26/11/2015

A palavra do vencedor


Amigo leitor, este é o relato de Luís do Vale, ganhador do sorteio do último dia 10, após receber seu prêmio:

"Foram necessários 31 anos de existência pra que eu ganhasse meu primeiro sorteio. E, veja só, o prêmio foi um gibi, um vício que carrego desde a infância, e veja mais ainda, do Batman, personagem que me acompanha desde essa época também.

O quadrinho em questão foi Batman - O Filho do Demônio, mas não é sobre ele que quero falar.

Entre 2000 e 2002, um primo me convidou a pegar emprestado tudo o que eu conseguisse carregar e ler da sua coleção de quadrinhos. Ele comprou praticamente tudo o que foi publicado da Marvel e da DC pela Editora Abril entre algum ano da década de 80 e 1994 quando, segundo ele, ambas as editoras "perderam o rumo". Era um sebo dentro de casa.

Li tudo o que não pude ler por questões financeiras, devido ao saudoso preço tabelado, ou porque era muito novo quando das publicações. X-Men do Claremont e Demolidor do Miller. Liga do DeMatteis e do Giffen e o Super pós-Crise. DC 2000, Novos Titãs, Camelot 3000. Eu não era café-com-leite no assunto, mas aquela coleção era coisa de profissional. Eu tinha que ler tudo. E todo sábado eu pegava uma ou duas sacolas cheias de revistas e ácaros que devolveria no fim de semana seguinte. É mais ou menos sobre isso que quero falar.

O primeiro gibi que li, fora Disney e Turma da Mônica, foi algo do Batman, do Super-Homem (na minha época era assim) ou do Homem-Aranha, por volta de 1990. E mudou a minha vida, sério mesmo. Eu queria saber quem eram aqueles caras e em que eles iam se meter no mês seguinte. E nunca parei. Seja comprando números avulsos ou iniciando e terminando coleções pra começar outras, sempre tive um gibi ao alcance das mãos. Eu era o carinha que, na aula de Educação Física, se afastava pra ler enquanto a turma jogava bola.

Com o tempo, fui conhecendo o mundo fora das duas grandes, e li mais ainda. Antes, a Herói, a Wizard e primos meus velhos eram meus guias; então, veio a internet com sites e blogs de gente que realmente sabia do que tava falando, o Catapop entre eles. E li mais quadrinhos, e li sobre quadrinhos, e queria ler mais. Passei a ser cada vez mais seletivo, deixei de me importar tanto com cronologia e com personagens e mais com as equipes criativas. Os scans me deram a possibilidade de ler títulos que eu nem sabia que existia e muitos que eu achei que nunca leria. Iniciei uma nova e modesta coleção, sem a pretensão e a pressão de ter tudo na estante, focando na qualidade e no prazer que aquela leitura pode me dar nas pausas entre as atribulações do cotidiano.

Obrigado, Marlo, porque relendo Batman – O Filho do Demônio tudo isso me veio à memória. Era sobre isso que eu queria falar."

Um comentário:

Gerlande Diogo disse...

Muito bom esse comentário, legal :)