01/05/2018

Vingadores: Guerra Infinita


Primeiro episódio de uma história em duas partes, Vingadores: Guerra Infinita é um filme que cumpre e até excede nossas expectativas do que seria o ápice das ambições dos Marvel Studios, no ano em que celebra seus primeiros dez anos. Um vida ainda curta, porém, revolucionária e bilionária.

Parte do que faz desta uma obra sem precedentes é o fato de que os irmãos Anthony Russo e Joe Russo souberam transpor, com espantosa fidelidade, a linguagem dos quadrinhos para as telas. Guerra Infinita assemelha-se aos muitos mega-eventos que temos lido ao longo de décadas, trazendo para o Universo Cinematográfico Marvel uma grandiosidade e um senso de perigo inéditos até aqui.

Já na primeira cena (em que há baixas importantes), temos um gosto do que aguarda os heróis nas duas horas e meia do filme: muito sofrimento na mão de Thanos. Sem muita dificuldade, ele derrota os Vingadores mais casca-grossa, Thor e Hulk. A partir daí, já de posse de duas das seis Joias do Infinito, ele parte em busca das quatro restantes. Em seu caminho, todo o elenco de heróis vistos nos 18 filmes da Marvel, com exceção de Gavião Arqueiro e Homem-Formiga, aparentemente aposentados.

Thanos: motherfucker from hell in the dark

A jornada de Thanos em busca de poder para obliterar metade da vida no universo é construída com cuidado exemplar. "Consertando" alguns dos maiores defeitos da filmografia da Marvel (os roteiros rasos, a constante leveza, a falta de consequências), Guerra Infinta está cheio de ótimos diálogos e situações verdadeiramente dramáticas, e muitos deles são protagonizadas pelo titã louco, um vilão que justifica toda o suspense construído sobre sua chegada, desde o primeiro filme dos Vingadores.

A presença assombrosa, a imensa força física e a vontade inabalável fazem de Thanos o mais formidável vilão dos Marvel Studios - e, com isso, mais um problema é resolvido. Por outro lado, apesar de todo o clima de desespero, existe humor no filme, especialmente (e previsivelmente) nas cenas que envolvem os Guardiões da Galáxia. Estes, aliás, acabam tornando-se peças fundamentais no desenvolvimento da trama da ascensão de Thanos. Outro personagem que sai do filme bastante fortalecido é Thor: o asgardiano protagoniza cenas dignas de um deus!

Com os Vingadores dispersos desde o final de Capitão América: Guerra Civil, os Russo sabiamente dividem a ação em diversas frentes, na Terra e no espaço, com pequenos grupos de heróis. Isso permite um melhor desenvolvimento das subtramas, que convergem para uma espetacular batalha em Wakanda, quando primeiro sua guarda e, depois, o próprio Thanos, enfrentam diversos heróis, levando a um desfecho que nos deixa estupefatos, revoltados e roendo as unhas de ansiedade pelo quarto filme.

Capitão América e Thor: homões da porra

O filme é tamanho triunfo, que os poucos incômodos (como a ainda inexplicada nova relação Banner/Hulk) não chegam a comprometer. Está cheio de surpresas (como a figura que guarda a Joia da Alma e o anão da forja estelar) e de ação tão espetacular, que chega a ser difícil prever o que esperar, depois de os diretores terem decretado que o próximo filme "será ainda maior e melhor". 

Melhor acreditarmos em Anthony e Joe. Não é coincidência que os filmes mais substanciais do estúdio sejam todos deles. Eles sabem muito bem o que estão fazendo e para onde estão indo. Acompanhá-los, ao que parece, será uma experiência transformadora. Quando terminar, provavelmente, 50% dos seres vivos estarão falando da mesma coisa.

4 comentários:

Gerlande Diogo disse...

Assisti Vingadores: Guerra Infinita ontem e ainda estou em êxtase. Que filme! Esses irmãos Russo são fodas. Conseguiram nos deixar com água na boca e ansiosos pelo desfecho da saga. Sobre o filme: Thanos é o dono da película. O filme é dele. Os Guardiões da Galáxia são um ótimo alívio cômico, essenciais para o MCU. Thor finalmente virou Thor. Hulk tremeu na base depois dos sopapos que levou de Thanos. Capitão América e Homem de Ferro merecem meu respeito. E senti falta do Gavião Arqueiro. Enfim, que venha logo o próximo Vingadores

Thiago Alves disse...

Em um filme desse porte, é comum a total imersão e deslumbre, fato conquistado com esplendor, guiado pela épica trilha score que cresce conforme a seriedade que o filme alcança. Dave Bautista me surpreendeu no elenco, é de admirar o profissionalismo deste ator, trabalha muito para se entregar em cada atuação o melhor, sempre supera seus papeis anteriores, o demonstrou em blade runner 2017, é um dos grandes filmes de Hollywood e o melhor filme de ficção cientifica! Se vocês são amantes do género, este é um que não devem deixar de ver.

Marcelo Oliveira disse...

Muito boa sua análise! Uma delícia de ler. Concordo totalmente sobre o filme ter superado nossas expectativas e por ter um direcionamento mais maduro comparado aos demais. Nós saímos do cinema perplexos, querendo ver de novo e já desejando a continuação.

Marcelo Oliveira disse...

Primeiramente parabéns pelo texto, uma ótima escrita e muito gostoso de ler!
Concordo totalmente com os pontos discutidos, principalmente sobre o filme ter superado e muito as nossas expectativas.
É um filme ousado, onde a Marvel (finalmente) teve a coragem de lidar com situações mais trágicas, saindo um pouco da fórmula que até então estava cansativa de acompanhar. Adorei o clima um pouco mais tenso e até sombrio, com as piadas na dose certa, sem exageros. Saímos do cinema impactados, de boca aberta, já desejando o próximo filme.