20/05/2012

Gaby Amarantos - Treme


Gaby Amarantos é uma das artistas mais "quentes" do país, hoje em dia. Está na abertura da novela das sete da Rede Globo e em quase todos os programas de auditório e talk shows. Seu primeiro disco, Treme, tem sido bastante elogiado em revistas formadoras de opinião, como a Billboard, a Rolling Stone e a Bravo!.

Esse negócio de toda a crítica estar falando muito bem de uma artista claramente popular e sem qualquer pretensão de vanguarda me faz levantar as orelhas em suspeita. Porque, em geral, a crítica costuma se derreter para artistas independentes que fazem fusão disso com aquilo, que parecem incapazes de produzir um disco simples de forró, rock ou samba. É sempre um rótulo novo e inócuo, tentando dar algum estofo a uma música sem personalidade e totalmente esquecível. Ou isso, ou a ascendência ilustre.

Como muita gente já deve ter percebido, o brega com sotaque norte-nordestino é o novo dodoizinho da vez lá no sul e até Marisa Monte embarcou nessa, em seu último disco. É a coisa mais cool do momento e falar mal é "preconceito". Daí que, mesmo com toda a má vontade que carrego contra esse negócio de "artista do povão" (outro epíteto que não significa nada, geralmente ostentado por figuras que, na falta de talento, querem vencer pela "humildade", como se isso qualificasse alguém ao estrelato), eu assisti a Gaby no clipe de "Xirley" e pensei: taí, gostei da moça, tem atitude e bom humor. 

A música tem um balanço legal e dosa bem os blips e tóins que caracterizam o tecnobrega paraense. A letra não é nada genial, se repete quatro vezes nos parcos três minutos da canção, mas, sei lá, é um troço que conquista. Além do mais, ao contrário de outra "diva" paraense, Joelma (ARGH!¹º), Gaby tem uma voz agradável e não posa de romântica sofredora. Ela prefere sacanear o "Ex Mai Love", como na letra do tema de abertura de Cheias de Charme.

E lá fui eu, disposto a baixar Treme e escutá-lo inteiro, para ter uma opinião formada sobre melhores bases. O disco tem produção de Carlos Eduardo Miranda (o ogro do Ídolos no SBT). Botei o bichinho nos fones e pulei "Xirley", a faixa de abertura, pra ir direto às novidades.

Pontos positivos: uns baixões guturais e a bela sequência das faixas 3 a 5, com a música da novela, a suingada "Merengue Latino" e a sensual "Pimenta com Sal", com auxílio de Fernanda Takai (do Pato Fu), em que a história de duas moças "causando" na praia sugere que elas seriam mais que amigas. Além delas, "Chuva" e "Eira" trazem interessantes jogos de palavras e Gaby conseguiu a proeza de tornar palatável um baladão meloso de Zezé di Camargo & Luciano ("Coração Está em Pedaços").

Pontos negativos: de modo geral, as melodias são bastante simples e de apelo fácil (não é uma crítica) e as letras de Gaby são espertas, sem que isso seja sinônimo de piranhagem. Sobra, então, o instrumental, e aí é que mora o problema. Eu acho muito difícil de aguentar, durante um CD inteiro, esses beats ultra-acelerados do gênero e seus timbres fuleiros de teclado. Todo esse fon-fon-ron-fon-fon das famosas "festas de aparelhagem" me irrita seriamente, depois de um tempo.

Se "passar com a média" era o objetivo, Gaby está aprovada. Continua sendo um tipo de música distante das minhas preferências e não vai ficar no meu HD ou no meu celular, mas, pelo menos, não vai me matar de tédio ou revolta, se tocar num bar ou numa festa em que eu esteja. Nestes tempos, em que as coisas parecem nunca deixar de piorar, já é um alento que seu disco tenha reduzido a marcha ladeira abaixo em que nossa música popular se encontra.

09/05/2012

Os Novos 52 chegaram!


Não é mais segredo: a nova DC Comics aporta nas bancas brasileiras em junho.

A Panini Comics revelou ontem que, para nossa surpresa, vai publicar todos os 52 títulos do famoso reboot de setembro de 2011. Confirmando meu palpite, a espera entre a publicação americana e a brasileira cai de 12 para 9 meses. Ainda é muito, nesses tempos de internet, mas é o que tem pra hoje.

A principal novidade está na forma como vários desses títulos chegarão aos leitores.

Como lá fora, todos as revistas começam do número 1. Enquanto os títulos atuais (Superman, Batman, Liga da Justiça, Lanterna Verde, Universo DC e A Sombra do Batman) continuam sendo publicados (sendo que Liga da Justiça volta a ser uma revista "magrinha", com 3 histórias), já em junho, o Flash também ganha uma revista própria.



Os mixes iniciais estão distribuídos assim:

BATMAN 
68 páginas (Batman, Batman - The Dark Knight e Detective Comics)

SUPERMAN 
68 páginas (Action Comics, Superman e Supergirl)

LANTERNA VERDE 
68 páginas (Green Lantern, Green Lantern Corps e New Guardians)

LIGA DA JUSTIÇA
68 páginas (Justice League, Justice League International e Captain Atom)

FLASH
68 páginas (Flash, Green Arrow e Deathstroke)

UNIVERSO DC
148 páginas (Aquaman, Wonder Woman, The Savage Hawkman, Fury of the Firestorm, Mister Terrific, OMAC e Blackhawks)

A SOMBRA DO BATMAN
148 páginas (Batman & Robin, Batwoman, Batgirl, Catwoman, Nightwing, Red Hood and the Outlaws e Batwing)

Boa parte dos títulos, publicados em parceria com a Devir e a Comix, terão distribuição exclusiva em comic shops físicas e virtuais, sem passar pelas bancas comuns. Inicialmente, serão os seguintes:

NOVOS TITÃS & SUPERBOY
52 páginas (Teen Titans e Superboy)

ESQUADRÃO SUICIDA & AVES DE RAPINA
52 páginas (Suicide Squad e Birds of Prey)

UNIVERSO DC APRESENTA: DESAFIADOR
52 páginas (DCU Presents: Deadman) 

FRANKENSTEIN, AGENTE DA S.O.M.B.R.A
52 páginas (Frankenstein: Agent of SHADE)



Um novo título será anunciado para breve e publicado em julho. O fato de certas revistas possuírem apenas um personagem com duas histórias me faz crer que algumas delas serão bimestrais, para efeito de sincronia com as demais.

Todas as capas das edições 1 da Nova DC virarão cards colecionáveis, espalhados pelas novas revistas. Alguns deles fazem menção a títulos sobre o qual ainda não se conhece detalhe algum, como Tropa dos Lanterna Verdes e Grandes Astros do Faroeste.

Algumas séries importantes do reboot, como Justice League Dark, Swamp Thing, Animal Man e Stormwatch, entre outras, ainda não têm sua situação definida. Torço para que algumas delas sejam publicadas em arcos completos, nos moldes da antiga DC Especial.

Algumas pequenas considerações:

Primeiro, seja por legítima fé no desempenho do reboot no Brasil ou por pressão da DC Comics para que todo o seu material visse a luz do dia por aqui, a Panini está de parabéns por fazê-lo. Logicamente, poucos serão os leitores dispostos ou abastados o suficiente para comprar todas as revistas, mas assumo que estou animado a adquirir algumas entre as principais.

As informações de pré-venda de algumas lojas virtuais fazem crer que as revistas, mesmo tendo estruturas semelhantes, poderão ter preços diferentes. Por exemplo: enquanto Liga da Justiça 1 está anunciada por R$ 5,90, Superman 1 deve ser vendida por R$ 6,60. A Sombra do Batman 1, com suas sete histórias em 148 páginas, custará R$ 14,90, enquanto Universo DC 1, com estrutura igual, sairá por R$ 16,90. Aparentemente, a política de preços da Panini agora se baseia na tiragem, privilegiando as que vendem melhor com um preço mais convidativo.



Entretanto, apesar das boas novidades, um velho problema persiste: as revistas mix obrigam o leitor a levar pra casa certas tranqueiras que normalmente dispensaria - e a Panini, matreira que só ela, deu um jeito de espalhar as melhores séries em vários títulos.

Por exemplo, o sonho de qualquer batmaníaco seria ver a sensacional Batman (de Scott Snyder) publicada junto com a divertida Batman & Robin (de Peter Tomasi), mas esta última foi jogada em A Sombra, enquanto o título principal ganhou a questionável companhia da Detective Comics (de Tony Daniel) e The Dark Knight (de David Finch).

Eu quero muito ler Aquaman e Mulher-Maravilha, mas, pra isso, vou precisar levar a reboque as já extintas Sr. Incrível, OMAC, Falcões Negros e a criticada A Fúria de Nuclear. Outra coisa: como é que Novos Titãs, uma equipe que sempre foi popular por aqui, é jogada nas comic shops, enquanto que um zero à esquerda feito o Capitão Átomo pega carona no praticamente certo sucesso da Liga da Justiça? Tudo bem, tudo bem. Publicar revistas é, afinal, um negócio. Qual seria a perspectiva de venda para uma revista só de restolhos, né?

Vamos torcer, então, para que a Panini possa cumprir prazos e esquivar-se de percalços, como problemas de revisão. Como podemos imaginar, não devem existir garantias de que as 52 revistas continuem sendo publicadas aqui indefinidamente, mas, pelo menos, por enquanto, acho que dá pra os leitores aposentarem seu já gasto bordão "Chega de descaso com a DC!". Difícil, agora, será acompanhar tudo. Seja como for, é a reprise local de um momento histórico e, como fãs desses personagens, creio que podemos comemorar.


ATUALIZAÇÃO (22-05-12)


Uma pequena retificação: com a revelação das primeiras capas da Nova DC neste post, percebe-se que a diferença de preço entre algumas revistas deve-se (pelo menos, nestes casos) ao maior número de páginas das edições 1.