10/01/2017

Hoje é um novo dia...


Mais um ano que termina e outro que começa, com aquelas velhas perguntas, dando voltas em minha mente:

- Este blog ainda tem razão de existir?
- Alguém ainda lê o Catapop?
- Eu ainda quero mantê-lo no ar?

Como você deve ter perguntas mais importantes e interessantes para responder, vou considerar "sim" como a resposta a todas elas, seja verdade ou não. Na chamada "meia idade", há que não se perder tempo com chorumelas. 

Olá, 2017!


RETROSPECTIVA 2016 

George Michael, Sharon Jones, Leonard Cohen, Prince, David Bowie, Carrie Fisher, Alan Rickman, Steve Dillon, Darwyn Cooke: sentirei saudades. 💔

Fim da Retrospectiva.


Sobre as HQs, filmes, séries e álbuns que você desejou ver resenhados aqui durante o ano que passou: no que diz respeito às minhas finanças, 2016 foi um ano horrível. Às vezes, eu não podia consumir o que desejava. Às vezes, tinha que fazer escolhas difíceis. Não li ou assisti metade do que queria. Paciência. Tudo passa. Tomara que passe logo.

Pelo menos, não fiquei no zero. Vamos começar pelos quadrinhos:


MARVEL


Quem diria que eu, decenauta desde sempre, estaria tão marvete - e pior: gostando disso? O que eu sei é que a tal "Nova Marvel" (nome dado no Brasil ao "Marvel Now", o relaunch de 2013) tem umas coisas que nunca estiveram no meu cardápio de leitura e, agora, não sei mais viver sem elas. Recomendo, com especial ênfase:

- GAVIÃO ARQUEIRO, de Matt Fraction, David Aja e outros. O gibi mais divertido que você terá lido em muito, muito tempo. Ágil, bonito, moderno e inteligente, trata-se de uma pequena revolução. Foram três encadernados publicados até o momento.

- MISS MARVEL, de G. Willow Wilson, Adrian Alphona e outros. Novamente, diversão é a palavra de ordem. A muçulmana Kamala Khan é a nova Miss Marvel, uma adolescente inumana que tem problemas de qualquer adolescente humana. Respeito cultural e religioso são bônus muito bem-vindos nos dois volumes já publicados.

- THOR, de Jason Aaron, Esad Ribic e outros. Minha cisma com o Thor ruiu com a versão Ultimate do personagem e com algumas histórias isoladas, como o encadernado Loki. Nas três coletâneas já lançadas, Aaron (de Escalpo) entrega um novo e excelente épico de macheza viking. 

- OS VINGADORES e NOVOS VINGADORES, de Jonathan Hickman, Jerome Opeña, Steve Epting e outros. Os novos queridinhos do mundo super-heroico, em histórias incrivelmente bem escritas pelo principal arquiteto do Universo Marvel da atualidade. Hickman escreve ficção científica com classe e entende demais de dinâmica de equipe, mesmo quando ela tem uns 20 membros. Até aqui, são três livros de Os Vingadores e um de Novos Vingadores - e está tudo conectado. Leia todos.

Dois clássicos Marvel estão de volta à minha estante: A Última Caçada de Kraven, do Homem-Aranha; e Shamballa, do Doutor Estranho (cujo filme, se você não viu, PRECISA ver). Um terceiro chegou pela primeira vez, como presente do amigo Luwig: A Queda de Murdock, do Demolidor, um personagem que eu queria ter lido muito mais e não pude. Você já sabe o porquê, falei disso lá no começo.


DC 


A onda de republicações e novidades dos Novos 52 passou praticamente em brancas nuvens para mim. Teve um volume legalzinho da minissérie do Shazam! (Geoff Johns e Gary Frank), outro melhorzinho de Batman/Superman (Greg Pak, Jae Lee e Brett Booth), o extorsivo terceiro volume do Batman de Scott Snyder e Greg Capullo (desnecessariamente engordado com histórias do Batman & Robin, de Peter Tomasi e Patrick Gleason). A mais grata surpresa, porém, está nos dois ótimos encadernados da Mulher-Maravilha (Brian Azzarello e Cliff Chiang), surfando a onda de popularidade da personagem, em alta desde que Gal Gadot nos colocou a seus pés, em Batman vs Superman.

The Authority é DC, mas não é (veio da WildStorm, antigo selo de Jim Lee). Dane-se. É o gibi de super-herói blockbuster por excelência, onde Mark Millar estagiou pra fazer tudo aquilo que o consagrou em Os Supremos (mas gosto bem mais dos arcos de Warren Ellis). Saíram três coletâneas, até aqui.

Dos 60 volumes da coleção de graphic novels da DC pela editora Eaglemoss, parei em sete (e isso porque foi impossível desviar dos dois volumes de Silêncio, do Batman). Parabéns aos que conseguiram comprar a coleção e conservaram os dois rins. Manterei e/ou aguardarei edições da própria Panini, que são mais caprichadas e comparativamente mais baratas, além de não terem lombada pega-trouxa. Clássico por clássico, meu suado dinheiro foi muito mais bem gasto com o segundo volume de Gotham DPGC.


VERTIGO 


Tendo deixado passar toda a coleção do Monstro do Pântano de Alan Moore (sendo uma das razões o despautério de publicá-la em papel Pisa Brite), comprei os dois primeiros volumes escritos por Rick Veitch e, olha, que surpresa boa! Um gibi de gente grande, que envelheceu bem - longe de ser chato, mas que exige concentração. Já sei, de antemão, que o final é abrupto, polêmico e decepcionante (por conta das interferências da editora na ousadia de Veitch), mas vejo que o caminho até lá será enriquecedor.

Depois da consagrada fase de Grant Morrison, a Panini surpreendeu até os mais descrentes, prosseguindo a publicação de Homem-Animal, com um volume de Peter Milligan e três outros de Tom Veitch (e, honestamente, dá pra viver sem eles). Não para por aí: a editora já prometeu a fase de Jamie Delano para breve.

Dei uma chance a Astro City, de Kurt Busiek, em seu sétimo volume. Não me arrependi, mas não sei quando (ou se) poderei correr atrás dos outros. Melhor não fazer planos agora. O mesmo pode ser dito de DPF: Departamento de Polícia da Física, título novo, da gestão pós-Karen Berger, mas, por razões diferentes: o provável fracasso de vendas deve acabar a história do título por aqui nos dois volumes publicados. Uma pena, pois estava começando a pegar embalo.

Por outro lado, Tom Strong continuou bastante divertida e, a exemplo do Homem-Animal, está saindo a toque de caixa (foram apenas seis meses entre o primeiro e o quarto volume). Alan Moore também garantiu mais espaço na estante com o desejadíssimo (porém, caríssimo e, por isso mesmo, proteladíssimo) primeiro volume da Edição Definitiva de Promethea. Do lançamento até o conforto da minha prateleira, foi mais de um ano de espera.

Por último, mas nunca menos importante, houve dois encerramentos de peso, ao fim de 2016.

Fábulas 22 encerrou a jornada do segundo mais longevo título Vertigo (perdendo apenas para Hellblazer) com a maestria esperada de Bill Willingham, Mark Buckingham e convidados. Houve perdas e despedidas, mas houve alegria e esperança. Como nas melhores fábulas, enfim. Vai deixar saudades, mas, felizmente, basta pegar o primeiro volume e começar tudo de novo.

Já o muito aguardado Sandman: Prelúdio 3 fechou as portas do Sonhar no exato ponto onde elas foram abertas pela primeira vez. Pode não ter sido a melhor história do personagem, mas veio carregada de reflexão e emoção, traduzidas nas formas e cores do artista mais formidável que Neil Gaiman já teve como parceiro: J. H. Williams III, um colosso, com suas explosões de beleza visual e sua diagramação incomparável.


MENÇÕES HONROSAS

Mônica: Força e Bidu: Juntos mantiveram o padrão de qualidade Graphic MSP: digno, mas falhando em ser espetacular. Punho de Ferro voltou a sair em TPBs, com a dupla Fraction/Aja fazendo mais das suas. Já falei disso, mas não custa repetir: o especial Lois & Clark trouxe de volta o Superman que vale (o pré-Novos 52) e foi lindo.

MENÇÕES DESONROSAS

Pra não dizer que tudo estava sempre bom na Nova Marvel, os Guardiões da Galáxias, a cargo de Brian Bendis e Steven McNiven, é um embuste, uma nulidade, e eu não vou passar do primeiro volume. O pior do pior, porém, ficou com a não desejada, não esperada e não satisfatória Cavaleiro das Trevas III: A Raça Superior, onde Frank Miller (auxiliado por um irreconhecível Brian Azzarello) prova que não sabe mais escrever (pelo menos, uma história que ande e que não seja uma coleção de pin-ups vergonhosas, deixadas a cargo de um Andy Kubert preocupado em emular o pior da arte do outrora mestre, que segue garranchando nos mini-gibis que acompanham cada capítulo).


E EM 2017?

Bom, agora em fevereiro começa o Renascimento (Rebirth) da DC Comics e eu vou querer conhecer, no mínimo, o elogiado Batman de Tom King. Tudo mais é incerto.


DÁ SÓ MAIS UMA DICA AÍ PRA GENTE, BATMAN!


Se eu tiver que recomendar um único gibi pra você, não pisco nem gaguejo para dizer: LAZARUS! Trata-se de um título da Image Comics - quem diria, atual celeiro das melhores ideias em quadrinhos adultos - escrito por Greg Rucka e desenhada por Michael Lark. Não digo mais nada, exceto isto: leia e, depois, volte para me agradecer. 😉

4 comentários:

Unknown disse...

Não deixe o blog acabar...não deixe o blog morrer...
o blog é feito de texto... que eu amo ler!
(desculpa a paródia.. rsrsrs)
Mas cadê as coletâneas???

Alexandre Melo disse...

Abrir com também com minha rapidíssima retrospectiva, 2016 foi ano que mais me endividei e passei sufoco financeiro, mas valeu a pena, que toda bizuada na estante fornida, dou um sorriso.
E muito por coisas que foram comentadas. Comprei edições do Authority em formatinho e papel chinfrim quando lançado pela primeira vez no Brasil. Ainda mereceria, assim como o Planetary, algo do tipo ABSOLUTE (ao menos pra fase do Ellis), mas o lançamento da PANINI já tá do agrado. Já que material do Warren Ellis tá em pauta, vale a pena correr atrás do primeiro volume de histórias dele pro Cavaleiro da Lua. Tá animal que alcançou de concisão de domínio narrativo (esqueçam os outros dois com personagem).
Assim como encadernados do Gavião Arqueiro e Punho de Ferro, que me faz ter curiosidade pra ler mais coisa do Fraction, inclusive material alternativo como o Casanova (é mais cadê dinheiro).
E também neglicencio que vem fazendo a DC tradicional. Fora coisa assinado pelo Grant Morrison, como Homem-Animal ou Patrulha do Destino; não dava comichão por nada vindo de, até agora; que me bateu curiosidade pra reencontrar a Mulher-Maravilha, ainda mais com filme solo dela chegando.
Curioso sobre esse Lazarus, e só faz crescer ansiedade que soltem logo que falta (se não me engano, a PANINI se compromete com mais dois TPB futuros) do título que fez história com essa mesma equipe criativa Rucka/Lark: Gotham Central.

Gerlande Diogo disse...

Bem, o blog tem sim, razão de existir. Existem leitores fiéis como eu, por exemplo. Nada de chorumelas, o Catapop! segue em frente. Ano passado foi o ano das perdas, mas são coisas da vida. Pra 2017 eu espero poder voltar a comprar minhas HQs. Ano passado tb ñ foi fácil pra mim, mas espero voltar a toda esse ano. No mais, feliz 2017 pra nós. E ñ esqueçam, o mundo é dos nerds!

The Messiah disse...

Como estou em falta com os quadrinhos, tem leio nada nada a respeito já fazem dois anos e meio, o motivo.. minha querida e linda filha. Tive que fazer algumas escolhas, pois financeiramente não daria pra conciliar tudo :D
Mas, vou atrás desse LAZARUS, fiquei super curioso.

Até as idas ao cinema que eram frequentes, hoje em dia é só pra certos filmes que não tem como não ir, como por exemplo "Star Wars" kkkk

Séries tbm é uma coisa que eu assistia todas e de tudo, maaaas nos últimos anos eu tenho assistido apenas algumas escolhidas a dedo, e que esteja/produzida na netflix.

Música é uma coisa que nunca parei de consumir muuuito e que sempre consumo mais do que os outros mencionados aí em cima. Pela facilidade/preço dos streamings eu consigo manter bem, aqueles que realmente me tocam e mexem comigo eu compro, como por exemplo, nesse ano de 2016 alguns deles foram: BADBADNOTGOOD - IV, Billy Talent - Afraid of Heights, Chevelle - The North Corridor, If These Trees Could Talk - The Bones of a Dying World, Josh Garrels - The Light Came Down, Metallica - Hardwired…To Self-Destruct, Norah Jones - Day Breaks, Red Hot Chili Peppers - The Getaway, The Last Shadow Puppets - Everything You've Come To Expect, Thrice - To Be Everywhere is to be Nowhere, Tom Chaplin - The Wave, Young The Giant - Home of the Strange, White Lies - Friends, Patterns - Sout EP (esse EP é de 2015 mas descobri recentemente, which by the way you´ll love this.. trust me).

A lista foi grande aí, mas esses são os que realmente me marcaram nesse ano.

Cheers, my good friend.