25/02/2012

Reboota, que eu gosto!

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Contrariando as previsões dos leitores mais conservadores e esperneantes, o reboot da DC Comics tem se provado um estrondoso sucesso. Em janeiro, quinto mês da iniciativa, a casa de Batman e Superman varreu o chão com a concorrência, dominando totalmente o Top 10 da distribuidora Diamond. A primeira edição da nova revista da Liga da Justiça já está na sua sétima tiragem! É um tempo de vacas gordas, como a DC há muito não vivia. Enquanto isso, na Marvel, chovem cancelamentos e há quem espalhe rumores de que ela também prepara seu próprio reboot. ("Casa das Ideias", né? Sei...)

Apesar de ainda não ter iniciado a leitura (digital) de alguns títulos bastante elogiados (como Homem-Animal e Monstro do Pântano), outros bastante malhados (Arqueiro Verde, Rapina & Columba) e uns bem alternativos (I, Vampire e Voodoo), já li as cinco ou seis primeiras edições de algumas das principais revistas novas. Apesar da insistência da DC em algumas figuras nefastas (Gail Simone, Rob Liefeld, Tony Daniel como escritor) e de o primeiro e mais bem-sucedido título do reboot (Liga da Justiça, com os superstars Geoff Johns e Jim Lee) ser apenas um blockbuster fast-food, o saldo geral é positivo.

A seguir, você tem minha opinião sobre cinco dos melhores títulos da nova DC Comics que tive a oportunidade de ler. Espero que sirva como um guia (embora modestíssimo) para suas escolhas, quando essas revistas começarem a sair por aqui - em junho ou julho, a julgar pela publicação de Ponto de Ignição (no original, Flashpoint, o evento que levou ao reboot), o que vai diminuir a "janela" entre a publicação americana e a brasileira, que hoje é de um ano, para cerca de 9 meses.

ACTION COMICS
de Grant Morrison e Rags Morales

Em início de carreira, Kal-El é muito mais temido que amado em Metrópolis e sequer pensou em um uniforme decente, usando jeans, uma camiseta com o brasão de sua família (o famoso S) e uma capa curta. Os inimigos são novas versões de Metallo e Brainiac e, mesmo não sendo o melhor trabalho de Grant Morrison com o personagem, a história que reintroduz o mito do Superman está bem divertida. A quinta edição traz um interlúdio simplesmente emocionante.


BATMAN
de Scott Snyder e Greg Capullo

O melhor título do Batman em muito, muito tempo. O Morcego de Snyder é moderno em seus recursos, mas à moda antiga em seus métodos: há muito tempo não víamos o lado detetivesco do Batman tão bem trabalhado! O primeiro arco se aproxima do fim lá fora, com o surgimento de um grupo de novos inimigos convincentes e com raízes profundas na história dos Wayne. O ex-recluso Greg Capullo continua mandando muito bem no lápis. Absolutamente viciante!


BATMAN & ROBIN
de Peter Tomasi e Patrick Gleason

Apenas um pouco inferior ao título-solo do Morcego, a revista que reedita a vitoriosa parceria autoral da Tropa dos Lanternas Verdes é divertida e explora muito bem a dinâmica pai/filho entre Bruce e Damian, um personagem que parecia destinado a  apenas esquentar lugar para a volta de Tim Drake, mas vai ganhando personalidade e importância, graças à boa mão de gente como Tomasi e Grant Morrison.

WONDER WOMAN
de Brian Azzarello e Cliff Chiang

Se, ao pensar em Azzarello escrevendo super-heróis, seus cabelos se arrepiam e você ouve "Superman - Pelo Amanhã" ecoar em sua mente, pode respirar aliviado: o escritor acertou em cheio no clima aterrorizante e nas novas personificações dos deuses gregos, fazendo importantes e bem-vindas modificações no passado da Mulher-Maravilha. O traço limpo, mas altamente cinético, de Cliff Chiang (que em breve será co-escritor) é uma atração à parte. Uma das melhores surpresas do reboot.

AQUAMAN
de Geoff Johns e Ivan Reis

Ninguém, em seu juízo perfeito, apostaria um centavo que o Aquaman fosse frequentar o Top 10, mas é o que vem acontecendo. A dupla que fez do Lanterna Verde um sucesso faz troça com toda troça de que o Aquaman é vítima desde sempre e transforma este num gibi bem agradável. A trama com canibais submarinos não é nenhuma obra-prima, mas duvido que Johns tenha tais ambições. Opção de leitura descompromissada, com ótima arte de Reis.

Menções Honrosas:

Batwoman - J. H. Williams revela-se tão eficiente como roteirista quanto como artista. Arte espetacular, diagramação surpreendente e toneladas de carisma em cada personagem.

Justice League Dark - Vários místicos da DC (incluindo Zatanna e o bam-bam-bam da Vertigo, John Constantine) são reunidos para combater a sempre reincidente loucura da bruxa Magia.

Green Lantern - Sinestro, Lanterna Verde do setor 2814? Assim começa a "nova" revista do gladiador esmeralda (como o Batman, imune aos efeitos do reboot). Não é a melhor das fases, mas Geoff Johns mantém a velha chama verde acesa.

7 comentários:

Dulcelino Neto disse...

O Reboot da DC tem dado tão certo que a Marvel não esta conseguindo mais espaço nas vendas, é possível até que a própria Marvel faça um Reboot de seus heróis para igualar a concorrência novamente. Acredito que isso vai acontecer depois do final de Vingadores VS X-Men. Desses Reboots da DC eu queria ler o Aquaman, ele não é lá um grande personagem, mas esta muito elogiado e as artes estão tão lindas que da vontade. Fico na expectativa que possa surgir um “Namor: As Profundezas” do Aquaman hehe =)

Paranoid Android disse...

tô meio por fora do quem tem rolado lá fora, mas bom saber que o batman tá em boas mãos. espero que a panini não faça besteira e bole mixes decentes.

Alexandre Melo disse...

Acho que enfim, ou me tornei um macaco velho, ou me desiludi de vez com o negócio.
Sempre fui o paladino da continuidade, me lembro que reboot como o de Zero Hora me deixavam furioso, mas como um verme, lia todos os títulos.
Eu consigo me imaginar dando chiliques com um Constantine light (e não o filho da puta miserável que respeito, e tenho um baita medo) no meio de uniformizados e perobos místicos que ele adorava desdenhar no selo VERTIGO, mas acaba que minha reação mesmo é que só quero boas histórias.

Do Vale. disse...

Dos 5, só não li Mulher-Maravilha (não gosto do Azzarello), e concordo contigo em todos os pontos. Lanterna e Tropa também valem a pena, e Homem-Animal e Monstro do Pântano são muito bons. Palmas pra nova geração da DC representada por Scott Snyder e Jeff Lemire.
Agora, como tá desenhando mal o Jim Lee, já foi melhor...

@felipebaraujo disse...

As histórias, em sua maioria, realmente melhoraram com o reboot, mas será que era mesmo necessário apagar anos e anos de cronologia? Não era mais fácil simplesmente encerrar as tramas atuais e começar novas fases? Talvez pulando um ano como a própria DC já fez.

Gustavo disse...

Vou continuar comprando Green Lantern enquanto o Johns estiver escrevendo!

Lucas disse...

Super ansioso... para o reboot aqui no Brasil. Espero também que a Panini não se empolgue com a fartura de títulos e bole várias publicações distintas com continuações espalhadas entre si nos obrigando a gastar nossos míseros trocadinhos numa cacetada de títulos por mês. Se mantiverem com solidez, Liga da Justiça, Universo DC, Batman, A Sombra do Batman, Superman, Lanterna Verde já está valendo pra mim. Ainda não li nenhum deles. Resolvi comprar (atrasado) O Dia Mais Claro (#00 ao #12) terei muito o que aproveitar do DCU pré-reboot ainda :D .