22/05/2006

Revistas aos montes!

Guerra Secreta

Vamos falar a verdade: esta minissérie não serve pra nada. É apenas uma desculpa para o egocêntrico Brian Bendis exercitar sua verborragia histérica. Podem estar certos de que a ligação entre alguns vilões tecnológicos (de terceira pra lá) jamais voltará a ser mencionada e esta história, mais uma daquelas em que um "grave" segredo do passado de um herói (no caso, Nick Fury) é desvendado, logo será esquecida. Bendis acerta mais do que erra, mas, aqui não é o caso. Vale pela bela arte de Gabrielle Dell'Otto. Nota 4,0.


Pesadelo Supremo 1


Esta aqui começa bem: uma misteriosa transmissão, mostrando o fim de uma civilização extra-terrestre e colocando a Terra como próximo alvo, invade todos os canais de TV e leva vários telepatas ao suicídio. Os Supremos e os X-Men mobilizam forças-tarefas independentes para investigar a fonte, em Tunguska, uma desolada região da Sibéria. Warren Ellis sabe das coisas quando se trata de ficção científica e Trevor Hairsine, apesar do jeitão de Bryan Hitch genérico, manda bem. Nota 8,0.


Marvel Millennium 52


Homem-Aranha (Bendis/Bagley) tá um saco, com Peter sendo corno retroativo, metido em dramalhões mexicanos. Tomara que a chegada do Duende Macabro agite as coisas. Nota 3,0. Os X-Men (Vaughn/Immonen) descobrem que nem tudo que pensavam saber sobre Longshot é verdade. Nota 8,5. Reed e Ben, metade do Quarteto Fantástico (Ellis/Kubert), enfrenta o perigoso Niquil, que pretende fugir da zona-N para nosso universo com a tecnologia de Reed. Prepare-se pra rir muito com o Coisa! Nota 9,0. Outra que faz rir é a história dos Supremos (Millar/Hitch), com a patética versão millennium dos Defensores, um bando de perdedores a quem Hank Pym se une. Aqui temos a prova de que Thor não é o traidor do grupo. Nota 9,5.


Superman & Batman 10


Superman/Batman (Loeb/Churchill): o quão poderosa é a nova Supergirl? Ela pode superar Kal-El? Interlúdio com direito à participação da Batgirl original (mas eu é que não vou dizer o que está rolando!). Nota 8,0. Enquanto isso, a Mulher-Maravilha (Rucka/Philips) enfrenta as conseqüências do duelo com a Medusa: nem a medicina de Themyscira parece ajudá-la a recuperar a visão. Nota 9,0. O turrão Arqueiro Verde (Winick/Fowler) chega em duas histórias, apresentando Mia aos Titãs e tomando uma canseira de vilões contratados pelo Tijolo. Nota 9,0.


Superman 42


Pelo Amanhã (Azzarello/Lee): desvendado o mistério sobre a origem de Metropia e o misterioso inimigo do Superman por lá. Até que rola um quebra-pau dos bons, mas, a vaca já foi pro brejo nessa trama há muito tempo. Nota 7,0. Também é momento de revelação em Estrada Para A Ruína (Rucka/Clark), com a identidade do vilão exposta. Um choque para Clark, numa história que abusa de recordatórios. Nota 7,0.


Batman 42


Por Trás Da Máscara (Winick/Mahnke) tem um capítulo interessante sobre relacionamentos: primeiro, do Máscara Negra com o (sócio? subalterno? inimigo?) Sr. Frio. Segundo, a nostálgica interação entre Batman e Asa Noturna enfrentando Amazo. O Capuz Vermelho só aparece ao final, trazendo uma caixa de problemas. Nota 9,0. Ainda não li Cidade do Crime (Lapham). Vergonha, vergonha! Vou ficar devendo. Já falei o quanto adoro histórias em que o Batman toma 1x0, como em Decifre Isso (McCarthy/Castillo)? Adoro quando nos lembram que ele é humano e também erra. O novo e aviadado Charada parecia não ter dito ainda a que veio, mas, ele mostra tudo de que é capaz nesta edição, um verdadeiro jogo de gato e rato entre os dois. Nota 9,5.

17/05/2006

Pop, do U2: discão ou micão?


Lá se vão quase dez anos desde o lançamento de Pop, o tal "disco techno" do U2. Era o auge da empolgação geral com a música eletrônica como a conhecemos hoje, o U2 embarcou (relativamente) na onda e as reações foram diferentes: os fãs mais roxos, aqueles que acham que o U2 deveria ser o mesmo de War (1983) até hoje e não acham o soberbo Achtung Baby (1991) grande coisa, torceram o nariz de imediato; a crítica "antenada" elogiou (afinal, naquele tempo a eletrônica ia "salvar o rock", como se este precisasse ser salvo), mas, com ressalvas. À margem de tudo, muita gente ouviu e não entendeu p**ra nenhuma.

Vamos, então, tentar dissecar este disco e descobrir as razões de tanta polêmica? Concordando ou discordando do meu parecer, não deixe de comentar!

01 - "Discothéque" - Que me desculpem aqueles que se assombraram com o clip aviadado (onde o grupo tira uma onda tosca de Village People), com a letra desencanada e com os barulhinhos "mudernos": esta música é do cacete! Uma beleza de riff de guitarra e um balanço do qual a gente não sabia que o U2 era capaz - tudo isso sem tirar o pé do rock! Nota 10!

02 - "Do You Feel Loved?" - Baixo saturado, Bono com uma voz safada e muito clima de sexo sado-maso. Bonitinha, mas, nada muito especial. Nota 7,0.

03 - "MoFo" - A coisa musicalmente mais controversa que o U2 já fez. Techno puro, ruídos mil e uma letra angustiada que tem, ao menos, um grande momento: "mãe, ainda sou seu filho? / sabe, eu esperei tanto pra te ouvir dizer isso! / mãe, você partiu e me tornou alguém / agora, ainda sou uma criança / mas ninguém me diz 'não'". Não bastou: para a maioria dos fãs, é coisa do capeta, não do U2. Nota 5,0.

04 - "If God Will Send His Angels" - Finalmente, é possível reconhecer o U2. Uma linda balada sobre solidão individual e coletiva, com uns barulhinhos aqui e ali, mas, tudo sob controle. Grande momento do disco. Nota 10.

05 - "Staring At The Sun" - Mais uma bela balada, daquelas de tocar ao violão, perto da fogueira. A melodia foi (no meu entender) surrupiada pelo Gorillaz para o refrão de "Feel Good Inc." Letra estranha e, ainda assim ou por isso mesmo, maravilhosa. Nota 10.

06 - "Last Night On Earth" - Refrão explosivo e bela guitarra base. The Edge estava muito inspirado em Pop, mas o resultado final, por vezes, esconde a beleza de seu trabalho em timbres esquisitos, problema que também acometeu a bateria de Larry. Mas é um bom rock. Nota 8,0.

07 - "Gone" - O momento mais emocional do disco agradou à galera, tanto que "Gone" freqüentava a turnê do grupo até recentemente, enquanto quase todas as outras caíram no limbo. Feita para o amigo Michael Hutchence (do INXS, que havia se suicidado), também foi usada pra homenagear Lady Di. Nota 9,0.

08 - "Miami" - Quando começa, parece que está tocando ao contrário. A letra, meio cantada, meio falada, é uma homenagem (ironia?) ao ensolarado balneário que segue mansinha, até que a guitarra chega pesadíssima e nos delicia. Esquisita, mas, superlegal. Nota 8,5.

09 - "The Playboy Mansion" - Uma batidinha quase lounge, enquanto Bono discorre, em uma letra espertíssima, sobre as delícias e perigos do capitalismo desenfreado, tema principal do disco. Musicalmente, acaba soando morna demais, pois falta refrão. Nota 7,0.

10 - "If You Wear That Velvet Dress" - No disco, o baixo de Adam sobressai e a guitarra de Edge ganha efeitos demais. Tem um clima onírico interessante, mas, fica mais legal na versão ao vivo, tocada na Pop Mart Tour. Nota 6,0.

11 - "Please" - A coisa mais parecida com o U2 das antigas, pelo menos, em temática. Um recado para os extremistas irlandeses, misturado ao vivo com um belo arranjo de sintetizadores e a batida marcial de "Sunday Bloody Sunday". Muita emoção aí, cara... Nota 9,0.

12 - "Wake Up Dead Man" - Aqui, Bono leva um papo com Jesus de maneira informal e tocante. Um grande momento, com distorção vocal e guitarra blueseira de Edge. Belo encerramento para um disco complicado. Nota 9,5.

Enfim, Pop é bem menos techno do que crêem aqueles que o condenam antes mesmo de ouvi-lo. A eletrônica, exceto po "MoFo" e "Miami", está resumida a detalhes. Acho que o disco é injustiçado pela galera. Na minha média, deu nota 7,5. E na sua?

14/05/2006

A volta do Keane!


Depois de dois anos, o Keane prepara a sua volta triunfal com Under The Iron Sea, que chegará ao mercado internacional em 12/06. A julgar pela faixa de trabalho, "Is It Any Wonder", que já circula pelos p2p da vida, novamente o Keane se mostra um Coldplay com bolas: emula a grandiloqüência do U2 80/90, mas não cai na choradeira desbragada de Chris Martin. Espero que este novo CD seja cheio de melodias perfeitas, pra cantar a plenos pulmões, como foi Hopes And Fears, um dos melhores discos de 2004.

12/05/2006

Pacotão DC: Titãs, LJA e Elite!

Novos Titãs 22


Novos Titãs (Johns/McKonne): Geoff Johns finalmente encontrou um bom equilíbrio entre o drama e a ação, combinação que foi marca registrada dos Titãs em seu auge (a fase Wolfman/Pérez, nos anos 80). Depois de revelado (em Crise de Identidade) por que virou um vilão de quinta categoria, o Dr. Luz quer recuperar sua reputação enfrentando os Titãs, que sempre o humilharam - e ele dá um cacete federal na molecada! É ótimo ver um vilão bocó ser "reabilitado" de forma a tornar-se uma grande ameaça. Nota 9,0. Aves de Rapina (Simone/Benes): ao fim de "Caçadores de Heróis", a Caçadora enxerga mais por baixo das boas intenções de Oráculo do que esta gostaria de admitir. Série sempre competente, mas, sem brilho ofuscante, exceto pelas gostosas que Benes desenha. Nota 7,0. Renegados (Winick/Moll): depois de descobrir que o "Batman" que alimentava sua equipe com informações era, na verdade, o Exterminador, Arsenal resolve enfrentá-lo - mas, ei, estamos falando do cara que deu conta da LJA sozinho! E ainda: será que algum membro está traindo o grupo, como tudo leva a crer? Resposta na edição 23! Nota 8,5.


Liga Da Justiça 40


LJA (Busiek/Garney): o Sindicato do Crime age disfarçado como a LJA, mas a ordem cósmica impede que eles tenham sucesso. Regras, contudo, existem para serem quebradas - e aqui está mais uma semente da Crise Infinita que se aproxima. Enquanto isso, os qwardianos liberam uma força destrutiva incontrolável que ruma para a Terra. Nota 8,0. SJA (Johns/Kramer): Sideral volta ao que deveria ser a Era de Ouro dos heróis para garantir a continuidade da SJA, mas encontra a equipe debandada e desmotivada. O Sr. Incrível atual também ganha o seu quinhão da barra-pesada dos anos 50. Simples e grandes idéias de Johns, como sempre. Nota 8,5. Flash (Johns/Snejberg): interessante revisão da origem do Onda Térmica, ressaltando a dualidade que pode, sem aviso, levá-lo de volta ao "lado negro". Muito bacana! É interessante como os vilões do Flash têm personalidades tão interessantes quanto os do Batman (pelo menos, nos roteiros sempre competentes de Johns). Nota 9,0.



Liga da Justiça Elite

Ótima minissérie, que chega ao fim na edição 3 (capa acima)! Joe Kelly teve uma passagem controvertida na LJA, porém, com mais acertos do que erros. É bom vê-lo de volta a estes personagens, ainda mais na companhia de Doug Mahnke. Após os eventos de LJA 32, Vera Black propõe a formação de uma divisão "radical" da Liga, para executar missões preventivas sujas e de alto risco. Só que alguém sai do controle e um assassinato pode levar ao prematuro fim do recém-formado grupo. Isso sem falar do aparente retorno de Manchester Black!
Além de dar belos papéis a bons coadjuvantes como o Major Desastre e o Corvo Manitu (o mais afetado pelos acontecimentos da história), Kelly ainda nos apresenta a Al-Sheikh Naif, um muçulmano intolerante, fumante inveterado, extremamente antipático, mas, de caráter inabalável. Um novo e cativante personagem que coroa o êxito da iniciativa LJElite, ainda que a presença do sempre otimista Flash num grupo sombrio assim seja ligeiramente deslocada. Nota 9,0.

Novos Titãs 22 / Liga Da Justiça 41 / Liga Da Justiça Elite 1, 2 e 3
Todas publicações da Panini Comics - 100 páginas - R$ 6,90 cada uma.

02/05/2006

Rapidinhas

- Garotinho fazendo greve de fome... Não sei se é mais ridículo o fato em si ou a esperança que ele tem de que algum observador internacional se abale em vir aqui pra ver que as denúncias que se acumulam contra este verdadeiro anjo de candura, em jornais, tvs e revistas, são apenas "perseguição". Factóide por factóide, sou mais o Enéas sem barba.

- Pode ser que, a esta altura, a superexposição já tenha acabado com a graça do funk "Se Ela Dança, Eu Danço", do MC Leozinho. Digam o que quiserem, o fato é que esta canção é pop de primeira linha, com melodia irresistível e refrão empolgante - e daí que é funk?

- No último fim de semana, eu revi Kill Bill 1 e 2 e pude, mais uma vez, constatar o óbvio: é genial. Também assisti ao contundente O Jardineiro Fiel, que ganhou um monte de Baftas (o Oscar inglês) e foi praticamente ignorado pela Academia de Hollywood. Pior pra eles, pois é um filmaço e justifica a confiança entregue a Fernando Meirelles. Na semana que vem (ingresso já comprado!), Missão: Impossível III!

PS: é sensacional o novo trailer de Superman - O Retorno! Veja aqui!

Robin/Batgirl - Sangue Derramado


Com o fim dos Jogos de Guerra (em Batman 38), a relação entre Batman e seus aliados ficou estremecida, principalmente em relação ao Robin, que teve duas garotas (Stephanie Brown e Darla Aquista) e o pai, Jack Drake, mortos em circunstâncias violentas. Tim não quer, pelo menos, por ora, patrulhar ao lado do Batman e decide mudar-se para Blüdhaven. Mas é claro que o chefão não iria deixá-lo descoberto e envia a Batgirl para junto do Menino-Prodígio. Juntos, os dois enfrentam o submundo da cidade cuja desolação faz Gotham parecer Metrópolis.

Desde o surgimento de Tim Drake como Robin, suas aventuras sempre foram, no mínimo, interessantes. Bill Willingham e Andersen Gabrych (respectivamente, escritores de Robin e Batgirl) fazem um bom trabalho nesta trama conjunta, que coloca os dois jovens heróis contra os perigosos Pingüim, Shrike, Arrasa-Quarteirão (ué, mas, esse cara não morreu?) e até um contra o outro.

Não deixa de ser interessante a acentuação das diferenças de opinião entre os parceiros do Morcego, com relação à sua cruzada contra o crime. Os dois morceguinhos até trocam farpas. Garotos espertos, que não precisam trocar de identidade (como Dick Grayson e Barbara Gordon) pra se mostrarem grandes personagens. Nota 7,5.

Robin/Batgirl: Sangue Derramado - Panini Comics - 100 páginas - R$ 6,90.