que o venderam errado, como sendo uma comédia desbragada, apenas pela presença de Stiller. É um filme bastante reflexivo.

Abraços.