10/12/2017

U2 - Songs of Experience


Em 2017, completaram-se 30 anos desde que conheci o U2. Não é a um amigo ou programa de clipes dos anos 80 que devo gratidão pelo fato, mas à Som Livre, que incluiu "With or Without You" na trilha internacional da novela Mandala e mudou minha vida.

Só que minha vida já mudou tantas vezes e o U2 já mudou tantas vezes que, ultimamente, parece que a gente não se reconhece mais. Há três anos, por exemplo, eu malhei Songs of Innocence impiedosamente, apenas para, semanas depois, escrever novo review, reconhecendo as qualidades de um disco que carregava generosa porção da dignidade que pontua toda a carreira da banda, embora não soasse especial para mim sob qualquer aspecto.

Talvez seja isso que, para mim, vem faltando ao U2 há algum tempo: um disco capaz de mudar minha vida novamente. Eu sei que posso estar esperando à toa. Essas coisas costumam acontecer quando a gente é adolescente ou jovem adulto. Depois, vai ficando cada vez mais raro, porque a idade deixa a gente menos suscetível e mais impaciente.

Pois bem, o U2 voltou. Anunciado como um "disco-irmão" que sairia menos de um ano após o anterior, Songs of Experience levou três anos pra finalmente ver a luz do dia. Eu já deveria ter aprendido a não acreditar nessa ladainha de disco do U2 que "sai logo mais". Quando se trata deles, tudo é gigantesco e state-of-the-art demais pra não demorar.

A espera envolveu a reescrita e regravação de faixas já prontas. Segundo a banda, o mundo estava mudando rápido demais, e a eleição de Donald Trump foi a gota d'água (e ainda é preciso lembrar do grave acidente de bicicleta sofrido por Bono, no fim de 2014). A mim, interessa o que me entra pelos ouvidos: um disco melhor que seu predecessor - com defeitos aparentes, mas com qualidades inegáveis em maior número.



Em meio ao autotune da plácida faixa de abertura, "Love Is All We Have Left", Bono declara: esta não é uma época para não estar vivo. Como de hábito, o grupo presta atenção ao tempo em que vive e tenta radiografá-lo. 

"Lights of Home", a segunda, vai direto pras cabeças, entre as melhores criações do U2 nesta década. Foi composta, em inusitada parceria, com as três irmãs do trio pop Haim. O primeiro verso ("eu não deveria estar aqui, pois deveria estar morto") me leva a pensar no quanto a gente é poupado (ou privado) dos bastidores da banda. Pelo jeito, a barra pesa muito mais do que nos é permitido saber.

"You're the Best Thing About Me" talvez seja a coisa mais automaticamente reconhecível como "som do U2", uma bonita e apaixonada canção pop que se soma a outras da mesma estirpe, seja para falar de amor ("The Little Things That Give You Away", "Landlady") ou de guerra ("American Soul", "Red Flag Day"), com um Bono afiado nas letras e cantando muito bem, sem cansaço. 

Apesar da eficiência melódica geral, o disco carece de um fraseado de guitarra capaz de fazer a gente se derreter de amor por The Edge. Por outro lado, o baixo de Adam Clayton pulsa forte, tomando o primeiro plano diversas vezes (mais notadamente, em "The Blackout", uma grande canção quase estragada pelo refrão medíocre e anticlimático).

Como já virou uma espécie de tradição, o disco fecha com uma faixa suave e emocional, "13 (There Is a Light)", em que Bono dialoga com a mãe falecida, força-motriz de várias de suas criações, compartilhando inclusive do mesmo refrão de outra ("Song for Someone"), do disco anterior.

Na versão Deluxe, quatro faixas compõem o disco extra, sendo duas delas remixes ("You're the Best..." - do DJ Kygo - e "Lights of Home", em arrepiante arranjo de cordas). As outras duas são uma esquecível ("Book of Your Heart") e uma excelente ("Ordinary Love", indicada ao Oscar e ganhadora do Globo de Ouro, presente na trilha do filme Mandela: O Caminho Para a Liberdade, de 2013).

Ainda não consigo dizer que o U2 voltou (ou se um dia voltará) ao trono que um dia ocupou em meu coração, mas, acredite, eles não estão morando mal por lá. Sempre existe interesse de minha parte em tudo que a banda faz, e sua música jamais deixou de ser cativante. Por agora, me basta o fato de que Songs of Experience provoca mais sorrisos em meu rosto do que desfaz.


* * * * *

U2
Songs of Experience (2017)
Produção: Jacknife Lee, Steve Lillywhite e outros

01 - "Love Is All We Have Left"
02 - "Lights of Home"
03 - "You're the Best Thing About Me"
04 - "Get Out of Your Own Way"
05 - "American Soul"
06 - "Summer of Love"
07 - "Red Flag Day"
08 - "The Showman (Little More Better)"
09 - "The Little Things That Give You Away"
10 - "Landlady"
11 - "The Blackout"
12 - "Love Is Bigger Than Anything in Its Way"
13 - "13 (There Is a Light)"

09/12/2017

It's alive!!!


Sem mais delongas e sem chorumelas: o Catapop vive e respira.

A nova temporada começa com novo arquivamento em massa das postagens anteriores - apenas porque sim; relaxe e aproveite as novas. 

O Catapop volta porque, por mais feliz que eu esteja com o trabalho desenvolvido junto com os demais 7 Jagunços no Arte-Final HQ, andei sentindo muita falta de escrever sobre cinema e, principalmente, sobre música. Por lá, esses assuntos até podem rolar, desde que atrelados à nobre arte de fazer gibizinhos, o que limitaria minhas possibilidades.

Pra quem gostava do que havia aqui antes, um alento: de vez em quando, as postagens mais legais podem voltar, numa espécie de "The Best of" (ou pra tapar buraco, quando a falta de inspiração se prolongar demais).

Enfim, é isso. Seja bem-vindo (de novo) ao Catapop.