30/11/2015

Sobre agregar valor (e poder)


O sucesso das adaptações Marvel no cinema não havia influenciado minha lista de compras. Faz anos que não acompanho um título mensal da editora. Até penso em dar uma chance à All New, All Different Marvel Now (seja lá que nome a fase ganhe em português - e já fico preocupado com o tamanho do nome original da próxima).

Mas eis que a Panini Comics começou a encadernar a primeira leva da Marvel NOW! (aqui, Nova Marvel), publicada em 2013, e eu já adquiri dois títulos: Thor - O Carniceiro dos Deuses e este Os Vingadores - Mundo de Vingadores.

Escritas por Jonathan Hickman e desenhadas por Jerome Opeña (1-3) e Adam Kubert (4-6), as seis histórias deste volume trazem uma equipe "revista e ampliada" em relação à formação vista no cinema (manter o sexteto original é, claro, uma decisão esperta da Marvel, visando ao leitor que se interessou pelos quadrinhos a partir dos filmes).

Por sugestão do Homem de Ferro, os heróis mais poderosos da Terra decidem ampliar suas fileiras numa escala nunca vista antes, recrutando vários novos membros (entre velhos conhecidos e estreantes), que entrarão em ação conforme a necessidade. A agremiação de incrível poder inclui gente como Wolverine, Hipérion, Miss Marvel e  os mutantes Míssil e Mancha Solar.

E não é à toa que tal time se reúne: em Marte, duas entidades disputam a primazia pelo direito a intervir na Terra. O robô de extermínio Aleph, criado pelos primeiros seres vivos do universo, deseja cumprir sua programação e eliminar nossa espécie devido a nossas inúmeras imperfeições. Já o semideus alienígena Ex Nihilo tem planos de salvar a raça humana para "reescrevê-la" melhor.

É possível, mesmo para o leitor neófito, como eu, entender por que Jonathan Hickman tornou-se uma das figuras centrais da Marvel, dividindo o ouro da casa com os também ótimos Brian Michael Bendis e Jason Aaron. Hickman possui um senso de espetáculo e grandeza que lembra Mark Millar e alia ciência, psicologia e filosofia (vide o fantástico interlúdio zen entre Shang Chi e a Capitã Universo) como faria um Grant Morrison, só que sem muita "viagem" metafísica - o que pode ser entendido por alguns como uma vantagem e por outros como uma decepção.

Opeña e Kubert dão conta da missão de traduzir tudo em imagens, entregando arte limpa, agradável e adequada ao que é, basicamente, um blockbuster em papel, quase pronto para ser traduzido diretamente em película, coisa em que a Marvel ficou craque desde Os Supremos.

Ao final da sexta história, a revelação da identidade do "homem melhor" projetado por Ex Nihilo faz tilintar vários sinos na cabeça de quem curtia Marvel na segunda metade dos anos 80. Sem querer entregar demais, duas palavras para você matutar: "branco" e "novo".

Após muitos anos em que os X-Men foram os queridinhos absolutos da Marvel, está sendo a vez de Os Vingadores ocuparem o centro do palco. A julgar pela qualidade de entretenimento apresentada aqui, a opção da Marvel me parece plenamente justificada. Eu, que nunca fui tão fã da equipe, estou derretido pelos Vingadores de Jonathan Hickman e mal posso esperar pelo segundo volume.

Os Vingadores - Mundo de Vingadores
Panini Comics - 148 páginas - R$ 26,90.

5 comentários:

Do Vale disse...

Olha só como o jogo virou pros mutantes. Até que tentaram alavancar algumas equipes criativas com o Joe Kelly no final dos anos 90 e Brubaker, Fraction e Carey nos anos 2000, mas acho que exposição exagerada e mais até o fato de que, com exceção do Morrison e do Whedon, e aqui chuto porque só isso que li dos títulos X pós-Massacre com a devida atenção, a maioria dos escritores não sabia ou não conseguia fazer o que queria com os X-Men & cia.

Outra coisa: claro que muito dos Vingadores serem o que são hoje se deve ao Bendis, assim como ao Quesada e seus amigos na editoria, mas creio eu que essa boa fase que a equipe tem vivido há cerca de 10 anos tem crédito mais ainda ao Mark Millar e seus Ultimates e a algumas passagens de boas equipes por títulos dos membros, como o Capitão do Brubaker/Epting.

Li esse encadernado curtindo todas as ideias loucas e o texto rápido do Hickmann (com um quê de Warren Ellis também, além de me passar a mesma sensação de quando lia a Liga do Morrison) e não tive como não comparar à escrita do Bendis e à própria abordagem dele da revista. Imagina aí esse arco de 3 partes na mão dele se estendendo por mais 2 ou 3 com mil quadros de diálogos desnecessários (nada contra meu irmão de calvície, mas em Vingadores ele exagerou e muito nos cacoetes).

Como te falei, li e já fui relendo e tentando sacar tudo que o Hickmann vai jogando pra depois trabalhar com mais lentidão, e ao mesmo tempo acelerado, nas 3 histórias seguintes. E desde que os Vingadores se tornaram o centro do Universo Marvel, lá com A Queda/Motim, não pegava algo deles com tanta vontade.

Agiliza ae o resto, Panini.

Alexandre Melo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alexandre Melo disse...

Não acho que é pleno acaso que ser esse seu "retorno à Casa das Ideias". Uma brincadeira recorrente é dizer que o sonho do Hickman é escrever pra DC Comics, e o jeito é se conformar contrabandeando o estilo pra dentro das histórias da MARVEL.
Boa notícia o lançamento desse material no formato encadernado. Gostaria de significasse que também terá vez a elogiadíssima passagem do autor em Quarteto Fantástico, só que não tenho muita esperança, ainda mais pelo tosco boicote em cima da rixa entre a FOX e MARVEL pelos direitos cinematográficos da Primeira Família.

doggma disse...

Fala, Marlo!

Confesso que não via com bons olhos essa aparente imitação da sanha reformista dos Novos 52, mas após "O Carniceiro dos Deuses" e "Fabulosos Vingadores: A Sombra Vermelha" vi que a coisa era bem diferente. Há tempos não sentia vontade de reler, em tão pouco tempo, um material recente de um título mensal. E pelos elogios, já vi que "Mundo de Vingadores" vai pelo mesmo caminho.

Essa é a beleza da Marvel. As matrizes (continuidade, essência) são respeitadas - não há nada de errado com elas, afinal. O fôlego é que é renovado. Relaunch é isso aí.

Gerlande Diogo disse...

Ai, ai, ai, assim meu bolso sofre :(