23/12/2005

O Natal e o Ideal Heróico


Vez por outra, os quadrinhos de super-heróis carecem de um choque renovador e, em alguns momentos em que isso foi necessário, a solução foi torná-los amargurados, violentos, céticos. Tome por exemplo o Cavaleiro Das Trevas, de Frank Miller, seguramente, uma história genial, merecedora do status de clássico. Em outros tempos, quando o mercado americano de entretenimento pregava a solução de seus problemas através da bala, o Batman chegou a passar fogo em alguns maus elementos.

Este Batman ultraviolento de Miller e aquele de certos pontos do passado contradizem o Batman que aprendi a conhecer e amar, um homem apegado ao valor da vida humana, mesmo que seja a vida do mais torpe criminoso. Um homem que dedica tempo e fortuna a evitar que outros passem pelo sofrimento que passou, abdicando de amizades e amores em nome de seu ideal. Obsessivo? Sem dúvida, mas admirável, mesmo assim.

O surgimento de heróis impiedosos como Justiceiro, Vigilante e Wolverine fizeram com que heróis da estirpe de Batman e Superman fossem, em certo momento, tachados de "certinhos" e "babacas", pra não mencionar adjetivos mais fortes - afinal, bandido bom é bandido morto, certo? Matar é que é legal, esse negócio de salvar seu inimigo só dá a chance de ele ferrar com a tua vida no próximo encontro. Assim, "perdão" passou a ser palavrão.

Infelizmente, a gente não pode sair às ruas contando com a proteção de um Batman. Num país violento como o nosso, em que tráfico, corrupção e outras formas de violência parecem drenar nossa esperança um pouco mais a cada dia, é fácil render-se à descrença e achar que a pena de morte resolveria nossos problemas. A violência, no entanto, não é a causa de nossos problemas. Ela é um sintoma. Um sintoma da nossa falta de educação, da corrupção e arruinamento das instituições, de serviços públicos deficientes.

Eu gosto de acreditar que, um belo dia, palavras como "perdão", "amor", "tolerância" e "respeito" deixarão o campo das inutilidades consideradas politicamente corretas, em detrimento da "esperteza" e da vantagem fácil, para serem vistas como os valores capazes de salvar a gente de ir pro buraco. Quero ver os corações das pessoas cheios de bons sentimentos o ano inteiro, não apenas na época de Natal, em que todo mundo posa de "bom velhinho", mesmo não sendo tão bom ou tão velhinho assim.

Utópico? Talvez, mas, as histórias deste Batman que não mata, que acredita que, um dia, tudo se ajeita, foram muito importantes na formação da minha personalidade. O "escoteiro" Superman, também, me ensinou que nunca se deve dar o primeiro soco. É por isso que leio quadrinhos: porque eles me dão esperança. Acho que teríamos um mundo melhor se todo mundo lesse.

O Catapop entra de férias e volta em Janeiro. Que o seu 2006 seja recheado de quadrinhos, muita paz, amor, união e outros sentimentos "babacas". Até breve!

Batman 37

A saga Jogos De Guerra, como a própria Gotham pega fogo nesta edição. Quem pensa que o arregaço promovido pelo Máscara Negra na edição anterior era o pior que o vilão tinha a oferecer não perde por esperar. Só uma coisa incomoda: o Batman, confuso e atônito, não tem feito muito pra debelar a crise. Tal comportamento não combina com ele. Mas, vamos à análise:

Asa Noturna: "Baixa De Guerra"
Roteiro: Devin Grayson - Arte: Sean Philips
Depois do caos no Parque Robinson, Batman divide tarefas e Asa Noturna dá de cara com o Vagalume. Se com tanto bandido à solta a vida dos mascarados de Gotham já estava difícil, imagine agora, com a polícia, também, atirando para matar. O traço econômico de Philips é adequado ás tramas noturnas do vigilante. Nota 7,0.

Robin: "Fantasmas Demais"
Roteiro: Bill Willingham - Arte: Thomas Derenick
Enquanto Tim Drake curte a sensação de voltar a ser o Robin, a demitida Stephanie Brown (pra quem não tá sabendo, foi ela quem detonou a guerra em Gotham, ao colocar em prática um exercício de guerra bolado pelo Batman) tem um confronto de vida ou morte com o Máscara Negra. Momentos decisivos na vida jovem heroína. Nota 8,5.

Gotham Knights: "Risco De Fuga"
Roteiro: A.J. Lieberman - Arte: Al Barrionuevo
A desmoralizada polícia de Gotham, pressionada pela imprensa e pela população por resultados, encurrala a Tarântula e seus Arañas num prédio em ruínas. Com a cabeça a prêmio, o comissário Michael Akins não quer perder essa chance de mostrar serviço. Enquanto a mexicana se vira como pode, Batman encontra a Salteadora, vítima do Máscara Negra, e corre pela sua vida. Lieberman e Barrionuevo (O Retorno De Silêncio) são a melhor dupla criativa do Batman em atividade. Nota 8,5.

Batgirl: "Ponto De Impacto"
Roteiro: Dylan Horrocks - Arte: Mike Huddleston
Enquanto as facções rivais da cidade parecem novamente convergir para um único local, a Batgirl salva Ônix da morte num confronto com a gangue do Crocodilo. Longe dali, o Máscara Negra vai à TV para trazer à tona uma importante revelação. Final inesperado e um gancho sensacional para a conclusão dos Jogos De Guerra, no mês que vem. Nota 9,0.

Batman 37 (Dezembro 2005) - Panini Comics - 100 páginas - R$ 6,90.

X-Men Extra 48

Enquanto X-Táticos, Exilados e até Excalibur divertem, os Surpreeendentes X-Men flutuam, muito acima dos meros mortais, em um autêntico céu de brigadeiro. Sem dúvida, a melhor série Marvel do momento (isso, enquanto Supremos Vol. 2 não pega fogo). Vamos ao que interessa:

Surpreendentes X-Men: "Superdotados", parte 3.
Roteiro: Joss Whedon - Arte: John Cassaday
Temos aqui a maior coleção de diálogos afiados dos últimos tempos: Emma x Kitty, Ciclope x Nick Fury, Fera x Wolverine. Melhor: nada é dito sem um propósito, tudo tem causa, reação e eu já me pergunto se não seria Whedon, e não Grant Morrison, o verdadeiro grande revolucionário dos mutantes - uma revolução conseguida através da volta à simplicidade. Com o anúncio da cura para as mutações, a escola está dividida. Outro segredo da tal fórmula, porém, é que deve causar uma grande reviravolta no mês que vem. Detalhe: a polêmica suscitada no blog Smells Like Shit (link à direita) de que Emma estaria controlando Scott ganha sua primeira evidência, ainda que em forma de ironia. Não dá pra dizer menos: a série mais prazerosa de se ler da atualidade. Nota 10.

Excalibur: "Forjando A Espada", parte 3.
Roteiro: Chris Claremont - Arte: Aaron Lopresti.
Como dito na edição anterior, há realmente um sentinela ômega chegando a Genosha, mas não num ataque: a ex do Pássaro Trovejante (lembram dele?) vem escoltada por marines, junto com Shola Inkozi (aquele da série Mekanix, de Kitty Pryde), ambos em animação suspensa. Cabe aos novos amigos de Xavier tentar um resgate. Claremont troca o blá-blá-blá ideológico pela ação e se dá bem. Nota 7,0.

X-Táticos: "Os Bons E Os Famosos", conclusão.
Roteiro: Pete Milligan - Arte: Mike Allred
O último confronto entre X-Táticos e Vingadores pelo cérebro de Dup! Neste round, Dup x Thor, em meio à volta das Valquírias. A irremediável criancice do Anarquista rende os melhores momentos, em suas insistentes acusações de racismo contra o Capitão América. Com o voto de confiança ganho dos maiorais, resta aos X-Táticos decidir: ainda faz sentido manter o grupo unido? O que era só curtição virou heroísmo de verdade? Mês que vem, a última história desta série incrível. Nota 8,5.

Exilados: "Ganhando Asas", parte 2.
Roteiro: Tony Bedard - Arte: Mizuki Sakakibara
Prisioneira no Edifício Baxter, Namora relata sua história a Reed Richards e Namor, enquanto os outros Exilados, ajudados por Bico, tentam resgatá-la sem chamar muita atenção. Claro que dá tudo errado e a intervenção do Coisa é especialmente engraçada, quando espera o Mímico converter-se em aço, pra poder dar-lhe uma porrada bem dada. Mas, afinal, qual é a missão estipulada pelo Tallus? Trama legalzinha, mas nada excepcional. Nota 7,0.

X-Men Extra 48 (Dezembro 2005) - Panini Comics - 100 páginas - R$ 6,90.

Liga Da Justiça 37

Bela edição de LJA! Os protagonistas não estão nos seus melhores dias, mas os coadjuvantes dão um show! Tudo bem, em janeiro, tem ele... o mestre Grant Morrison, na primeira parte dos Arquivos Confidenciais da LJA!

Liga Da Justiça: "Crepúsculo Dos Deuses", conclusão.
Roteiro: Chuck Austen - Arte: Ron Garney
É preciso admitir: esta história não terminou tão ruim quanto podia. Descontando-se o fato de não hever nenhuma explicação, razoável ou não, para o fato de os heróis sofrerem provações quase ao mesmo tempo - o que faz com que os episódios de Flash, Mulher-Maravilha, Caçador de Marte e Lanterna Verde façam pouca ou nenhuma diferença no desenrolar da trama - até que Chuck Austen deu uma dentro. Com a revelação de que o filho do novo herói morto no início da saga também tem grandes poderes, a Liga precisa impedir que a busca pela verdade acabe em sangue. Destaque para a interessante cena de Batman com a menininha. Adeus, Austen! Leve o Garney junto, por favor! Nota 6,0.

Sociedade Da Justiça: "Tempo Esgotado", parte 1.
Roteiro: Geoff Johns - Arte: Don Kramer
Enquanto Rex Tyler tem um último momento com sua esposa, o Homem-Hora do futuro (o andróide) volta à nossa época para salvar Rick Tyler. Estripado durante a saga Reino Sombrio, Rick está no chamado ponto temporal, onde a interrupção da passagem do tempo impede que seu estado piore. Para Rick, entretanto, o esforço de seus amigos e de seu pai para salvá-lo pode exigir outro sacrifício ainda maior. Boa história de Johns, que imprime a caretice típica da Era de Ouro em dose certa nos veteranos da SJA - atenção ao bonito diálogo entre pai e filho durante a cirurgia. Nos desenhos, Don Kramer não apavora, mas também não emociona. Nota 7,5.

Flash: "Câmera Lenta" e "O Segredo de Barry Allen", parte 1.
Roteiro: Geoff Johns - Arte: Howard Porter
Desde os tempos em que era escudado pela arte de Scott Kolins, Geoff Johns vem fazendo com o Flash, mais ou menos, o que Bendis faz com o Demolidor: uma fase fantástica do personagem, que o coloca em pé de igualdade (senão superioridade) aos grandes clássicos do passado recente ou remoto. Depois da chocante cena do Mestre Dos Espelhos cheirando coca na edição anterior, vemos aqui que isso não é ruim só pra ele. Ashley Zolomon se recupera do acidente e Wally se enrola com a polícia, além de enfrentar o Tartaruga (quem?). Mas há um outro vilão, muito mais perigoso, voltando à ativa... Na segunda história, interligada com Crise de Identidade, Wally recupera-se da surra aplicada pelo Exterminador e descobre, através do Arqueiro Verde e de sua tia Iris, que Barry Allen tinha um grande segredo. Infelizmente, saber qual é, só na próxima edição. Nota 9,0.

Liga Da Justiça 37 (Dezembro 2005) - Panini Comics - 100 páginas - R$ 6,90.

16/12/2005

DVD: 2 Filhos De Francisco

Mesmo sendo a biografia de duas das celebridades mais chatas e egocêntricas deste país (a saber, a dupla sertaneja Zezé di Camargo & Luciano), é preciso dar o braço a torcer: este é um belo filme, uma história bonita e edificante, com ótimas interpretações.

No interior de Goiás, o jovem Francisco Camargo vê uma chance de dar uma vida melhor aos seus filhos, fazendo aflorar no mais velho deles (Mirosmar, o futuro Zezé) o gosto pela música. Não tarda e o filho seguinte, Emival, demonstra igual aptidão pra coisa. O filme segue a rotina de pequenos sucessos e muitas portas na cara que Zezé levou, no caminho até o estrelato.

Luciano (ou melhor, Welson) demora a aparecer na história, mas, se a gente olhar bem, o filme não é sobre a dupla: na verdade, é uma tocante homenagem ao seu pai, um cara obstinado, não raramente rotulado como louco, mas dono de uma coragem desmedida. Seu intérprete, o subestimado Ângelo Antônio, está irretocável, e ajuda a criar empatia imediata.

De fato, foi uma supresa descobrir que este era um filme de tamanha sensibilidade (dirigido com pulso firme por Breno Silveira), quando era de se esperar uma egotrip cheia de mullets e outros horrores. Uma lição a ser aprendida por outras personalidades que se aventuram a fazer filmes e escorregam no trash involuntário (Xuxa, Angélica, Didi) ou em viagens em torno do próprio umbigo (Sandy & Júnior, Adriane Galisteu). Nota 8,5.

2 Filhos De Francisco (2005)
De Breno Silveira. Com Ângelo Antônio, Dira Paes, Márcio Kieling, José Dumont.

DC Especial 7: LJA

Reunir a dupla consagrada na revista dos X-Men nos anos 70 e 80 (Chris Claremont nos roteiros, John Byrne na arte) foi um dos maiores trunfos da DC em 2004, na guerra pela preferência do leitor. Embora o brilho da dupla não seja mais o mesmo dos bons tempos, a parceria até que funciona bem.

Um antigo culto vampiresco, o Décimo Círculo, é revivido em nosso tempo e o Superman é o primeiro a tombar ante seu líder, Crúcifer. Como o resto da LJA vai enfrentar alguém capaz de derrotar o melhor de suas fileiras? E por que Crúcifer não é afetado pelos tradicionais recursos empregados contra vampiros?

O encontro com a Patrulha Do Destino (personagens bastante queridos por Byrne) dá a entender que se trata do primeiro entre as equipes, sabe-se lá por que. Incomoda, também, ver a Mulher-Maravilha sofrer um ferimento sério e levantar-se da cama de hospital, lépida e fagueira. O estilo de Byrne continua personalíssimo, mas já tem um quê de datado.

A parte final faz valer o investimento, com uma criativa explicação para a invulnerabilidade de Crúcifer e o belo truque usado pela Liga para ferrar o sanguessuga safado. Revista legal, bem distante do revolucionário auge de seus autores, mas, ainda assim, divertida. Nota 7,0.

DC Especial 7: Liga Da Justiça - Panini Comics - 148 páginas - R$ 14,90.

14/12/2005

Superman/Batman 5

Primeira vez que Superman/Batman aporta nas bancas daqui. A revista está excelente, disputando com LJA o trono de melhor da DC. Vamos a ela:

Superman/Batman: "Poder Absoluto", parte 1
Roteiro: Jeph Loeb - Arte: Carlos Pacheco
Com a intervenção de misteriosas figuras nos eventos que levaram à criação do Superman (com a chegada do pequeno Kal-El à Terra) e do Batman (com a morte dos pais de Bruce Wayne), os dois são criados para se tornarem líderes mundiais, sem qualquer desafio real ao seu poder ou autoridade. Apenas uns poucos, como o eterno esquerdista Arqueiro Verde, resistem ao poder de suas mãos de ferro. O que seria do mundo sob o jugo dos dois maiores heróis da DC? É a pergunta que Jeph Loeb tenta responder com esta boa história, ilustrada pelo competente Carlos Pacheco. Nota 8,0.

Arqueiro Verde: "Os Muros Da Cidade", conclusão
Roteiro: Judd Winick - Arte: Phil Hester
Não sei o que rolou até as coisas chegarem a isso, mas Star City está coberta por uma redoma mística e demônios flamejantes de três metros de altura tomaram o controle de tudo. A pouca esperança está nas mãos dos Arqueiros Verdes (pai e filho) e Mia Dearden, mas uma decisão muito difícil tem que ser tomada, antes que seja tarde demais. Judd Winick em bom momento, Phil Hester detonando como de costume. Nota 8,5.

Mulher-Maravilha: "De Volta À Realidade" (conclusão) e "Ondas"
Roteiro: Greg Rucka - Arte: Drew Johnson (1) e Shane Davis (2)
E pensar que a Panini quase não publicava a Mulher-Maravilha de Greg Rucka, depois de fazer a gente engolir a lenga-lenga do Phil Jimenez, na fase anterior. Mas Rucka conseguiu elevar o moral da amazona com histórias movimentadas e consistentes e ela vai até ganhar um especial solo, no próximo semestre, para adiantar sua cronologia. Na primeira das duas histórias, a violenta polêmica gerada pelo livro de Diana (e pelo controle mental do Dr. Psycho) chega ao fim com um ataque de uma aprimorada Cisne de Prata. Pega dos bons! Na segunda, Themyscira vem abaixo com um ataque de ciúme de Hera e a queda das ilhas no mar causa um tsunami em direção à América, além de libertar grandes inimigas de Diana. Aventuras dignas da Mulher-Maravilha! Nota 9,0.

Superman/Batman 5 (Novembro 2005) - Panini Comics - 100 páginas - R$ 6,90.

11/12/2005

Mestres Disney 5

Mestres Disney 5


Dá-lhe, Brasil! Numa atitude louvável, a Editora Abril dedicou o quinto volume da coleção Mestres Disney a Renato Canini, artista que teve uma história relativamente curta com o personagem, mas que lançou as raízes de tudo que tornou o Zé Carioca um fenômeno de popularidade.

O Zé Carioca "pra americano ver" de filmes como Você Já Foi Á Bahia? e Alô, Amigos! pode até ter sido criado por Walt Disney, mas Canini é que deu uma cara realmente brasileira ao personagem. Num tempo (1971-1977) em que a palavra "malandragem" ainda tinha alguma conotação positiva, Canini escreveu histórias memoráveis, com um traço bem diferente do habitual padrão Disney. Ele ajudou a criar boa parte da "mitologia" do Zé, como os amigos Pedrão e Afonsinho e os arquiinimigos da Anacozeca (Associação Nacional dos Cobradores do Zé Carioca).

São 18 histórias bastante divertidas, como a característica esperteza do Zé, a amizade ingênua e tolerante de Nestor e trapalhadas com os vilões mais bocós do pedaço. Um dos pontos altos desta magnífica coleção. Nota 10.


Mestres Disney 5: Renato Canini - Editora Abril - 164 páginas - R$ 14,95

08/12/2005

25 anos sem Lennon

Há exatos 25 anos, o sonho acabou de verdade. Pena que o mundo ainda não acordou. Sentimos saudades, John.

PS: Mark Chapman, apodreça na cadeia, seu canalha!

Aversão a versão

Aversão a versão

Tá pensando que só acontecem "estranhas coincidências" no mundo do showbiz quando a Disney e a Dreamworks lançam animações (Vida De Inseto X Formiguinhaz, Procurando Nemo X O Espanta Tubarões)? A nossa trovoada em forma de cantora, Ana Carolina, gosta de refazer versões de canções estrangeiras, das quais ela, provavelmente, não curtiu as primeiras versões.

Foi assim na época de "Quem De Nós Dois", versão de "La Mia Storia Tra Le Dita", do italiano Gianluca Grignani, produzida depois de "A Minha História", (per)versão perpetrada por José Augusto (argh!). Agora a história volta a se repetir. A canção-vítima desta vez é "The Blower's Daughter", tema da personagem de Natalie Portman em Closer - Perto Demais, que também acabou de ganhar uma versão na voz de Simone.

Enquanto Simone é mais discreta em sua "Então Me Diz", Ana Carolina chamou Seu Jorge para um dueto e os dois (ótimos cantores, isso não se discute) parecem querer arrebentar nossos tímpanos, com demonstrações estéreis de potência vocal, tornando "É Isso Aí" um troço que cansa já na segunda audição.
Versões em português de canções estrangeiras já são algo altamente condenável. Quando duas diferentes coabitam no mesmo espaço e tempo, a gente só chega a uma conclusão: a crise de criatividade na MPB é muito maior do que se imagina. Desligue o rádio, please!

03/12/2005

Marvel Millennium 47

Marvel Millenium 47

Isso é que é dar a volta por cima: depois de uma última edição sofrível, MMHA volta a ser uma das melhores revistas nas bancas. Poderia dar uma de deslumbrado e dar todo o mérito à volta dos Supremos, mas a revista tem muito mais a oferecer.

Homem-Aranha: "Encontre-me"
Roteiro: Brian Michael Bendis - Arte: Mark Bagley
Termina bem melhor do que começou esta pequena aventura, reunindo o Aranha e o Tocha Humana, que acaba dando bandeira de seus poderes durante um acampamento com seus novos colegas. Depois de espantar uma potencial namorada, Johnny tem a chance de atuar com seu ídolo (quem mais?) e ainda leva uns conselhos de lambuja. Divertidinho, sabe? Desimportante, mas divertido. Nota 7,5.

X-Men: "Lobo Em Pele De Cordeiro", parte 3
Roteiro: Brian K. Vaughn - Arte: Andy Kubert
Vampira tem a chance de controlar seus poderes, desde que aceite tornar-se espiã dos gêmeos Von Strucker. O problema é que os galeguinhos não estão nem um pouco afim de ouvir um "não". Problemas pra vampira e pro Gambit, claro. Bem melhor do que no mês passado, inclusive nos desenhos de Kubert, que parece mais seguro. Nota 8,0.

Quarteto Fantástico: "Destino", parte 6
Roteiro: Warren Ellis - Arte: Stuart Immonen
Dou o braço a torcer: este fim de saga foi uma das melhores conclusões que li ultimamente. Agora, sim, Warren Ellis justificou o oba-oba em torno de seu nome. O pega definitivo do Quarteto com Destino, o bodão da Latvéria, é um show de Reed Richards, cheio de sacadas geniais. Immonen também não deixou a peteca cair por um quadrinho que seja. Palmas pros dois! Nota 10.

Os Supremos: "Vol. 2", parte 1
Roteiro: Mark Millar - Arte: Brian Hitch
Aarrgh! Como eu estava sentindo falta desta série, a coisa mais interessante e revolucionária que a Marvel fez em vários anos! Os diálogos geniais e as situações improváveis (como a surpreendente cena de Thor batendo boca com Volstagg) estão todas ali, o fino de Mark Millar, retratado com a poderosa arte de Brian Hitch, mostrando a volta da superequipe ao noticiário, em meio a rumores de intervenção supra-militar no Iraque e o "vazamento" da identidade do Hulk para a mídia. Segurem-se nas poltronas, que os Supremos estão aí de novo! Nota 10.

Marvel Millennium 47 (Novembro 2005) - Panini Comics - 100 páginas - R$ 6,90.

Liga Da Justiça 36

Liga Da Justiça 36


Tô até assustado: três meses consecutivos em que LJA chega direitinho aqui na cidade. Eu sei que Novos Titãs até tenta, mas é difícil brigar com Geoff Johns (pelo menos, o GJ inspiradíssimo de SJA e Flash). Analisemos, pois, a edição deste mês de LJA, a melhor revista da Panini/DC.

Liga Da Justiça: "Crepúsculo Dos Deuses", parte 5
Roteiro: Chuck Austen - Arte: Ron Garney
Começarei falando dos desenhos: não é possível que a gente leia por aí elogios à arte de Ron Garney neste história. Ele faz algo levemente parecido com desenhar e ajuda muito pouco a elevar o moral desta criticada "obra" de Chuck Austen, que teve bons momentos (especialmente a que focou o Caçador de Marte), mas está muito, muito longe mesmo dos melhores momentos da Liga. A vítima de uma situação-limite agora é a Mulher-Maravilha, que tem um pega animal com uma ilustre desconhecida. Nota 6,0.

Sociedade Da Justiça: "O Despertar De Sandman", partes 1 e 2
Roteiro: Geoff Johns - Arte: Jerry Ordway
E já que estamos começando pelos artistas, vale mencionar o trabalho sensacional de Ethan Van Sciver na capa desta edição, bem como na outra, dentro da revista, trazendo o antigo Sandman. Também é bom ver que o vetereníssimo Jerry Ordway ainda está em ótima forma, ilustrando com classe e competência o ótimo roteiro de Johns, na busca da SJA pelo seu colega desparecido durante a saga "Príncipes Das Trevas". Atuando em duas frentes, física e mental, a SJA tem uma aventura movimentada e divertida. A melhor série da revista e ponto final. Nota 9,0.

Flash: "Espelho, Espelho Meu"
Roteiro: Geoff Johns - Arte: Steve Cummings
Quebrando um pouco o clima de quem esperava o desenrolar do acidente com Ashley Zolomon, Johns apresenta sua versão pra origem do Mestre dos Espelhos. Pode até ser clichê falar de infância traumática e desvirtuamento "justificado", mas Johns sabe contar uma história como poucos e o que poderia ter sido banal, ganha ares muito interessantes. O traço de Cummings tem personalidade. Uma ótima história do Flash, sem o Flash. Nota 8,0.

Liga Da Justiça 36 (Novembro 2005) - Panini Comics - 100 páginas - R$ 6,90.

28/11/2005

DVD: Guerra Dos Mundos

Guerra Dos Mundos


A primeira hora deste filme é um Spielberg da melhor cepa: uma rápida apresentação dos personagens (no caso, o estivador Ray Ferrier, vivido por Tom Cruise, e sua família) e seus dramas (os filhos não vêem o pai como "grande coisa", enquanto ele se esforça pra agradar, mas sempre pisa no tomate). Depois, um dos melhores "fins de mundo" já concebidos pelo cinema, quando as naves dos alienígenas se revelam, bem como as intenções destes. As cenas de destruição são perfeitas e a gente pensa: "pô, o Spielberg nos devia um filme assim desde Jurassic Park!"

O talento do diretor para criar cenas de alto impacto está lá e uma, em particular, me encantou: a chuva de roupas depois da tentativa de fuga pelo Rio Hudson (calma, não vou estragar surpresas aqui). Embora rápida, é um imagem que não sai da memória, como o surgimento daquele balão de caçar robôs em A.I.

No entanto, a barulheira começa a cansar, o ritmo cai quando entra em cena o caipira doido vivido por Tim Robbins (apesar da boa cena de sondagem alienígena na casa) e Spielberg nos entrega um final apressado e mal explicado. Pelo menos, as boas interpretações de Tom Cruise e Dakota Fanning garantem a sensação de que não foi tempo perdido.

Enfim, ainda não foi com este filme que Spielberg lavou sua honra de Rei do Cinemão Americano, mas, no mínimo, mostrou que ele ainda tem lenha pra queimar. Pára com essa bobagem de querer ser respeitado, Spielberg! Seus filmes eram muito mais interessantes quando a Academia te ignorava! Nota 7,0.


Guerra Dos Mundos (War Of The Worlds, 2005)
De Steven Spielberg. Com Tom Cruise, Dakota Fanning, Miranda Richardson.

27/11/2005

X-Men 47


Oh shit... Parece que o bom começo do Reload nada mais foi do que uma promessa. Tudo ameaça voltar ao normal: Austen e Claremont disputando o prêmio de Senil Mais Senil das HQs e tramas que não levam a nada. Segurem as pontas:

X-Men: "Dia Do Átomo", partes 2 e 3
Roteiro: Chuck Austen - Arte: Salvador Larrocca
Em busca de uma solução para o mistério do Xorn encontrado na China, os X-Men enfrentam um supergrupo local, Os Oito Imortais. O despreparo da equipe recém-formada leva a um sério ferimento em Gambit e a uma situação limite com o morto-vivo Xorn. Chuck Austen faz o que pode para garantir uma série que parece ter perdido completamente o rumo (por sua culpa, inclusive). Ainda que a resistência do Homem de Gelo em aceitar o Fanático na equipe renda alguns momentos interessantes, até isto já está ficando bem repetitivo. O gigantão, aliás, parece um dos poucos mutantes com alguma coordenação cerebral, ultimamente. Além da história fraca, a colorização do estúdio Udon é horrível, estragando a arte de Larrocca, mesmo que ele, também, não esteja em seus melhores dias. Nota 6,0.

Novos Mutantes - Academia X: "Escolhendo Lados", parte 2

Roteiro: Nunzio DeFillipis e Christina Weir - Arte: Randy Green
Há algo muito errado com o universo quando a melhor (digo, a menos pior) história da revista é protagonizada por essa geração sem graça de Novos Mutantes, mas é isso que acontece. Depois de muita rivalidadezinha juvenil entre malvadões e bonzinhos, as turmas são divididas em Corsários (apadrinhados por Ciclope), Satânicos (os diabinhos de Emma Frost) e os Novos Mutantes (supervisionados por Miragem). Ainda é a coisa mais sem sal do mundo, mas, estranhamente, salvou a revista do desastre neste mês. Nota 6,5.

Fabulosos X-Men: "O Fim Da História", parte 3

Roteiro: Chris Claremont - Arte: Alan Davis
Nãããããão! Depois de um começo promissor, Claremont deixa a dentadura cair da boca e nos entrega uma aventura que lembra seus piores tempos em X-Treme X-Men: ação inócua, novos vilões imbecis e abuso da situação de mutante dominado atacando os colegas. A arte de Alan Davis é boa, mas não faz milagres, Chris! Nota 4,0.

X-Men 47 (Novembro 2005) - Panini Comics - 100 páginas - R$ 6,90.

21/11/2005

Marvel Millennium 46

Marvel Millennium 46


Além de incrivelmente atrasada (Panini, acorda!), esta edição de Marvel Millennium é séria candidata a pior edição do ano. Não me lembro de tantas histórias dispensáveis reunidas numa só revista (exceto, talvez, por alguma edição recente de X-Men). Vamos a elas:

Homem-Aranha: "Fim Da Picada" e "Popular"
Roteiro: Brian Bendis - Arte: Mark Bagley
É claro que um momento como este iria chegar: Bendis está claramente cansado de escrever o Homem-Aranha Millennium. Estas duas histórias são óbvios sintomas de pressa e/ou desinteresse e/ou egolatria desmedida (veja a introdução metida a engraçadinha na primeira). "Fim Da Picada" é até interessante no pastelão das situações vividas por Peter no corpo de Logan, mas a conclusão é péssima. Já a história com participação do Tocha Humana é um capítulo de Malhação - e dos ruins. Não ajuda em nada a arte de Mark Bagley estar cada vez pior finalizada. Nota 6,0.

X-Men: "Lobo Em Pele De Cordeiro", parte 2
Roteiro: Brian K. Vaughn - Arte: Andy Kubert
Gambit raptou Vampira e aqui ficamos sabendo por que: os gêmeos Andrea e Andreas Von Strucker (dupla que era parte daqueles inexpressivos Upstarts da cronologia normal, nos esquecíveis anos 90) planejam tê-la como espiã industrial. Em troca, prometem algo que Vampira deseja há muito tempo. Enquanto buscam pela colega, Wolverine e Tempestade descobrem que têm mais em comum do que o mesmo cruel cabeleireiro. Vá lá, história boazinha de Vaughn, com a sempre boa arte de Andy Kubert (mas Adam é melhor). Nota 7,0.

Quarteto Fantástico: "Destino", parte 5
Roteiro: Warren Ellis - Arte: Stuart Immonen
OK, dane-se se Warren Ellis é um bam-bam-bam cultuado mundo afora. A verdade é uma só e ela precisa ser dita: esta história é uma droga e o Destino versão Millennium é uma droga de personagem, com nome cretino e total descaracterização em relação à sua contraparte original. O melhor desta série é a convivência curiosa e delicadamente harmoniosa entre quatro indivíduos tão diferentes, com destaque para as tiradas do Coisa. Fora isso, só a arte de Immonen salva. Nota 4,0.

Marvel Millennium 46 (Out/2005) - Panini Comics - 100 páginas - R$ 6,90

18/11/2005

X-Men Extra 47

X-Men Extra 47


Importante frisar: esta revista tem uma das capas mais sutis, expressivas e plasticamente belas dos últimos meses, um trabalho de mestre de John Cassaday. Dito isto, vamos à revista em si:

Surpreendentes X-Men: "Superdotados", parte 2
Roteiro: Joss Whedon - Arte: John Cassaday
A geneticista Kavita Rao choca o mundo com a descoberta de uma cura para o gene X. Enquanto isso, a equipe de Ciclope acaba com uma situação de reféns, mas precisam enfrentar o desconhecido Ord - e terão bem mais trabalho do que pensam. Capítulo ainda melhor que a estréia, esta história traz arte de primeira e diálogos bem escritos - especial atenção ao tenso momento entre Emma e Kitty. Nota 10.

Excalibur - "Forjando A Espada", parte 2
Roteiro: Chris Claremont - Arte: Aaron Lopresti
OK, este mês a coisa melhorou um pouco (bem pouco), apesar da apelação de ressuscitar Magneto de novo, com mais um explicação tola. Geralmente os embates verbais entre Xavier e Magneto costumam render diálogos memoráveis. Aqui, eles estão "amiguinhos" e isso tira a graça da coisa. No meio de tanto blá-blá-blá, chega a polvo lésbica Callisto e um sentinela Ômega se encaminha pra Genosha. Ainda não descobri pra que serve essa série. É melhor não demorarem muito a explicar. Nota 6,0.

X-Táticos - "Os Bons E Os Famosos", parte 5
Roteiro: Pete Milligan - Arte: Mike Allred
O que acontece quando dois heróis bichadíssimos (um por uma condição cardíaca, outro pela mutação que o torna vulnerável até ao vento) se enfrentam sem seu aparato super-heróico? Esta á pergunta respondida pelo confronto do Homem De Ferro com o Sr. Sensível, pela posso do último pedaço perdido do cérebro de Dup. Divertidos absurdo ponteiam a luta, como o fato de ela acontecer numa igreja que prega o nudismo. Próxima do fim, X-Táticos está um primor. Nota 9,0.

Exilados - "Ganhando Asas", parte 1
Roteiro: Tony Bedard - Arte: Mizuki Sakakibara
Nova equipe criativa e os Exilados vêm de novo para a Terra principal da Marvel com um novo membro, Namora (uma versão fêmea e azul do chato soberano), que não aceita bem sua condição de exilada e se separa do grupo, buscando ajuda junto a (claro) Namor. Divertidas tiradas com a situação americana (como quando Morfo ironiza o fato de o Exterminador do Futuro ser o governador da Califórnia). Mas este começo é bem tímido e espera-se que os novos artistas soltem-se mais em breve. Nota 7,0.

15/11/2005

Mestres Disney 3 e 4


Mestres Disney 3 e 4



Duas novas edições da ótima coleção Mestres Disney chegaram recentemente às regiões maltratadas pela distribuição setorizada. Os volumes 3 e 4 trazem, respectivamente, histórias de Floyd Gottfredson e Keno Don Rosa. O primeiro é o homem que inventou o Mickey que nós conhecemos, honesto até a medula, amante de aventuras e mistérios. O segundo é o legítimo herdeiro artístico de Carl Barks, cuja obra reverencia constantemente.

O volume dedicado a Floyd Gottfredson pode incomodar devido ao baixo número de histórias e ao fato de a primeira delas ocupar, sozinha, quase metade da revista. Gottfredson a assumiu depois de iniciada e a mudança de rumo é claramente perceptível. Uma outra aventura lembra um famoso desenho em que Mickey, Donald e Pateta vêem-se às voltas com fantasmas. O outro grande destaque da edição é a primeira aparição do Mancha Negra, o maior inimigo do Mickey. Esta é mais fraca das edições lançadas até agora. Nota 7,0.


Já Don Rosa é o autor da árvore genealógica do Tio Patinhas e segundo maior escritor dos patos da Disney, depois de Barks, em cuja obra busca inspiração explícita para deliciosas aventuras, recheadas de humor e situações inusitadas, como na hilariante "Bandeja de Prata". A obra de Barks é revisitada na volta à terra das galinhas que põem ovos quadrados. A página 32 não fica nada a ver ao filme Limite Vertical, em matéria de emoção e suspense. O caráter ligeiramente falho e irritadiço dos patos é prato cheio para Don Rosa desfilar situações engraçadíssimas. Este, sim, é um legítimo Mestre Disney. Nota 10.


Mestres Disney 3 e 4 - Editora Abril - 160 páginas - R$ 14,95

13/11/2005

Grandes Clássicos DC 3 - Batman Ano Um


Se você ainda não leu esta história, precisa saber: ela é uma das melhores HQs de todos os tempos. Se já leu, vale outro recado: a edição da Panini justifica plenamente o investimento em algo que você "já tem".

Frank Miller contou a origem do Batman logo depois do sucesso de público e crítica de O Cavaleiro Das Trevas, minissérie protagonizada por um Batman envelhecido e ultraviolento que, entre outras façanhas, quebra o pescoço do Coringa e dá um pau no Superman (chamado de "cachorrinho do Reagan"). Aqui, porém, ele preferiu não inventar demais, apenas adicionando à clássica história do herói a perspectiva do recém-chegado tenente James Gordon, que enfrenta a pesada corrupção da polícia local, ao mesmo tempo em que é surpreendido pelo surgimento do Batman.

Justamente por mostrar alto respeito pela história do personagem (a maior ousadia aqui é colocar a futura Mulher-Gato como uma prostituta), penso que Ano Um é melhor que O Cavaleiro Das Trevas, pois faz uma história bem conhecida parecer nova e interessante, como se fosse a primeira vez que ouvimos falar do Morcego. Entretanto, a genialidade de Miller não transpareceria caso ele não tivesse a companhia de um artista brilhante como David Mazzucchelli, que nos dá um Batman realístico, apenas um homem forte e bem treinado, em seqüências cinematográficas (não por acaso, esta história serviu de base para o roteiro de Batman Begins).

Agora, a sobremesa: esta nova edição traz originais de Mazzucchelli, suas anotações ao roteiro de Miller, reproduções das capas das edições originais e encadernadas da série, além de um pôster com a arte desta capa. Se você, fã de longa data, não se entusiasmava em pagar de novo pelo delicioso prato principal, aí está a sua motivação. Veterano ou neófito, poucas vezes na vida você terá gastado R$ 19,90 tão bem. Nota 10.

Grandes Clássicos DC 3 - Batman Ano Um - Panini Comics - 148 páginas - R$ 19,90.

03/11/2005

Crash! Boom! Bang! CATAPOP!!!

Foram três excelentes anos no leme do Gotham City, desde Outubro de 2002. Em meio a templates fuleiros e outros bacaninhas, textos muito ou nada inspirados, boas e más notícias, diverti-me muito com meu amado blog. Mas, como tudo que é tocado pelo tempo, é hora de minha aventura virtual crescer, evoluir. A temática segue a mesma: os misteriosos e deliciosos caminhos da cultura de massa, seja ela para ver, ler ou ouvir.

O nome do novo rebento, porém, tem uma abrangência bem maior que a do anterior, que levava à imediata associação com as HQs do Batman. Veja só: o nome CATAPOP! mantém suas raízes nos quadrinhos, ao lembrar uma onomatopeia, mas também brinca com o verbo "catar" (procurar, que é tarefa incessante de todo nerd que se preze) e com a palavra "pop", termo que engloba música, cinema e quadrinhos - e não só!

Honras feitas, sintam-se em casa. Espero que leia com prazer o que escrevo com esforço, no intuito de agradá-los. Se eu pisar na bola, não hesite em criticar, sempre preservando os bons modos, é claro. Se estiver achando nosso blog a coisa mais fantástica do universo, pode encher minha bola, também, que eu gosto!

Para o alto e... catapop!!!