12/09/2015

Gênese e Apocalipse

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Exceto por umas besteiras periféricas, o Batman não havia sido muito afetado pelo evento Os Novos 52. Robins demais em tempo de menos, Bárbara Gordon fora da cadeira de rodas... Geralmente, o problema estava nas pessoas que o cercavam. Até que, em 2013, Scott Snyder e Greg Capullo entregaram o longo e intrincado Ano Zero, redefinindo a origem do Homem-Morcego para os novos tempos.

Epa, pera lá! Quer dizer que a DC Comics jogou uma pá de terra sobre o cultuado e impoluto Batman: Ano Um (1987), de Frank Miller e David Mazzuchelli? Bem que eu tentei (e muita gente deve ter tentado) todo tipo de ginástica mental pra fazer as duas histórias conviverem em harmonia, mas, infelizmente, não teve jeito. O Ano Um está morto. Vida longa ao Ano Zero (que, verdade seja dita, é uma saga sensacional).


Para os leitores, especialmente aqueles de longa data, isto só aumenta a importância de que a obra de Miller e Mazzuchelli tenha ganhado, em 2011, uma adaptação animada tão caprichada. Apenas pela presença do nome de Bruce W. Timm (produtor da consagrada série animada de 1992) nos créditos, já seria de se esperar que Batman: Ano Um possuísse dignidade acima da média. Para deleite dos fãs, especialmente dos mais puristas, o desenho é uma versão praticamente literal da ex-origem definitiva do Homem-Morcego.

A atmosfera neo-noir da HQ está perfeitamente traduzida, em fotogramas que reproduzem cores e enquadramentos do traço de David Mazzuchelli. A trama mostra, em detalhes, o retorno do jovem milionário Bruce Wayne, após passar quase uma década preparando corpo e espírito para sua missão de combate ao crime. Ao mesmo tempo, chega na cidade o então tenente James Gordon, trazendo consigo a esposa grávida e uma honestidade que não demora a incomodar o corrupto Departamento de Polícia de Gotham City.


Está tudo como deveria. No front de Gordon, o antagonismo com o perigoso detetive Flass, seu flerte com Sarah Essen, as surras que leva e retribui. De Bruce, vemos a primeira e malsucedida ronda, o primeiro encontro com a futura Mulher-Gato e o momento em que recebe a inspiração para despertar o terror no coração dos bandidos (embora este momento, confesso, tenha ficado um pouco aquém da minha expectativa). Momentos icônicos, que jamais foram ou serão esquecidos por quem leu esta obra-prima fluida e de invejável simplicidade.


Além da gênese do Batman, a DC/Warner esmerou-se, também, na transposição dos possíveis derradeiros dias do personagem. Lançada um ano antes de Ano Um, escrita e ilustrada pelo mesmo Frank Miller, Batman: O Cavaleiro das Trevas mostra um possível futuro em que Bruce Wayne, aos 55 anos, se vê forçado a deixar a aposentadoria, por causa da escalada da violência em Gotham. Com seu retorno, velhos inimigos e aliados também ressurgem.

Dos Mutantes, a gangue (na verdade, um pequeno exército) que aterroriza Gotham, Batman tem a chance de impor-se mais uma vez como a figura mais temida nas ruas. Do Superman (no ufanismo ultraconservador da era Ronald Reagan, com a Guerra Fria a galope), um conflito ideológico que descamba para a violência física (você deve saber que foi daqui que surgiu a ideia da armadura que Ben Affleck usará para dar um cacete em Henry Cavill, em Batman vs. Superman - A Origem da Justiça, né?). Do Coringa, o que se tem é o que se espera: caos e violência gratuita (o que desaconselha totalmente o filme para crianças). 


A ótima direção dos desenhos, lançados entre 2012 e 2013, é de Jay Oliva, artista de storyboards de várias outras animações da DC/Warner. Novamente, o estúdio respeitou a obra original e não a maculou com novidades indesejadas. Combinadas, as duas partes de Batman: O Cavaleiro das Trevas formam uma respeitável sessão da tarde de 2h30 de duração. Ainda que não seja exatamente o Apocalipse do Batman (Miller escreveu a discutível O Cavaleiro das Trevas 2 em 2003 e volta para uma terceira série em novembro próximo), a história tem um tom de despedida esperançoso e adequado.

De minha parte, a torcida é para que a DC/Warner aprenda algumas lições destas e de suas outras ótimas animações, percebendo que não é preciso ficar inventando demais, quando a matéria-prima é tão rica. Que os filmes prometidos até 2020 sejam a esperada entrada nos trilhos do cânone cinematográfico da DC, porque, na TV e no home video, ela reina já faz tempo.

5 comentários:

Do Vale disse...

Rapaz, na minha cabeça eu tenho uma cronologia pra cada personagem que consiste em levar em consideração só o que eu quero mesmo (duplipensar, aprendi com 1984).
Mas Ano Zero contradiz mesmo muita coisa de Ano Um? Até penso em comprar se a Panini continuar com os encadernados do Snyder.

Do Vale disse...

Aliás, naquelas sessões de arrumação dos quadrinhos onde a gente mais relê que ajeita mesmo folheei Ano Um e: sempre lindo aquilo tudo. Pra guardar pros sobrinhos, presentear quem gostou dos filmes, entre outras situações.

Alexandre Melo disse...

Assim como nos quadrinhos, o departamento de animação me pareceu perdida nos últimos anos. Aquela série The Batman com Coringa rastafari e Pinguim porradeiro é lastimável, tal como Beware the Batman; além das longas especialmente desenvolvidos pra DVD/Blu-ray, caso de Morte do Superman, Inimigos Públicos. (Dando desconto que The Brave and the Bold é divertida)
Bom saber que nesses dois casos de clássicos do Morcego quebraram a escrita que vinha se traçando. Bem curioso pra saber como adaptaram Cavaleiro das Trevas, já que Ano Um é quase impossível de errar pela força e história autocontida.
Esperar agora pela anunciada produção de PIADA MORTAL

Luwig Sá disse...

Minhas restrições são praticamente as mesmas que as do leitor Alexandre. O fato é que, após deixar o cargo de produtor executivo da Warner Bros Animation, a qualidade dos desenhos animados decaiu bastante, com uma única exceção, em Assault on Arkham.

Desde então, Cavaleiro das Trevas foi o último trabalho em que teve o seu nome creditado, só retornando ao ofício no espetacular Justice League: Gods and Monsters.

É uma pena que no nosso mercado de home vídeo esses itens só tenham saído na versão DVD. O que me leva a esse "Queria Tirar do Plástico" involuntário:

http://www.amazon.com/Batman-Year-Blu-ray-Eliza-Dushku/dp/B0058YPN4G/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1442249471&sr=8-1&keywords=bluray+batman+year+one

e

http://www.amazon.com/Batman-Knight-Returns-Deluxe-Blu-ray/dp/B00DP9RYDY/ref=sr_1_3?ie=UTF8&qid=1442249471&sr=8-3&keywords=bluray+batman+year+one

Gerlande Diogo disse...

Não assisti nenhum dos 3, com medo me decepcionar. Vou mudar meus conceitos. Vamos às compras!