17/12/2017

Star Wars: Os Últimos Jedi


Há dois anos, O Despertar da Força reapresentou Star Wars ao mundo, uma década após o fim da trilogia de prequels (A Ameaça Fantasma, 1999; Ataque dos Clones, 2002; A Vingança dos Sith, 2005). Apesar de dirigido por um notório criador de blockbusters com cérebro (J. J. Abrams) e de ter se tornado a terceira maior bilheteria da história, o filme pouco faz além de requentar a história de Uma Nova Esperança (o primeiro Star Wars, de 1977, que nossos pais ainda chamam de Guerra nas Estrelas) com ajuda de novos personagens: onde antes havia (e, aos poucos, deixa de haver) Luke Skywalker, Leia Organa, Han Solo e Darth Vader, estamos nos acostumando aos nomes e presenças de Rey, Finn, Poe Dameron e Kylo Ren.

Star Wars: Os Últimos Jedi veio à luz cercado de muita expectativa. Afinal, ele traria de volta a figura central da trilogia original, Luke Skywalker (Mark Hammill), visto na última cena de O Despertar da Força. No fim de 2016, um nome muito querido do elenco, Carrie Fisher (a ex-princesa e atual general Leia Organa), veio a falecer (felizmente, após sua participação no filme estar concluída). Havia, ainda, a pressão implícita de ser o episódio "sombrio", aquele em que quase tudo dá errado para os mocinhos - sempre o segundo de cada trilogia, como foram O Império Contra-Ataca (1980) e Ataque dos Clones. Por fim, não dava pra fazer feio diante de Rogue One: Uma História de Star Wars (2016), elogiado primeiro esforço de uma série de filmes dedicados a contar histórias do passado das personagens (o segundo, Han Solo, sai em maio de 2018).

O diretor Rian Johnson tira de letra as missões. Ainda que Os Últimos Jedi não seja imune a críticas, estamos diante de um dos melhores filmes deste ano e desta franquia. 

Na tensa e magnífica cena de abertura, a general Leia comanda um contra-ataque rebelde que dá errado de muitas maneiras. As coisas não andam nada boas para a Resistência. Leia tenta manter acesa uma fagulha de esperança, enquanto Rey (Daisy Ridley) busca ajuda de Luke Skywalker no planeta onde ele foi se isolar. O recluso mestre jedi se nega, preferindo afastar-se da sombra de seu maior fracasso: seu sobrinho Ben Solo, vulgo Kylo Ren (Adam Driver). Por sua vez, Kylo e Rey descobrem uma conexão entre si que pode mudar os rumos da guerra e tudo que se pensava sobre o equilíbrio da Força.

O filme se divide claramente em três blocos de impacto variável. No primeiro terço, temos uma aventura espacial notável, quando a evacuação de uma base rebelde se transforma em um massacre. Uma das melhores cenas do filme, com momentos de tirar o fôlego. Ainda assim, não muito diferente do que se esperaria num filme Star Wars.

O meio do filme resvala perigosamente na mesmice, quando o stormtrooper desertor Finn (John Boyega), a mecânica Rose Tico (Kelly Marie Tran) e BB-8 precisam, pela enésima vez na série, infiltrar-se numa instalação imperial para desativar um dispositivo. Para isso, esperam contar com a ajuda de um "desbloqueador universal". Heróis encurralados, piadinhas, pequenas traições... Sim, você já viu tudo isso antes, e talvez tenha sido melhor das outra vezes.


Finn, Rey e Rose: "eu vou à luta com essa juventude..."

O "treinamento" de Rey com Luke é uma piada (em sua má-vontade, ele mal faz qualquer coisa para ajudá-la) e o momento da verdade entre Rey e Kylo Ren fica sempre um passo aquém da grandiosidade. Tem bons diálogos e reviravoltas, e os atores (especialmente Driver) estão confortáveis, mas a segurança que Rian Johnson demonstra nas cenas espaciais não se repete nos duelos de sabre de luz, sempre meio frustrantes, com uma coreografia estranha. Até a briga entre Finn e a Capitã Phasma (Gwendoline Christie) parece mais empolgante.

Quando chega a hora da retirada final da combalida Resistência (abandonada até por seus aliados), o filme cresce exponencialmente. O terço final do filme, na branca e salgada superfície do planeta Crait, é simplesmente inesquecível, com grandes momentos de heroísmo para guardar no coração, como a decisão final da capitã Holdo (Laura Dern), a investida de Finn contra a frota de walkers imperiais ou a esperada intervenção de Luke Skywalker. 

Sobre este, vale a pena abrir parênteses aqui, para algumas queixas.

Luke Skywalker tinha sido visto pela última vez há três décadas, no final de O Retorno de Jedi (1983), quando finalmente derrota seu pai, Darth Vader, e, supostamente, traria equilíbrio à força. Entretanto, não há um flashback sobre suas glórias ou fracassos como mestre jedi, exceto por Ben Solo. Não é possível que isso tenha sido tudo que ele "realizou". Não temos o menor vislumbre de seu auge como jedi - e deve ter havido um auge, ou ele não seria essa figura lendária. Tampouco é Luke um mestre sereno, como foi Obi-Wan Kenobi, mas um homem idoso ainda lutando com velhas inseguranças.


Luke Skywalker: "Ain, não sei se ajudo a Resistência ou compro uma bicicleta!"

Pode ter sido proposital a opção do roteiro por uma solução não-violenta para o conflito com Kylo Ren, mas isso nos privou de uma demonstração prática de suas habilidades (aliadas à frustração reprimida por décadas), que poderia resultar em cena como a vista entre Yoda e Dooku em Ataque dos Clones. A mensagem de Os Últimos Jedi é poderosa, mas teria sido bem legal ter visto Luke chutar bundas - apesar disso, vale elogiar o filme por toda sua postura antibelicista, quando, por exemplo, denuncia que as pessoas que mais lucram com a guerra não têm pudores de trabalhar com mocinhos e bandidos ao mesmo tempo. 

Precisamos saber, ainda, como foi que a Primeira Ordem surgiu tão poderosa, em tão pouco tempo, dos escombros de um Império esfacelado. Snoke já era tão poderoso assim? Se era, precisávamos ver como ele estendeu sua teia de influência. Cabe mais um elogio aqui: o CGI na fabricação de Snoke, um dos pontos mais frágeis em O Despertar da Força, está impecável aqui, e Andy Serkis entrega mais um trabalho memorável de captura digital de movimentos.

Star Wars: Os Últimos Jedi, enfim, qualifica-se entre os grandes filmes da série. Só não cravo agora mesmo que é o melhor porque teria que rever O Império Contra-Ataca para comparar. No episódio IX, possivelmente o derradeiro da série principal (até quando, veremos), J. J. Abrams volta à direção e isso já me deixa com um pé atrás - e não é que ele não possa ou não queira fazer um filme ousado, o problema é saber se vão deixá-lo. A matéria-prima é de primeira; vejamos se a artesania é capaz de entregar a conclusão que nosso épico espacial favorito merece.

Por fim...


OBRIGADO POR TUDO, PRINCESA! 💗

3 comentários:

Alberto Silva disse...

Prezado Marlo,

Adorei o filme, acredito que o pouco que vemos do passado de Luke, do Snoke e etc, talvez seja por conta de pressão da própria Disney/Lucasfilm, ou mesmo o próprio estilo dos filmes de Star Wars, que são recortes de um período pequeno da história, onde, com a trilogia "do meio", tivemos vários desenhos (Clone Wars e etc), tivemos uma expansão do universo e aí sim pudemos ver o que só tinha sido citado.

Hoje temos como contar histórias não só em animações, como em livros, hqs e principalmente em filmes. Não sinto ausência das histórias do Snoke por exemplo, na trilogia clássica, não era necessário mostrar o passado do Tarkin pra saber que ele era foda, ou o próprio Darth Vader. E tenho certeza que serão supridas de uma forma ou de outra.

Me parece mais que o atual momento, se não mostrar algo, o público vai lá no twitter reclamar (heheheheh).

Abs. E espero que continue com o blog, pouco comento, mas sempre leio!

Luciana Sousa disse...

A historia está bem estruturada, o final é o melhor. Adorei está história, por que além das cenas cheias de efeitos especiais, realmente teve um roteiro decente, elemento que nem todos os filmes deste gênero tem. Eu gostei a participação de Justin Theroux, ele é um ator multifacetado e talentoso, seu trabalho de dublagem também é excelente, em Lego Ninjago foi ótimo. É um dos filmes mais divertidos que já vi, é um dos melhores filmes de animação gostei muito como se desenvolve a história, o roteiro é muito divertido para pequenos e grandes, em todo momento nos fazem rir. É um filme que sem importar o estado de animo em que você se encontre, irá lhe ajudar a relaxar um pouco.

Camila González disse...

Acho que foi melhor filme que o Episodio VII, além, gostei de ver a Justin Theroux no elenco do filme, este ator nos deixa outro projeto de qualidade, de todas as suas filmografias Lego Ninjago, um dos melhores filmes de ação é a que eu mais gostei, acho que deve ser a grande variedade de talentos. A chave do sucesso é o bem que esta contada a historia e a trilha sonora, enfim, um dos meus preferidos e algo muito diferente aos que estávamos acostumados a ver.