15/06/2015

Fui ao Jurassic World e lembrei de você!


Lá se vão 22 anos desde o Jurassic Park - O Parque dos Dinossauros original, quando o mundo se assombrou diante do realismo dos dinossauros criados digitalmente por Steven Spielberg, com todos os dentes, músculos, chifres e rugas que se podia desejar. Hoje em dia, bichos muito mais fantásticos já viraram carne-de-vaca e ninguém se impressiona com sua mera presença. Foi surpreendente que alguém ainda quisesse fazer um filme da série, depois que os péssimos segundo e terceiro filmes praticamente destruíram seu potencial. Foram quase 15 anos para que os dinos se recuperassem desses "meteoros" que quase causaram sua extinção.

E não é que Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros seja um primor de roteiro, atuações ou verossimilhança. Na verdade, o grande trunfo do filme é assumir-se como diversão escapista e homenagem ao histórico filme de 1993. Colin Trevorrow, um diretor sem qualquer grande destaque em seu currículo, sabe emular com bastante eficiência algumas artimanhas spielberguianas e, embora seja fácil esquecê-lo assim que saímos do cinema, o filme contém duas horas de adrenalina e boa diversão descerebrada.

Para quê o Dr. Hammond (o "pilantropo" do filme original) havia bancado a clonagem de dinossauros, afinal? Para que tivéssemos um parque, ora! Finalmente, aqui temos um parque funcional e repleto de gente curiosa pelos dinossauros. A exemplo do que acontece nos parques temáticos de verdade, porém, o interesse do público só se mantém aceso conforme o Jurassic World anuncia novas atrações - e, conforme as opções vão se esgotando, a direção secretamente cria um bicho novo, mesclando características de diferentes dinos e bichos contemporâneos. 


Não é preciso ser nenhum gênio pra saber que esse dinossauro master blaster vai ser o problemão da vez, já que os terríveis velociraptores encontram-se semidomesticados pelo personagem de Chris Pratt (praticamente um teste - do qual sai aprovado - para seu provável futuro como o novo Indiana Jones) e o T-Rex... Bem, digamos que o T-Rex é pouco visto.

Todos os personagens têm a profundidade psicológica de um pires: o herói bonitão hesitante (Chris Pratt), os irmãos diferentes entre si que acabam unidos diante do perigo, a cientista pragmática e arrogante que descobre que tem um coração (Bryce Dallas-Howard) e o híbrido de militar durão e empresário que desejamos que seja devorado (Vincent d'Onofrio). Não espere surpresas, todos eles acabam do jeitinho que a gente imagina desde a primeira cena.

Desligue, então, suas funções cognitivas, jogue a ciência e a credibilidade para o alto e divirta-se com sequências de tirar o fôlego (muitas das quais copiadas ipsis literis do primeiro filme), as inúmeras mortes (são mais de 20 mil lanchinhos ambulantes, você espera que os dinos não façam a festa?) nas quais não se vê uma gota de sangue e com a épica batalha final entre os dinossauros mais letais do parque. Não vai muito além disso, mesmo. Como o parque em si, Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros não passa de um caça-níqueis safado, embalado em nobres intenções. Sabendo disso desde o começo, você vai sair do cinema satisfeito.

2 comentários:

The Messiah disse...

Cool, quero ver esse ASAP.. Fiquei mais motivado ;)

n13tz5ch3 disse...

Pois é, Jurassic World, nada mais é do que uma espécie de upgrade do primeiro filme de Steven, mas se vocês seguirem as dicas do Marlo, irão curtir muito, ou seja: desliguem 6% do seu cérebro antes de sentar-se na poltrona do cinema, e terão duas horas de "muuuuita" aventura, e digamos: " visões do passado de um futuro não tão longínquo assim". ;-)