07/03/2025

O Auto da Compadecida 2

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Eu tenho por regra não me ocupar em falar mal das coisas de que não gosto. Se eu já me senti perdendo tempo com um filme, quadrinho ou disco ao consumi-lo, por que jogar fora preciosos minutos do meu dia pra escrever sobre ele? Então, eu vou tentar ser breve, pra bile não me subir muito alto pela garganta.

O Auto da Compadecida 2 não deveria existir, simples assim. Primeiro, porque o original nem era um filme exatamente, mas um recorte em longa-metragem da minissérie da Rede Globo, que adaptava a obra de Ariano Suassuna. Desta vez, a Globo nem se envolveu na produção ou distribuição, o que ajuda a explicar que o filme seja tecnicamente tão pobre, com cara de teatro (mal) filmado. Os cenários e passarinhos digitais são vergonhosos. É um filme feio de ver, saiba logo de saída – e nem vou me deter na eterna estereotipagem do Nordeste como um lugar sem vida e dos nordestinos como miseráveis e supersticiosos.

Tampouco se sustenta em sua história, já que se limita a requentar temas muito melhor explorados no primeiro filme. Como carece de uma razão de ser, apela o tempo inteiro à nossa nostalgia pelo filme original, e esses são os únicos momentos que valem a pena, porque, na falta de um Suassuna pra dar estofo, o roteiro é preguiçoso e sem-graça.

O elenco faz o que pode: o carisma de Matheus Nachtergaele e Selton Mello está intacto e, para minha surpresa, Eduardo Sterblitch e Humberto Martins não fazem feio. É bonita a amizade de João Grilo e Chicó, mas só porque a gente já sabia disso antes: bem analisando, alguém que some sem deixar rastro, apenas porque sim, por mais de 20 anos, não se qualifica como bom amigo, não – mas, vá lá, a gente compra a ideia. Chicó se envolve com a filha de um desafeto outra vez. João Grilo morre outra vez. Apela para Nossa Senhora (Thaís Araújo) outra vez. A falta de ideias (e de grana) fica ainda mais aparente quando vemos que Jesus e o Diabo são agora interpretados por Nachtergaele.

Como não concebo que nenhum dos envolvidos estivesse padecendo com boletos atrasados, só posso mesmo acreditar que este filme foi criado para, desavergonhadamente, lucrar com a nostalgia do público, sem oferecer nada digno em troca. Sou até capaz de crer que a ideia veio de “um lugar de amor” (argh!), mas você sabe que cinema costuma ser uma coisa cara pra quem assiste, né? Eu vi O Auto da Compadecida 2 em casa, mas, caso tivesse pagado por um ingresso, teria saído direto do cinema pro Procon.

Um comentário:

Caesius Maximus disse...

Não consigo entender pra que realizaram essa obra.