30 Novembro 2009 Não basta ter um blog!
Não basta ter um blog!
Tem que vestir a camisa!


Estou de volta, amigos! Durante estes mais de 30 dias de ausência, estive focado em redigir meu TCC para o curso de Gestão de Recursos Humanos e corrigir montanhas de tarefas dos meus alunos de inglês. As danadas são como formigas: você mata (corrige) muitas delas, mas sempre aparecem muitas outras no dia seguinte.

Estive de tal forma absorvido por trabalho e estudos (e por ocasionais ondas de preguiça, falta de assunto ou de vontade de escrever) que, nessa brincadeira, o blog fez seu quinto aniversário (no dia 03/11) e a efeméride passou em branco. Ok, não é por isso que o mundo vai acabar - e, sim, por causa do alinhamento dos planetas em 2012, conforme a crítica que você lê no post abaixo.

Férias à vista, é claro que terei mais tempo para entretê-los, enquanto meu honorável sócio se desvencilha de suas próprias pendengas. Assim sendo, esperem atualizações mais constantes por aqui e comentários mais frequentes em seus próprios blogs. Tenho muita coisa pra contar e acho que vai ser bem mais divertido a partir de agora.

Sobre a foto acima, um amigo proprietário de uma malharia em Ibotirama fez duas camisas assim, como cortesia. Uma foi imediatamente abduzida por um outro amigo e a outra viajou comigo até Alagoinhas, com a idéia inicial de sorteá-la entre os leitores desta bagaça. No meio da loucura que foi este ano, a coitada acabou esquecida em algum canto do meu guarda-roupas, até ser resgatada hoje. Ao invés de sorteá-la, porém, achei que seria mais divertido eu mesmo ver as caras curiosas das pessoas, ao me perguntar "o que é isso?", "que blog é esse?", "é seu?" e coisas assim. Prometo pensar em algo bacana para compensar esse lapso de egoísmo.

Bom, chega de enrolação. O Catapop está oficialmente de volta, lindo, lépido e fagueiro. Aproveitem os posts abaixo e os muitos que virão, não esquecendo de deixar seus preciosos comentários. Nos vemos por aí!

Autor: The Batman às 11:42 PM |
Cinema - como há muito não se via!
Cinema
Como há muito não se via!

Distrito 9


OK, o ano não terminou ainda, mas pode dar isso como oficial: já temos o melhor filme do ano ele se chama Distrito 9. Fazia tempo que eu não saía do cinema com a sensação de ter visto a História acontecer - e com isso eu não quero dizer que ele seja candidato a 14 Oscars (embora deva colecionar um bom número de indicações) ou que ele seja excepcionalmente original e inovador, mas escreva o que eu digo: Distrito 9 é um filme com colhões, bolas imensas e pesadas, e deve não só redefinir o gênero ficção científica, como gerar uma montanha de imitações.

No filme, a chegada dos extra-terrestres já aconteceu há cerca de 30 anos, quando uma nave imensa emperrou sobre Johannesburg, na África do Sul. Como não havia qualquer espécie de contato, os humanos invadiram a nave e descobriram uma população de milhares de seres vivendo às escuras, desnutridos e desorientados, que são gentilmente trazidos à "civilização" abaixo e amontoados numa favela. Os ETs são pejorativamente chamados de "camarões", devido à sua aparência, e rechaçados como feios, sujos e malvados pela população humana. Eles até querem ir embora, mas não têm como consertar a nave-mãe.

Metáforas para a escravidão, a imigração ilegal e a situação da população latina e negra nos centros urbanos mundo afora? Pode ser. No entanto, assim como na vida real, o filme trata logo de mostrar outros negros (imigrantes nigerianos) aproveitando-se da situação de extrema miséria em que vivem os aliens, que se alimentam de lixo e são viciados em ração para gatos (sim, o negócio dá barato nos camarões). Embora tenham trazido toneladas de armas, os humanos simplesmente não conseguem fazê-las funcionar e elas ficam estocadas em centros de pesquisa, sem qualquer valor prático.

Diante do aumento da população de aliens e do crescente descontentamento dos humanos, o governo sul-africano decide transferi-los para um "Distrito 10", maior e muito mais longe da zona urbana. O processo de desocupação, feito com a "delicadeza" que é peculiar às forças policiais de qualquer lugar do mundo, encontra resistências. Cabe ao burocrata nerd Wikus van der Merwen (personagem de Sharlto Copley - alô, Oscar!), um engomadinho que você odeia desde o primeiro minuto em tela, a tarefa de convencer os aliens a partir. Durante uma vistoria a um barraco, Wikus é borrifado com uma sustância combustível orgânica que, de alguma forma, altera seu DNA. Sim, ele começa a se transformar num "camarão".

Você já matou a charada a essa altura, né? De mero testa-de-ferro para um desagradável processo de remoção, Wikus passa a possuir a chave para o funcionamento das armas alienígenas nas mãos de humanos e para o aperfeiçoamento de outras biotecnologias militares. Devidamente sacaneado, perseguido e estropiado, ele só encontra ajuda entre seus supostos inimigos: os ETs, especialmente na figura do carismático Chris, que alega ter, na nave-mãe, os meios para restaurar sua fisiologia. Depois de escolhas erradas e difíceis e de algumas desilusões, Wikus vê sua lealdade dividida e se transforma, finalmente, num homem de verdade - paradoxalmente, enquanto perde sua humanidade aos poucos.

A opção pelo realismo, que vai da imagem granulada à câmara trêmula e o tom documental, passando pelo notável trabalho de composição da nave-mãe e da integração dos ETs aos cenários naturais, não impediu que o filme funcione, também, como grande cinema de aventura, com belos momentos de ação, reviravoltas e uma conclusão corajosa, que pode ser um tapa na cara dos viciados em finais felizes, mas que se encaixa perfeitamente na proposta do diretor Neil Blomkamp, acertada aposta do já consagrado Peter Jackson para uma necessária oxigenação do sci-fi.

O melhor de tudo: Distrito 9, apesar de sua perfeição técnica, custou míseros 30 milhões de dólares, uma merreca para os padrões de hollywood, e fez bonito nas bilheterias, mostrando que não há pirotecnia visual que substitua as boas idéias. 14 Oscars? Exagero, claro, ainda mais quando se fala em um gênero "menor" do Cinema. A falta de reconhecimento em prêmios, porém, não tira os méritos de Distrito 9 - e eles são muitos!


2012


Esse negócio de o mundo acabar com data marcada já aconteceu e deu chabu tantas vezes antes, que é de impressionar que as pessoas se deixem levar por esse tipo de bobagem de alinhamento dos planetas e afins. Apesar disso, tem gente levando a sério a data 21 de dezembro de 2012 como a data de validade do planeta Terra. Calotes, suicídios e diversos tipos de despirocação encontraram a mais perfeita das desculpas. Já dá até pra ver alguns americanos, em 2013, abrindo processo contra os maias pela previsão furada.

Falando do filme, porém, ele é o que os trailers já prometiam: o maior, mais absurdo e mais destrutivo fim do mundo que o dinheiro pode comprar. Nisso, o diretor Roland Emmerich (que já destruiu este judiado planeta outras duas vezes, em Independence Day e O Dia Depois de Amanhã) cumpre perfeitamente as expectativas. Para criar empatia com o público, dois caras carismáticos na linha de frente dos eventos: John Cusack como o escritor divorciado e empenhado em reconquistar o amor da ex-mulher e o respeito do filho mais velho (que gosta mais do padrasto), e Chiwetel Ejiofor como o cientista que tem a micada missão de avisar ao presidente dos EUA que a vaca foi pro brejo e atolou.

Por um bom tempo, pensamos estar vendo um tipo diferente de filme com a assinatura de Emmerich, apesar da presença de seus cacoetes: o maluco esclarecido (Woody Harrelson, hilariante), a súbita anulação de leis da física e o bichinho que se salva em momento de grande perigo. Sim, apesar de tudo isso, o filme rola de maneira mais sombria que o habitual e a sequências de tragédias chega a exasperar, em certos momentos. Pare de ler aqui, se não quiser ler SPOILERS.

Ok, o aviso foi dado. Vamos em frente.

No entanto, o filme se perde quando opta por dois pesos e duas medidas no que diz respeito, por exemplo, ao impacto das explosões que criam um supervulcão no Yellowstone National Park. Enquanto o personagem de Harrelson é devidamente liquefeito pela onda de choque, o de Cusack e sua família recebem uma baforadinha inofensiva, mesmo estando em igual distância. Quando o adorado padrasto de seu filho morre (depois de salvar todo mundo praticamente sozinho), ele nem se preocupa em informar à família e estes, pasmem, não dão pela falta dele! Isso mesmo! O menino e a mulher, que supostamente o amavam, sequer perguntam onde ele está! Inacreditável! Por fim, existe a inevitável patriotada: embora o consórcio de salvação da raça humana seja multinacional e o "inimigo" mais visível seja um cientista militar americano, cabe ao personagem de Chiwetel Ejiofor dar uma lição de moral (admito, bem tocante) nos desalmados europeus e asiáticos.

No final, mais maniqueísmo, embora "do bem": a África é o único continente poupado do pior da devastação e deve ser, pela segunda vez, o berço da raça humana. A mensagem é clara: olhem para lá, eles existem e são nosso irmãos, façam alguma coisa agora, pois pode não haver um depois. Infelizmente, a reflexão costuma durar o mesmo tempo de um filme do Roland Emmerich. Depois, todo mundo volta a se preocupar com coisas mais importantes, como o abdômen tanquinho do vampiro emo Edward.

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Autor: The Batman às 10:59 PM |
Y - O Último Homem, Vol. 1
Y - O Último Homem, Vol. 1


Esta é uma das HQs mais hypadas e premiadas dos últimos tempos. Ao relançá-la desde o início, a Panini nos dá um presente e nos cria uma preocupação. O presente é que Y - O Último Homem, Vol. 1 vale cada centavo de seus R$ 16,90, desde a opção pela capa cartonada, que barateia e populariza o encadernado, nesses tempos em que até gibis de 50 páginas ganham capa dura no Brasil. O problema é o de não saber se a publicação de Y prossegue sem sustos até o fim, ou se vai ser vítima da "maldição do número 1" de que padecem os encadernados da editora.

Se você não leu ou nunca ouviu falar, a trama é simples: num belo dia, os machos do planeta, humanos ou não, simplesmente morrem todos, com exceção de Yorick e seu mico Ampersand. Não se sabe com certeza por que foram poupados, mas você deve achar que é o sonho de qualquer homem (ou mico) ser o único macho num planeta só de fêmas. Afinal, um mundo dirigido por estes seres tão sensíveis (e provavelmente muito dispostas para tentativas de dar à luz outros homens) só pode ser o melhor dos mundos pra se viver, certo?

Reconsidere.

Em Y, as mulheres dão fiel continuidade às mesmas cagadas da falecida porção masculina: violência, discriminação, disputa pelo poder. Pior, parecem bem mais interessadas em acabar com a raça do pobre Yorick do que em prestar favores de alcova. Claro, existem focos de razão na previsível histeria que se instala, como a mãe de Yorick e a mulher designada para garantir sua segurança (afinal, ele é agora a pessoa mais importante do planeta), uma agente federal conhecida apenas como 355, até que Yorick lhe põe o apelido de Fran.

A idéia pode não ser nova, mas o roteiro de Brian K. Vaughn (ganhador do Eisner) distribui cutucadas nos mais diferentes alvos: os homens, as mulheres, os republicanos, as feministas, os machistas. O apocalipse misantrópico é mostrado em várias frentes (nos EUA, na Austrália, no Oriente Médio) que terminam por convergir. Adequadamente, a artista da série é uma mulher, Pia Guerra. O Eisner recebido por ela talvez seja um exagero politicamente correto, mas jamais poderão acusá-la de incompetente. É um traço simples e dinâmico, quase um storyboard pra um já vindouro filme - e Hollywood seria uma tonta de não aproveitar tanto potencial.

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Autor: The Batman às 10:43 PM |
24 Outubro 2009 Rolam as pedras...
Rolam as pedras...

Eu devo estar mesmo ficando velho.

Após a segunda morte da Bizz, em julho de 2007, a Rolling Stone ficou como o único veículo de imprensa musical de grande alcance e não excessivamente segmentado. Neste mês, ela comemora 3 anos nas bancas e eu não estou nem um pouco afim de aplaudir.

Cansei da RS na edição de agosto, aquela com uma bela capa dedicada a Raul Seixas e outra (medonha!) a Michael Jackson. Cansei daquele formato cretino. Cansei das capas que abrem no meio, abrem para trás, dobram, desdobram. Cansei dos suplementos inúteis que despencam quando eu abro uma edição plastificada. Cansei das inúmeras páginas de publicidade. Cansei das extensas matérias sobre política, desmatamento e trabalho escravo, que roubam o espaço da cultura pop (se eu quisesse saber da "dura realidade", compraria a Veja). Cansei das insuportavelmente prolixas reportagens gringas, que tentam (em vão) dar substância a esses ídolos fuleiros que dominam as paradas.

Dada a profusão de anunciantes graúdos, arrisco dizer que a revista deve estar vendendo bem. Palmas pros editores, que devem estar rindo de orelha a orelha, ainda mais depois que sua principal concorrente foi pro saco. Na verdade, a Bizz versão século 21 pecou demais com suas idiossincrasias e nem deve ter dado tanto trabalho assim. Porém, a soberba edição especial dedicada a Michael Jackson, publicada em julho deste ano, dá uma aula de precisão, concisão e emoção textual na RS. Gostaria de acreditar que isso sinaliza uma nova ressurreição da Bizz num futuro próximo e aproveito para dar algumas sugestões: a) que zerem a numeração; b) que não metam um mala-cabeça desconhecido na capa (Devendra Banhart?); c) que deem atenção aos bons nomes de hoje em dia, ao invés de excessivo saudosismo e necrofilia; d) que não capitulem à nauseante onda black-baba norte-americana.

Seja como for, a Rolling Stone acaba de ganhar uma concorrente de peso, a Billboard Brasil. A capa da primeira edição traz o assim chamado Rei - sim, ele, o meu amigo Roberto Carlos. Entretanto, por que, meu Deus, mais uma revista com formato "excêntrico"? Juro, isso me desanima demais. Ninguém pensa no suplício que é segurar um trambolho desse na sagrada hora do "número 2"? Apesar disso, decidi repensar minha imediata decisão de não comprá-la e aguardo a chegada de um exemplar por aqui.

Assim, terei uma opção à manjada e altamente questionável lista das 100 Maiores Músicas Brasileiras que orna a capa da RS deste mês. É aquilo mesmo que você está pensando: "Carinhoso", "Águas de Março", "Garota de Ipanema", "Trem das Onze" e uma interminável sequência de obviedades, coroada com a consagração da hiperestimada "Construção", de Chico Buarque, como a primeira colocada (buuuuuu!!!). Isso sem falar nos disparatados critérios que excluíram toda e qualquer canção da Legião Urbana (gostem ou não, canções como "Tempo Perdido" e "Será" marcaram toda uma geração e deveriam estar ali), mas deram um lugarzinho (o 100º) à breguice de "Anna Júlia", dos bajulados Los Hermanos. Inacreditável.

Aguardem, para breve, a minha própria edição desta lista. Tenho certeza de que vai sair muito mais legal.

EDITANDO: Eu juro que procurei bastante quando folheei a revista na banca, mas, deixei escapar "Que País É Este?" ali no 81º lugar. Enfim, tem Legião Urbana na lista da RS, mas isso não a tornou melhor. Esperem e verão.

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Autor: The Batman às 9:32 PM |
04 Outubro 2009 Brasil, potência mundial
Brasil, potência mundial
Estamos prontos para ser vidraça?


Na década de 1980, Howard Chaykin profetizava, em sua criação American Flagg!, que em 2032 a economia dos Estados Unidos estaria em frangalhos e que o Brasil seria uma das potências da nova ordem mundial. Os anos passaram e o que parecia um mero delírio criativo (principalmente para nós) está bastante próximo da realidade, ainda que com ressalvas: os EUA sofreram um baque com a crise, mas ainda não estão na lona; o Brasil cresceu em importância, mas não alcançou o status de país desenvolvido, embora este seja um conceito tão relativo. Afinal, o que Rússia e Itália, que integram o G8, têm que nós não temos mais e melhor?

A verdade é que o Brasil está realmente na crista da onda. Descobrimos uma reserva inestimável de combustível fóssil (o petróleo do pré-sal) e, ao mesmo tempo, temos uma alternativa ambientalmente correta (o álcool). O poder aquisitivo da população aumenta e negócios como a construção civil crescem em ritmo galopante. Fomos um dos países menos afetados pela crise econômica que abalou o mundo no fim do ano passado. Fomos escolhidos para sediar a Copa do Mundo de 2014 (ok, praticamente não havia concorrência, mas...) e, agora, a Olímpíada de 2016.

O mundo deve estar olhando um pouco acima dos exotismos, da violência e da sexualidade e pensando, "ei, talvez, enfim, exista mesmo um país ali". Admito, é ótimo colher os bônus de ser uma liderança mundial emergente. Tenho dúvidas, porém, se teremos a mesma disposição em assumir os ônus de nossa nova condição. Afinal, ninguém cresce sem despertar a inveja alheia e fazer eventuais inimigos.

Veja este bafafá com Honduras, por exemplo. Posso estar errado e não entender nada de diplomacia externa, mas por que, diabos, tínhamos que nos meter naquilo? Não se deve apoiar golpes militares, como o dado por Micheletti, mas tampouco se deve apoiar projetos de perpetuação no poder, como o que Zelaya, estimulado por (sempre ele) Hugo Chavez, pretendia "sugerir" em plebiscito. Daí, ficamos de co-protagonistas de um quase desastre político e diplomático que, se não acabou em tragédia, foi por muito pouco. Ainda que este impasse se resolva da melhor maneira possível, uma intervenção estrangeira em assuntos de Estado jamais passa 100% impune. A facção derrotada sempre tem simpatizantes, inclusive em outros países.

Terá sido este um episódio isolado? Ou apenas o primeiro de uma série? Estamos prontos para, a despeito da fama de cordiais e hospitaleiros, colecionar inimigos? Estamos prontos para ser vidraça, em vez de pedra? Será que aguentaremos, com a mesma dedicação com que sempre esculhambamos os ianques, a pecha de "porcos imperialistas tupiniquins"? A liderança exercida pelo Brasil acabará exigindo decisões impopulares e firmeza em momentos difíceis. Quero só ver se seremos capazes de defender o país, quando o que estiver em jogo não for apenas um título de Copa do Mundo.

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Autor: The Batman às 8:01 PM |
19 Setembro 2009 Você me bloqueou!
Você me bloqueou!


Uma das melhores coisas da internet em geral (e dos bate-papos em particular) é a possibilidade de calar a boca daquela pessoa que está enchendo seu saco. Cantadas de quinta categoria, filosofia barata, perguntas inconvenientes sobre sua situação amorosa, financeira ou profissional, crises de chororô emo e intermináveis trocas de insultos: tudo isso termina com um mero clique naqueles comandos maravilhosos, verdadeiros paladinos da sanidade mental na internet: "aparecer offline", "ignorar", "bloquear", "deletar".

Seja porque você está realmente ocupado, ou porque quer dar atenção exclusiva a outra(s) pessoa(s), ou porque você simplesmente não está afim de conversar com aquela pessoa naquele momento, um fato continua soberano: você tem o direito de bloquear ou esconder-se offline de quem quiser, sem que isso implique em juízo de valor da pessoa evitada. Não é que você goste menos dela, mas, naquele momento, não é nela que está o foco da sua atenção. Simples assim. Ou não: afinal, você não é santo(a) pra ficar aturando malas por caridade. Bloqueie ou delete sem dor na consciência!

Em retaliação, o que faz a camarilha dos bloqueados e rancorosos? Ah, eles se juntam e criam gadgets que (uau!) revelam quem foram os malvados que tiveram a audácia de bloqueá-los no MSN! Para garantir que não estão sozinhos em sua rastejantemente baixa auto-estima, anunciam o tal programa como um verdadeiro serviço de utilidade pública: não basta ser bloqueado, você tem que saber quem fez isso com você para (uau!) poder cobrar explicações da pessoa ou bloqueá-la também!

Traduzindo: em sua egotrip às avessas, o sujeito acha que terá algum tipo de vingança, bloqueando quem já o bloqueou primeiro. Assim, perdem-se boas amizades e ganham-se chances maiores de uma humilhação ainda maior, pois um chato discreto ganha um fora discreto; já um chato desbocado merece ter evidenciados todos os seus defeitos, até a sétima geração. Sem mencionar que sofrer de propósito revela uma flagrante tendência masoquista.

Sinceramente, não há nada mais degradante do que rastejar pela atenção de alguém - e faço o meu mea culpa: já estive na ponta emo dessa corda, sofrendo porque pessoas antes legais e calorosas se converteram em icebergs (e isso há nem tanto tempo assim!). Com os anos, porém, fui percebendo que esta é uma atitude nada viril. Melhor ligar o "foda-se" no talo e deixar que passem os dias. Pode ser que, quando você menos espera, as pessoas percebam que você faz falta e, com isso, sua amizade saia fortalecida dessa pequena crise.

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Autor: The Batman às 3:50 PM |
08 Setembro 2009 Up - Altas Aventuras
Up - Altas Aventuras


A história de um velhote ranzinza que reboca sua casa dos EUA à Venezuela, usando balões de hélio, dificilmente motivaria alguém a sair de casa e encarar uma fila de cinema. A presença de um garoto sapeca e de um cachorro falante normalmente espantariam de vez os espectadores minimamente mais exigentes, mas a marca Disney/Pixar faz toda a diferença e, ainda que Up - Altas Aventuras não esteja no meu Top 5 particular do estúdio de John Lasseter, ele está ali, coladinho, na emboladíssima sexta posição. Afinal, os níveis de adrenalina, deleite visual e emoção são altos, como de praxe.

A viagem de Carl Fredericksen não é uma decisão repentina de um velho recluso e sem muito o que fazer: é fruto de uma promessa feita à esposa que conheceu na infância e partiu desta vida sem realizar o sonho de chegar ao "paraíso das cachoeiras" (na verdade, o planalto venezuelano onde está o Salto Angel, a queda d'água mais alta do mundo, a assustadores 979 m do solo). Sua decolagem também é apressada pela ameaça de perder a casa onde viveu seu grande amor. Porém, o velho Carl acaba levando junto, sem querer, o garoto Russell, com quem compartilha o gosto por aventuras e por quem, inevitavelmente, acaba se afeiçoando.

Russell não é apenas inteligente e corajoso: também é um garoto sensível, fruto de um lar desfeito e com carências que afligem boa parte das crianças de hoje, o que gera uma imediata identificação, seja você filho ou pai. O encanto é completado pelo pássaro Kevin e pelo estabanado cão "falante" Dug, que protagonizam alguns dos momentos mais ternos e engraçados. No lado negro da força, temos um outro velho explorador (obcecado por décadas em capturar Kevin) e suas ameaçadoras matilhas. O maior inimigo de Carl, porém, é o tempo: conforme passam as horas, seus balões se esvaziam, se soltam ou simplesmente estouram e ele precisa se apressar se quiser colocar sua casa no exato lugar onde havia prometido à esposa.

Assisti ao filme em cópia 3D. Imagine que meu último contato com a tecnologia havia sido há quase dez anos, num curta-metragem exibido em uma atração do parque Hopi Hari, protagonizado pela peituda bruxa Elvira. Peitos à parte, nada muito auspicioso, como se vê. A experiência continua interessante e foi aperfeiçoada, mas trata-se de um mero detalhe técnico que, como os outros, agregam interesse, mas são secundários. O que realmente conta um um filme Disney/Pixar são a diversão e a emoção. Up - Altas Aventuras tem tudo isso de sobra.


A quem possa interessar: meu Top 5 da Pixar é, em ordem cronológica: Toy Story, Vida de Inseto, Procurando Nemo, Os Incríveis e Wall-e.

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Autor: The Batman às 11:57 AM |
17 Agosto 2009 Melhores de 2009 - Música, Parte 1
Melhores de 2009
Música, Parte 1


Surpreso em encontrar um "Melhores de 2009", em pleno agosto? Explico: quando chega dezembro ou janeiro, acabo ficando com um certo receio de fazer listas muito longas, o que geralmente implica em uma concisão que sacrifica muita coisa legal. Assim, decidi dividir a minha eleição das melhores músicas do ano em duas etapas que renderão dois cds com 15 músicas cada. A primeira parte, com o que rolou de melhor no primeiro semestre, você baixa AQUI e agora. Procurei um equilíbrio entre artistas mais famosos e as muitas novidades que conheci este ano. Acho que ficou legal. Divirta-se e comente!

Editado: esqueça a capinha tosca que acompanha o arquivo. Copie o modelo acima, que está muito mais legal. Basta clicar nela para vê-la ampliada.

01 - U2 - "Magnificent"
Logo depois da faixa-título, No Line On The Horizon nos presenteia com uma das mais vigorosas canções do U2 em tempos recentes, com um trabalho espetacular de The Edge nas guitarras, como de costume. Para cantar alto e recuperar a fé na humanidade.

02 - Wilco - "You And I"
O Wilco lançou disco novo meio que de supresa. Felizmente, Jeff Tweedy e banda continuam mestres em melodias simples e arrebatadoras, como esta, que é um dueto com a musa indie Feist. Lindo é pouco.

03 - The Von Bondies - "21st Birthday"
Apadrinhados pelo incansável Jack White (do Whites Stripes, Raconteurs e Dead Weather), The Von Bondies fazem punk pop rápido e divertido, com o peso ligeiramente domesticado desde o disco anterior.

04 - Doll & The Kicks - "If You're Gonna Leave Me"
Essa banda chamou minha atenção por ter sido convidada a abrir alguns shows da atual turnê de Morrissey. Depois, pelas melodias pop perfeitas às guitarras, radiofônicas e com um toque da década de 80.

05 - The Sounds - "4 Songs And A Fight"
Pra quem gosta de Rilo Kiley, mais uma banda de vocal feminino, esta vinda da Suécia. O som é pop para as melhores rádios e traz (de novo!) os anos 80 em seu DNA.

06 - Golden Silvers - "Magic Touch"
A comparação mais recorrente para este trio é o Roxy Music. Bom, eu não conheço o RM o suficiente para dizer se é isso mesmo ou não, mas o Golden Silvers tem personalidade e faz um pop nostálgico e interessante, que passa longe do óbvio.

07 - Lily Allen - "The Fear"
O segundo disco de Lily Allen não teve tanta repercussão quanto sua estréia e já é consenso que a moça precisa ampliar seus recursos vocais. Mesmo devendo no geral, Lily ainda é capaz de faixas dançantes e provocantes.

08 - La Roux - "Fascination"
Ah, os anos 80 jamais nos deixarão em paz - e, por um lado, isso é ótimo. Veja o La Roux, por exemplo: o cabelo da vocalista pode ser meio A Flock Of Seagulls, mas o som atualiza Eurythmics para o século 21.

09 - Gossip - "Men In Love"
Demorei a descobrir o Gossip, mas cheguei no melhor momento: Music For Men joga um molho disco na panela do punk pop de Beth Ditto, que casa perfeitamente com sua voz "eu sou neguinha?". Peso de rock e balanço de funk. Muito bom!

10 - Noisettes - "Wild Young Hearts"
Eu dei a dica alguns meses atrás. Se você não levou fé, é hora de corrigir sua falha: Noisettes é uma das mais gratas surpresas da primeira metade do ano. Soul e punk em harmonia, para deixar rolar no repeat.

11 - The Asteroids Galaxy Tour - "The Sun Ain't Shining No More"
Agora você já pode dizer que conhece uma banda da Dinamarca: o vocal lembra um pouco o que seria a Duffy gripada, mas a melodia é puro soul bubble gum, engraçado à primeira audição, mas viciante no instante seguinte.

12 - Phoenix - "1901"
O disco novo do Phoenix foi um dos mais aguardados por mim no começo deste ano. Mesmo com um brilho um pouco menor que nos trabalhos anteriores, o trio francês ainda consegue mostrar um talento pop invejável.

13 - Morrissey - "Something Is Squeezing My Soul"
O homem eleito "o ser mais maravilhoso do mundo" envelhece como um bom vinho. É lindo vê-lo recuperar-se tão bem do ostracismo a que foi relegado entre 1997 e 2004. A caneta continua afiada e a voz, cada vez melhor.

14 - Tinted Windows - "Cha Cha"
"Supergrupo" para lá de improvável, o Tinted Windows reúne, entre outros, James Iha (do Smashing Pumpkins) e Taylor Hanson (sim, do Hanson!). O disco é pop até o talo e eu já disse isso aqui antes: tenho um fraco por canções com palminhas!

15 - Paolo Nutini - "Coming Up Easy"
Quem diria que um cara com esse nome seria, ao invés de um daqueles medonhos italianos metidos a líricos, um candidato a novo Ray Charles? Irlandês, branco de voz negra e muito jovem, Paolo Nutini ainda nos dará outras alegrias, escreva isso.

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Autor: The Batman às 8:18 PM |
07 Agosto 2009 Um Homem Bom
Um Homem Bom
(Good, 2008)


O filme - baseado numa peça de teatro - conta a história de John Halder (Viggo “Aragorn” Mortensen), um professor universitário na Alemanha nazista. A vida de Halder é problemática: sua mãe é tuberculosa e senil, seu casamento está em crise e seu melhor amigo, Maurice (Jason Isaacs), é um psiquiatra judeu que sofre a dura perseguição do nazismo.

Apesar de nunca ter se alinhado à ideologia nazista, Halder escreve um romance onde defende a eutanásia. O livro é bem recebido pelas autoridades nazistas, que o convidam a integrar-se ao partido. A partir de então, o professor Halder é promovido a chefe de departamento na Universidade, recebe o posto de capitão SS e seu livro é transformado em filme – sob a supervisão do próprio Goebbles.

“Um Homem Bom” é um filme polêmico, assim como “A Queda”. Eles entram naquela categoria de filmes que procuram humanizar o nazismo. Não sou contra isso. Afinal de contas, os nazistas eram seres humanos (mesmo que dizer isso possa parecer perturbador). Mas é verdade. Os nazistas não eram monstros, no sentido nerd do termo. No filme “Dead Snow” (Noruega 2009) eles são retratados como zumbis. Mas não é o caso. Em “Um Homem Bom” os nazistas são “humanos, demasiado humanos”.

Dentro desse conceito de humanização, o filme poderia mostrar as motivações culturais daqueles alemães que viriam a se tornar genocidas. Revelar a estrutura de crenças e valores que tornaram possível que “alemães comuns” se tornassem assassinos. Porém ele prefere focar na indiferença ou na omissão dos alemães diante da escalada nazista. O filme enfatiza os “bons nazistas”. Mostra um homem que adere ao nazismo por conveniência pessoal, porém nunca deixa de ser uma pessoa atormentada.

A escolha de um diretor brasileiro (Vicente Amorim, filho do ministro Celso Amorim) não foi por acaso. A produção buscou na América Latina um diretor com “isenção” para rodar um filme polêmico. Como se a nacionalidade brasileira isentasse possíveis deslizes ideológicos.

O problema é que se trata de um filme altamente metafórico, com muitas possibilidades de interpretação. Às vezes eu penso se alguns eventos (como o holocausto, a tortura ou a escravidão) se prestam para filmes mais “artístico-introspectivos”. Será que certas realidades, demasiado cruéis para serem suavizadas pela arte, não deveriam naturalmente impor alguns limites para a sua representação? Para não acontecerem absurdos como o holocausto fantasiado no filme “A Vida é Bela”? Enfim, são alguns questionamentos para os quais ainda não tenho resposta.

Mas voltando a “Um Homem Bom”, o roteiro extremamente metafórico me obrigou a buscar nas notas de produção a “interpretação oficial” do filme. E lá percebi que ele tem a pretensão de retratar o comportamento de um povo. De generalizar o comportamento de um cidadão para toda uma sociedade, como podemos comprovar nas seguintes frases:

Um dia, este aparentemente bom homem acorda e descobre que, assim como inúmeros outros cidadãos alemães, ele se tornou um nazista.”

A história de John Halder é uma metáfora para a jornada moral do povo alemão.”

Ou seja, é o “declínio moral” de um personagem específico servindo como modelo para a trajetória histórica de toda uma Nação. Bem... Sendo assim, algumas críticas são necessárias.

A primeira diz respeito ao anti-semitismo. O professor Halder não era anti-semita. Ele tinha um amigo judeu, mas depois de aderir ao nazismo parece incorporar alguns elementos da mitologia anti-semita. Isso quer dizer que a maioria dos nazistas não era anti-semita? Ou que os alemães tornaram-se anti-semitas por causa do nazismo? Na realidade os nazistas não inventaram o anti-semitismo. Este já possuía raízes profundas na Alemanha. Inclusive o anti-semitismo eliminacionista já existia como idéia. Os nazistas mobilizaram essas idéias e as colocaram em prática. A propaganda nazista foi construída sob um substrato de mitos pré-existentes e isso não é mostrado no filme.

O filme também parece mostrar a adesão ao nazismo por “inércia”, de forma quase inconsciente. Outra frase das notas de produção atesta isso:

O filme é uma metáfora da consciência e ilustra a idéia de que nós vivemos nossas vidas sem explorar ou conhecer a nossa visão periférica.”

A adesão ao nazismo por “inércia” certamente foi uma realidade para uma parcela significativa do povo alemão, mas não é possível uma generalização desse tipo para toda a sociedade. A inércia não pode servir como desculpa, por exemplo, para os intelectuais e menos ainda para os membros da SS.

Entre os intelectuais, as fraquezas pessoais desempenharam seu papel na aceitação do nazismo. Era grande o medo de perder o emprego, de ser colocado ao lado dos professores desacreditados, dos comunistas e dos judeus. Por isso não houve por parte dos professores universitários uma reação significativa contra o nazismo. Houve pouca oposição, mesmo no início.

Retratar o nazismo como uma doença moral que varreu a Europa é um erro. As pessoas se tornaram nazistas de maneira consciente. Negar isso é isentar de culpa os responsáveis por esse período vergonhoso da História da humanidade.

“Um Homem Bom” é um filme... bom. Vicente Amorin fez um ótimo trabalho na direção, assim como Viggo Mortensen e Jason Isaacs, em atuações espetaculares. Tomando cuidado com as interpretações fáceis e tendo em mente que o caso do professor Halder é uma metáfora para a jornada moral de uma parcela, e não de todo o povo alemão, “Um Homem Bom” merece uma nota 8.

Sobre a participação dos alemães comuns no holocausto, é interessante o livro “Os carrascos voluntários de Hitler”, de Daniel Goldhagen. Livro altamente polêmico, já adianto.

Sobre o papel dos intelectuais na ascensão do nazismo, recomendo o livro “O Declínio dos Mandarins Alemães”, do historiador Fritz Ringer.

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Autor: Mestre Chang às 2:09 PM |
21 Julho 2009 Acidente na Piscina
Acidente na Piscina

Pessoal eu não quero parecer repetitivo no assunto, mas essa aqui é muito boa. Já faz algum tempo que as roupas de alta performance vêm causando polêmica nas piscinas. Os atletas que as utilizam conseguem baixar significativamente seus tempos. Dentre as várias marcas disponíveis, a Jaked leva a fama de criar super-trajes para quebrar recordes. Tanto que muitos falam na proibição do uso dos maiôs da marca.



Mas por essa ninguém esperava. Momentos antes de cair na água pra disputar a prova dos 200m livres nos Jogos Mediterrâneos, no início do mês, a nadador italiana Flavia Zoccari sofreu um acidente. Ela usava o polêmico maiô Jaked J01, mas dessa vez a polêmica não teve relação com a quebra de nenhum recorde. Aconteceu que o traje altamente tecnológico rasgou bem na bunda, obrigando a atleta a abandonar a prova.


Mais aqui.

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Autor: Mestre Chang às 11:50 PM |
19 Julho 2009 Viver sem fronteiras... e sem banda larga.
Viver sem fronteiras... e sem banda larga.


Na contramão dos avanços tecnológicos e das facilidades de aquisição oferecidas pelas empresas de telefonia, estou de volta à era da internet discada em minha casa - e acredite, digo isso com certo orgulho.

Há pelo menos uma coisa que pode ser dita da internet discada que não pode ser compartilhada com as conexões banda larga oferecidas por aí: ela é estável e cumpre o que promete. É assumidamente de baixa performance, mas não te deixa na mão. As conexões mais rápidas, porém, fazem o mundo parecer ao alcance de um clique, mas, às vezes, basta uma nuvem um pouco maior para que o encanto se desfaça.

Eu estava usando, há cerca de quatro meses, a TIM WEB de supostos 600 kbps e tráfego ilimitado de dados. O preço seria de R$ 39,90 nos três primeiros meses e saltaria para R$ 89,90 nos meses seguintes. Obviamente, eu tentaria conseguir algum desconto com os bônus acumulados no meu celular pós-pago, mas, ainda que não conseguisse, estaria satisfeito em pagar o extorsivo preço bruto. Bastava que a TIM cumprisse metade do que prometia - e não cumpria.

Quando contratei o plano, fui lembrado pela atendente que a rede 3G da TIM não cobria minha cidade, o que limitaria o desempenho do modem. Não sabia, porém, que limitaria tanto assim. Dos 600 kbps prometidos, dificilmente ultrapassava 180. Veja bem, eu não estou falando de uma velocidade constante, estou falando de picos. A média era bem inferior, ficando em torno dos 50 a 80 kbps, com downloads que raramente chegavam a 10 kbps.

(Neste exato momento, realizo uma verificação da velocidade real de minha conexão discada, através de um dos muitos sites que o fazem, e ela marca 56,7 kbps - exatamente o que se espera de uma linha desse tipo. Viva o dial-up!)

Assim, depois de meses de lentidão, instabilidade e pelo menos uma pane mais séria, que durou cerca de três dias, rescindi o contrato de prestação de serviços da TIM, sem qualquer briga - afinal, o idiota aqui ouviu da atendente que havia limitações, mas, mesmo assim, resolveu arriscar. Resumo da ópera até aqui: estou de volta à internet discada e tenho uma razoavelmente vultosa multa a pagar.

Mas (e sempre tem um "mas")...

O fim do meu contrato com a TIM WEB coincidiu com o fim de minha fidelização no celular. Depois de percorrer as lojas de outras operadoras em busca de uma boa desculpa para mudar de "casa", frustração: apesar dos planos semelhantes ao que já possuo, ninguém quis me dar um aparelho decente em troca da portabilidade.

A TIM, obviamente, não precisava saber disso.

Daí, ligo pra lá e resolvo dar uma chance a eles. Justiça seja feita, não tenho queixas em relação à qualidade do sinal, pacote de serviços ou tarifa praticada no celular. Para garantir minha fidelidade, o primeiro aparelho que me vêm à cabeça pedir-lhes é o Sony Ericsson W760, vendido na internet (e na própria TIM) por cerca de R$ 1.000,00. Imaginava que não fosse ser muito fácil, mas bastou mencionar (mentirosamente) que a concorrência tinha me oferecido o aparelho de graça pra que a atendente se esmerasse em me conseguir uma oferta igual. Depois de muita lerdeza (este é um traço típico e irritante da TIM: o atendimento é sempre muito, muito demorado), ela volta e me diz que não consegue fechar a entrega gratuita do aparelho por um problema de sistema, mas que voltaria a me ligar no dia seguinte para terminar a transação.

Promessa feita e cumprida, com um porém: ela agora fala que o celular me sairia com um grande desconto que, ainda assim, me faria pagar 12 parcelas de vinte e poucos reais. Nada da gratuidade anunciada no dia anterior. Revoltado, mas muito paciente, explico a ela que não faz sentido pagar por um aparelho que eu, supostamente, teria de graça da operadora X. Ela diz que não pode reduzir o valor. Eu não aceito a oferta, claro, e encerro a ligação.

Acostumado ao amadorismo do telemarketing da empresa, já havia percebido antes que uma atendente sempre diz uma coisa diferente da outra. Ligo de volta poucos minutos depois e refaço a proposta de fidelização em troca do aparelho gratuito. Depois de muita demora, volta a nova atendente com uma oferta de preço diferente da anterior. Novamente, recuso-me a pagar seja lá quanto for e sou taxativo: "se o aparelho não vier de graça, eu encerro minhas relações com a TIM hoje mesmo, pois a concorrência vai me ligar" (nova mentira). Ela pede mais um (longo) tempo e volta com o OK da sua supervisora. O aparelho, enfim, seria meu a custo zero.

Pode parecer uma vitória pequena, mesquinha. Há que se lembrar, porém, que a competição entre as operadoras não baixou os preços tanto quanto a gente esperava; além disso, todo plano de vantagens tem uma série de "pegadinhas" que limitam seu pleno usufruto. Na falta de uma legislação mais rígida ou de melhor fiscalização, as empresas estão sempre vendendo gato por lebre, como é o caso da internet 3G: a insatisfação é geral. As promessas de velocidade esbarram na pobreza técnica de nossa rede de dados e, enquanto a gente paga caro pra ter uma internet banda-não-tão-larga-assim, de 300 kbps a 4 megas e sujeitas a toda sorte de problemas, na Europa, por um preço equivalente, o padrão doméstico das conexões oferecidas pela própria Telecom Italia (sim, a TIM) já é de 10 megas acima.

É de chorar.

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Autor: The Batman às 3:42 PM |
16 Julho 2009 Guess who's back?
Guess who's back?

Saudações nerds!
Sim, sim... após a abdução, um breve retorno e uma nova ausência, Mestre Chang está de volta. Prometi ao Marlo que hoje eu ia postar, mas não consegui finalizar o texto. Como promessa é dívida, deixo para os amigos uma foto da Jessica Alba em trajes sumários. (As amigas que me desculpem, mas recentemente o Marlo já publicou fotos sensuais para o público feminino).



Isso foi só pra não diz
er que não postei nada hoje, viu Marlão? Hehehe... E em seguida eu volto. E já vou começar chutando o balde. Aguardem.

P.S.: Clique na imagem para ver... com maior resolução. Os detalhes fazem toda a diferença.

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Autor: Mestre Chang às 12:51 AM |
13 Julho 2009 Homem de Ferro - Extremis
Homem de Ferro - Extremis

Em alta desde o excelente filme do ano passado (cuja continuação, prevista para ano que vem, já geral alta expectativa), o Homem de Ferro tem ganhado contínuo destaque entre os lançamentos da Marvel e, por consequência, da Panini Brasil.

Este encadernado compila as seis primeiras edições de Iron Man, lançadas no Brasil em forma de minissérie, em 2006. A trama de Warren Ellis atualiza o herói para o século 21, não apenas em seu contexto, mas também em sua relação com o equipamento que lhe confere poder. Pontuada por citações a pessoas e eventos científicos cruciais da história recente, Ellis faz de forma divertida e inteligente o que sabe melhor: criar ciência fantástica com um pé na realidade (ou seria ciência real com um pé na fantasia?).

Extremis é o nome dado a uma nova tentativa de soro de supersoldado, experimento cujo único sucesso, até então, era o Capitão América. Só que ao invés de simplesmente amplificar força e reflexos, o Extremis promove uma completa remodelação interna do corpo humano, a partir do centro cerebral de regeneração. O soro é roubado e vendido a terroristas, o que provoca uma tragédia.

Ao reconhecer os efeitos de sua criação, a cientista Maya Hansen apela a Tony Stark, esperando que seus contatos com os Vingadores e a SHIELD ajudem a minimizar os problemas. O que Tony não esperava é que a cobaia do Extremis se revelasse um desafio superior a toda sua tecnologia, o que quase lhe custa a vida e o obriga a tomar uma decisão que pode resultar no upgrade supremo de seu armamento... ou na sua morte.

O trabalho admirável de Adi Granov na concepção da nova armadura do Homem de Ferro rendeu-lhe convite como consultor de design no filme, mas seus méritos não estão resumidos a ela. Com um estilo que faz lembrar John Cassaday (Surpreendentes X-Men), Granov é econômico nos cenários, mas desenhas celulares, carros e o próprio Tony Stark de modo verossímil, ao invés de hi-tech exacerbado ou uma montanha de músculos, incompatível com o semi-sedentarismo do personagem.

Extremis, com sua agilidade e respeito à inteligência do leitor, é uma ótima adição à coleção de qualquer fã de bons quadrinhos. Merece a Estante Encantada!

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Autor: The Batman às 9:49 AM |
05 Julho 2009 Espanando a poeira!
Espanando a poeira!

Livro: Leite Derramado

É triste, mas é um fato: é raro a gente dar dicas de livros aqui no Catapop. Confesso que isso acontece porque eu realmente não leio tantos livros quanto deveria, gastando (e, às vezes, desperdiçando) muito do meu tempo com DC e Marvel. Por isso, mesmo com a torpe desculpa de que tenha sido incluído em um pedido à FNAC apenas para completar o valor mínimo para frete grátis, Leite Derramado acabou se revelando uma prazerosa surpresa.

Esquecido no leito de um hospital qualquer do Rio de Janeiro, um homem conta sua história e de sua família, ao longo de pouco mais de cem anos, acompanhando as transformações físicas e sociais da cidade e alguns momentos importantes da história do Brasil. Seus relatos são desconexos, cheios de idas e voltas no tempo, e jogam para o leitor a tarefa de discernir o que é verdade do que é delírio senil na sua jornada dos nobres palacetes dos primeiros anos do século XX à virtual indigência dos dias atuais, tudo sempre pontuado pela figura de uma mulher jovem e enigmática, chamada Matilde, único amor da sua longa vida.

A linguagem rica e direta que faz a fama da obra musical de Chico Buarque se faz presente neste livro de leitura agradável e altamente recomendável. Confesso que agora fiquei curioso para ler Estorvo, Benjamin e Budapeste, seus livros anteriores, dos quais me esquivei pela cisma de que Chico estivesse apenas pleiteando, na literatura, a adulação que lhe é dedicada no campo da música, onde "gênio" é o adjetivo mais modesto que seus fãs lhe aplicam. Não me restam dúvidas, porém, de que ele domina o ofício de escrever.


HQ: Liga da Justiça por Grant Morrison Vol. 1

Na segunda metade da década de 90, passado o boom da novidade que foi a Liga da Justiça Internacional, voltada para o humor, a principal equipe da DC padecia com sagas fuleiras e consequentes baixas vendas. Para dar novo gás à série, foi chamado um certo escocês, de prestígio até então inabalado, que já havia legado um punhado de obras-primas à editora, como a reformulação do Homem-Animal e a graphic novel Asilo Arkham.

O primeiro grande acerto de Grant Morrison foi perceber o óbvio ululante: para ser realmente a maior equipe de heróis da DC, a Liga da Justiça teria que contar com seus maiores heróis. Isso significaria ter em suas fileiras os assim chamados Sete Magníficos: Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde, Aquaman, Flash e Caçador de Marte. Outros viriam, claro, mas era importante iniciar os trabalhos com um dream team super-heroico. O segundo acerto foi torná-los ligeiramente arrogantes: ora, bolas, se você e seus colegas têm o poder de chutar bundas e partir o mundo ao meio, para que falsa modéstia? A LJA de Morrison era o ápice da concentração de poder e sabia perfeitamente disso. O terceiro foi deixar de lado os vilões mais manjados e investir na criação de novos e perigosos tipos (por exemplo, os marcianos brancos e os anjos caídos) e no enfodecimento de figuras patéticas do passado, como o Chave.

Os desafios propostos por Morrison à LJA eram sempre grandiosos, verdadeiros acaba-mundos que não poderiam ser resolvidos por nenhum dos heróis isoladamente. Entretanto, desde cedo notamos uma predileção do escritor pelo Batman: em meio a tantas figuras com poderes mitológicos, diversas vezes cabia ao único ser humano sem poderes da equipe ("o homem mais perigoso do mundo", segundo Superman) a missão de tirá-la das piores enrascadas. Morrison foi ainda o único escritor que aproveitou, de maneira digna e grandiosa, o curto período em que o Superman ostentou poderes elétricos.

Lamenta-se, apenas, a escolha de um desenhista de segundo escalão, Howard Porter, para ilustrar este momento singular da equipe. Imagino que uma pressão da DC por regularidade nas entregas tenha sido o único motivo a afastar Morrison de seu habitual colaborador, Frank Quitely (um lerdo, porém, um criador de sequências inesquecíveis). Por sorte, tivemos um gostinho da parceria na saga Terra 2 - que, esperamos, constará de algum novo volume por vir.

Infelizmente, a Panini tem uma política de encadernação para lá de obscura, e a gente não tem como saber que coleções podem um dia ganhar o sonhado Volume 2. Mesmo assim, essa coleção reúne aventuras de primeira e que só haviam sido publicadas aqui em formatinho. O luxo da capa dura era dispensável, mas a edição da Panini peca mesmo é por não ter extras, exceto por uma galeria de capas. Era pra encher o volume com entrevistas e textos de Morrison sobre seus conceitos para a equipe. Apesar das falhas, é um deleite reler este material.

HQ: Universo DC: Começa a Crise Final

A DC perdeu tempo e dinheiro (deles e da gente) durante meses a fio, com a Contagem Regressiva e as séries que, aqui, compuseram o Prelúdio Para a Crise Final. Nesta edição, que prepara o terreno para mais um mega-evento de nível cósmico, nada daquilo é sequer mencionado - nem mesmo o aparentemente mais relevante deles, a morte dos Novos Deuses. Não se fala em Donna Troy, Jason Todd ou Kyle Rayner. Não se fala em Monitores, Monarca ou Batedora. Enfim, foi um jeito mais ou menos educado que Grant Morrison e Geoff Johns acharam para dizer: "esqueçam aquela baboseira, o que realmente importa para a Crise Final é o que está acontecendo em Batman, Superman, Mulher-Maravilha e Lanterna Verde!".

Mais do que simplesmente ajeitar o pano de fundo para a Crise Final, este especial cria expectativa para sagas que começam a desenrolar-se desde já e se estendem até o ano que vem: Descanse em Paz (Batman), A Legião dos Três Mundos (Superman) e A Noite Mais Densa (Lanterna Verde). São poucas páginas, desenhadas por prata-da-casa, como Ivan Reis, George Pérez, Ed Benes e Aaron Lopresti.

O grande "tchan" da edição é a maneira sutil como se vai revelando a identidade do seu narrador - e a última página provoca arrepios na espinha, quando a gente saca quem é! Já vimos esse filme, é verdade - só que nunca antes com este personagem. Ou muito me engano, ou esse negócio vai sair bonito: Grant Morrison comanda o evento principal, enquanto Geoff Johns, Greg Rucka, Peter J. Tomasi e Brad Meltzer seguram as pontas nos acontecimentos paralelos. Que venha a (última?) Crise!


DVD: Roma - Primeira Temporada

Uma ótima dica (meio tardia, é verdade) de DVD é esta excelente série da HBO, que recria de modo impressionante o período de ascensão e queda do imperador Júlio César. Contando com um excelente elenco de semidesconhecidos, Roma é um espetáculo memorável de história, política, erotismo e violência exacerbada, com sequências que chegam a chocar. Mesmo assim, tem alguns bons momentos de humor - e não há nada mais engraçado do que comparar a famosa e suntuosa Cleópatra de Elizabeth Taylor com a vagabundazinha sem glamour algum que ela se revela na série. Vale um aviso: tire as crianças da sala. A nudez frontal, inclusive masculina e em "posição de batalha", é constante.


DVD: As Crônicas de Nárnia - Príncipe Caspian

Depois de voltarem a ser crianças comuns em Londres, mesmo tendo memórias de toda uma vida adulta como reis em Nárnia, Peter, Edmund, Susan e Lucy são chamados de volta, mas as coisas estão muito diferentes: Nárnia foi conquistada por humanos e as criaturas mágicas foram caçadas até a quase extinção. Os sobreviventes juntam-se às quatro crianças para reconduzir ao poder o jovem príncipe Caspian, caçado por seu tio Miraz, que deseja o trono para si e seu recém-nascido filho.

Pode estar "na moda" fazer segundos capítulos mais "sombrios", mas não é apenas o tom mais sério que segura este filme: a história é muito bem contada e todo o elenco a interpreta muito bem. Existem reviravoltas estratégicas arrepiantes e alguns sacrifícios extremos são feitos em nome da liberdade. Não se via uma gota de sangue no primeiro episódio, mas neste ele jorra com certa generosidade - nada capaz de chocar criancinhas, claro, mas o toque realista é bem-vindo. Os efeitos especiais criam momentos arrebatadores, que fazem desta continuação uma ótima pedida para uma tarde de ócio.


DVD: Ensaio Sobre a Cegueira

Acometida por uma súbita e inexplicável epidemia de cegueira, a humanidade se perde em conflito e degradação, retornando aos instintos básicos que os aproximam da total descivilização: em nome da segurança, da saciedade da fome e da sede, do impulso sexual e do desejo de poder, as pessoas apelam à segregação, ao roubo, ao estupro e ao assassinato. O único resquício de sanidade e organização é a mulher de um médico (Julianne Moore), que se empenha de corpo e alma em amenizar o sofrimento e os problemas originados pela cegueira - e que, estranhamente, não é afetada.

Parece um cenário horrível, né? E nós, que nem temos a desculpa da doença?

O Mestre Chang já comentou o filme antes. Clique aqui para ler.


1958-2009


Eu sempre vou lembrar onde estava e o que estava fazendo em 25 de Junho de 2009. Adeus, Michael.

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Autor: The Batman às 11:10 AM |
21 Junho 2009 Starman Vol. 1
Starman Vol. 1

Quando meus alunos reclamam que não têm criatividade para escrever uma redação em inglês, dou o seguinte conselho: não se preocupe em ser criativo, mas verdadeiro; fale de você, das suas experiências e opiniões. Em suma, coloque-se no papel.

Foi o que James Robinson fez ao escrever as excelentes histórias desta primeira (rezemos para que não seja única) coletânea de Starman publicada pela Panini. Robinson fez de Jack Knight (o relutante novo Starman, obrigado a assumir o legado do pai quando seu irmão mais velho é assassinado) uma espécie de alter-ego. Como seu criador, Jack é colecionador de todo tipo de quinquilharia antiga, de álbuns de figurinhas a gravatas, de pôsteres a taças de cristal. O universo do Starman é cheio de referências culturais de décadas passadas, fenômenos pop de pequena e grande magnitudes, coisas que Robinson certamente curtiu muito.

Muito provavelmente, é essa pessoalidade que existe nas histórias que as torna tão agradáveis de ler. Robinson esmerou-se na criação de um universo extremamente compacto, com poucos personagens fixos, todos muito bem delineados. São histórias que brincam com a famosa falta de noção dos super-heróis, com marmanjos vestindo malhas colantes e acessórios ridículos, coisa que Jack, para desgosto de seu pai (o primeiro Starman da Sociedade da Justiça), abomina. O que ele quer mais é ficar atrás do balcão do seu brechó, sem ser incomodado. Acontece que os problemas o procuram e, se não enfrentá-los, a opção que Jack tem é morrer.

Falando nisso, este volume tem dois momentos emblemáticos sobre a morte nos quadrinhos. No primeiro, a única vez em que Jack cede à sede de sangue que acomete os justiceiros mais afoitos, ele sente-se mal e logo trata de jurar: nunca mais - e isso num gibi lançado em plena era Image (1994), com seus ogros homicidas. Na outra, Jack encontra seu irmão morto - e quebra o pau com ele. Ressurreição? Sonho? A história não explica, mas basta uma olhada mais atenta pra sacar a verdade.

Robinson foi feliz, também, na escolha de Tony Harris para os desenhos. Harris dá as histórias de Starman um jeitão noir, com excelente uso de sombras. Na sétima história, ele cede a vez para Teddy H. Kristiansen, ainda mais adequado ao clima de terror da trama com o vilão Sombra. Nos extras, notas feitas pelo próprio Robinson enriquecem e muito a experiência de desfrutar deste belo álbum.

Sem dúvida, um dos melhores volumes de luxo publicados pela Panini. Perdê-lo teria sido imperdoável. Não bastasse a qualidade das histórias, o Submarino fez promoção que baixou o extorsivo perço inicial de R$ 62,00 para meros R$ 19,90, com frete grátis. Mais um belo item para a Estante Encantada, a preço de banana.

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Autor: The Batman às 5:51 PM |
31 Maio 2009 Os bonitinhos do Gospel
Cantai como filhos do Senhor!
Jesus, me chicoteia! São os bonitinhos do gospel!

Os intervalos comerciais da Rede Globo foram tomados de assalto por uma tendência que não é exatamente novidade. Por meio de sua gravadora, a famigerada Som Livre, a líder de audiência descobriu o que sua concorrente mais incômoda (a Record) já sabia há muito tempo: sex God sells.

Há o comercial do cd Milagres, da bonita de rosto e voz Adriana; o do cd Deus do Impossível, da certinha (e chatinha) Aline Barros; e o atual xodozinho das "tias" católicas, o bonitão Padre Fábio de Melo, com seu cd/dvd Eu e o Tempo, todos devidamente consagrados como campeões de vendas e de pirataria - mas, espere, não é só isso! Tem algo mais unindo esses três lançamentos, além do óbvio e ululante tema das canções: a beleza física de seus intérpretes.

Antes que você abra seu saco de clichês para me dizer que a beleza deles é um "presente de Deus" ou qualquer coisa assim, eu tenho uma verdade muito mais palpável pra apresentar: a Globo não dá ponto sem nó. Daí, que não bastava (re)entrar no mercado gospel contando apenas com o apelo das canções, ou investir no agora já passadinho Padre Marcelo Rossi. Era preciso contar com gente bonita, dotada de uma necessária dose de sex appeal, capaz de elevar as vendas em igual proporção à da libido dos fiéis. Claro, tudo devidamente embalado numa aura de pureza e boas intenções.

Verdade seja dita, nenhum dos três é exatamente novo no mundo gospel e já possuem um séquito de fãs. Você não há de duvidar, porém, que eles foram escolhidos a dedo pela Som Livre, né? Adriana tem aquele jeito imponente de top model que amadureceu. Aline Barros, uma pinta de mocinha tão pura que deve peidar cheiroso, mas, assim como outra da mesma espécie, a Sandy, tem quem goste. Fábio de Melo, o galã da hora, tem aquele nariz curiosamente fálico, emoldurado por um ar de homem que não avança o sinal (isto é, se mocinha - ou tia - não pedir).

Adriana canta bem. Aline canta bem. O repertório pode ser tedioso e repetitivo, mas aí já são outros quinhentos. Fábio de Melo, porém, não é cantor. Os comerciais já dão pista do seu alcance vocal limitado, de modo que não fiquei surpreso quando ele se apresentou no Domingão do Faustão umas semanas atrás, semitonando horrivelmente em vários momentos. É óbvio que os discos dele não existiriam sem um ProTools (software de edição de voz) ou equivalente. O playback deve comer solto em seus shows. Ou isso, ou a massa católica está pouco se lixando pra parte musical e só quer mesmo louvar ao Senhor.

O repertório do padre inclui, de forma bastante despropositada, clássicos do cancioneiro popular que destoam completamente do restante do repertório, pelo simples fato de não serem canções gospel, apenas citando palavras ou expressões caras ao catolicismo, como "Romaria" (Renato Teixeira) e "Pai" (Fábio Jr.), essa última falando de um pai extremamente mundano e falho, nada adequado para comparações com o Criador. Até "Apenas Mais Uma de Amor", de Lulu Santos, entrou no baile, sabe-se lá sob qual pretexto.

Desde os tempos do Padre Marcelo Rossi, pulando ao lado de dançarinas e "celebridades" seminuas no programa do Gugu, que se discute se é correto que a Igreja Católica lance mão desse tipo de artifício, se isso é evangelização ou circo pop - mas, ora bolas, se outras podem e o fazem sem pudor, por que não? O que eu gostaria é que eles assumissem de uma vez o caráter de "braço armado", de tática de guerrilha, que esses cantores representam, ao invés de ficar negando que a beleza é o grande trunfo do padre do nariz erótico. Afinal, cantores bem melhores existem aos montes, inclusive no universo religioso, e nem por isso eles estão ganhando preciosos segundos no horário nobre.

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Autor: The Batman às 1:00 AM |
17 Maio 2009 Rapidinhas
Rapidinhas

- Até que enfim, caminha no Congresso um projeto de lei que acaba com a absurda criminalização da homossexualidade nas Forças Armadas, que deve estender-se às polícias. Num momento em que o Brasil começa a figurar como uma moderna potência mundial, é realmente vergonhoso que uma lei tão medieval esteja em vigor, desrespeitando direitos civis e desperdiçando potencial humano. Homens e mulheres gays sempre existiram, sempre existirão e não é fazendo de conta que eles não já integram determinadas corporações, ou aplicando-lhes descabidas punições ao descobrir-se sua condição sexual, que essas corporações serão melhores.

- Comprei a versão motherfucker de Watchmen lançada pela Panini, basicamente por três motivos: 1) minha edição de 1999 da Editora Abril (ótima, diga-se) já se encontra abalada pelas sucessivas mudanças de endereço; 2) ela parecia ter ficado linda, impressão que se confirmou quando pude finalmente tê-la em mãos; 3) um desconto de R$ 40 sobre o preço de capa (R$ 120) pode ser bastante persuasivo, ainda mais com parcelamento em três vezes. Foi pelo site da Saraiva, mas Americanas e Submarino têm condições semelhantes.

- Eu tinha resolvido não dizer uma linha sobre o monte de estrume que é o filme do Wolverine, mas me peguei percebendo que ele tem um tom que já começava a delinear-se em X-Men - O Confronto Final: uma maçaroca de boas tramas condensadas em situações forçadas e clichês constrangedores. Ao que parece, Homem de Ferro foi uma exceção no caminho que a Marvel resolveu adotar, pontuado por ação descerebrada e brigas inexplicáveis - e detesto dizer que eu já previa o desastre, mas é verdade. Vejamos o que os próximos filmes reservam.

- Voltando um pouco ao assunto do post anterior, ontem estava pensando em como mudei minha impressão sobre "Vertigo", do U2, desde seu lançamento, há cinco anos. Na época, admito, achei uma porcaria sem tamanho, era como o U2 estivesse virando o Green Day. Veio a visita ao Brasil em 2006 e minha percepção foi mudando aos poucos. Hoje, se tem uma música que me deixa feliz, que me anima o dia, é "Vertigo". Sabe o que eu percebo nela? Que é um dos poucos momentos em que o U2, uma banda tão afeita a hinos pomposos e causas nobres, permite-se ser apenas uma banda de rock, e das boas. Guitarra, baixo e bateria estão infernalmente rock 'n' roll, e Bono a interpreta com o tesão de um garoto de 19 anos. Não é pouca coisa. Se rolar mesmo show ano que vem, espero estar perto do palco para contar "uno, dos, tres, catorce!"

- Beijomeliga!

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Autor: The Batman às 9:24 AM |
10 Maio 2009 Teste dos 20 Anos
Teste dos 20 anos

Em 1989, um CD custava de cinco a dez vezes mais que um LP. Naquele Brasil que ainda iria realizar sua primeira eleição direta, ainda bem fechado política e economicamente, não havia internet ou globalização de qualquer espécie; importar um LP ou CD demandava uma boa grana ou boa vontade por parte daquele parente/amigo em viagem ao exterior. A Bizz tinha pouco mais de três anos de existência e publicava, orgulhosa, notícias de dois ou três meses antes. O U2 enfrentava sua primeira crise criativa, a dance music tomava as paradas de assalto e as bandas de rock nacional atingiam o pico de sua popularidade, do qual despencariam vertiginosamente com a chegada dos sertanejos.

Foi o ano da polêmica edição da Veja em que Cazuza admitia ter AIDS, que também vitimaria o ator Lauro Corona. O ano das mortes de Raul Seixas, de Luiz Gonzaga e do pintor Salvador Dalí. O ano da primeira disputa de Lula pela presidência do país, que perderia para o famigerado Fernando Collor de Mello, o alagoano que tinha aquilo roxo. O ano da queda do Muro de Berlim.

Como não poderia deixar de ser, foi, também, o ano de discos memoráveis, alguns dos quais prometiam marcar a ferro seu nome na História. De boas intenções, porém, o inferno está lotado e os sebos, cheios dos empoeirados esforços de gente que tentava ganhar ou manter seu lugar ao efêmero sol das paradas. Duas décadas depois, porém, quantos destes discos realmente resistem a uma audição?

Como sempre acontece nestes casos, a lista é limitadíssima e minha opinião, nada profissional. Trata-se da opinião de um fã que curtiu os discos na época de seu lançamento e compara as sensações de então com as de agora. Concordando ou discordando, não deixe de comentar!


CAZUZA - Burguesia

- Você sempre me amou?
Mesmo agonizando com a AIDS, Cazuza colhia os frutos de respeito e sucesso obtidos com Ideologia e ampliados com o Ao Vivo, de onde constava a fundamental "O Tempo Não Para". Cercado de expectativa, Burguesia foi uma decepção. Gravado a toque de caixa, o pretensioso disco duplo tinha os piores timbres possíveis e a voz de Cazuza reduzida a um fiapo. Não ajudavam as letras medíocres, em especial na total falta de sutileza de "Cobaias de Deus" e "Filho Único". Mesmo assim, foi possível me afeiçoar a algumas canções, como "Azul e Amarelo", "Mulher Sem Razão" e "Como Já Dizia Djavan".

- Vinte anos não são vinte dias!
Infelizmente, o tempo foi inclemente com Burguesia e seus defeitos foram apenas ressaltados com a evolução das produções musicais no Brasil. As canções ruins soam ainda piores e as melhores agora soam apenas razoáveis. As semitonadas de Cazuza já não merecem o perdão que sua condição evocava à época. Melhor teria sido encerrar a carreira antes e aguardar a morte com um pouco mais de dignidade.


GUNS N' ROSES - Lies/Live Like A Suicide

- Você sempre me amou?
Em 1989, o Guns era a única banda capaz de ameaçar o U2 no trono de Maior do Mundo. Culpa desse disco, meio acústico de estúdio e meio elétrico ao vivo, que continha "Patience" e sua indefectível introdução assobiada. Sim, eu a assobiei muito por aí, mas também curtia o humor negro de "Used To Love Her", a versão desplugada de "You're Crazy" e a cover de "Mama Kin", do Aerosmith. Sim, tocou até encher o saco, mas admito: naquela época, o GN'R era MUITO legal!

- Vinte anos não são vinte dias!
O recurso do assobio, repetido na politicamente incorreta "One in a Million", já não tem o frescor da novidade e acaba irritando. Depois de anos de abuso do formato acústico, o "lado" elétrico do disco, com seu hard rock veloz e enérgetico, soa bem mais legal que aquele que o fez famoso. Dá uma certa saudade e uma baita vontade de porrar as cabeças de Axl e Slash uma na outra, até eles se entenderem.


MARISA MONTE - MM

- Você sempre me amou?
"Diva" era o adjetivo mais modesto aplicado a Marisa Monte em sua estréia, apadrinhada e "jabazada" por Nelson Motta. De fato, ela impressionava, transitando com desenvoltura entre Titãs, Mutantes, Carmen Miranda e standards norte-americanos. Uma criatura híbrida, pop demais para a MPB e suave demais para o rock. Mesmo assim, era uma novidade gostosa e MM rodou muito no meu som. Para o bem e para o mal, estava inaugurada a era das cantoras "ecléticas" (ainda sem o ranço GLS).

- Vinte anos não são vinte dias!
Ainda bem que Marisa Monte evoluiu barbaridades como cantora e compositora. Este primeiro registro soa hoje quase insuportável em seus excessos, como o timbre rosnado nas introduções de "Comida" e "Negro Gato" e transgressões tolas, como encaixar drogas na letra de "Chocolate", de Tim Maia. Já a versão para "I Heard It Through The Grapevine", de Marvin Gaye (que não constava do LP), incomoda pelo inglês macarrônico.


SOUL II SOUL - Club Classics Vol. One

- Você sempre me amou?
Jazzie B e sua trupe eram quase uma unanimidade entre a crítica: descolados, chiques, talentosos. O compasso manemolente de "Keep On Movin'" foi logo apelidado de "batida Soul II Soul", de tanto que foi copiado - e podem não ter sido eles a inventá-lo, mas sem dúvida o popularizaram. Uma de minhas primeiras paixões na dance music, o Soul II Soul era mesmo o que parecia: descolado, chique, talentoso. Bastava um trinado de Caron Wheeler pra os pelos de minha nuca se eriçarem.

- Vinte anos não são vinte dias!
A dance music ganhou batidas bem mais encorpadas e velozes. Infelizmente, a estréia do Soul II Soul não envelheceu muito bem, e o que antes era um saudavelmente nostálgico resgate do soul com roupagem modernosa, hoje soa bastante datado. Não ficou ruim, mas é preciso um bocado de esforço pra entrar no clima.


THE STONE ROSES - The Stone Roses

- Você sempre me amou?
Desde aqueles tempos (ou antes), a imprensa britânica já tinha a mania de declarar o rock "morto" e apresentar um novo grupo de "salvadores" do gênero e, com a mesma facilidade com que enchia a bola dos mais ingênuos em uma semana, detonava-os sem pena na seguinte. The Stone Roses vinha embalado pela fama obtida no underground londrino, pela neopsicodelia que tomava a cidade e pelo nascimento da cultura shoegazer (shoegazers eram uma espécie de emos cheios de anfetaminas). Sim, eles justificavam o culto, com este disco impecável, que casava melodias à la Beatles com algumas batidas dançantes.

- Vinte anos não são vinte dias!
Sim, continua ótimo! Há quem considere este disco o verdadeiro marco do nascimento do britpop, cinco anos antes do Oasis. A banda, como sabemos, não se criou, lançando um segundo disco (Second Coming) que confundiu e desagradou aos fãs. A carreira solo de Ian Brown tampouco deu em qualquer coisa digna de nota. Tudo bem, este disco é bom o bastante para redimi-los até o fim da existência!

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Autor: The Batman às 12:51 AM |
30 Abril 2009 Noisettes - Wild Young Hearts
Noisettes
A próxima grande coisa do pop?

Dizem que o segundo disco é complicado e traumático, que a maioria das bandas se perdem em suas próprias pretensões e acabam soando broxadas, quando queriam apenas mostrar-se maduras. Pelo menos, é o que diz uma daquelas famosas regras não-escritas do pop.

Regras, como a gente sabe, foram feitas para serem quebradas - e que delícia é a gente estar vivo para ver uma banda mandar as previsões às favas, de forma tão espetacular. Noisettes é um genial trio inglês que fez um primeiro disco (What's The Time, Mr. Wolf, 2007) de punk pop rápido e gritado, uma coisa à la The BellRays, ainda mais por também contar com a presença de uma vocalista negra de voz soul, a também baixista Shingai Shoniwa.

E não, eu não conhecia o Noisettes até semana passada! Tive a felicidade de ser iniciado por este segundo disco, Wild Young Hearts, uma daquelas bolachinhas (será que hoje, em tempos digitais, teremos que chamar discos de "pastinhas"?) absurdamente prazerosas, que fazem a gente passar o dia inteiro com um sorriso no rosto.

Variado sem perder a unidade, Wild Young Hearts tem de tudo. Com a fúria punk do primeiro disco domesticada para só atacar quando necessário, a banda faz um arrastão de felicidade e melodias impecáveis, que começa com a delicadeza acústica de "Sometimes", passeia pelo funk do single "Don't Upset The Rhythm", prossegue com a nostálgica e assobiável faixa-título (guitarras rosnam no refrão) e caminha para o fim com a explosão soul de "Never Forget You" e o embalo technopop de "Saturday Night".

Há muito mais a curtir nas 11 impecáveis faixas, todas executadas com garra, graça, frescor e talento. Não me lembro de outro CD recente ter descido tão redondinho. O que mais a gente pode querer de uma banda tão jovem e promissora? Ou Noisettes estoura mundo afora, ou não existe justiça neste mundo.

Ficou curioso? Clique aqui e, chegando lá, clique de novo.

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Autor: The Batman às 8:25 PM |
25 Abril 2009 Ridi Pagliaccio!
Ridi Pagliaccio!
O duplo ataque do Coringa na Panini

Com estes lançamentos, a Panini atingiu uma espécie de ápice do deslumbramento com as edições em capa dura. Coringa e A Piada Mortal, apesar do preço camarada (R$ 24,90 e R$ 19,90, respectivamente), podiam perfeitamente prescindir de tão supérfluo luxo e receber edições mais modestas, ainda mais quando se considera seu reduzido número de páginas: A Piada Mortal, por exemplo, é tão fina que parece uma capa vazia!

Sim, eu gosto das edições em capa dura, mas acredito que apenas edições ou reedições realmente especiais deveriam ganhar tal acabamento. Os meus critérios e os seus, claro, são altamente subjetivos e discutíveis, mas uma coisa é ter capa dura para fenômenos artísticos e de mercado, como Watchmen ou Os Supremos Vol. 1, clássicos desde o berço e perigosamente volumosos para uma edição brochura. Outra, bem diferente, é embalar obras tão rarefeitas em alto luxo, quando nem lá fora elas são vendidas assim.

Que ninguém ponha em dúvida, porém, os méritos de qualquer das duas histórias em questão. A Piada Mortal, de Alan Moore, é um dos vértices do triângulo de tramas imortais que consolidaram a imagem moderna do Batman e o clima soturno de suas aventuras, ao lado de Ano Um e O Cavaleiro das Trevas, ambas de Frank Miller (por falar nessa última, quando a Panini vai dignar-se a reeditá-la em capa dura? O mercado de livrarias não tem que ser constantemente reabastecido? Será possível que, tendo em vista que a primeira edição esgotou-se, eles achem que ela pode encalhar?).

É deveras interessante saber, no posfácio escrito pelo desenhista e novo colorista Brian Bolland, que a origem bolada para o Coringa (tida como definitiva) e o aleijamento de Barbara Gordon ocorreram a Alan Moore meio que como uma “vingança” motivada pressão de escrever a história. Não é de admirar que agora, nos EUA, quando ele é desafeto declarado da DC e não perde uma oportunidade de pichar as adaptações para cinema de suas obras, a editora esteja pensando em desfazer, sabe Deus como, o martírio de Barbara Gordon, que acabou por transformá-la numa personagem muito mais útil e interessante, a Oráculo.

As cores de Bolland primam pela discrição, ao contrário da psicodelia do trabalho original de John Higgins, particularmente na sequência da casa de espelhos. Com suas cinquenta e poucas páginas, A Piada Mortal teve que ser vitaminada com o conto “Sujeito Inocente” (extraído do Batman Preto & Branco Vol. 1 e colorizado) e uma reedição da Batman 1 original, de 1940, primeira aparição do Coringa. Mesmo assim, é tão fina e leve dentro de sua capa dura, que a gente a segura nas mãos com medo de “quebrar”. Pode ficar bonito na estante, mas precisar, não precisava.

Coringa sofre um pouco menos de “anorexia celulósica”, mas agradaria mais em capa cartão e com preço abaixo dos R$ 20. Na trama escrita por Brian Azzarello (100 Balas) e desenhada por Lee Bermejo (Lex Luthor: Homem de Aço), o Coringa deixa o Asilo Arkham e, escoltado por um pé-de-chinelo chamado Jonny Frost, parte para recuperar o comando do crime em Gotham. O bom da história é focar mais no aspecto gangster do Coringa do que ficar remoendo clichês sobre sua loucura – aliás, que loucura? Assim como no filme que consagrou Heath Ledger, o Coringa de Coringa (sic) deixa claro desde o princípio que louco ele não é. Sobra, então, a maldade que ele mostra de sobra, em vinganças nada delicadas sobre seus desafetos.

O passeio pelo submundo de Gotham contempla ainda o Crocodilo, o Pinguim e o Duas-Caras. Existe ainda, é lógico, o Batman, aquele Batman sacana que Azzarello apresentou em Cidade Castigada, publicada em Batman 23 e 24 (2004), que adora falar pouco e esmurrar muito. Ao contrário da lucidez com que geralmente é representado por outros autores, aqui ele se permite dar uma bela sacaneada no bandido, na virtual única vez em que abre a boca. Variações na arte-final (dividida entre Bermejo e Mick Gray) saltam aos olhos, mas não chegam a incomodar. Difícil dizer se Coringa alcançará o mesmo status de clássico de A Piada Mortal, mas apesar do enfoque diferente sobre a personalidade do infernal nêmesis do Batman, é companhia mais do que digna.

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Autor: The Batman às 6:32 PM |
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