20/12/2006

Ivetão rocks!

Ivetão rocks!

Você pode até não gostar da música dela, mas, a capa da Rolling Stone de dezembro está aí pra não deixar dúvidas: a bola de Ivete Sangalo está muito cheia. Apesar do ecletismo exagerado dos convidados e do fato de ela ter umas músicas bem chatas, não dá pra negar: ninguém no Brasil, além dela, faz um show desses. Clique aqui para ver outras imagens.

15/12/2006

Rapidinhas (com um breve adeus)

Rapidinhas (com um breve adeus)

>> DC: A Nova Fronteira 2 é, por incrível que pareça, ainda melhor do que o primeiro volume. Nele, somos reapresentados ao verdadeiro conceito de heroísmo, que passa longe de simplesmente furar pessoas com balas ou garras. Nas mãos de Darwyn Cooke, ficaram os prêmios e a honra de continuar o trabalho de Will Eisner (com o Spirit). Nas nossas, o panteão da DC em toda a sua glória original, nostalgicamente a caminho do futuro, em mais um clássico que nasce. Nota 10.

>> Depois do esquisitão Iggy Pop, a Rolling Stone botou Ivete Sangalo, linda, na capa e mostrou que veio mesmo para ficar. A pluralidade temática agrada até a quem não estava acostumado a comprar revistas de showbusiness. Não à toa, pois quem tem c*, tem medo, a Bizz anunciou, para 2007, mudanças editoriais e ação em diversas frentes – aliás, vale o elogio, a edição de dezembro está muito bacana. Quem vai ganhar essa briga? O leitor, claro!

>> Não sei quanto a vocês
, mas, eu mal via a hora de estar em férias – e o grande dia chegou! Saibam que certos morcegos adoram o sol, e este aqui vai espreguiçar suas asas em alguma praia do litoral baiano. Deixo-os com minhas impressões sobre o que consumi (ou fui obrigado a engolir) de cultura pop em 2006 e com a obrigação de registrar seu voto para o Troféu Catapop 2007! Abraço a todos!

Rebobinando 2006 - Música

Rebobinando 2006 - Música

O mainstream pop brasileiro atingiu níveis inacreditavelmente baixos ao longo do ano, com as paradas dominadas pelas canções mais quadradas, babacas e sem-sal possíveis. O “reggae de cachoeira” faz estragos o ano todo, com as insuportáveis “Desenho de Deus”, de Armandinho (juro, uma das piores coisas que já ouvi na vida) e “Me Namora” (Edu Ribeiro) tocando em todo lugar.

As trilhas de novelas forçaram o aparecimento mais candidatas ao anonimato: a “globalizada” Marina Elali, que canta em inglês (culpada pela melosa “One Last Cry”) e a bela Tânia Mara, com a gradiloqüente e enjoativa “Se Quiser”. Pior que isso, só mesmo a sonolenta “Eu Sei”, dos Papas da Língua (quem?).

A Calypsomania colocou o brega paraense em todas as rádios e canais e está impossível não notar: o Brasil assumiu sua cara feia e desdentada, decretando que o brega é chique, que o ruim é bom, e que o feio é bonito. Pior ainda é ter Regina Casé enaltecendo porcarias na TV, como se fossem o que há de mais legal na vida. Dá um tempo, sua gorda escrota!

Pode colocar a culpa desse caos na grave estagnação da nossa cena roqueira, também. Tivemos uma dose cavalar de tudo que menos precisávamos: clones do CPM 22! Fresno, NxZero e Hateen são os mais recentes filhotes da nefasta linhagem emo, ou hardcore melódico, ou seja lá como chamem esse estrume. Pessoal, tem gente com mais de 15 anos que também ouve música, sabiam?

Os medalhões não ajudaram, apelando para mais discos ao vivo (Barão Vermelho), acústicos (O Rappa) e trabalhos inéditos com o pé no freio (Skank). Dizem que a cena independente fervilha na internet. Como ponto de partida, tudo bem, mas, o que martela na nossa cabeça todos os dias é a FM e a TV. Longe desses canais, pode ser a coisa mais legal do mundo, mas, vai nascer e morrer sem atingir um público decente.

Pra não dizer que foi tudo uma droga, Caetano Veloso (sim, aquele sessentão egocêntrico, auto-indulgente e chegado a polêmicas baratas) lançou um disco enxuto e surpreendente, , cheirando a sexo e a ódio. Sandy & Júnior também me surpreenderam: a julgar por algumas faixas de trabalho, eles estão refinando sua música. Esqueça o preconceito e preste atenção nos refrãos, nos timbres... pouca gente faz pop desse nível no Brasil. Daqui a um tempo, quando os “anos histéricos” tiverem ficado para trás de vez, será possível curti-los numa boa.

Encerrando, um apelo final: chega de Zeca Pagodinho! Não que sua música não seja legal, mas, ver sua cara de cachaceiro na TV um dia sim, e o outro também, é dose! (“Opa, uma pra mim, também”, diz o Zeca)

As cinco melhores músicas do ano (não, não tem nenhuma brasileira!)
“Another Sunny Day”, Belle & Sebastian
“Crazy”, Gnarls Barkley
“I Don’t Feel Like Dancing”, Scissor Sisters
“Sexyback”, Justin Timberlake
“Stormy Weather”, Echo & The Bunnymen

Rebobinando 2006 – Quadrinhos

Rebobinando 2006 – Quadrinhos

A maior saga do ano não saiu da cabeça de nenhum roteirista, nem foi estrelada por nenhum de nossos heróis favoritos. Não, meus caros. Os protagonistas do mais bombástico (alguns diriam “bobástico”) acontecimento do ano foram editores e executivos americanos e brasileiros, em busca de um possível novo lar para a DC Comics em nosso país.

Segundo Fabiano Denardin, editor de especiais da Panini/DC, “a crise nas infinitas editoras chegou ao fim”. Para bom entendedor, meia palavra basta: a Panini deve continuar sendo a casa da DC Comics no Brasil, pondo fim à negociação mais secreta e tensa dos últimos anos, que se estendeu durante quase 90 dias e, até este momento, não teve confirmação oficial, com todas as letras.

O infindável rolo, que fez os leitores mais ansiosos arrancarem os cabelos e perderem o sono, começou em setembro, quando o Universo HQ divulgou que a DC adotara a Pixel Media como nova parceira, para estender a competição com a Marvel para além-EUA e beneficiar os leitores brasileiros com mais títulos e menores preços. Me engana que eu gosto! A rasteira na Pixel serviu para a gente se desiludir de uma vez: quadrinhos não são filantropia, os caras gostam mesmo é de dinheiro - e isso inclui suportar andar de mãozinhas dadas com a sempre privilegiada concorrente. Detalhe: o bafafá todo ocorreu exatamente durante o lançamento de Dinastia M, da Marvel, que teve seu potencial de polêmica esvaziado pela novela DC/Pixel. Será que foi de propósito?

Seja como for, a Panini não deixou por menos e se transformou num monstro monopolista, que ficará ainda maior em 2007: além de DC, Marvel, mangás e quadrinhos europeus, eles abocanharam a Top Cow e serão a nova casa da Turma da Mônica a partir de janeiro. Se houve uma derrota, foi a mudança de nome da revista Wizard, cujo copyright no Brasil pertence à franquia de idiomas, para o insosso Wizmania. Incrível mesmo é que, com tamanho poderio, a Panini não consiga impor ordem à bagunçadíssima distribuição da Canaglia... ops, Chinaglia!

Rebobinando 2006 – Cinema

Rebobinando 2006 – Cinema

Quero começar esta retrospectiva com um pedido de Natal: em 2007, eu quero ver o fim dos filmes sobre serial killers com mortes esdrúxulas e dos filmes de terror japoneses. Eu sei que é praticamente impossível, mas, pedir não custa nada. Já deu no saco. Chega de aparições japonesas com a cara pintada de branco e de finais “surpreendentes”!

Destaco os filmes abaixo entre os lançamentos de 2006. Ordem meramente alfabética.

Crash – No Limite
O filme de Paul Haggis tirou o Oscar das mãos de Brokeback Mountain. Polêmicas meritórias à parte, este filme é daqueles a que não se fica indiferente. Histórias aparentemente desconexas vão se interligando numa teia de racismo, medo e paranóia. Um filme que radiografa tão bem a alma norte-americana de hoje e consegue extrair grandes atuações de Matt Dillon e Sandra Bullock tem mais é que ser premiado mesmo.

O Grande Truque
Não apenas um “filme de mágicos”, este é um filme mágico. Contando com um elenco simplesmente extraordinário, Christopher Nolan transformou a saga de agressiva rivalidade entre dois ilusionistas no filme mais intrigante de 2006. Ciência de mentira? Magia de verdade? Você está olhando atentamente?

Superman – O Retorno
O maior dos heróis voltou às telas em grande estilo, com o carimbo do prestigiado Bryan Singer (X-Men 1 e 2). O desconhecido Brandon Routh deu novo rosto ao herói que, no imaginário popular, sempre teve as feições de Christopher Reeve. Apaixonado pelos filmes clássicos, Singer fez prevalecer o drama sobre a ação, mas, já promete corrigir esta pequena mancada na continuação, em 2009.

V de Vingança
Renegado por Alan Moore, autor da minissérie que o deu origem, este filme foi uma agradável surpresa, depois da frieza de Constantine e da ruindade gritante de Mulher-Gato. Onde todo mundo esperava pirotecnias mil, os Irmãos Wachovski souberam ser discretos e deixaram que a força subversiva magnética da história reinasse. Mesmo distante do original, um filme nerd que valeu a pena.

X-Men – O Confronto Final
Para garantir que ninguém ficasse fazendo comparações com o trabalho de Bryan Singer nos dois filmes anteriores, Brett Ratner optou por deixar as discussões filosóficas na superfície e caprichar nas cenas de ação, dando aos fãs uma espécie de “gibi filmado” com que eles sempre sonharam, frenético e de curta duração. Você esperou pra ver aquela cena depois dos créditos, né?

14/12/2006

Damn Blogger!!!

Damn Blogger!!!

Pessoal, o Blogger está de TPM e sacaneou nosso sistema de comentários. Em seu lugar, colocamos o Haloscan, que parece meio lerdo na atualização, mas, deve quebrar um galho. Se e quando as coisas voltarem ao normal com o Blogger, os antigos pitacos de vocês devem retornar. Mas, se a gente tomar gosto pelo Haloscan, ele fica.

Abraço a todos!

07/12/2006

MTV sem M

MTV sem M

Qual a primeira coisa que lhe vêm à cabeça quando se fala na MTV? Clips, certo? Pois se você gosta de clips e da MTV, prepare-se para uma notícia que parece pegadinha: a MTV Brasil não vai mais exibir clips. Isso mesmo. A filial nacional da emissora americana, que estreou em 1981 passando vídeos musicais 24 horas por dia, anunciou esta semana que os poucos clips restantes estarão restritos à alta madrugada ou a trechos em programas como o Top Top.

Segundo o diretor da MTV Brasil, Zico Góes (anote este nome: no futuro, quando se falar do fim da MTV, será ele o culpado), “clips derrubam a audiência” e a intenção agora é investir ainda mais em programas de comportamento, como as já consagradas “maravilhas” Beija Sapo, Ponto Pê, Gordo Freak Show e outras de igual quilate. Segundo ele, também, o público que quer ver clipes não liga mais a TV e, sim, o computador, para procurar no YouTube o clip que lhe agrada.

É triste ver a miopia de certas pessoas que se acham geniais. A MTV americana, por acaso, vai deixar de exibir clips? Ela tem medo de fechar? Muito pelo contrário, abriu mais dois canais-irmãos, a MTV Latino e a MTV Soul, que passam clips praticamente o tempo inteiro. Quanto à internet, existe uma grande parcela da população que não possui banda larga em casa e assistir clips em conexão discada exige paciência de Jó. Claro que alguém que mora nas capitais onde a MTV tem sinal aberto (Salvador, por exemplo) e quer ver clips, vai primeiro pensar neste bendito canal e não em correr para um cyber café.

Pois eu tenho uma teoria para este triste estado das coisas: a culpa é toda deste senhor, Zico Góes, que resolveu investir todas as fichas da emissora no volúvel público adolescente (gente que muda de opinião e de gosto a cada segundo e, portanto, pode gostar da MTV hoje e odiá-la amanhã), afugentando os adultos interessados, com programas cada vez mais vazios e imbecis, além de priorizar artistas cada vez mais rasteiros. De cada cinco clips exibidos na MTV nos últimos três anos, três pareciam reservados para Pitty, CPM 22 e Charlie Brown Jr. A mesmice e a repetição tornaram-se regra e, assim, não há amor aos clips que resista.

Então, já que agora, paradoxalmente, “music” é algo que não existe na Music Television Brasil, sugiro algumas mudanças para o nome do canal. Pode ser STV (Sex Television, já que a putaria corre solta em certos programas), ZTV (Zico Television, em homenagem ao gênio por trás da decadência do canal) ou, para não ficar muito diferente, pode ser RMTV (Retardamento Mental Television – esse eu não vou precisar explicar, né?).

05/12/2006

Marvel Millennium Anual 1

Marvel Millennium Anual 1

Aqui está uma revista que vale cada centavo deste extorsivo preço de capa! A Marvel caprihou nas ediões anuais da linha Ultimate. A Panini só comeu bola ao permitir que esta edição só chegasse às bancas depois de MMHA 58, que traz acontecimentos posteriores, no caso dos Supremos.

Homem-Aranha
(Bendis/Brooks)
Se Peter Parker e Kitty Pryde estão sofrendo com os mesmos problemas (o fim do namoro, o deslocamento em seus grupos), por que não sofrer juntos? Brian Bendis traz uma bem-vinda novidade ao universo do Aranha: Peter e Kitty começam a namorar! Tudo isso com aqueles dálogos de quem sabe tudo sobre a cabecinha oca dos jovens americanos. O vai-não-vai entre os dois rende cenas excelentes. Mark Brooks parece querer desenhar igual a Mark Bagley. Melhor sorte na sua próxima escolha de referênias, Brooks! Nota 10.

Quarteto Fantástico
(Millar/Lee)
Nesta história, nós e o Quarteto somos apresentados aos Inumanos do Ultiverso ligeiramente diferentes dos tradicionais (por exemplo, há uma Górgona, ao invés de um Górgon). O encontro é motivado pela fuga de Crystalis, que nem a pau quer se casar com o irmão de Raio Negro, Maximus. A loirinha acaba sendo levada de volta e o Quarteto se mete no que deveria ser uma missão de resgate, mas, que toma um rumo inesperado. A arte de Jae Lee tem detratores, mas, eu gosto. Nota 8,0.

X-Men
(Vaughan/Raney)
Gambit e Vampira roubam o rubi Cytorak de um cassino dos Fenris, mas, a chegada do Fanático acaba no de sempre: muita porrada! O grandão quer reconquistar Vampira (sim, bate um coração dentro daquela máquina desgovernada) e coloca Gambit no seu devido lugar, ao dizer "este deve ser o poder mais ridículo que eu já vi!". No calor da batalha, o cajun comete uma burrada das grandes e o que começou mal, acaba bem pior. Muita ação e uma surpresinha no final. A arte de Raney é sempre bem-vinda. Nota 9,0.

Os Supremos
(Millar/Dillon)
Se os Supremos já são o filé do filé na revista mensal, não seria numa edição especial que Millar ia deixar a peteca cair. Com desenhos de Steve Dillon, aqui conhecemos os bastidores da operação de expansão do programa de supersoldados, que o governo reprova e que desperta a ira dos inimigos dos EUA, resultando no que vimos em MMHA 58. Nick Fury mostra por que é o cara e última página leva a gente a exclamar, "mas que tremendo motherfucker, esse Fury!" Ciência, tecnologia e força bruta a serviço do império estadunidense. Eles bem que mereceram a trozoba que levaram. Nota 10.

Marvel Millennium Anual 1 - Panini - 164 páginas - R$ 16,90

23/11/2006

Liga da Justiça 47

Liga da Justiça 47

Liga da Justiça (Johns, Heinberg/Batista)
Depois de ter devolvidas as lembranças apagadas pela LJA, a Sociedade Secreta de Supervilões ataca Lois Lane, colocando o Superman no centro da crise que afeta a equipe, o que pode fazer a história e os velhos erros do passado se repetirem. Na torre de vigilância, J’Onn J’Onzz enfrenta Despero sozinho. Geoff Johns e Allen Heinberg escrevem a melhor história da Liga em muitos meses, desenhada pelo apenas passável Chris Batista. Nota 9,0.

Sociedade da Justiça (Johns/Lopez)
Decidido a pagar pelos erros cometidos em Kahndaq, o Esmaga-Átomo decide se entregar à justiça, enquanto a SJA é atacada por OMACs. Muita ação e um tardio impacto da morte do Besouro Azul sobre a Poderosa. O roteiro de Johns certamente merecia um ilustrador melhor do que David Lopez, sem personalidade. No final, uma inesperada visita para Al Rothstein. Nota 9,0.

Flash (Johns/Porter)
Zoom e o Flash Reverso original atacam Wally sem piedade, forçando-o a encarar uma viagem pelo fluxo temporal que o leva repetidamente a um dos momentos mais trágicos da sua vida. A briga acaba tendo uma inesperada conseqüência, envolvendo o Capitão Bumerangue e trazendo de volta um herói, digamos, “relativamente” morto. A pancadaria é das boas, mas, tem coisa demais acontecendo por quadrinho. Nota 7,5.

Liga da Justiça 47 (Outubro 2006) – Panini – 100 páginas – R$ 6,90

Novos Titãs 28

Novos Titãs 28

Novos Titãs (Simone/Liefeld)
Rob Liefeld se sente perseguido, mas, quando menos esperamos, lá está seu nome, nos créditos de algo importante. “Importante” nem é adjetivo que se aplique a esta historinha de Gail Simone (Superman), cheia de nulidades como Rapina, Columba e Kestrel, mas, ela seria bem melhor se tivesse sido ilustrada por alguém com uma mínima noção de anatomia e que soubesse desenhar duas “expressões” diferentes. Liefeld abusa do direito de ser ruim. Nota 2,0.

Renegados (Winick/Clark)
Depois da traição de Índigo, os Renegados dão uma pausa, afogando as mágoas dos melhores jeitos possíveis: enchendo a cara e fazendo sexo. Ou, no caso de Arsenal e Jade, apagando os rastros da má fase e fazendo recrutamento. Boas cenas entre Tormenta e Grace (hm... tem um clima pintando aí, não tem?) e entre os “irmãos” Metamorfo e Morfo. Boa pausa, com bons desenhos de Matthew Clark. Nota 7,0.

Robin (Willingham/McDaniel)
Ou Willingham pegou mesmo o jeito, ou trocar o horroroso Damion Scott pelo correto Scott McDaniel fez toda a diferença. As histórias do Robin estão bem mais palatáveis do que há pouco tempo. Tim bola um plano para convencer a ressuscitada Darla Aquista, encarregada por Johnny Bruxo de matar o Robin, de que o Menino-Prodígio em atividade não é o mesmo que detonou a mão do vilão. Não que isso vá detê-la... Como uma Darth Vader com peitinhos, ela precisa lutar contra o “lado negro”. Que simpático. Nota 7,0.

Aves de Rapina (Simone/Bennett)
A tecnoinfecção de Oráculo mobiliza a nata heróica e científica do mundo, para surpresa de muitos que não sabem de quem se trata – por que tanta comoção pra salvar uma bibliotecária? Enquanto isso, a verdadeira luta se desenrola em sua mente. Em outro front, Canário Negro reúne um grupo de artistas marciais para enfrentar os guerreiros do Coelho. Pancadaria e uma surpresa ao final. Boa? Sei lá... Nota 6,5.

Novos Titãs 28 (Outubro 2006) – Panini – 100 páginas – R$ 6,90

21/11/2006

Marvel Millennium 58

Marvel Millennium 58

Seus safados da Panini, quando a Abril colocava páginas a mais em suas edições (muitas vezes, bem mais do que essas mirradas oito), ela não nos cobrava um centavo a mais do que o preço normal! Protesto feito, vamos em frente!

Homem-Aranha (Bendis/Bagley)
Todo mundo quer pegar o Cabeça-de-Martelo: a polícia, Wilson Fisk, a Gata Negra, Elektra, Punho de Ferro, Mestre do Kung Fu e, claro, o Aranha. A história resume-se, basicamente, ao que cada um faz pra saber onde ele está. É divertido, principalmente quando a gente vê Peter tentando fugir do charme de Felicia (que mané!). Ta numa média boa. Nota 7,0.

X-Men (Vaughan/Immonen)
Capítulo três de “Norte Magnético”. Polaris está presa no Triskelion e um pequeno grupo comandado pelo Destrutor (que inclui Estrela Polar, Míssil e Mancha Solar) parte para resgatá-la. Antes, porém, precisam passar por Ciclope e outros X-Men. Bons momentos vêm de fora do combate, como a cena entre Anjo e Cristal (com diálogos espertíssimos) e a “bandeira” dada por Colossus ao saber que Estrela Polar se aproxima. Nota 8,0.

Quarteto Fantástico (Millar/Land)
Greg Land era meu favorito para o próximo Troféu Catapop, mas, depois do episódio dos Supremos deste edição, estou em séria dúvida. O fato é que Land arregaça e a história de Millar é bem bacana. Reed Richards está preso numa terra devastada. O restante do Quarteto Fantástico enfrenta o Quarteto zumbi e parte para o resgate. O grand finale fica por conta de Magneto, um personagem que Millar obviamente adora – com razão. Nota 8,0.

Os Supremos 2 (Millar/Hitch)
Então, né... Como eu dizia, Land era meu favorito, mas, o que Bryan Hitch faz nesta edição é algo simplesmente histórico. Esqueça o tal “filme de 200 milhões de dólares”, pois a escala aqui é ainda maior! Millar nos revela o verdadeiro traidor dos Supremos, mas, não há tempo para respirar: o Triskelion é destruído e a América é tomada! UAU! Uma história de derrubar queixos, daquelas que nunca mais se esquece. Nota 10.

Marvel Millennium 58 (Outubro 2006) – Panini – 108 páginas – R$ 7,90

17/11/2006

A auto-sabotagem do U2

A auto-sabotagem do U2

Assistindo ao DVD da Zoo TV, fiquei lembrando do quanto aquela mudança de postura e imagem havia sido significativa para o U2, para seus fãs e para sua música. A banda dava adeus (por pura necessidade, entenda-se) ao estilo “paz e amor” que o consagrara nos anos anteriores e passava a pregar através de interessantes mensagens subliminares, com algum deboche e muita auto-paródia.

A radicalização do processo durante a posterior Pop Mart Tour (que veio ao Brasil em 1998), na qual o U2 assumia-se de vez como mero item de consumo, levou ao estranhamento por parte do público e a críticas que devem ter decepcionado a banda – ou, quem sabe, colocado seus pés de volta no chão.

O fato é que o grupo começou a ensaiar, já a partir do disco seguinte (All That You Can’t Leave Behind, de 2000), uma volta ao estilo messiânico do qual vinha fazendo troça pouco tempo antes. Mesmo que a bordo de grandes canções, como “Walk On”, e outras nem tanto, como “Peace On Earth”, a política explícita voltou a ser importante na música do U2, configurando uma espécie de esvaziamento suicida de suas idéias, uma autêntica auto-sabotagem.

Além de voltar a fazer palanque dos palcos em que subia, Bono meteu-se a discutir diretamente com autoridades mundiais problemas como o endividamento dos países do terceiro mundo, o combate à fome e à AIDS na África e outras causas mais ou menos nobres que estas. Justiça seja feita, o engajamento de Bono é louvável e pode inspirar muita gente a fazer o mesmo. A gente está mesmo vivendo um tempo sombrio e é preciso fazer alguma coisa, qualquer coisa, antes que a gente rache o planeta ao meio, com todo mundo nele.

Não seria o caso, porém, de Bono esperar ou decretar o fim de sua banda para depois salvar o mundo? Ou, pelo menos, separar sua carreira de suas atividades políticas? A súbita repolitização do U2 cheira – e muito – a uma manobra de carreira para reconquistar os fãs perdidos durante a eurotrip eletrônica que durou toda uma década.

O DVD da Vertigo Tour, de 2005, é o maior registro desse impasse: embora a música continue interessante e o espetáculo visual, impressionante, o tom de pregação religiosa é anacrônico. Aquela bandana usada por Bono, em que se lê “coexist” (juntando símbolos cristãos, judaicos e islâmicos), seria mais interessante se não precisasse ser explicada. O discurso que precede “One” é excessivamente longo e superficial, apesar da embalagem épica. O crucifixo no microfone ao final do show, então, é de fazer um padre corar e dizer “menos, Bono, menos...”

Talvez eles já estivessem cansados de tanto cinismo, de tanta ironia e de tentar ensinar com sutileza. Talvez a gente só reconheça os problemas se eles caírem pesada e estrondosamente em nosso colo. Só sei que sinto falta do U2 que não se levava tão a sério, que sabia rir de si mesmo, tinha sex-appeal e transformava seus shows em espelhos para reflexão do público, não em livros para doutrinação. A neo-caretice da banda é bastante suspeita e deslocada. Torçamos para que sua música siga firme e inspirada.

14/11/2006

O Grande Truque

O Grande Truque

Se um dia existir um gênero chamado “filme de mágico”, o novo de Christopher Nolan (Batman Begins) será considerado o Cidadão Kane do gênero, aquele cujos parâmetros de qualidade serão os ideais a serem atingidos pelos próximos. Estrelado por Batman e Wolverine... ops, quer dizer, por Christian Bale e Hugh Jackman, O Grande Truque é uma sucessão de surpresas e lances inesperados que não se via desde O Sexto Sentido, sete anos atrás.

No século XIX, dois jovens mágicos (Bale e Jackman, ótimos) trabalham juntos, até que uma fatalidade os torna inimigos. Sempre à procura de um número melhor do que o de seu concorrente, eles passam a sabotar um ao outro, com ódio e crueldade crescentes.

Quando O Professor (pseudônimo do personagem de Bale) cria um número de teletransporte que parece autêntico, O Grande Danton (Jackman) fica obcecado em descobrir seu segredo, numa busca que o leva à América, onde trabalha Nikolas Tesla (personagem real interpretado por David Bowie), criticado por suas idéias excêntricas para criação de energia barata. Tesla adverte Danton que a ciência nem sempre dá o resultado que se busca e que ele deveria destruir a máquina que encomendou antes mesmo de usá-la.

O filme é narrado a partir da leitura que um mágico faz do diário (roubado) do outro. Neles, encontra-se uma série de revelações que levam a gente a se perguntar, “como eu não saquei isso antes?” e querer assistir uma nova sessão logo em seguida. Enquanto cresce a rivalidade entre os dois ilusionistas, cresce a nossa curiosidade com o lance seguinte, a forma que um usará para superar o outro e até onde estão dispostos a ir em nome do orgulho.

O elenco brilhante ainda inclui Michael Caine e Scarlett Johansson. O filme é mais um item formidável no até agora impecável currículo do diretor Nolan, um homem que, como os personagens de seu filme, sabe contar histórias e enganar até aos mais atentos. Sim, o final é surpreedente, mas, não mais do que já foram as duas horas anteriores.

O filme do ano? Aposto que sim. Nota 10.


The Prestige (2006) – Direção: Christopher Nolan – Com Christian Bale, Hugh Jackman, Michael Caine, Scarlett Johansson e David Bowie.

Batman Anual 1

Batman Anual 1

Este especial não tem muita razão de ser. Afinal, já se passaram mais de seis meses desde o fim dos Jogos de Guerra. Mas, eis que Andersen Gabrych desenterrou conflitos e mistérios daquela saga, numa edição que tem, pelo menos, um grande alívio em seu conteúdo: ao que parece, nem tão cedo ouviremos falar novamente na Dra. Leslie Thompkins, uma coadjuvante que já foi legal um dia, mas, que, ultimamente, tinha se transformado numa tia reclamona e xarope, falando de si como médica como se estivesse no alto de um pedestal. Melhor ainda: ele nem precisou morrer pra sumir!

Tudo começa quando Bruce Wayne recebe uma gravação do programa do repórter Arthuro Rodriguez, antes um defensor do Morcego e hoje um crítico feroz de suas atividades, na qual ele dá detalhes sobre a vida e amorte de Stephanie Brown que só poderiam ter sido conseguidos por alguém que estivesse, como se diz por aí, no olho do furacão. O misterioso remetente parece saber quem é Bruce Wayne e o que aconteceu de verdade no dia da morte da jovem heroína.

Está em andamento, também, um plano ainda mais agressivo para destruir a imagem do Batman, que envolve um misterioso sobrevivente dos Jogos, chamado Aaron Black, além da polícia de Gotham, Arthuro Rodriguez e velhos conhecidos do Batman, como o Máscara Negra e o Coringa. O papel que cada um desempenha na trama não é bem claro no início e o Batman tem bastante trabalho para desfazer esse rolo.

Talvez dê pra culpar o stress emocional da situação, mas, o fato é que, assim como naquela longa saga, o Batman está caracterizado como um burraldo tão sem noção, que até mesmo Alfred tira sarro da sua fama de grande detetive. De vez em quando, ainda dá pra reconhecer a habilidade investigativa de sempre, mas, a trama é meio frouxa e os desenhos de Pete Woods vão na mesma linha. De bom mesmo, só as capas de Jock, reproduzidas ao fim da revista, mas, nem mesmo elas são tão boas assim. Nota 5,0.

Batman Anual 1
- Panini - 108 páginas - R$ 7,90.

Superman & Shazam – O Primeiro Trovão 1

Superman & Shazam – O Primeiro Trovão 1

Estamos na nascente Era de Prata e há relativamente poucos heróis em atividade. Artefatos arqueológicos russos estão sendo roubados de museus do mundo inteiro. O Superman tenta impedir um dos furtos, mas, acaba tendo que lutar contra uma criatura mágica. No segundo incidente, ele conhece o então novato Capitão Marvel.

O primeiro encontro entre dois dos heróis mais poderosos da DC ficou bem bacana, mérito da história leve e ágil de Judd Winick, que capricha na caracterização dos vilões Dr. Silvana e Lex Luthor e ainda oferece duas ameaças demoníacas aos heróis: Sabbac e Eclipso.

Joshua Middleton desenha legal. As capas que ele desenhou para títulos da Marvel me deixavam desconfiado, eu achava tudo muito estático e blasé, mas ele me surpreendeu. Seu traço tem muita personalidade, os cenários são caprichados e as expressões faciais, convincentes.

Destaque para a cena em que os heróis trocam impressões sobre seus poderes. A empolgação juvenil de Marvel e sua postura de fã do Superman dão um toque muito divertido à história e oferecem identificação instantânea para o leitor.

Porém, nem tudo é lindo e maravilhoso: o preço desta revista é um verdadeiro assalto. Eu só comprei porque sou um verme decenauta sem caráter.
Nota 8,5.

Superman & Shazam: O Primeiro Trovão 1 – Panini – 68 páginas em LWC – R$ 7,50.

Você sabe com quem está falando?

Você sabe com quem está falando?

São poucas as vezes em que este blog é usado para manifestar aspectos de nossas vidas pessoais. O pernambucano-quase-parisiense Kelnner, do Smells Like Shit, recebeu e repassou o desafio de uma auto-análise, uma espéce de momento confessional, listando seis defeitos e/ou pecados pouco conhecidos pela maioria das pessoas à sua volta e que lêem o blog. Tá aceito, então. Chang, se quiser tentar, a casa também é sua.

1 - Eu sei que isso há de magoar algumas pessoas, mas, eu simplesmente deleto da minha caixa postal 99,9% das correntes, piadas, histórias edificantes, mensagens fofinhas em PowerPoint e avisos de pessoas desaparecidas e/ou doentes e/ou mutiladas que recebo, sem sequer me dar ao trabalho de abri-las. Não conte comigo para arrecadar um centavo por cada encaminhamento. Se depender de mim, fulano vai morrer. Tampouco tentem me convencer de que uma coisa maravilhosa e/ou superlegal vai aparecer na minha tela se eu enviar uma idiotice qualquer para outros 20 incautos da minha lista. Não perco meu tempo com essas bobagens, então, pare de perder o seu.

2 - Eu já cometi pequenos furtos. Já roubei um pacote de Baton de um supermercado em Feira de Santana, quando era moleque - tive até um comparsa na empreitada. Já roubei balas e chicletes. Já roubei até uma revista pornô, certa vez. Hoje sou um trintão escolado e sei que a excitação do furto não é nada, se comparada à humilhação de um possível flagrante.

3 – Chamem-me de perdulário ou insensível, mas, lugar de coisa velha, pra mim, é no lixo. Deus me livre de ter uma casa entulhada com velharias! Se me dei ao trabalho e ao gasto de comprar meus discos favoritos em CD, por que iria guardar os vinis? Detesto a idéia de uma estante cheia de enciclopédias e dicionários da décadas atrás, mofados e desatualizados, só pra ostentar "cultura". As únicas coisas que gosto de guardar são meus cds, dvds e gibis, mas, já dei ou vendi, a preço de banana, itens ou coleções que hoje devem valer uns bons cobres. Sabe aquelas famosas ampliações de fotos nossas quando bebês, que as mães orgulhosamente penduram na parede da sala? Na primeira oportunidade que tive, larguei a minha debaixo da maior chuva e, depois, pra secar e rasgar, sob o inclemente sol do oeste baiano. Depois, com a cara mais lavada, lamentei com minha mãe: "ô, que pena, estragou!".

4 - Não gosto quando alguém que eu mal conheço se pendura no meu pescoço e fica pulando feito cachorro abandonado quando o dono volta. Pode ficar alegre, mas, não precisa me babar todo. Gente que fala sem parar me dá impaciência e eu não fico contemporizando com frases do tipo, "nossa, como ela é comunicativa!", ou "ele é tão expansivo!". Se eu não posso dizer o que estou pensando ("pelo amor de Deus... cale a boca!"), vou aos poucos demonstrando desinteresse, até que o fulano se toque ou eu seja salvo por um telefonema. Se você me ouvir chamando uma criança de "meu benzinho", pode ter certeza: eu já estou prestes a meter-lhe um cascudo!

5 - Eu tenho a impressão de que todo mundo me sacaneia. Se minha fila está andando rápido, é quase certo que, quando minha vez estiver próxima, a caixa vai parar de atender para trocar a bobina de papel, o que costuma demorar e irritar. Nos caixas eletrônicos, as pessoas à minha frente têm sempre que tirar um extrato imenso e ficar analisando-o por longos instantes, até finalmente sacar o que precisam. Nas calçadas, as pessoas sempre tombam para o meu lado quando eu quero ultrapassá-las, fazendo-me recuar. Se eu estou com pressa, parece que todo mundo, ao mesmo tempo, resolve reduzir a marcha.

6 – Meus defeitos incluem graus moderados de auto-piedade, preguiça e gula. Minha inveja é do tipo saudável: eu não quero o que é seu, quero um igual pra mim! Meu senso crítico é afiado e já deve ter machucado muita gente por aí. Apesar destes desvios (no fundo, partes inerentes do meu charme), eu sempre fui uma espécie de conselheiro, um "irmão mais velho", pra grande parte de meus melhores amigos. Infelizmente, como não gosto de me expor na mesma proporção com que destrincho as almas de quem cai na minha mão, não tive tanto aconselhamento quanto talvez precisasse.

Superman & Batman 16

Superman & Batman 16

Superman & Batman (Loeb/McGuinness)
Este é o adeus de Jeph Loeb e Ed McGuinness à revista que ajudaram a alcançar o status de "blockbuster perpétuo", nas palavras da Wizard. Mesmo com tramas toscas intercaladas com alguns bons momentos, este título sempre esteve no Top 10 americano. Esta história começou até bem, mas, acabou cheia do pior dos quadrinhos: realidades alternativas, versões bizarras dos personagens e aquele papinho de "na verdade, nunca existiu". Só uma coisa é legal de verdade: a confissão de Mxyzptlk sobre a “verdadeira” inspiração para os Máximos. Nota 5,0.

Supergirl (Loeb/Churchill)
Quem esperava que Loeb largasse de vez o superosso, vai ter que esperar mais um pouco. Ele agora ataca de Supergirl e a coloca ao lado da SJA, para combater Solomon Grundy e descobrir que há algo muito estranho entre ela e Poderosa (calma, tarados, não é isso!). Divertidinha, mas, a gente podia passar sem essa, também. Mês que vem, ela tromba com os Titãs. Nota 7,0.

Arqueiro Verde (Winick/Fowler)
Em interligação com Vilões Unidos, o Arqueiro Verde e o Raio Negro caçam o Dr. Luz, que, por sua vez, caça Kimiyo Hoshi, a ex-Dra. Luz, da Liga da Justiça Internacional. Vilão e ex-heroína se enfrentam, ele leva a melhor e aproveita para mandar um recado para Ollie, mas, com a ajuda Sociedade Secreta de Supervilões. História legalzinha, desenhos ruins. Nota 7,0.

O Retorno de Donna Troy (Jimenez/Garcia-Lopez)
Desfeita a confusão na cabeça de Donna Troy, é hora de darem um nó na nossa. Novos Titãs e Renegados enfrentam os titãs mitológicos, que ainda pretendem atingir a glória com a ajuda de Donna - mas, como dizem por aí, é preciso ter cuidado com o que se deseja. Todas as vidas e histórias (passadas e possíveis) de Donna são brevemente lembradas, para termos o primeiro gancho levando diretamente à Crise Infinita. Melodramática e confusa. Nota 6,0.

Superman & Batman 16 (Outubro 2006) - Panini - 100 páginas - R$ 6,90

08/11/2006

U2 - Zoo TV Live From Sydney

Não é exagero dizer que este era o show do U2 mais aguardado pelos fãs em formato digital. Também, não era pra menos: a Zoo TV, turnê que promoveu os discos Achtung Baby (1991) e Zooropa (1993) foi uma das mais ambiciosas e impressionantes da história. Naqueles anos sem internet ao alcance de todos, era a TV o grande veículo de comunicação em massa. Sua influência, suas virtudes e perigos eram o mote da Zoo TV, uma homenagem e uma sacanagem, ao mesmo tempo.

O U2 dava um tempo nas bandeiras brancas e hinos grandiosos para falar de coisas mais terrenas, sem a obrigação de estar sempre dando puxões de orelha nos pobres mortais. Uma virada na imagem da banda que não apenas permitiu sua sobrevivência, mas, também, revelou ao mundo o insuspeito talento cômico de Bono Vox e sua trupe (vide os personagens criados para a turnê, como The Fly e McPhisto).

Competindo com o cenário e o contexto, estavam a música e o supremo deleite de ver sua banda favorita no auge, tocando com tesão e divertindo-se muito com aquilo tudo. Depois de quase trinta anos, ficar listando sucessos e virtudes do U2 é chover no molhado, embora eles também colecionem defeitos. Quero, então, aproveitar este post pra contar um pequeno causo sobre a aquisição deste DVD.

Eu me acostumei a comprar CDs e DVDs no Americanas.com. Quando me dei o sinal verde pra comprá-lo, ele custava R$ 69,90, vinte a menos do que o normal. Embora ainda caro, fiquei todo animado e imediatamente fiz uma simulação de frete, para obter o preço final. Qual não foi a minha surpresa, ao ver que o site tinha a audácia de querer me cobrar R$ 48,00 pelo frete de um produto tão leve quanto um DVD!

Quarenta e oito reais?
Sacanagem, pô! Que logística da zorra é essa? A embalagem seria pintada pelo Picasso? O pacote seria entregue em minha casa pelo próprio Bono? Me revoltei e passei a trocar e-mails indignados com o SAC das Americanas, que, claro, não tinha nenhuma boa explicação para o absurdo frete.

Mas, nada como um passeio virtual pelas lojas pra descobrir o melhor preço. Quase caí de costas quando vi que a modesta CD Point tinha a edição dupla da Zoo TV pelo mesmo preço da simples, bem mais camarada que o da major: R$ 56,42. Pra ficar ainda melhor, três opções de frete. Optei pela mais barata (R$ 6,40) e acabei pagando ainda menos do que o tal preço "com desconto" das Americanas!

Lição de cidadania de alto valor - ainda mais vinda de alguém que, em geral, não tem muita paciência para rondas, na hora das compras ao vivo: meninos e meninas, não se deixem explorar! Não comprem de lojas reais ou virtuais que tiram o seu couro! Pesquisem sempre!

Agora, dá licença, que a ex-mulher do The Edge tá rebolando toda faceira, dando sopa pro Bono, ao som de "Mysterious Ways"...

DC Especial 10


Como eu havia previsto, foi muito estranho ver Sue Dibny e Besouro Azul, vivos e engraçados, depois de ambos terem batido as botas em histórias publicadas anteriormente pela Panini (respectivamente, a minissérie Crise de Identidade e o especial Contagem Regressiva Para Crise Infinita), mais uma lambança para o já extenso anedotário da editora. É nesse tipo de incoerência que muito "estudo da situação" e muita "cautela" costuma resultar.

Neste DC Especial, continuação direta da minissérie Já Fomos a Liga da Justiça, publicada em 2004, Keith Giffen, J. M. de Matteis (ambos roteiristas) e Kevin Maguire (desenhista) honram a tradição de insanidade que os consagrou no fim dos anos 80. Pra quem já leu a LJI, as piadas soam previsíveis, mas, mesmo assim, dá pra rir de certas tiradas, como o surto de Mary Marvel após uma overdose de cafeína, a TPM de Sue (que chega a socar o nariz de um vilão regenerado) e as cafajestadas de Guy Gardner.

A história (ou melhor, a desculpa-mestra para a confusão toda) é mais ou menos assim: durante uma visita à SJA, o Gladiador Dourado acidentalmente manda os Superamiguinhos (até aquele momento, apenas ele, o Besouro, Homem-Elástico, Fogo e Mary Marvel) para o que parece ser o inferno. Lá, eles são condenados a trabalhar eternamente na lanchonete local. Os que ficaram de fora (Guy e Poderosa) procuram meios de chegar aos seus amigos e trazê-los de volta.

Como se vê, nada sério. Esta história em seis partes foi o último suspiro de uma idéia revolucionária que deu muito certo durante algum tempo, virou fórmula e, naturalmente, foi perdendo a graça com o tempo. Com essa onda nostálgica, ainda mostrou algum valor, mas, após as mortes do Besouro Azul e Sue Dibny (fora Maxwell Lord, que também já empacotou) e com o atual direcionamento sombrio da DC Comics, a Liga da Justiça cômica é apenas um souvenir de um passado menos carrancudo e mais divertido. Vai deixar mais saudade. Nota 8,5.

DC Especial 10: Não acredito que não é a Liga da Justiça - Panini - 148 páginas - R$ 14,90

Em defesa de Michael Jackson

É incrível, mas, já existe toda uma geração de pessoas que conhece Michael Jackson apenas como uma figura bizarra que, volta-e-meia, freqüenta o noticiário a bordo de escândalos sexuais e manias alienígenas, e não como um dos mais geniais nomes da música pop, um dos maiores vendedores de discos da história.

Quem o vê hoje, desmoralizado e falido, pode achar difícil acreditar que, um dia, ele tenha sido o virtual dono do mundo. Entre 1983 e 1985, poucos eram os garotos que não queriam personificar Michael Jackson, realizando o famoso moonwalk, aquele passo em que ele parece deslizar sobre o chão. Mas, seu talento não estava somente em seus pés mágicos, mas, também, em sua voz privilegiada com um dos timbres agudos mais característicos do pop. Thriller (1982) o colocou no topo, mas, antes, ele já havia sobrevivido ao fim do Jackson Five e vinha num crescendo de criatividade e sucesso que resultou em Off The Wall (1979), o último antes do megaestrelato.

Estes dois discos sintetizam o auge de Michael Jackson como artista solo. Anos antes, junto com os irmãos, ele já havia legado à música mundial itens preciosos, como "I Want You Back", "ABC", "Happy" e outras. Foi neste o período que teve início a série de cirurgias plásticas que o transformariam em outra pessoa - ou em outro ser, de acordo com o seu grau de espanto. Até Thriller, porém, tudo seguia na normalidade: um afinamento do grosso nariz aqui, um alisamento do pixaim ali...

A partir de Bad (1987), as mudanças ficaram mais profundas e assustadoras, e disseram até que Michael estava tentando tranformar-se em sua madrinha, Diana Ross (com quem, de fato, passou a ostentar uma incômoda semelhança). As polêmicas se acumulavam: os casamentos esdrúxulos, o nariz destruído pela sucessão de plásticas, a paternidade artificial e, por fim, as acusações de sedução de meninos, que lhe custaram a popularidade e a fortuna.

Apesar de um ou outro hit de alto impacto ("Black Or White", "Heal The World", You Are Not Alone"), estava mais do que claro que Michael não era mais o mesmo - e que isso pouco tinha a ver com o mero passar dos anos. De hitmaker inspirado, passou a cantor medíocre (a voz afinando-se em um fiapo de alcance cada vez menor) e ex-rico patético, sempre apelando a factóides chocantes para não ser esquecido.

Mesmo com todo o abuso de seu star power, dá uma certa pena ver o que Michael Jackson se tornou. Falando muito francamente mesmo, hoje ele não é mais nada: nem rico, nem talentoso, muito menos querido, invejado ou imitado (apesar de enxergarem um renascimento de seu estilo por meio de artistas como Justin Timberlake). É apenas alguém que teve o mundo em suas mãos e protagonizou uma das quedas, do céu ao chão, mais altas e tristes de que já se teve notícia.

Ficou, no entanto, o mais importante: a música. Deixando de lado a fase "mulher branca", que durou de Bad a Invincible (2002) e tudo que possa vir depois, o que temos é coisa fina, matéria-prima para a felicidade por três ou quatro minutos. Não há manhã de chuva que não vire um dia lindo com o pop perfeito do Jackson Five, nem festa flashback que se preze sem uma ou duas execuções de "Wanna Be Startin' Something" ou "Beat It". É esse o Michael que eu quero guardar.

03/11/2006

Us3 - Hand On The Torch

Tenho um amigo que descreve os anos 90 como "a década em que a melodia morreu". Apesar do exagero na afirmação, foram anos em que ninguém queria fazer música simples, era sempre preciso misturar isso com aquilo: MPB com eletrônica, rock com MPB, rap com rock e coisas assim.

Foi uma época de muita maletagem: de um lado, as "viúvas" dos anos 80 declarando a morte da música; do outro, a galera das raves com seu hedonismo quase sempre vazio; no meio disso tudo, tinha gente disposta a fazer música ao mesmo tempo divertida e inteligente. A galera do chamado acid jazz era parte desse povo. O gangsta rap dominava o mundo com os mal-comportados Dr. Dre e Snoop Doggy Dogg, mas, gente "do bem" como Guru, Pharcyde e Digable Planets decidiram mostrar ao mundo que o rap podia ser bem mais do que tiros, crack e vagabundas.

Um dos mais bem sucedidos na empreitada foi o Us3, caras que manjavam de rap e jazz como americanos, mas, eram ingleses. Hand On The Torch é uma pequena obra-prima que bebe na fonte do jazz da lendária gravadora Blue Note e foi lançada pela própria, uma deferência especialíssima, pra você ter idéia do que estamos falando aqui.

Entre 1993 e 1994, o hit "Cantaloop (Flip Fantasia)" só não foi ouvido por quem estava no ex-planeta Plutão. Um rap macio despejado por três MCs diferentes (Kobie Powell, Tukka Yoot e Rahsaan) sobre um swing de entortar quadris, cortesia dos produtores Geoff Wilkinson e Mel Simpson. Até a Xuxa se aproveitou dessa música até não poder mais.

Engana-se, porém, quem pensa que o Us3 fez as outras doze faixas como mera encheção de lingüiça para seu grande sucesso. Assim como outra obra-prima do gênero, Jazzmatazz Vol. 1, de Guru, este disco era pra ser ouvido de ponta a ponta, com um sorriso de uma orelha à outra. Caprichando nos samples de jazz, o Us3 oferecia aos ouvintes os mais variados ritmos, com ênfase na chamada "cozinha" (baixo e bateria): "the drum is the most important instrument", como explicado na latinidad de "Different Rhythms, Different People".

"Tukka Yoot's Riddim" tem um toast praticamente incompreensível e encontrar sua letra na net era, até pouco tempo atrás, um desafio e tanto. "Lazy Day" parece coisa de MC baiano, narrando a rotina de Kobie Powell, em meio a gatas interesseiras e uma mãe que implica com seu cabelo dread.

Ora mais leve e jazzy (como em "It's Like That" e "Make Tracks"), ora mais grave e sério, como pede o rap ("Just Another Brother", "The Darkside"), o Us3 casou dois mundos tão distintos e foram todos felizes para sempre - ou, pelo menos, enquanto a graça da mistura durou. O grupo ainda lançou mais discos que nem de longe alcançaram o sucesso e a inventividade de sua estréia. Se você tem, guarde com carinho. Se não tem, lamente e corrija esta injustiça consigo próprio.

Contagem Regressiva Para Crise Infinita 4


Projeto OMAC (Rucka/Saiz)
Depois de quase morrer pelas mãos do Superman, Batman é obrigado a confrontar o Irmão Olho, totalmente autônomo desde a morte de Maxwell Lord. O satélite-espião supremo elimina o Xeque-Mate (Sasha Bordeaux que se cuide) e dá início aos planos de erradicação dos meta-humanos imaginado por Lord. Mais um belo capítulo da melhor série da Contagem. Nota 9,5.

Dia de Vingança (Willingham/Justiniano)
Vamos deixar de lado o fato de esta série ter relevância próxima de zero dentro do contexto geral da Crise (pelo menos, até agora). Não dá pra negar que o Detetive Chimp (cuja origem é contada aqui) é uma figuraça, sempre com uma tirada esperta na ponta da língua, e que o combate entre o Capitão Marvel e o Espectro até que é legal. Mas, será que Magia vai dar conta de tanto poder sem se render ao "lado negro da Força"? Previsivelmente, não. Esqueça o tom grandioso ambicionado pelo evento e divirta-se. Nota 7,0.

Vilões Unidos (Simone/Eaglesham)
Após escapar de seus torturadores, os seis vilões renegados partem para um ataque mais direto contra a Sociedade de Vilões e vêm parar no Brasil. Além de libertar um herói cativo (ao qual ainda não tivemos o prazer de ser formalmente apresentados), eles descobrem o verdadeiro propósito na formação da Sociedade - algo que, se realizado, pode decretar o fim dos heróis - e Lince faz uma proposta indecorosa ao Homem-Gato. Série divertida, com muita ação e clichês bem utilizados. Nota 8,5.

Guerra Rann-Thanagar (Gibbons/Reis)
Preciso confessar: eu tenho um certo problema em engolir séries espaciais com dezenas de personagens e mil coisas acontecendo ao mesmo tempo. Mas, vá lá, guerras devem ser assim mesmo. Kyle Rayner e o Capitão Cometa tentam deter o demônio Onimar Synn, que se prepara para consumir (hm... comer?) quem sobrar da guerra entre os dois mundos. Enquanto isso, os Gaviões, Adam Strange e Komander pensam em como unificar os sobreviventes. Tá meio cansativo, isso. Nota 7,0.

Contagem Regressiva Para Crise Infinita 4 (Outubro 2006) - Panini - R$ 100 páginas em LWC - R$ 8,90

Batman 47

Pode ser por culpa da quase completa ausência de ligações com a Contagem Regressiva Para Crise Infinita, mas, hoje, a revista do Batman é a menos interessante da DC/Panini. Desde o fim de Jogos de Guerra, a revista tem carecido de emoções fortes e nem o retorno de Jason Todd (argh!) melhorou a situação, apesar de a chegada de Asa Noturna, na edição passada, ter sido bem-vinda.

Nas duas primeiras histórias, vemos Silêncio e o novo Cara-de-Barro (já a quinta geração do vilão!) juntos num plano para confundir Bruce Wayne, o que pode explicar os recentes lapsos de memória e o comportamento estranho do mordomo Alfred. A. J. Lieberman e Al Barrionuevo parecem estar querendo associar seu nome a Silêncio, mas, cá pra nós, não é bom negócio: ô vilãozinho ordinário, esse! Nota 7,0.

Cidade do Crime é a coisa mais sem-graça que já li desde A Morte e As Donzelas, aquela em que Ra's Al Ghul morreu (tá, eu acredito!), com o agravante de ter doze partes. A tal Corporação é um inimigo sem rosto, que mata as pessoas e as substitui por cópias mais altas. Que plano genial, né? Essa história me faz desejar nunca mais ver o nome de David Lapham nos créditos de qualquer coisa que eu venha a ler. Nota 3,0.

Devin Grayson, por outro lado, faz a lição de casa direitinho. Embora essa história do Asa Noturna não traga nenhum fato mais importante, a trama tem ação, pancadaria e um herói carismático infiltrado entre bandidos. Não é assim que uma boa história do Batman deveria ser? Como bônus, a arte de Phil Hester, lembrando sua memorável passagem no Arqueiro Verde. Nota 8,0.

Batman 47 (Outubro 2006) - Panini - 100 páginas - R$ 6,90

27/10/2006

DC: A Nova Fronteira 1

Os Estados Unidos do pós-II Guerra Mundial não são o melhor lugar para os super-heróis. A histeria anticomunista leva os americanos a extremos de desconfiança, fazendo com que os heróis sejam coagidos a revelar suas identidades ou abandonar seus mantos. Alguns dobram-se à exigência do governo, enquanto outros preferem correr o risco e agir na ilegitimidade e, apesar da aparente calmaria, uma grande ameaça, muito maior do que o comunismo, paira sobre a humanidade como um todo. Assim tem início a Era de Prata, cujo nascimento é o pano de fundo da linda graphic novel DC: A Nova Fronteira, escrita e ilustrada por Darwyn Cooke.

O primeiro grande mérito da série, já devidamente percebido pelo amigo Luwig, é a grande humanização de Hal Jordan, um personagem extremamente mal-tratado ao longo dos últimos anos e vítima de todos os clichês do "homem sem medo" em seus anos como Lanterna Verde. Aqui, Jordan é uma pessoa de verdade, com um coração em seu peito, que sofre com a culpa de ter matado sem querer (ainda que em legítima defesa), a saudade do pai falecido e a expectativa de poder entrar para a aeronáutica e ganhar o coração de Carol Ferris.

Vemos aqui, também, que dois dos maiores ícones da DC, o Superman e a Mulher-Maravilha, estavam entre os primeiros a capitular ao militarismo norte-americano, servindo como soldados de luxo: Superman, como um escoteiro, um verdadeiro inocente útil nas mãos da generália; a Mulher-Maravilha, bem mais à vontade em sua natureza amazona de levar a paz por meio da guerra.

Momentos memoráveis são protagonizados pelos Perdedores (vide a fantástica primeira parte da série) e por J'Onn J'Onzz, cuja adaptação à Terra rende cenas impagáveis, como suas metamorfoses aprendidas com desenhos animados e seu vocabulário cheio de expressões saídas de séries de televisão.

Apesar da ambientação e do traço nostálgico, Cooke escreveu uma história para o século 21, preservando nos excelentes diálogos a inocência típica dos anos 50, que foi sendo gradualmente perdida e levou os americanos a acordar do sonho que virou pesadelo logo depois no Vietnam e, décadas mais tarde, no Oriente Médio.

A série é, antes de qualquer coisa, uma emocionante e emocionada homenagem ao panteão heróico da DC, feita por um grande fã, e um lembrete difícil de ignorar: não importa por quantas crises, reformulações e maus-tratos eles tenham passado ao longo das décadas, nossos heróis já nasceram perfeitos em sua essência - e, se você prestar bastante atenção, eles pouco mudaram com o tempo, graças a Deus. Mal posso esperar pelo segundo volume. Nota 10.

DC: A Nova Fronteira 1 (de 2) - Panini - 212 páginas em LWC - R$ 25,90

Rapidinha: Com a recusa da Panini e da Pixel em comentar o destino da DC Comics no Brasil, a boataria ganha força. Os últimos caôs virtuais (ou não) falam que é bem possível que a DC, afinal, fique na Panini, e que a revista Superman & Batman será cancelada na edição de outubro. De concreto, mesmo, nada. Um silêncio irritante e desrespeitoso para com os leitores.

20/10/2006

V de Vingança


Eu não li V de Vingança e pouco sei sobre a série. Não a comprei quando foi lançada em capítulos pela Globo, nem como o recente encadernado de 40 mangos lançado pela Panini. Eu devo estar mesmo perdendo grande coisa, porque, se o filme é mesmo culpado de diluir e banalizar a trama anarquista idealizada por Alan Moore, a série deve ser um manjar dos deuses em forma de HQ.

Com o devido desconhecimento da obra original, assisti ao filme com o distanciamento necessário para não ficar implicando com "heresias" cometidas na adaptação e garanto, meus caros: o filme vale a pena. Não é perfeito, mas é envolvente e, sim, leva à reflexão. Quando todo mundo esperava um festival de "knife time" (a adaptação do efeito "bullet time", de Matrix, para as facas do anarquista V), os irmãos Wachowski preferiram deixar a história em primeiro plano e limitar pirotecnias visuais a pouquíssimas cenas.

Quando V (interpretado por Hugo Weaving, cujo rosto não se vê em momento algum) anuncia um atentado terrorista no Parlamento Inglês para um ano à frente, a Inglaterra encontra-se sob o torpor de uma ditadura que impõe a tranquilidade através da intimidação e delação de comportamentos, digamos, "anormais" (homossexualidade, certos livros e músicas, etc). No entanto, o recado transmitido acende uma fagulha de rebelde expectativa nos cidadãos e arrepia os cabelos das autoridades.

V encontra em Evey Hammond (Natalie Portman, de corpo e alma no papel) uma discípula relutante e um previsível interesse amoroso. Usada pelo anti-herói como bode expiatório de suas ações (o que atribui a V uma agradável dose de filha-da-putice), Evey precisa fugir da polícia e, ironicamente, só encontra refúgio com um amigo que esconde um segredo (que engana todo mundo, diga-se) e com o próprio V. A grande expectativa é: será que V vai mesmo cumprir o prometido um ano antes e lembrar ao povo que ele é o verdadeiro dono do poder?

Quer saber? Ao diabo com os fãs xiitas de Alan Moore! Ao diabo com o próprio Alan Moore, que retirou seu nome dos créditos (o filme limita-se a citar o desenhista David Lloyd)! V de Vingança é um filme digno e que merece ser visto, revisto e avaliado. Quem sabe, se fosse obrigatório assisti-lo nas escolas brasileiras, a gente subisse a rampa do Planalto pra dar uma surra naquela corja que lá habita. Nota 9,0.

16/10/2006

Olha o pacotão!

Tenho muita coisa pra comentar. Por conta disso e da absoluta falta de tempo para escrever reviews decentes de cada item, resolvi juntar tudo num pacotão cultural. Lá vai!

Cinema

Boa Noite, e Boa Sorte: cinema sério como não se vê muito por aí. Em majestoso preto-e-branco, ajudando no clima anos 50, e praticamente sem trilha sonora, os maus pedaços passados e as grandes vitórias obtidas pela CBS sobre o polêmico e safado senador Joseph McCarthy, em plena histeria anticomunista. George Clooney na direção, com claras intenções de alfinetar Mr. Bush. Nota 8,5.

O Homem Que Não Estava Lá: mais uma masterpiece em preto-e-branco, com a típica trama dos Irmãos Coen: um mané (no caso, Ed Crane, barbeiro, corno conformado e figura nada notória) acha que pode se dar bem com um plano aparentemente infalível que, claro, dá horrivelmente errado. Noir moderno e uma interpretação fabulosa de Billy Bob Thornton. Nota 9,0.

ABC do Amor: um futuro clássico da Sessão da Tarde, este lindo filme conta a história da paixão de um garoto de 10 anos por uma colega de escola. Situações românticas e cômicas, para derreter os corações de crianças e adultos. Bonito sem ser meloso. Nota 9,0.

Três Enterros: Tommy Lee Jones estrela e dirige este drama arrastado e de final revoltante, sobre um vaqueiro (o próprio TLJ) que busca vingar a morte de um mexicano amigo seu e dar-lhe um enterro decente. Muita crueldade e aquela mediocridade calorenta e empoeirada do meio-oeste americano. O filme parece bem mais longo do que realmente é. Nota 7,0.

A Fantástica Fábrica de Chocolate: o remake de Tim Burton tem toda a esquisitice típica do diretor e idéias geniais, como os novos Oompa Loompas multimídia e os esquilos que escolhem nozes. Por trás da excentricidade visual, muito sarcasmo, lições para a petizada e um Johnny Depp ótimo, como sempre. Nota 9,0.

O Virgem de 40 Anos: pensei que fosse pior, uma daquelas comédias que servem unicamente para debochar da situação do personagem-título. Fiquei bastante surpreso ao ver que, por baixo do humor colegial e escatológico, existe alguma delicadeza sobre as relações homem-mulher. Ainda dá pra gente renovar todo o nosso estoque de termos de baixo calão em inglês! Yeah! Nota 8,0.


Quadrinhos

Grandes Clássicos DC 7 - Lanterna Verde e Arqueiro Verde Vol. 2: o segundo encadernado da fase O'Neil/Adams com os personagens é tão bom quanto o primeiro, trazendo, inclusive, a polêmica história em que Ricardito aparece viciado em heroína. Temas espinhosos como racismo, poluição ambiental e os males da comida industrializada dão a maior dor-de-cabeça aos dois heróis verdes, muito mais até do que monstrengos alienígenas. Nota 10.

Grandes Clássicos DC 8 - Superman: As Quatro Estações: o negócio de Jeph Loeb é mesmo vintage. Suas história revirando o passado dos personagens são muito mais interessantes do que os eventos de cronologia (vide o estrume que virou Superman/Batman, por exemplo). Vale, entre outras coisas, pra mostrar que o Lex Luthor idealizado por John Byrne é muito mais interessante do que aquele que passou a ser o "oficial" com a publicação de O Legado das Estrelas. Nota 10.

DC: A Nova Fronteira, Vol. 1: este primeiro volume vai ganhar um review caprichado, já que, desde a primeira história, não restam dúvidas de que sou o feliz possuidor de um clássico instantâneo. Aguardem.

10/10/2006

Quem precisa da MTV?

Quem precisa da MTV?

No filme Escola de Rock (2004), há uma cena crucial em que Dewey Finn, o personagem de Jack Black, discursa a seus alunos sobre como "The Man", ou o sistema, ou seja lá como você o chame, destrói tudo que há de puro e inocente no mundo e nas pessoas, em nome da banalização, padronização e capitalização. Em seguida, ele nos lembra que havia um jeito de enfrentar "The Man". Essa "arma" se chamava rock, mas, vejam só, "The Man" arruinou isso, também, com uma coisinha chamada MTV. No filme, pode parecer engraçado, mas, não é mais do que a triste verdade.

Esqueçam comparações com a MTV americana ou com a latina, vamos cuidar de nosso quintal. Está em todos os sites, blogs, jornais e revistas: é flagrante a decadência da MTV Brasil. A gota d'água foi o pífio VMB 2006, em que se tentou capitalizar em cima de um factóide extra-musical (o pornozinho de Daniella Cicarelli na praia) e, até nisso, deu-se com os burros n'água.

Dizendo assim, parece brincadeira, mas, hoje, o que menos tem na Music Television é música. Sobram vinhetas estúpidas, levadas ao ar como se fossem a coisa mais cool do mundo (e se você não viu graça, a culpa é sua, que não captou o "conceito"), VJs incompetentes e programas imbecis. Para um canal que se pretende formador de opinião, a MTV pode ser facilmente responsabilizada como deformadora de mentes.

Se você pensar bem e considerar que era um tempo sem internet e no qual ainda vivíamos sob aquela coisa nefasta chamada reserva de mercado, até que a MTV não demorou muito pra chegar até nós. Foram nove anos, desde seu surgimento nos EUA. Quando o canal abriu, claro, todo mundo carecia de experiência televisiva, mas o time de VJs era sensacional: Zeca Camargo, Astrid Fontenelle (antes de aderir ao estilo Ana Maria Braga), Maria Paula, Fábio Massari, Gastão Moreira, Cazé Peçanha, Edgard Piccoli... gente simpática e que entendia de música. Os clips passavam o dia inteiro, alternados com programas legais como o Jornal MTV e o Cine MTV.

Hoje, a gente é obrigado a engolir uma programação com o mínimo de clips, enquanto abundam programas inúteis como o Beija Sapo e o Ponto Pê. O primeiro terá, um dia, algum valor histórico, como o primeiro a exibir beijos gays em horário nobre. Exceto por isso, sobram mostras de imbecilidade por parte dos participantes e complacência bovina por conta da VJ. Lembra do "efeito Tostines"? Afinal, o programa é idiota e forma idiotas, ou é mero reflexo da idiotice de quem participa e assiste? O segundo é uma mera desculpa para encher nossos ouvidos com descrições detalhadas de atos sexuais, com um palavreado de fazer corar o Marquês de Sade. E fica lá, a feiosa da Penélope Nova, tirando onda de sábia de alcova. É de se pensar se certas coisas não seriam tão montadas quanto a entrevista do Gugu com "bandidos" do PCC.

Aquele Chapa-Coco do verão passado foi outra tortura, com aquelas gêmeas irritantes (Kenia e Keila) limitando-se a levar papos "cabeça" (como disse meu falecido irmão Malcon, certa vez, "só se for cabeça de rola doida") com outros moleques incapazes de articular uma frase inteira. Assim, tornava-se um desafio ao mais atentos tentar entender aquele festival de "ah, porque, tipo assim...", "sei lá, saca", "porra, aí..."porque, caralho, sei lá..." Diga-se de passagem, falar palavrão na hora certa e no contexto certo é uma arte que pouca gente domina e não há nenhum mestre disso na MTV.

Mas, vá lá, a programação não é 100% inútil e sem-graça. Há o Cover Nation, um bom momento de humor trash e irreverência. Há, ainda, os poucos programas de clips e eventos como o VMA e o malfadado VMB, do qual geralmente se espera alguma graça e novidade, mas que pode decepcionar até os mais fanáticos, caso deste ano.

Cabe fazer um parêntese aqui, para que se tente entender o fiasco do VMB. A estagnação do mainstream pop rock brasileiro deixou de ser vergonhosa (como já foi antes, no fim dos anos 80 e começo dos 90) e passou a ser perigosa. Afinal, quando vamos ver um sopro de novidade? Será que a MTV não impulsiona o surgimento de clones do CPM22, impondo este como "o som que a galera quer ouvir"? Existe essa coisa de "música de jovem"? Os Beatles acabaram há 36 anos e são imortais justamente pela sua capacidade de conquistar geração após geração com simplicidade e boas idéias. Essas bandas que infestam a programação e os eventos da MTV brasileira, porém, parecem incapazes de agradar a quem tem mais de 16 anos e criou um mínimo de senso crítico. Enquanto essa manada grassa sobre o mercado, gerando filhotes nefastos como o Hateen e o NX Zero, um monte de gente que se esforça para fazer boa música se debate no underground e no labirinto sem fim da internet.

O grupo Abril, detentora dos direitos da MTV no Brasil, pode estar nadando em dinheiro e pouco se lixando pra prestígio de crítica e qualidade de programação, desde que as verbas publicitárias continuem crescendo em progressão geométrica. Se for assim, sugiro que, pelo menos, deixe dessa bobagem de querer conscientizar um público que ela mesma ajuda a alienar e assuma-se como veículo de entretenimento rasteiro e inconsequente.

E ainda há quem chame os anos 80 de "década perdida".

04/10/2006

Superman & Batman 15


Este é, provavelmente, o review mais vagabundo que eu já tive coragem de fazer. A revista não está por perto pra que eu possa checar nomes e fatos, mas, vamos lá.

Primeiro, quero deixar registrada a minha indignação com a opção da Panini por esta capa-clichê vagabundíssima, do mangazeiro xexelento do Ed McGuinness, quando a capa de Wonder Woman 220 é mil vezes mais interessante, embora não reflita exatamente a verdade sobre o que rola na história.

Em Superman/Batman, aquela enrolação com os Máximos atingiu o auge da picaretagem quando descobrimos que tudo não passa de mais uma brincadeira do Coringa com os poderes de Mxyzptlk, como aconteceu há alguns anos, na fase Premium, na Editora Abril. Como naquele época, é tudo muito ruim. Superman liberta Darkseid da Muralha da Fonte e, depois, acaba preso nela. Se era tão fácil assim arrancar de lá os curiosos sobre a origem do universo, por que ainda há tantos presos? Você não tá com nada, Loeb!

A melhor história é mesmo da Maravilhosa, novamente. Depois da polêmica decisão tomada em Superman 46, ela é confrontada com as conseqüências do que fez. Sua amizade com Superman e Batman fica abalada e ela se vê diante da possibilidade de enfrentar a justiça dos homens. Porém, ela mal tem tempo pra pensar nisso, pois algumas emergências globais tiram o sono da Liga, sendo que algumas são alarmes falsos. Rucka põe a princesa num momento "calmaria antes da tempestade".

O Arqueiro Verde teve sua casa destruída pelo Tijolo, que obteve do Exterminador todos os segredos da vida pessoal de Ollie e seus protegidos. Ele põe Zatanna na cola de Mia e convoca o Raio Negro pra procurar o Dr. Luz, provável culpado da quizumba toda. Diverte.

Os Titãs e Renegados enfrentam uma Tróia enlouquecida e descobrem, sob Mynossis, uma arma que os titãs mitológicos e os envolvidos na Guerra Rann-Thanagar estão disputando. Muitos recordatórios, muito "lembre-se de quem você é!" e uma certa poluição visual. Não é ruim, mas, não empolga muito. Não são assim quase todas as histórias de ressurreição? Então...

Superman & Batman 15 (Setembro 2006) - Panini - 100 páginas - R$ 6,90.

29/09/2006

Renato Russo: 10 anos


Prepare seus olhos e ouvidos: dia 11 de Outubro será o aniversário de dez anos da morte de Renato Russo, o vocalista da Legião Urbana. É prudente esperar uma avalanche de homenagens histéricas e pouco criteriosas para o maior fenômeno da história recente de nosso rock. Aqui no Catapop, entretanto, a gente espera oferecer um pouco de lucidez, em meio ao descontrole emocional que Russo costuma causar, contra ou a favor.

Há quem odeie os anos 80 por estes terem sido anos de pouca originalidade em nossa música, quando cantores e bandas emulavam tudo que era lançado lá fora, fosse bom ou ruim. Boa parte desse ódio deve-se à "galera de bermuda" do Rio de Janeiro, bandas que se inspiraram no sucesso da Blitz para fazer música pop simples e inconseqüente, embora poucas tivessem a inspiração e o bom humor da trupe de Evandro Mesquita. Foi um tempo de muito vocal feminino, solos de sax, tecladeira technopop e, claro, muitas one hit wonders, que cravaram um solitário sucesso nas paradas e sumiram sem deixar saudade.

Houve, no entanto, quem perdurasse e construísse carreiras mais ou menos estáveis. Porém, por mais que Titãs, Ira! e Paralamas do Sucesso disputassem a preferência do público, nenhum deles alcançou o nível de adoração popular e sucesso comercial da Legião Urbana. O grupo começou como um cover do U2, passando, depois, a imitar os Smiths, até, finalmente, encontrar uma fórmula de pop messiânico e adocicado que lhe valeu fama e depredação, amor e ódio, na mesma intensidade.

Verdade seja dita, Bonfá era um baterista medíocre e Dado Villa-Lobos não tem nenhum grande solo que justifique um culto à sua figura de guitarrista. A Legião era mesmo Renato Russo e mais dois (ou três, no princípio, quando ainda estava lá o baixista Renato "Negrete" Rocha). Vocalista inspirado e dono de um discurso por vezes pueril, por vezes inspirador, Renato sabia tocar o coração do adolescente e do jovem adulto como poucas vezes se viu no Brasil.


As mudanças no som da Legião Urbana lhes renderam a pecha de oportunistas. Do pós-punk à la o U2 de Boy (no primeiro disco, de 85), placidez smithiana (em Dois, 86), fúria punk temperada com baladas (em Que País É Este, 87), messianismo acústico (As Quatro Estações, 89), até chegar ao neo-progressivo (em Legião Urbana V, 91), o grupo sempre testou a fidelidade dos fãs com discos que custavam a "pegar", mas, depois, transformavam-se em febre.

Em Junho de 1990, em uma polêmica entrevista à revista Bizz, Renato Russo admitiu ser homossexual. Num país reconhecidamente machista, foi um choque que, curiosamente, foi bem absorvido pela opinião pública. Naquele ano, a Legião vendeu como nunca e As Quatro Estações é um disco que conta quase dois milhões de unidades vendidas.


Entretanto, o pulo pra fora do armário deixou Renato insuportavelmente empenhado em não deixar dúvidas de que ele era a maior bichona do pedaço. Depois de um bom disco de canções em inglês (The Stonewall Celebration Concert, 94), em que era forte a militância gay e a troca de gênero nas letras, ele enveredou pelo pop italiano, com resultado lindo para os deslumbrados e torturante para os vacinados. Boas canções, como "Lettera" e "Il Mondo Degli Altri", conviviam em meio a outras constrangedoramente melosas.

Antes disso, em 93, a banda havia lançado um bom disco, O Descobrimento do Brasil, em que a poesia de Renato parecia ter alcançado um espécie de maturidade dentro da sua obra. O instrumental estava mais diversificado e novos rumos pareciam estar se abrindo pra Legião.

Entretanto, numa manhã de outubro de 96, vejo na TV fotos e depoimentos de fãs da Legião e, logo abaixo, a tarja com a chamada: "fãs prestam homenagem a Renato Russo". Passei e me indagar, "homenagem? Por que? O cara nem morreu!". De repente, o estalo: "Ou será que morreu?", temor confirmado pela repórter logo em em seguida. O maior ídolo dos anos 80 e de boa parte dos 90 foi vitimado pela Aids que carregava no sangue havia seis anos, cuidadosamente escondida do público até o último instante.


O último álbum da banda já se encaminhava para as lojas e foi uma grande decepção. As letras já refletiam a espera pela morte e o instrumental era soturno, fúnebre, até. Nos momentos menos lúgubres, Renato já não tinha a mesma eficiência poética dos velhos tempos. Um canto de cisne triste e apagado. Lembro de estar trabalhando, certa vez, ouvindo A Tempestade (96) e um amigo dizer, com veemência: "credo, que disco chato! Tira essa música de bicha morta daí!"

Mal sabíamos nós que Renato faria muito mais falta do que poderíamos imaginar. Se não pela sua presença em si, pelo talento poéticos e posições inspiradoras. Com o fim da Legião Urbana, por mais que algumas bandas ainda tenham alcançado sucesso com bons trabalhos, a geração 80 do rock encontrou o fim do seu reinado, cuja maior e mais nefasta conseqüência foi a subida ao estrelato de gente equivocada, em som e discurso, como Charlie Brown Jr., Detonautas, O Surto e CPM 22. Gosto é gosto, mas, sinceramente, não dá pra comparar a relevância desse povinho com a da Legião.

Depois de sua morte, Renato não teve descanso. O restolho da obra da Legião foi sugada quase até a última gota, em discos acústicos, coletâneas de raridades e até mesmo duetos do além. "Quase", porque é quase certo que, nessa primeira década que se completa, certamente a indústria sugará um pouco mais do que sobrou, quem sabe com algum novo lançamento, ou, simplesmente, em programas de rádio e TV em que a voz e a figura de Russo se tornarão onipresentes, desafiando a paciência dos menos tolerantes.