30/08/2006

Wyclef Jean - The Carnival


Dez anos atrás, o trio Fugees estourou com The Score, um disco de gangsta rap "do bem", espertamente amparado em duas covers de apelo universal: a mela-cueca "Killing Me Softly" e o hino reggae "No Woman, No Cry", nas quais sobressaíam a capacidade vocal de seus dois integrantes mais talentosos: Lauryn Hill e Wyclef Jean. Os dois lançarem-se em carreiras individuais de sucesso meteórico, mas, fugaz. Ao pobre Prakazrel Praz, sobrou o papel de coadjuvante, o Fugee de quem ninguém se lembra.

O primeiro Fugee solo foi Wyclef e seu primeiro disco, The Carnival (1997), é um dos melhores discos dos anos 90 - e, se ele não está na sua lista, é porque você não o escutou. Existe uma regra não escrita segundo a qual é impossível escutar um disco de rap inteiro, pois a repetição das batidas nos expõe ao tédio. No caso de Wyclef, talvez seja difícil escutar este CD de uma só vez devido à longa duração (24 faixas, entre canções e vinhetas), mas ninguém há de reclamar de falta de boas idéias.

Wyclef juntou um catálogo de referências pop de fazer inveja a um filme de Tarantino. São tantas as citações que a gente não resiste a olhar no encarte de onde vem aquele som que parece tão familiar, mas cujo nome não vem è memória. E seus colegas Lauryn e Praz estão lá, em ótimas participações.

Uma das primeiras faixas é uma apropriação de mais um hit universal, a cubana "Guantanamera", que ficou limitada ao refrão e a um pequeno trecho, cantado por sua mais célebre intérprete, Celia Cruz - e não é sample! O resto é preenchido pelos raps de Wyclef e seus convidados. Mais à frente, "Bubblegoose", com seu clima de cantiga infantil, emenda-se a um trecho bregão para desaguar na vigorosa "To All The Girls", na qual Wyclef pede desculpas às garotas que já enrolou. O peso do baixo e da bateria de "Sunshine", do Earth, Wind & Fire, são multiplicados por dez.

"Anything Can Happen", com seu zumbido insistente, é uma das melhores faixas e vem seguida de um hit do álbum, "Gone Till November", com um arranjo de cordas original de derreter o coração. Uma das mais surpreendentes faixas é quase toda cantada em dialeto creole haitiano, "Sang Fezi". O sample é de "House Of The Rising Sun", aquela cama de teclados hipnótica, até a entrada de Lauryn Hill, que quase nos faz chorar com sua maravilhosa intervenção, no refrão.

Os Bee Gees também aparecem, sampleados em "We Tryin' To Stay Alive" (não precisa dizer qual é a música original, né?). Duas canções acústicas dão um toque diferente: "Gunpowder", em inglês, e "Yelé", em francês "acreolado". O grand finale vem com "Carnival", um troço muito esquisito e muito bacana, mistura de baladão, música mariachi, carnaval de New Orleans e sei lá mais o que!

Tudo isso entremeado por vinhetas nas quais Wyclef sacaneia a pose gangsta, sendo especialmente engraçadas aquelas em que um suposto advogado haitiano, cheio de sotaque, tenta defender Wyclef das acusações de ser um incitador da desordem.

Ele continou produzindo, mas não repetiu a inventividade ou o sucesso alcançados com este CD fenomenal, uma prova cabal de que o uso de samples (mera cópia, segundo alguns) não precisa ser sempre apenas um disfarce para a falta de criatividade - esta, Wyclef tem de sobra.

24/08/2006

Os Novos Vingadores

Os Novos Vingadores

Já que eu deixei atrasar as resenhas da revista dos Vingadores, vou fazer a coisa diferente. Vou fazer um post de revisão para cada título que compõe a revista. Um review do número 25 ao 29 da revista, um post para cada título do mix.

Começamos então com eles, os Novos Vingadores.

The New Avengers 1

Um misterioso personagem organiza uma fuga em massa de super-criminosos da prisão de segurança máxima conhecida como “A Balsa”. Para tanto, contrata os serviços do bandidão Electro. No momento do motim, Matt Murdock, Luke Cage e Foggy Nelson estavam na prisão – escoltados pela agente da SHIELD Jessica Drew, a Mulher-Aranha – pois pretendiam visitar o ex-herói Sentinela, preso por matar a própria esposa. Devido à contingência, Murdock, Jessica e Cage formam a primeira linha de resistência. Na verdade, eles lutam pela própria vida quando são atacados pelo Carnificina.

Logo chega ao local uma equipe da SHIELD liderada pelo Capitão América. O Homem de Ferro e o Homem-Aranha também aparecem, e o cabeça de teia acaba tomando um pau. Mas toma um cacete mesmo! Quando o Capitão consegue salvá-lo dos bandidos ele tá todo arrebentado e com um braço quebrado. Os heróis passam um sufoco pra tentar conter a rebelião, e pedem ajuda para o Sentinela.

No final, 42 super-criminosos conseguem fugir. Os heróis conseguem manter apenas 45 na prisão. Mas foi uma batalha extraordinária, o que motiva o Capitão América e o Homem de Ferro a reorganizar os Vingadores. O Capita sai recrutando os novos membros: Luke Cage, o Homem-Aranha e a Mulher-Aranha (gostosíssima!) aceitam o convite. O Demolidor recusa.


The New Avengers 4

A primeira missão do grupo é investigar o responsável pela rebelião na Balsa. As pistas levam os Novos Vingadores à Terra Selvagem onde pretendem encontrar Karl Lykos, o Sauron. Mas antes de achar Lykos, os Vingadores são achados por um certo baixinho canadense... A cena que resulta desse encontro é polêmica, pois a Mulher-Aranha dá um pau no Wolverine!

Com a ajuda do carcaju, os Vingadores enfrentam Sauron e um monte de metamorfos. Mas eles perceberão que este é o menor dos problemas quando uma equipe da SHIELD, liderada pela Viúva Negra, ataca os Vingadores para matar. A trama começa a ficar complexa, mas não perde o ritmo.

Os Novos Vingadores 29

Brian Michael Bendis dá um ritmo empolgante à história e David Finch é fantástico. Eles continuam o bom trabalho realizado em “Vingadores: A Queda”. Na verdade, eles se superam. Novos Vingadores é ainda melhor que A Queda. Eu confesso que achei a idéia de reunir Wolverine, Capitão América e Homem Aranha na mesma equipe era absurda. Mas deu certo, ao menos por enquanto. Excelente leitura. Nota 9.

Os Novos Vingadores 25 a 29
(R$ 6,90 – fevereiro a junho de 2006)
Arco: Motim – Partes 1 a 5
Roteiro: Brian Michael Bendis
Desenhos: David Finch
Arte Final: Danny Miki
Cores: Fark D’Armata

22/08/2006

Os "anos perdidos" do R.E.M.


Com a assinatura de um vultoso contrato com a Warner em 1989, o R.E.M. ganhou uma projeção mundial até então nunca sonhada. Não apenas pelos motivos mais óbvios (mais grana pra produção, distribuição mundial), mas, sim, porque a banda acabou descobrindo que fazer pop não é pecado (apesar de esse povo undeground fingir que sim) e nem desculpa para renegar o passado ou baixar o nível, entrando numa curva ascendente de inspiração que rendeu dois dos discos mais importantes dos anos 90: o estouradíssimo Out Of Time (1991), de onde saiu "Losing My Religion"; e Automatic For The People (1992), um dos discos mais bonitos que existem e ponto final.


O que ninguém esperava era que a banda fosse trocar a suavidade desses dois discos pela aspereza e microfonia já no álbum seguinte, Monster (1994), em que o tino pop continua praticamente intacto, só que coberto com arranjos que mais parecem coisa do Jesus & Mary Chain ou do Sonic Youth (não por acaso, Thurston Moore, do SY, participa do disco). Embora dê pra identificar a banda mais querida dos indies americanos em canções como "Star 69" e "What's The Freqency, Kenneth?", é em coisas esquisitas e interessantes como "King Of Comedy", "Crush With Eyeliner" e "Tongue" que está a força do disco. "You" é homenagem a Kurt Cobain e é preciso apurar o ouvido para distinguir a melodia, em meio à barulheira.

O disco encalhou bonitinho: quando o preço médio do CD original já estava acima de R$ 20, eu o vi em bancas, às moscas, por R$ 5. Em pouco tempo, deixou de ter uma edição nacional.

A turnê de Monster também foi problemática: o baterista Bill Berry sentiu-se mal e acabou descobrindo um aneurisma, o que o afastou da banda. Pelo menos, as pausas da turnê americana serviram para fazer os registros do que viria a ser o próximo disco da banda: New Adventures In Hi-Fi (1996), mais uma coleção de canções inspiradas, entre as quais se destacam a obra-prima "E-Bow The Letter" (com arrepiante participação da musa punk Patti Smith) e a ensolarada "Electrolite". Completam o disco gemas do quilate de "How The West Was Won...", "Leave", "Bittersweet Me" e "Be Mine". Nenhuma delas impediu o grupo de novamente amargar baixas vendas.

Corta para mais dois anos à frente. Up (1998), o primeiro álbum do R.E.M. sem Bill Berry, é um disco quase todo eletrônico, no qual sobressaem a beleza de dois semi-hits: "At My Most Beautiful" e "Daysleeper". Outras canções razoáveis, como "Hope" e "Walk Unafraid", completam um ponto "baixo" na carreira da banda (ainda que esse baixo esteja alguns degraus acima de muitos pontos "altos" que a gente vê por aí).

Fecha-se, assim, um ciclo estranho, de muita criatividade, paradoxal frente à pouca repercussão comercial destes três discos, tão diferentes entre si e de tudo que a banda já havia feito antes. Depois de uma hibernação de três anos, a banda ressurgiria para o mercado com Reveal (2001), puxado pelo estouro de "Imitation Of Life". Mas, em seus "anos perdidos", o R.E.M. explorou mares poucos navegados com desenvoltura ímpar e isto fez toda a diferença para a carreira da banda, que jamais abriu mão da personalidade em troca de sucesso fácil. Uma lição e tanto.

21/08/2006

Contagem Regressiva Para Crise Infinita 1

Começou! Como disse o chefão Dan Didio, este é um ótimo momento para se começar a ler (e gostar dos) quadrinhos da DC. O nível das tramas está excelente, seja nesta minissérie ou nas revistas mensais! A segunda edição já deve aportar nas bancas até a próxima semana e deixar as revistas devidamente alinhadas. Vamos à bagaça:

Projeto OMAC
Roteiro: Greg Rucka - Arte: Jesus SaizCentrada em Sasha Bordeaux, a ex-guarda-costas de Bruce Wayne que foi cooptada pelo Xeque-Mate, esta trama começa logo após do assassinato do Besouro Azul por Maxwell Lord, no especial de mesmo nome que esta minissérie. A constatação da demência de Lord faz a lealdade de Sasha balançar e ela manda um sinistro aviso ao Batman, que já havia descoberto a rede de espionagem de Max, mas, não consegue infiltrá-la. Muitos problemas à vista, na melhor das quatro histórias desta primeira edição. Nota 9,5.

Dia de Vingança
Roteiro: Bill Willingham - Arte: Justiniano
A menos interessante (pelo menos, até aqui) das séries que precedem a Crise Infinita fala da aliança entre o Espectro, agora vagando sem um hospedeiro humano que lhe confira algum senso de moral, e o demônio Eclipso, que encontrou a hospedeira perfeita em Jean Loring. O plano é executar as criaturas mágicas do planeta, o que inclui desde o Demônio Azul até o Homem-Animal. No bar Oblívio, é formada uma frágil sociedade para tentar deter o poderoso demônio e o agente da fúria de Deus. Meia-boca e só, mas deve melhorar, com a intervenção do Capitão Marvel. Nota 6,0.

Vilões Unidos
Roteiro: Gail Simone - Arte: Dale Eaglesham
Enquanto a sociedade de vilões formada por Lex Luthor cresce em número e poder, um pequeno grupo de insatisfeitos se reúne para mostrar que não será tão fácil controlar o submundo. A lista de "losers" inclui gente de respeito, como o Pistoleiro, e um bando de zé-manés, tipo um parademônio de Apocalypse e o Homem-Gato. Mas, espera aí: o Homem-Gato não era aquele barrigudo detonado pelo Arqueiro Verde há algum tempo? Como o cara pode ter se tranformado em um imponente senhor das feras? E quem é a misteriosa figura que recrutou esse grupo? Boa trama de Gail Simone, para uma das séries que prometem as maiores surpresas. Nota 8,5.

Guerra Rann-Thanagar
Roteiro: Dave Gibbons - Arte: Ivan Reis
Ao fim da minissérie de Adam Strange, concluída há poucos meses, a thanagariana renegada Valkyr envia o planeta Rann para a órbita de seu mundo natal, esperando que o gesto fosse considerado um ato de guerra. Mas, deu tudo errado: a chegada de Rann tirou Thanagar de sua órbita e o planeta foi consumido pela sua estrela. Os sobreviventes da tragédia agora estão todos em Rann, e o clima de desconfiança entre as raças é fomentado por grupos fanáticos (soa familiar?). Adam Strange (ranniano de coração) busca a ajuda dos Gaviões da SJA, mas, quando chegam, o caos já se instalou. Um clima de fim de mundo, que deve trazer graves conseqüências à ordem cósmica. Vale ressaltar a coragem da DC em dizimar mais um mundo que era parte de seu folclore (há alguns anos, eles também destruíram Tamaran, o mundo da titã Estelar). Nota 9,0.

Contagem Regressiva Para Crise Infinita 1
(Julho 2006) - Panini - 100 páginas em LWC - R$ 8,90.

Batman 45


Encontro de Família
Roteiro: Judd Winick - Arte: Doug Mahnke
Que Batman já sabe que apagaram sua memória em Crise de Identidade, isto é certo. Mas, como se fosse pouco, ele ainda tem que lidar com mais um fato estarrecedor: o novo Capuz Vermelho é Jason Todd, o Robin que morreu pelas mãos do Coringa! Magia? Clonagem? Como é possível? Pra tirar a dúvida, ele procurou por mestres da magia (Zatanna, Jason Blood) e "ex-mortos" (na edição anterior, o Arqueiro Verde e, agora, o Superman). O fato é que Bruce e Jason estão cara a cara e a já dura vida do Morcego vai ficar bem pior. O criticado Judd Winick encontrou seu tom para o universo do Batman, fazendo boa ligação com a Contagem, enquanto Doug Mahnke é "o cara" de sempre. Nota 9,0.

Natureza Humana
Roteiro: A. J. Lieberman - Arte: Al Barrionuevo
Bruce Wayne curou a Hera Venenosa de sua condição botânica. No entanto, a culpa pela morte de seus ex-protegidos e a perseguição que sofre a levam para as mãos de Silêncio, que pensa em restaurá-la. Será que vai dar certo? Interessante ver o triângulo semi-amoroso formado por Batman, Hera e Silêncio, nesta história razoável de Lieberman (que foi bem mais feliz no arco da volta do ex-amigo de Bruce, há pouco mais de um ano), com bons desenhos de Barrionuevo. Nota 7,0.

Cidade do Crime
Roteiro e Arte: David Lapham
Em busca da verdade sobre a Corporação, que elimina e substitui pessoas por cópias aparentemente mágicas, Batman infiltrou-se num sindicato de construção civil para ganhar a confiança e flagrar a ação de um de seus braços fortes, o brutamontes Raffi. Enquanto isso, Robin vigia o Ventríloquo e Scarface, além do policial Frank Ivers. Juro por Deus: até agora, não entendi lhufas do que essa história pretende! Sem contar que ela é daquelas que têm nove (NOVE!) partes, quando podia ser contada em quatro ou cinco, com o agravante de ser anterior aos Jogos de Guerra. Lapham quer ser noir, mas só consegue ser chato. Nota 5,0.

Batman 45
(Agosto 2006) - Panini - 100 páginas - R$ 6,90.

Superman 45


Quando a revista do Superman mostra-se um dos melhores lançamentos do mês, é porque a coisa está mesmo ficando boa! O nível subiu assombrosamente e não apenas por causa da genial Lex Luthor - Homem de Aço! Os títulos normais do Azulão estão dando o maior caldo!

Superman
Roteiro: Mark Verheiden - Arte: Ed Benes
O semi-catatônico vilão Blackrock encontra um "discípulo" (leia para descobrir como estas aspas são necessárias) para substituí-lo e o Homem de Aço surge para confrontá-lo. Porém, abalado pelas cada vez mais freqüentes insinuações de que seria mais um problema do que uma solução, Superman fica descuidado no uso de seus poderes e vê a opinião pública cada vez mais contrária. Os eventos pré-Crise Infinita atingem em cheio os maiores heróis da DC. Depois de uma estréia morna, Verheiden mostra serviço. Benes também caprichou um pouco mais, mas a falta de expressão facial de seus personagens ainda é um problema. Nota 8,5.

Adventures Of Superman
Roteiro: Greg Rucka - Arte: Karl Kerschl
Preso desde que foi desmascarado como o vilão Ruína, Pete Ross tenta provar a Clark Kent que ainda é seu amigo e não teve culpa no que aconteceu. Um blackout provoca a fuga dos novos Parasitas e Superman precisa intervir, mas, mais uma vez, o misterioso OMAC aparece para atrapalhar. É interessante ver o maior dos heróis ser um dos mais desestabilizados pelas ações do Xeque-Mate. Rucka manda muito bem e Kerschl é bom de lápis. Nota 9,0.

Lex Luthor - Homem de Aço
Roteiro: Brian Azzarello - Arte: Lee Bermejo
Apesar das empolgantes interligações com a Crise, isto aqui, sim, é o filé da revista! Em busca de uma solução para seu problema com o Superman, Luthor vai atrás do mais improvável dos aliados: Bruce Wayne! Em troca de ajuda científica, ele oferece o mais perigoso dos presentes: um pedaço de kryptonita. Se a briga com o Superman é uma farsa ou não, ainda não sabemos, mas, mesmo sem um diálogo sequer, é um dos melhores pegas vistos entre os dois. Um show de Azzarello que nos faz esquecer a pieguice de "Pelo Amanhã" e arte sensacional de Bermejo, que nos faz ver cada costura dos uniformes dos heróis, provavelmente as mais particulares versões vistas atualmente. Nota 10.

Superman 45
(Agosto 2006) - Panini - 100 páginas - R$ 6,90

18/08/2006

Sade - Lovers Rock


Eu já tinha falado isso em um antigo blog: Sade é diva de verdade. Os anos passam e ela vai ficando cada vez mais bonita, mais sensual e cantando cada vez melhor. Não dá pra dizer como ela está agora, pois, quando some, a mulher some pra valer. Já se passaram cinco anos desde o lançamento de Lovers Rock e ela não dá pistas de estar com pressa de voltar.

A música de Sade é freqüentemente chamada de "música de motel". Isto porque ela cria aquele climão, que vai do romântico ao tórrido num segundo. Tudo isto "sin perder la ternura jamás" ou apelar para baixarias fora de hora. Em sua boca, até dizer que "ele faz gostoso" (em "Smooth Operator", de sua estréia em 1985) fica bonito. Sua perspectiva do amor é bastante adulta e seu séquito de fãs é incrivelmente fiel. Na dúvida, assista ao maravilhoso DVD Lovers Live, derivado da turnê deste disco.

A primeira faixa, "By Your Side" foi escolhida como primeiro single. Uma beleza de hino à amizade incondicional, aquela que anda ali, na fronteira com o amor romântico, perfeita pra dançar juntinho e falar ao ouvido. Outro destaque foi "King Of Sorrow", mais sombria do que de costume, em que ela fala das dores do amor desfeito com brigas.

Há ainda a seriedade e ritmo marcial de "Slave Song", a esperança de "Somebody Already Broke My Heart", a doçura gostosa de "All About Our Love", a auto-explicativa "It's Only Love That Gets You Through" e a faixa-título, que justifica a apropriação da derivação romântica do reggae no título pra falar do amor como salvação.

Verdade seja dita: a beleza de Sade não adiantaria nada se ela não estivesse amparada por uma banda espetacular, que já lançou até disco sem ela, sob a alcunha de Sweetback: o guitarrista e saxofonista Stuart Matthewman, o tecladista Andrew Hale e o baixista Paul Denman, além do excepcional vocalista Leroy Osbourne, com quem ela divide as lindas harmonias vocais.

Aí, então, ficamos nós aqui, à espera de mais um tostão do talento desta mulher, que sempre capricha tanto para saciar a sede de seus fãs, gente ávida por um instante de sossego em meio à cacofonia das rádios e um pouco de amor de verdade neste mundo de emoções descartáveis.

Faixas:
By Your Side / Flow / King Of Sorrow / Somebody Already Broke My Heart / All About Our Love / Slave Song / The Sweetest Gift / Every Word / Immigrant / Lovers Rock / It's Only Love That Gets You Through

16/08/2006

Novos Titãs 25

Novos Titãs
Roteiro: Geoff Johns - Arte: Matthew Clark
Graças a Ares, Cassie Sandsmark - a Moça-Maravilha - saltou da condição de coadjuvante chorona para a de titã mais fodona do pedaço! É incrível o que a garota faz nesta empolgante história, na qual os motivos por trás de fatos importantes (como a morte de Donna Troy) são explicados. Titãs e Renegados apanham dos traidores Superboy e Índigo, além de Lex Luthor, Brainiac e um monte de Supermen robôs, mas, Cassie descobre que somente entregando-se à fúria será capaz de ajudar Conner e seus amigos. Geoff Johns só deu uma mancada: o coitado do Cyborg, desmontado pelo Superboy na edição anterior, não é sequer mencionado aqui. Matthew Clark, eu já disse, é bem melhor do que Mike McKonne. Nota 10.

Renegados
Roteiro: Judd Winick - Arte: Carlos D'Anda
Nesta história, continuação da primeira, mais uma mulher é quem salva a pátria: Estelar, que tem uma atuação decisiva, numa cena que poderia ter sido melhor explorada, caso tivéssemos um desenhista melhor do que este pavoroso D'Anda, que simplesmente "esqueceu" que Robin estava de braço quebrado e o coloca feliz e saltitante, apoiado justamente no braço que quebrou! Bola fora! Índigo tem um momento final de lucidez e a solução encontrada por ela e Metamorfo para suplantar a programação de Brainiac 8 é, no mínimo, inusitada e comovente. Só não leva 10 por causa do estrume no comando do lápis. Nota 9,0.

Robin
Roteiro: Bill Willingham - Arte: Giuseppe Camuncoli
A única coisa relevante desta história é a participação do novo tutor de Tim, o tio Edward, um sujeito que é um verdadeiro pé no saco. A macabra ressurreição de Darla Aquista promovida por Johnny Bruxo só deve render nas próximas edições. Esta história ainda está meio fora de sintonia com os eventos pré-Crise Infinita e a única menção a ela é feita pelo Robin, de que alguém está libertando criminoso praticamente logo depois de eles serem postos na cadeia. Bill Willingham deve ser melhor que isso. Já Giuseppe Camuncoli é comum demais pra se comentar. Nota 6,0.

Aves de Rapina
Roteiro: Gail Simone - Arte: Joe Bennett
Para garantir a vida do Pantera e de um policial, Canário Negro arrisca-se em combate com o Coelho, mas Ted, que não é burro nem nada, tem que dar uma de machão, né? Helena Bertinelli (a Caçadora) dá um passo decisivo em sua entrada para a máfia, mas precisa tomar cuidado. Já Oráculo, sobrecarregada, dá sinais de que está perto de um colapso, justamente quando o projeto OMAC vai voltar sua atenção a ela (na próxima história). Roteiro divertido de Simone, como sempre, e as habituais gostosas do brasileiro Bennett. Nota 7,5.

Novos Titãs 25
(Julho 2006) - Panini - 100 páginas - R$ 6,90

Marvel Millennium 55


É sempre bom quando temos algo diferente na capa desta revista, ao invés daquelas coisas estáticas e sem graça que Mark Bagley desenha. As capas do Aranha praticamente não têm distinção entre si! Mas, vá lá, o cara é o dono da revista - que, de novo, não tem Supremos! Shit!

Homem-Aranha
Roteiro: Brian Michael Bendis - Arte: Mark Bagley
Olha só que legal: a primeira história da revista não é uma história do Homem-Aranha, mas, sim, da Mary Jane! Depois de toda a confusão com Harry Osborn, ela tenta colocar a cabeça no lugar. Afinal, seu lugar é mesmo longe de Peter? Será que é melhor perder o amor da sua vida pra continuar em segurança? E esse carinha bonitinho que apareceu? Bendis constrói adolescentes de verdade, não adultos em embalagem menor, talento raro. Bagley está na sua média: nem bom, nem ruim demais. Nota 8,5. Na segunda história, o mesmo momento é mostrado do lado de Peter, que conhece o Cavaleiro da Lua. Já Wilson Fisk terá problemas com a volta dos Executores, que estão tentando tomar seu território. Boa primeira parte de um arco que deve ser barulhento! Nota 8,5.

Quarteto Fantástico
Roteiro: Warren Ellis - Arte: Jae Lee
Não bastasse a história ser sensacional e abrir caminho para o encontro do Reed Richards millennium com sua versão "tradicional", na próxima edição, ela conta com a arte soberbamente criativa de Jae Lee. É incrível o que o cara consegue com técnicas de sombreamento: os personagens mal aparecem, mas nada é gratuito. Em um cenário de pesadelo, seus contornos dão a exata noção da falta de luz que acometeu o Edifício Baxter depois do ataque da invejosa Rhona, que perdeu sua vaga entre os gênios do prédio justamente para Reed Richards e pretende vendê-los para Destino! Esta série fica melhor a cada novo arco. Nota 9,5.

X-Men
Roteiro: Brian K. Vaughn - Arte: Stuart Immonen
Lady Letal está, aparentemente, atrás de Tempestade, mas, pode haver bem mais por trás de seu surgimento, pois antigos inimigos de Wolverine estão de volta à ativa. História bacana, apesar de muito puxada pro jeitão do universo Marvel "normal". Mês que vem, Magneto! Nota 7,0.


Marvel Millennium 55 (Julho 2006) - Panini - 100 páginas - R$ 6,90

11/08/2006

O fim da "música de ver"

Lá vou eu, mais uma vez, soar como um velho saudosista, mas, é impossível não lamentar por certos males da modernidade.

Você já viu música? "Sim", você responderá, pensando que estou falando dos videoclipes, que, graças a Deus, continuam existindo, cada vez melhor produzidos.


Mas, pense: nestes tempos de downloads grátis (ainda que ilegais) pela net, de mp3 enfiados em HDs ou aparelhinhos cada vez menores, quantas pessoas conhecem as capas do discos que carregam na memória do seu iPod?

Grita alguém do meu lado: "você pode baixar a capa pro player!" e "o Windows Media Player mostra a capa no cantinho!". Ah, então, eu devo ficar satisfeito com uma imagem menor que uma caixa de fósforos?

Francamente, é em horas assim que bate uma baita nostalgia. No tempo dos LPs, tínhamos verdadeiros quadros embalando o produto principal e as ilustrações enchiam os olhos de quem comprava. Eram trabalhos até hoje venerados, alguns assinados por artistas de renome mundial. Se a capa era dupla, então, tínhamos uma bela imagem em widescreen na nossa estante.


Aí, chegou o CD e já tirou um pouco da graça do negócio, enfiando a arte em um livreto com apenas 1/4 da área de uma capa de LP. Menos mal quando ele tem muitas páginas ou é dobrável, o que possibilita variações legais. No entanto, a transposição da arte de um LP para CD, por vezes, obriga a mutilações grosseiras.


O primeiro grande estrago feito na arte visual como parceira da música foi feito pela pirataria - e eu ainda nem estou falando da conversão para mp3 e outros padrões. A popularização do CD pirata levou as pessoas a importar-se cada vez menos com a capa: "o que eu quero é a música!".

Ah, eu não. Eu gosto de ver as ilustrações, de ler as letras, de ver quem tocou, quem fez os backings, quem produziu. Eu curto o produto disco, entende? É bonito de se ver, de se ganhar, de se presentear. Já uma coleção de CDs piratas parece um trambolho na estante, um problema pelo qual as pessoas estão sempre se justificando: "só tenho pirata porque é baratinho".


Chegamos, então, ao virtual fim das capas de disco. Não que elas estejam deixando de ser produzidas, mas, pense comigo: o CD já caminha pra extinção, atropelado por um mercado devastado pela pirataria sem freios e pelas facilidades oferecidas pela digitalização da música.


Se há uma mídia substituta do CD a ser lançada nos próximos anos, espero que saibam onde é que o bicho pega: não se pode lançar um produto novo, depois lançar a unidade gravável e, por fim, lançar o gravador da tal mídia - e, depois, dizer-se surpreso e indignado com a pirataria. Os casos do CD e DVD deveriam ter gerado lições.

Pois é, amigos. Espero não ver o dia em que a música deixe de ter um "rosto" que não seja o do próprio artista. As capas, por vezes, superam em popularidade o próprio produto que embalam. Disco ruim com capa bonita? Não tenha dúvida: CD no lixo, capa na moldura!

Carrossel, o novo do Skank

Carrossel, o novo do Skank

Na comunidade da Bizz no Orkut, qualquer tópico referente ao Skank é motivo para uma penca de "especialistas" em música destilar fel, cobrando da banda coisas absurdas, como a tal da "originalidade". Tudo bem em não gostar. Agora, contestar sua relevância e não perceber que a guinada para o britpop, muito mais do que representar uma mudança de público-alvo, serviu para salvar a carreira dos mineiros da estagnação que já se aproximava, após o estouro de "Garota Nacional", aí já é burrice pura e simples.

A semente plantada em 1998 com "Resposta" (melodiosa exceção em meio ao tá-tum-tum pelo qual a banda ainda se orientava em Siderado) deu belos frutos em Maquinarama (2000), quando a banda radicalizou na eletrônica e na influência melódica dos Beatles e legou ao sofrido pop brasileiro gemas do quilate de "Balada do Amor Inabalável" e "Ali". Cosmotron, três anos mais tarde, veio sacramentar o Skank como uma das poucas bandas brasileiras que sabem surpreender sem aborrecer e estabeleceu a nova identidade "inglesa" dos mineiros.

E aí está o Skank, novamente na capa da Bizz (que, segundo consta no Orkut, voltou ao papel melhor e à lombada quadrada), para o lançamento de Carrossel, seu sétimo disco de estúdio. No site oficial da banda, você pode conferir o primeiro single, "Uma Canção É Para Isso", mais um belo e iluminado momento de pop perfeito, com direito aos "tchu-ru-rus" que a gente adora fazer enquanto marca a batida com os pés, uma verdadeira surra no lombo desse povo sem talento das bandas de emocore e um alívio em meio à lama de breguice e vulgaridade na qual nossa cultura pop anda atolada.

09/08/2006

Superman & Batman 13

Superman & Batman
Roteiro: Jeph Loeb - Arte: Ed McGuinness
Taí mais uma história que poderia ter metade da duração. Jeph Loeb até que sabe encher lingüiça com cenas de forte apelo, mas nem isso, nem a paródia dos Supremos criada por ele salva a história de ser apenas mediana. Pena que ele alterne momentos sombrios (como Poder Absoluto, em SB 5 a 9) com bobagens pop-art como essa, ainda que esteja ligada aos eventos que precedem a Crise Infinita. McGuinness continua sendo um mangazeiro safado, mas o cara não deixa a peteca cair nas cenas de ação. Mas, interessantes mesmo são as aparições do Superman soviético de Mark Millar e do Batman do Futuro! Nota 7,5.

Mulher-Maravilha
Roteiro: Greg Rucka - Arte: Rags Morales
O Demolidor veio pra DC e ninguém disse nada! Como eu já havia me queixado nas últimas Rapidinhas, a cegueira de Diana não representou qualquer mudança verdadeira na sua vida. Tem horas que a gente nem lembra que ela, supostamente, está cega, tamanha a sua desenvoltura em qualquer situação. Felizmente, isso não chega a estragar a história, mostrando sua descida ao Tártaro para resgatar Hermes, na companhia da Moça-Maravilha (que descobre - ainda que pela metade - algo muito importante) e do boi Ferdinand, que quer a ajuda do deus cativo pra ser todo homem e ganhar o coração da Dra. Leslie Anderson. OK, mas, você acha que Hades vai simplesmente abrir as portas e dizer "chega mais"? Rags Morales manda bem, apesar dos rostos assumirem feições estranhas, vez por outra. Nota 8,5.

Arqueiro Verde
Roteiro: Judd Winick - Arte: Tom Fowler e Tommy Castillo
Juntos, arqueiros e Renegados tentam salvar Roy das mãos do Charada e de Constantine Drakon (que, em outra bela forçação de barra, pega uma saraivada de flechas como o Neo, de Matrix, pára balas no ar). A história não é ruim, mas os desenhistas não ajudam, caracetrizando o Charada como um Coringa cover, excessivamente magro, quando ele até vangloriou-se, na revista do Batman, de ter pago uma nota pela nova aparência, o que deve incluir, pelo menos, uns "muscuzinhos". E Winick parece ter esquecido que Connor Hawke, o Arqueiro Jr, já derrotou Shiva e o faz apanhar vergonhosamente de Drakon. O final traz o Tijolo de volta, associado a alguém que está louco pra ajustar contas com Ollie. Nota 7,0.

O Retorno de Donna Troy
Roteiro: Phil Jimenez - Arte: José Luis Garcia Lopez
De verdade, eu acho a Donna uma heroína muito legal. Nos Titãs, ela jamais hesitava em chamar pra si a responsabilidade nos quebra-paus. Por outro lado, a vida pessoal dela é um saaaaco, um melodrama sem tamanho, prato cheio pra um cara chegado em melodrama como Jimenez. Aí, fica aquela lenga-lenga de "ai, quem sou eu?", que já foi trabalhada com a própria Donna uma dezena de outras vezes. E é tudo muito confuso! O que dá pra entender é que, aparentemente, existe uma arma altamente letal escondida em um remoto planeta e disputada por Rann e Thanagar, numa clara ligação com a guerra entre os dois planetas, que começou há pouco. Como só buchas de canhão estão morrendo, Donna decide descer de Nova Cronos, onde leva vida de deusa, e ajudar a parar o conflito. Isso tem que melhorar muito ainda pra justificar a volta de mais uma falecida! Nota 6,0.


Superman & Batman 13 (Julho 2006) - Panini - 100 páginas - R$ 6,90.

07/08/2006

Rapidinhas

Rapidinhas

Se você esperou sair Pesadelo Supremo 3 em papel LWC, se deu bem. A revista realmente aportou nas bancas com o papel correto, mostrando que a Panini, beeem de vez em quando, lembra que precisa respeitar seus leitores. Quem comprou a bagaça em Pisa Brite não tem encontrado problemas pra fazer a troca nas bancas. Meu pavor por ter pulado esta edição e comprado a 4 antes da 3 foi substituído por um bem-vindo alívio.

Modelo não precisa saber falar? Tudo bem que o trabalho das meninas é mostrar o corpinho de chassis de grilo e um monte de roupa esquisita por cima dele, mas, acho que elas deveriam tomar um curso de dicção pra não passar papelão na TV. Ontem, a ronaldette Raica de Oliveira me dava ímpetos de esbravejar "aarrgh, cale a boca!" toda vez que nos "presenteava" com um tostão de sua voz irritantemente anasalada e seu discurso cheio de "ahm... porque, sei lá... tipo assim... eu não gostei, você errou muito, mas vou dar nota 10!"

Greg Rucka pegou a Mulher-Maravilha e a transformou no Jatobá (o chato cego interpretado pelo chato Marcos Frota na chata América). Sério: se era pra cegueira não ter qualquer impacto na vida da personagem, pra que fazer isso com ela? Diana anda, corre, voa e luta por qualquer lugar sem precisar de um guia. OK, ela é uma guerreira criada pelos deuses, blá, blá, blá... Mas, por que não respeitar a inteligência do leitor? A qualidade das histórias continua alta (aguarde resenha de Superman & Batman 13 para os próximos dias), mas, este detalhe já incomoda mais do que deveria. Melhor devolver a visão da amazona de uma vez!

03/08/2006

Liga da Justiça 44

Liga da Justiça 44


A LJA de julho já chama atenção pela bela capa de Alex Ross - e, acredite, a de agosto é ainda mais bonita! Mas, como a capa diz pouco sobre a qualidade do conteúdo, posso garantir que a revista vale o gasto e apenas os anfitriões, infelizmente, estrelam um mau momento.

Lanterna Verde
Roteiro: Geoff Johns - Arte: Ethan Van Sciver e Carlos Pacheco
Nas primeiras páginas, Ethan Van Sciver ilustra uma breve história do recrutamento de Hal Jordan para a Tropa. Depois, Carlos Pacheco desenha a volta de Jordan ao primeiro time de heróis da DC, em meio a reencontro com familiares e velhos amigos da Ferris, enquanto surgem uma misteriosa ameaça vinda do espaço e um possível novo interesse amoroso para o Lanterna. Não é novidade que Geoff Johns é o melhor contador de histórias da DC, então, o negócio é ler a história com um sorriso nos lábios e esperar por mais ação no mês que vem. Nota 9,0.

Sociedade da Justiça
Roteiro: Geoff Johns - Arte: Don Kramer
Aguardando a decisão da SJA sobre sua volta ao grupo, Esmaga-Átomo é novamente convocado pelo Adão Negro para ajudar no Kahndaq. Enquanto isso, as entidades místicas estão na mira do Espectro, agora aliado a Eclipso (no corpo de Jean Loring). Nada de muito impactante acontece e maiores emoções devem começar na próxima edição. A arte de Kramer é correta e só. Nota 9,0.

Flash
Roteiro: Geoff Johns - Arte: Howard Porter
A Galeria de Vilões, dividida, começa a se enfrentar nesta edição e, claro, sobra para a sempre mal-tratada Keystone City. O Flash tarda a aparecer e apenas para descobrir que seus aliados podem ter más surpresas guardadas para ele. Os bandidos são os verdadeiros donos da história e o Flash, quase um coadjuvante. Mês que vem, um novo jogador entra em cena: o Pião, vítima de lavagem cerebral por Barry Allen, recentemente desfeita! Bons desenhos de Porter nas cenas de ação. Nota 9,0.

Liga da Justiça
Roteiro: Kurt Busiek - Arte: Ron Garney
Esta história vem se arrastando há seis edições, quando três seriam suficiente, quem sabe até demais. Pouca coisa que valha a pena aconteceu. Além da trama em si já não ser grande coisa, ainda temos os horrendos desenhos de Garney, que o pessoal do Universo HQ elogia com o aparentemente único intuito de irritar todo mundo que lê e percebe que é uma droga. No mês que vem, começa um arco que tem ligação direta com a polêmica atitude da Liga em Crise de Identidade e o clima deve esquentar! Nota 3,0.


Liga da Justiça 44 (Julho 2006) - Panini - 100 páginas - R$ 6,90

02/08/2006

Superman 44

Superman
Roteiro: Mark Verheiden - Arte: Ed Benes
Mark Verheiden (Smallville) aproveita o gancho deixado por Brian Azzarello ao fim de "Pelo Amanhã", quando o Superman mudou a Fortaleza da Solidão do Ártico para uma pirâmide inca na selva peruana. Disposta a esclarecer seu sumiço de três semanas e seguindo a trilha de traficantes, Lois Lane e Jimmy Olsen chegam ao local. Ao tentar evitar um atentado contra a gente local, o Superman enfrenta o misterioso OMAC, apresentado no especial Contagem Regressiva Para Crise Inifinita. A história de Verheiden é boa e nela o Superman é bem super, apesar de sofrer seus reveses. Já Ed Benes, embora sua arte seja um agradável misto de Jim Lee e Michael Turner (suavizando o que os dois costumam exagerar), desenha rostos ligeiramente inexpressivos, especialmente os femininos, que parecem todas modelos em eterna passarela. Nota 8,0.

Action Comics
Roteiro: Gail Simone - Arte: John Byrne
John Byrne volta ao Homem de Aço, agora apenas como desenhista para as tramas de Gail Simone (Aves de Rapina), trazendo nesta edição um melhorado (embora enlouquecido) Doutor Polaris, em mais uma interligação com os eventos da Crise Infinita. Enquanto o Superman corta um dobrado, Lois Lane denuncia um escândalo político que parece coisa de brasileiro. Boa diversão. O argumento de Simone é ágil e a arte de Byrne, competente, com aquele ar nostálgico pra quem acompanhou sua fase como criador, na década de 80. Nota 8,5.
Lex Luthor - Homem de Aço
Roteiro: Brian Azzarello - Arte: Lee Bermejo
Depois da lambança que foi "Pelo Amanhã", Brian Azzarello comprova seu potencial para o universo do Superman ao mudar de foco e centrar a história em seu arquiinimigo, Lex Luthor. Depois de passar meses vendo o Luthor "cientista louco" de Jeph Loeb em Superman & Batman, é bom voltar a vê-lo como um ser humano que tem uma motivação justa, embora desvirtuada, para não gostar do Superman: o Homem de Aço impediria a plena realização do potencial humano, tomando para si a solução dos problemas que levariam o homem a evoluir. História a arte sensacionais. Nota 9,0.

Superman 44 (Julho 2006) - Panini - 100 páginas - R$ 6,90