02/11/2015

O drama dos adultos

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Desde o Superman (1978) de Richard Donner, por décadas que pareceram intermináveis, desejamos muito que os estúdios de Hollywood fossem capazes de fazer filmes decentes com super-heróis. Em 2000, o primeiro X-Men, com sua precisa combinação de drama e ação, inaugurou uma nova "Era de Ouro" do gênero, consolidada com Batman Begins (2005) e Homem de Ferro (2008).

Já houve muita tranqueira e muita coisa legal desde então, mas não há como negar: super-heróis são a coisa mais quente na Sétima Arte, hoje em dia, dominando a expectativa dos fãs e o burburinho nas redes sociais.

Por um lado, isso é muito bom, porque os filmes estão cada vez mais bem-feitos e parece não existir mais efeito especial impossível ou sequer desafiador, frequente desculpa para a não realização dos filmes, antes da supracitada "Era de Ouro".

Por outro lado, Hollywood está vivendo uma "adolescência" que parece interminável. Mesmo considerando que boa parte do público de super-heróis é gente acima dos 30 anos, estes não são filmes que se possa exatamente chamar de adultos - e existe, sim, uma demanda por filmes que atendam a expectativas dramáticas que os filmes de heróis (ou fantasias adolescentes distópicas, como Jogos Vorazes, Divergente ou Maze Runner) nem sempre estão dispostos ou aptos a suprir. 

Observe o circuito de cinema: os lançamentos de filmes baseados em HQs e outros tipos de fantasia dominam, enchendo diversas salas simultaneamente, numa demonstração de supremacia que parece longe do fim. Com isso, os filmes de outros gêneros acabam relegados a um mínimo de salas, não raramente em horários proibitivos.

Até mesmo a chamada "temporada do Oscar", na qual grandes dramas com chances no prêmio sempre acabam chamando atenção, parece estar ficando mais curta a cada ano que passa. Veja bem, este não é um manifesto contra os filmes de heróis e super-heróis, que eu tanto adoro. Só desejo que haja um pouco mais de diversidade na programação das salas e que os nerds gastem um pouco mais de seu tempo e de seu dinheiro para ver, também, filmes que fujam do nicho HQ/ação/sci-fi.

O Catapop é um blog em que as HQs, bem como o cinema nelas baseado, estão e estarão sempre presentes, mas, desta vez, desejo sugerir aos amigos leitores alguns cineastas, cujas obras agregam valor ao intelecto de quem as assiste. Listas são aquela coisa, né? Tanto os cineastas quanto os três filmes de cada um que escolhi como seus pontos altos refletem somente minha atual percepção. Feita daqui a uma semana ou daqui a um ano, talvez fossem outros. Enfim, assistam e escolham os seus.


CLINT EASTWOOD 


Há pouco que eu possa falar sobre os primeiros anos de Clint como diretor, ainda na década de 70, mas, desde Bird (1988) e, mais notadamente, Os Imperdoáveis (1992, vencedor de quatro Oscars), seu nome está, para mim, associados a dramas a que não se assiste impunemente. Quem diria que um ator que construiu toda uma reputação sempre de arma em punho (como o "estranho sem nome" dos westerns ou como o detetive "Dirty" Harry Callahan em diversos policiais) se tornaria tão sensível contador de histórias? 

Pontos altos: Os Imperdoáveis (1992), As Pontes de Madison (1995), Sobre Meninos e Lobos (2003).


DAVID FINCHER 


Antigo diretor de videoclipes (por exemplo, Vogue e Bad Girl, de Madonna), Fincher trouxe para o cinema o charme cool de sua estética, combinando-a com ótimos roteiros, irrepreensível direção de atores e trilha sonora sufocante, geralmente a cargo do amigo Trent Reznor (do Nine Inch Nails). Tudo isso sem perder, por um fotograma que seja, o senso de espetáculo e, ocasionalmente, bem-vinda provocação. O Curioso Caso de Benjamin Button mostrou que Fincher também sabe emocionar.

Pontos altos: Seven: Os Sete Crimes Capitais (1995), Clube da Luta (1999) e Garota Exemplar (2014).


MICHAEL MANN 


Não raramente, os homens do universo dos filmes de Michael Mann são tipos que levam muito a sério seus trabalhos e têm essa dedicação testada pelas circunstâncias. Em seus filmes, palavra e compromisso são iguarias de alto valor e piadinhas não constam do cardápio. Os homens (sim, no gênero masculino, mesmo) que protagonizam os filmes de Mann não descansam até que suas missões estejam cumpridas (e, acredite, sem que isso implique em qualquer vestígio de autoajuda).

Pontos altos: O Último dos Moicanos (1992), O Informante (1999) e Colateral (2004).


PAUL THOMAS ANDERSON 


Vou confessar: os três filmes citados como pontos altos são os três únicos de Paul Thomas Anderson que assisti - mas, caramba, que experiências! Seus filmes são sempre longos, contemplativos, mas seu caráter permanentemente questionador e filosófico os torna obrigatórios, presença constante em lista de melhores do ano. Nota mental: assistir e riscar Boogie Nights (1998) e Embriagado de Amor (2002) da minha Lista da Vergonha o quanto antes.

Pontos altos: Magnolia (1999), a obra-prima Sangue Negro (2007) e O Mestre (2010).


SPIKE JONZE 


Provavelmente, o mais original dos cineastas nesta lista, Jonze é um articulador de histórias improváveis. Ele dirigiu apenas quatro longa-metragens e o único que eu não assisti foi justamente o primeiro deles, Quero Ser John Malkovich (vergonha, vergonha, VERGONHA!). De resto, temos mesmo que bater palmas para um homem que consegue extrair um duplo ótimo desempenho de Nicolas Cage (como os gêmeos de Adaptação) e transforma a história de amor entre um homem e um sistema operacional (Ela) num dos melhores filmes da década.

Pontos altos: Adaptação (2002), o genial Ela (2014) e Quero Ser John Malkovich (1999 - é, eu não vi, mas tantos prêmios e tantos queixos caídos dos que assistiram não podem estar tão errados).

8 comentários:

Vinicius disse...

ótima lista, sou muito fã de clint como ator, vi pouca coisa dele na direção, mas ele é muito bom no que faz, isso é inegável, se você se sente incomodado de não ter visto "quero ser jon malkovich" imagina eu que não vi Seven ainda! KKKKKKKKKKKK

Caesius Maximus disse...

Por melhor que seja a atual safra de filmes adaptados do mundinho nerd, existem provas de que nem só de pão vive o homem. Não bastando os nomes citados em sua lista já terem conquistado seu merecido lugar no sagrado panteão dos grandes diretores, também precisamos chamar atenção da plateia para os velhos clássicos. E aí a tarefa se torna muito ingrata. Felizmente sua lista tem o condão capaz de levar os "novinhos" a tomar gosto por filmes mais cabeça, levando-os a, quem sabe, buscar outros tantos filmes de qualidade inquestionável.

Alexandre Melo disse...

Da ideia mais ampla do começo; tem tempo que sou consciente que atrações adultas são para uma "vanguarda", na falta de palavra melhor.
O que me assusta é falta de curiosidade, muitas vezes sumária, do grande público em se aventurar para algo fora da zona de conforto. Quanto ao mesmo tempo é perceptível mercado pequeno, talvez não ao ponto de se tornar sustentável, porém consolidado ávido por obras mais ousadas. Só que em vez de coexistir essas duas audiências acabam num cabo de guerra. Sem me aprofundar no impasse, só ver como anda relação filmes dublados versus legendados.
É confortável, preguiçosa, mas sobretudo solipsista a solução de buscar conteúdo premium da HBO ou NETFLIX. Tenho acesso a conteúdo de qualidade, mas se quero ter chance de explanar e trocar ideias, só num mesa virtual de debates, como aqui no CATAPOP!
Por fim, deixar sugestões de mais alguns diretores: Darren Aronofsky, Nicolas Winding Refn e o Christopher Nolan underground de Memento, Insônia e O Grande Truque.

Gerlande Diogo disse...

De Eastwood ainda ñ vi Bird; sou fã incondicional de David Fincher; por incrível q pareça nunca assisti O Último dos Moicanos (1° vergonha); Paul Thomas Anderson é outro de quem sou fã, mas tb ñ assisti Embriagado de Amor (2° vergonha); de Spike Jonze só assisti "um" filme (3° vergonha) que vem a ser Ela, q é um filmão.

Alberto Silva disse...

@Alexandre Melo
Do Nicolas Winding Refn, assisti Drive, e meu amigo, que trilha sonora, que filmaço!!! Parecia que eu tinha entrado no filme de uma forma que não conseguia parar de ver, e não tinha visto no cinema (infelizmente) e quando estreou, fui de novo ver! É tenso, emocionante! Ainda do Nicolas, o Bronson, que atuação espetacular do Tom Hardy, aqui vemos uma história inacreditável (verídica!!!).

Marlo, excelentes dicas!!!
Do Clint, até hoje, pra mim, Menina de Ouro termina com uns 45 mins, antes da última luta, Filmaço também!!!! E o cara tá ficando mais maduro e seus filmes cada vez melhores!

Do Fincher acho que o cara não deu uma bola fora, exceto o Alien 3 (que pegou no meio do caminho, produção conturbada). Vale dizer que o rapaz dirigiu os 2 primeiros episódios de House of Cards e até hoje é produtor da série. E graças a Jah, fui ver Garota Exemplar sem saber de nada do filme!

E estou doido pra ver Spielberg, Ponte dos Espiões!

Ahhhh, se não viu, veja Ridley Scott com o excelente Perdido em Marte (outro que fui assistir sem ver um trailer!!!! Sensacional a experiência). E sou um dos que gosta do Prometheus (me julguem!!!)

Fernando disse...

O que você está fazendo lendo este comentário? VÁ VER JOHN MALKOVICH AGORAAAAA! :P

Do Vale disse...

Revendo Soldado Anônimo aqui e: Sam Mendes.

Marlo de Sousa disse...

VINICIUS, corra atrás de seus prejuízos, porque eu já posso dizer que assisti "Quero Ser John Malkovich". Veja "Seven" logo, não seja vítima da Preguiça. É pecado!

CAESIUS MAXIMUS, a lista do Clint, por exemplo, se não estivesse limitada a três sugestões, certamente incluiria "Gran Torino", "Um Mundo Perfeito" e o próprio "Bird". Sinto que esta lista de diretores formidáveis vai acabar gerando uma segunda edição deste post. Aceito sugestões.

ALEXANDRE, dos nomes que você sugeriu, só mesmo Nicolas Winding Refn não me passou pela cabeça - como resistir a indicar Darren Aronofsky, um cara que tem "Réquiem Para um Sonho" e "Cisne Negro" no currículo? Talvez eu tenha desejado "pegar leve" e indicar obras mais facilmente digeríveis. Pensei nesse Nolan menos blockbuster, de "Memento" e "Insônia" (e acho até que meteria o megassucesso "A Origem" na lista), mas acho que ele hoje mexe com dinheiro demais pra ser considerado underground.

GERLANDE, três sugestões: PopCorn Time; Netflix; locadora. Sempre dá tempo de correr atrás das obras-primas ainda não assistidas.

ALBERTO, pensei muito antes de omitir, por exemplo, "A Rede Social" da lista do Fincher, um filme que eu acho sensacional. Não fosse esta lista uma tentativa de evitar nomes muito óbvios, como Spielberg, é claro que ele certamente merecia ter alguns de seus filmes indicados aqui. Pode crer que "Perdido em Marte" está na minha mira, tá com toda pinta de ser divertidíssimo!

FERNANDO, já viiiiiii! :)

DO VALE, se rolar mesmo uma segunda lista, é certo que Sam Mendes estará nela.

Abraços a todos!