07/02/2013

Sem Rodeios




O direito à liberdade de expressão é garantido pela Constituição Federal. Quando alguém diz que não gosta de gosta de gays e que prefere manter distância deles, isso é uma opinião. Tudo bem, ninguém deve ser obrigado a nada. Entretanto, quando alguém prega que gays devem ser varridos da face da Terra (não importa se a tiros ou a "golpes de Bíblia") e, não satisfeito, passa a lutar sistematicamente contra a conquista de seus direitos civis, isto é discurso de ódio e não pode ser aceito, em hipótese alguma.

Não dá para engolir essa conveniente seleção do que pode ou não pode ser desconsiderado, por exemplo, no Levítico, o livro bíblico mais frequentemente citado pelos que combatem os homossexuais. Se temos que seguir o Levítico à risca, que o sigamos... mas isso nos levará a todos para a cadeia. Se formos ignorar os inúmeros estudos científicos que comprovam que ser homossexual é uma condição, inclusive genética, não uma "opção", de parte da espécie humana e, mais importante ainda, que não é uma doença ou falha de caráter, então, vamos logo assumir a barbárie e correr às armas.

Sobre discriminar e tentar "consertar" gays, com a desculpa de estar "apenas tentando preservar a palavra e a criação do Senhor" e que isso não equivale a tentativa de extermínio, aqui vão algumas palavras que devem ajudar a refrescar a memória de quem ainda acha isso válido: Cruzadas; Inquisição Espanhola; Conquista da América; Holocausto. Os "inimigos" nem sempre eram os mesmos, mas a perseguição, sempre de cruz em punho, sim. O resultado, também: o chão lavado de sangue.

A formação de famílias nunca esteve ameaçada pelos gays, justamente porque homossexuais sempre foram e sempre serão uma parcela minoritária da população. Se hoje parece que há mais gays do que nunca, isso não é uma "moda" inventada pela mídia, como puerilmente argumentam alguns críticos. É que hoje eles têm uma atitude mais positiva em relação a si e não sentem necessidade de esconder-se ou envergonhar-se do que são. 

Quem ataca aos gays como sendo uma ameaça à família se esquece de um fato muito simples de entender: gays não nascem de árvores. Não eclodem de vagens. Não se materializam a partir de nuvens de purpurina. Gays vêm de famílias! Têm pai, mãe, irmãos - e, pasme, gostam disso e querem ser felizes em suas famílias!

Outra coisa: ter pai e mãe nunca foi garantia de felicidade ou boa formação para ninguém. Existem pais e mães bons e maus, famílias felizes e infelizes, mas isso pouco tem a ver com a mera presença de papai e mamãe, mas, sim, com sua capacidade de dar amor e ensinar valores e limites. Os que temem que gays que adotam crianças criem filhos gays, se esquecem de que estes pais e mães gays certamente foram criados para serem héteros - mas, não o são. Paciência. Acontece nas melhores famílias e não precisa gerar sentimento de fracasso ou vergonha nos pais.

As nações socialmente mais desenvolvidas do mundo são justamente algumas das mais progressistas. Nelas, os direitos civis dos gays são assegurados e isso não está sequer em discussão. Isso acontece porque eles entenderam, bem antes de nós, que a fé e a intimidade alheias não são da nossa conta e que existem problemas de verdade esperando soluções. Em contrapartida, boa parte das nações teocráticas, aquelas em que se usa a palavra de Deus para tolher liberdades individuais e amedrontar a população, são modelos de atraso, desrespeito aos direitos humanos e fontes de êxodo para nações mais liberais.

O Brasil precisa escolher bem o modelo que pretende seguir.