26/08/2018

Capitão Feio - Identidade


Você pode estar se perguntando por que somente agora estou fazendo review desta Graphic MSP, exatamente um ano após seu lançamento original. Eu poderia dizer que foi porque não gostei, ou que não me encontrava inspirado na ocasião, mas a verdade é bem menos glamourosa: Capitão Feio - Identidade saiu num período em que eu, simplesmente, não podia comprar gibis. Quando a coisa melhorou e o orçamento finalmente permitiu, a dificuldade estava em encontrar a versão em capa cartonada, padrão de toda a minha coleção de GMSP. Pesquisa aqui, pesquisa ali, achei. Ufa!

Confesso que, quando foi anunciado, achei que este gibi se juntaria a Turma da Mata - Muralha entre os pontos abissais da coleção, mas, para minha surpresa, é uma boa história de origem e funciona muito bem como aventura de "super-herói". Os irmãos Magno Costa (roteiro e esboços) e Marcelo Costa (desenhos) pegaram o vilão mais recorrente nas histórias da Turma da Mônica e o transformaram em um personagem atormentado e muito poderoso. De quebra, restabelecem sua condição de parente do Cascão, fato que data de 1972, mas que boa parte dos leitores (eu, por exemplo) simplesmente desconhecia.


Na história, o protagonista é um homem desmemoriado, que sobrevive catando lixo furtivamente. Isolado da sociedade, ele vive nos esgotos de São Paulo, onde busca refinar o uso de seus poderes. Certo dia, após escapar de um flagrante, ele é filmado voando e esbarrando em um avião. A tragédia é evitada por pouco (numa espécie de primeira aparição do Superman às avessas), mas, ao cair no centro da cidade, ele se vê forçado a causar um pouco mais de destruição. Sem saber nada do homem misterioso, a população começa a referir-se a ele como "O Feio".

Os paranaenses Magno e Marcelo (co-autores de Matinê, com o qual ganharam o Troféu HQ Mix) criaram sequências de ação muito boas, bastante cinéticas, e o roteiro tem bom ritmo e boas sacadas. Jamais tenta, por exemplo, fazer do Feio um cara legal. Ao mesmo tempo em que provoca certa compaixão pela falta de memória e pela rejeição que suporta, está claro que ele é antipático, rancoroso e inconsequente. Quando salva a cidade - de um problema que ele mesmo cria e foge de seu controle - ninguém engole seu "heroísmo" de ocasião.


Em suma, Capitão Feio - Identidade revelou-se uma grata surpresa e justificou minha agonia de não tê-la em minha coleção por um ano inteiro. Um autêntico ponto fora da curva, que entrega uma experiência de leitura veloz e divertida, com um protagonista muito bem caracterizado. Pode até não destronar a trilogia da Turma da Mônica (dos irmãos Cafaggi) ou do Astronauta (de Danilo Beyruth), mas, certamente, vai pras cabeças da série e me faz torcer por uma adaptação live action.

*****

Capitão Feio - Identidade
Panini Comics - 100 páginas
R$ 26,90 (capa cartão) e R$ 36,90 (capa dura)