23/11/2006

Liga da Justiça 47

Liga da Justiça 47

Liga da Justiça (Johns, Heinberg/Batista)
Depois de ter devolvidas as lembranças apagadas pela LJA, a Sociedade Secreta de Supervilões ataca Lois Lane, colocando o Superman no centro da crise que afeta a equipe, o que pode fazer a história e os velhos erros do passado se repetirem. Na torre de vigilância, J’Onn J’Onzz enfrenta Despero sozinho. Geoff Johns e Allen Heinberg escrevem a melhor história da Liga em muitos meses, desenhada pelo apenas passável Chris Batista. Nota 9,0.

Sociedade da Justiça (Johns/Lopez)
Decidido a pagar pelos erros cometidos em Kahndaq, o Esmaga-Átomo decide se entregar à justiça, enquanto a SJA é atacada por OMACs. Muita ação e um tardio impacto da morte do Besouro Azul sobre a Poderosa. O roteiro de Johns certamente merecia um ilustrador melhor do que David Lopez, sem personalidade. No final, uma inesperada visita para Al Rothstein. Nota 9,0.

Flash (Johns/Porter)
Zoom e o Flash Reverso original atacam Wally sem piedade, forçando-o a encarar uma viagem pelo fluxo temporal que o leva repetidamente a um dos momentos mais trágicos da sua vida. A briga acaba tendo uma inesperada conseqüência, envolvendo o Capitão Bumerangue e trazendo de volta um herói, digamos, “relativamente” morto. A pancadaria é das boas, mas, tem coisa demais acontecendo por quadrinho. Nota 7,5.

Liga da Justiça 47 (Outubro 2006) – Panini – 100 páginas – R$ 6,90

Novos Titãs 28

Novos Titãs 28

Novos Titãs (Simone/Liefeld)
Rob Liefeld se sente perseguido, mas, quando menos esperamos, lá está seu nome, nos créditos de algo importante. “Importante” nem é adjetivo que se aplique a esta historinha de Gail Simone (Superman), cheia de nulidades como Rapina, Columba e Kestrel, mas, ela seria bem melhor se tivesse sido ilustrada por alguém com uma mínima noção de anatomia e que soubesse desenhar duas “expressões” diferentes. Liefeld abusa do direito de ser ruim. Nota 2,0.

Renegados (Winick/Clark)
Depois da traição de Índigo, os Renegados dão uma pausa, afogando as mágoas dos melhores jeitos possíveis: enchendo a cara e fazendo sexo. Ou, no caso de Arsenal e Jade, apagando os rastros da má fase e fazendo recrutamento. Boas cenas entre Tormenta e Grace (hm... tem um clima pintando aí, não tem?) e entre os “irmãos” Metamorfo e Morfo. Boa pausa, com bons desenhos de Matthew Clark. Nota 7,0.

Robin (Willingham/McDaniel)
Ou Willingham pegou mesmo o jeito, ou trocar o horroroso Damion Scott pelo correto Scott McDaniel fez toda a diferença. As histórias do Robin estão bem mais palatáveis do que há pouco tempo. Tim bola um plano para convencer a ressuscitada Darla Aquista, encarregada por Johnny Bruxo de matar o Robin, de que o Menino-Prodígio em atividade não é o mesmo que detonou a mão do vilão. Não que isso vá detê-la... Como uma Darth Vader com peitinhos, ela precisa lutar contra o “lado negro”. Que simpático. Nota 7,0.

Aves de Rapina (Simone/Bennett)
A tecnoinfecção de Oráculo mobiliza a nata heróica e científica do mundo, para surpresa de muitos que não sabem de quem se trata – por que tanta comoção pra salvar uma bibliotecária? Enquanto isso, a verdadeira luta se desenrola em sua mente. Em outro front, Canário Negro reúne um grupo de artistas marciais para enfrentar os guerreiros do Coelho. Pancadaria e uma surpresa ao final. Boa? Sei lá... Nota 6,5.

Novos Titãs 28 (Outubro 2006) – Panini – 100 páginas – R$ 6,90

21/11/2006

Marvel Millennium 58

Marvel Millennium 58

Seus safados da Panini, quando a Abril colocava páginas a mais em suas edições (muitas vezes, bem mais do que essas mirradas oito), ela não nos cobrava um centavo a mais do que o preço normal! Protesto feito, vamos em frente!

Homem-Aranha (Bendis/Bagley)
Todo mundo quer pegar o Cabeça-de-Martelo: a polícia, Wilson Fisk, a Gata Negra, Elektra, Punho de Ferro, Mestre do Kung Fu e, claro, o Aranha. A história resume-se, basicamente, ao que cada um faz pra saber onde ele está. É divertido, principalmente quando a gente vê Peter tentando fugir do charme de Felicia (que mané!). Ta numa média boa. Nota 7,0.

X-Men (Vaughan/Immonen)
Capítulo três de “Norte Magnético”. Polaris está presa no Triskelion e um pequeno grupo comandado pelo Destrutor (que inclui Estrela Polar, Míssil e Mancha Solar) parte para resgatá-la. Antes, porém, precisam passar por Ciclope e outros X-Men. Bons momentos vêm de fora do combate, como a cena entre Anjo e Cristal (com diálogos espertíssimos) e a “bandeira” dada por Colossus ao saber que Estrela Polar se aproxima. Nota 8,0.

Quarteto Fantástico (Millar/Land)
Greg Land era meu favorito para o próximo Troféu Catapop, mas, depois do episódio dos Supremos deste edição, estou em séria dúvida. O fato é que Land arregaça e a história de Millar é bem bacana. Reed Richards está preso numa terra devastada. O restante do Quarteto Fantástico enfrenta o Quarteto zumbi e parte para o resgate. O grand finale fica por conta de Magneto, um personagem que Millar obviamente adora – com razão. Nota 8,0.

Os Supremos 2 (Millar/Hitch)
Então, né... Como eu dizia, Land era meu favorito, mas, o que Bryan Hitch faz nesta edição é algo simplesmente histórico. Esqueça o tal “filme de 200 milhões de dólares”, pois a escala aqui é ainda maior! Millar nos revela o verdadeiro traidor dos Supremos, mas, não há tempo para respirar: o Triskelion é destruído e a América é tomada! UAU! Uma história de derrubar queixos, daquelas que nunca mais se esquece. Nota 10.

Marvel Millennium 58 (Outubro 2006) – Panini – 108 páginas – R$ 7,90

17/11/2006

A auto-sabotagem do U2

A auto-sabotagem do U2

Assistindo ao DVD da Zoo TV, fiquei lembrando do quanto aquela mudança de postura e imagem havia sido significativa para o U2, para seus fãs e para sua música. A banda dava adeus (por pura necessidade, entenda-se) ao estilo “paz e amor” que o consagrara nos anos anteriores e passava a pregar através de interessantes mensagens subliminares, com algum deboche e muita auto-paródia.

A radicalização do processo durante a posterior Pop Mart Tour (que veio ao Brasil em 1998), na qual o U2 assumia-se de vez como mero item de consumo, levou ao estranhamento por parte do público e a críticas que devem ter decepcionado a banda – ou, quem sabe, colocado seus pés de volta no chão.

O fato é que o grupo começou a ensaiar, já a partir do disco seguinte (All That You Can’t Leave Behind, de 2000), uma volta ao estilo messiânico do qual vinha fazendo troça pouco tempo antes. Mesmo que a bordo de grandes canções, como “Walk On”, e outras nem tanto, como “Peace On Earth”, a política explícita voltou a ser importante na música do U2, configurando uma espécie de esvaziamento suicida de suas idéias, uma autêntica auto-sabotagem.

Além de voltar a fazer palanque dos palcos em que subia, Bono meteu-se a discutir diretamente com autoridades mundiais problemas como o endividamento dos países do terceiro mundo, o combate à fome e à AIDS na África e outras causas mais ou menos nobres que estas. Justiça seja feita, o engajamento de Bono é louvável e pode inspirar muita gente a fazer o mesmo. A gente está mesmo vivendo um tempo sombrio e é preciso fazer alguma coisa, qualquer coisa, antes que a gente rache o planeta ao meio, com todo mundo nele.

Não seria o caso, porém, de Bono esperar ou decretar o fim de sua banda para depois salvar o mundo? Ou, pelo menos, separar sua carreira de suas atividades políticas? A súbita repolitização do U2 cheira – e muito – a uma manobra de carreira para reconquistar os fãs perdidos durante a eurotrip eletrônica que durou toda uma década.

O DVD da Vertigo Tour, de 2005, é o maior registro desse impasse: embora a música continue interessante e o espetáculo visual, impressionante, o tom de pregação religiosa é anacrônico. Aquela bandana usada por Bono, em que se lê “coexist” (juntando símbolos cristãos, judaicos e islâmicos), seria mais interessante se não precisasse ser explicada. O discurso que precede “One” é excessivamente longo e superficial, apesar da embalagem épica. O crucifixo no microfone ao final do show, então, é de fazer um padre corar e dizer “menos, Bono, menos...”

Talvez eles já estivessem cansados de tanto cinismo, de tanta ironia e de tentar ensinar com sutileza. Talvez a gente só reconheça os problemas se eles caírem pesada e estrondosamente em nosso colo. Só sei que sinto falta do U2 que não se levava tão a sério, que sabia rir de si mesmo, tinha sex-appeal e transformava seus shows em espelhos para reflexão do público, não em livros para doutrinação. A neo-caretice da banda é bastante suspeita e deslocada. Torçamos para que sua música siga firme e inspirada.

14/11/2006

O Grande Truque

O Grande Truque

Se um dia existir um gênero chamado “filme de mágico”, o novo de Christopher Nolan (Batman Begins) será considerado o Cidadão Kane do gênero, aquele cujos parâmetros de qualidade serão os ideais a serem atingidos pelos próximos. Estrelado por Batman e Wolverine... ops, quer dizer, por Christian Bale e Hugh Jackman, O Grande Truque é uma sucessão de surpresas e lances inesperados que não se via desde O Sexto Sentido, sete anos atrás.

No século XIX, dois jovens mágicos (Bale e Jackman, ótimos) trabalham juntos, até que uma fatalidade os torna inimigos. Sempre à procura de um número melhor do que o de seu concorrente, eles passam a sabotar um ao outro, com ódio e crueldade crescentes.

Quando O Professor (pseudônimo do personagem de Bale) cria um número de teletransporte que parece autêntico, O Grande Danton (Jackman) fica obcecado em descobrir seu segredo, numa busca que o leva à América, onde trabalha Nikolas Tesla (personagem real interpretado por David Bowie), criticado por suas idéias excêntricas para criação de energia barata. Tesla adverte Danton que a ciência nem sempre dá o resultado que se busca e que ele deveria destruir a máquina que encomendou antes mesmo de usá-la.

O filme é narrado a partir da leitura que um mágico faz do diário (roubado) do outro. Neles, encontra-se uma série de revelações que levam a gente a se perguntar, “como eu não saquei isso antes?” e querer assistir uma nova sessão logo em seguida. Enquanto cresce a rivalidade entre os dois ilusionistas, cresce a nossa curiosidade com o lance seguinte, a forma que um usará para superar o outro e até onde estão dispostos a ir em nome do orgulho.

O elenco brilhante ainda inclui Michael Caine e Scarlett Johansson. O filme é mais um item formidável no até agora impecável currículo do diretor Nolan, um homem que, como os personagens de seu filme, sabe contar histórias e enganar até aos mais atentos. Sim, o final é surpreedente, mas, não mais do que já foram as duas horas anteriores.

O filme do ano? Aposto que sim. Nota 10.


The Prestige (2006) – Direção: Christopher Nolan – Com Christian Bale, Hugh Jackman, Michael Caine, Scarlett Johansson e David Bowie.

Batman Anual 1

Batman Anual 1

Este especial não tem muita razão de ser. Afinal, já se passaram mais de seis meses desde o fim dos Jogos de Guerra. Mas, eis que Andersen Gabrych desenterrou conflitos e mistérios daquela saga, numa edição que tem, pelo menos, um grande alívio em seu conteúdo: ao que parece, nem tão cedo ouviremos falar novamente na Dra. Leslie Thompkins, uma coadjuvante que já foi legal um dia, mas, que, ultimamente, tinha se transformado numa tia reclamona e xarope, falando de si como médica como se estivesse no alto de um pedestal. Melhor ainda: ele nem precisou morrer pra sumir!

Tudo começa quando Bruce Wayne recebe uma gravação do programa do repórter Arthuro Rodriguez, antes um defensor do Morcego e hoje um crítico feroz de suas atividades, na qual ele dá detalhes sobre a vida e amorte de Stephanie Brown que só poderiam ter sido conseguidos por alguém que estivesse, como se diz por aí, no olho do furacão. O misterioso remetente parece saber quem é Bruce Wayne e o que aconteceu de verdade no dia da morte da jovem heroína.

Está em andamento, também, um plano ainda mais agressivo para destruir a imagem do Batman, que envolve um misterioso sobrevivente dos Jogos, chamado Aaron Black, além da polícia de Gotham, Arthuro Rodriguez e velhos conhecidos do Batman, como o Máscara Negra e o Coringa. O papel que cada um desempenha na trama não é bem claro no início e o Batman tem bastante trabalho para desfazer esse rolo.

Talvez dê pra culpar o stress emocional da situação, mas, o fato é que, assim como naquela longa saga, o Batman está caracterizado como um burraldo tão sem noção, que até mesmo Alfred tira sarro da sua fama de grande detetive. De vez em quando, ainda dá pra reconhecer a habilidade investigativa de sempre, mas, a trama é meio frouxa e os desenhos de Pete Woods vão na mesma linha. De bom mesmo, só as capas de Jock, reproduzidas ao fim da revista, mas, nem mesmo elas são tão boas assim. Nota 5,0.

Batman Anual 1
- Panini - 108 páginas - R$ 7,90.

Superman & Shazam – O Primeiro Trovão 1

Superman & Shazam – O Primeiro Trovão 1

Estamos na nascente Era de Prata e há relativamente poucos heróis em atividade. Artefatos arqueológicos russos estão sendo roubados de museus do mundo inteiro. O Superman tenta impedir um dos furtos, mas, acaba tendo que lutar contra uma criatura mágica. No segundo incidente, ele conhece o então novato Capitão Marvel.

O primeiro encontro entre dois dos heróis mais poderosos da DC ficou bem bacana, mérito da história leve e ágil de Judd Winick, que capricha na caracterização dos vilões Dr. Silvana e Lex Luthor e ainda oferece duas ameaças demoníacas aos heróis: Sabbac e Eclipso.

Joshua Middleton desenha legal. As capas que ele desenhou para títulos da Marvel me deixavam desconfiado, eu achava tudo muito estático e blasé, mas ele me surpreendeu. Seu traço tem muita personalidade, os cenários são caprichados e as expressões faciais, convincentes.

Destaque para a cena em que os heróis trocam impressões sobre seus poderes. A empolgação juvenil de Marvel e sua postura de fã do Superman dão um toque muito divertido à história e oferecem identificação instantânea para o leitor.

Porém, nem tudo é lindo e maravilhoso: o preço desta revista é um verdadeiro assalto. Eu só comprei porque sou um verme decenauta sem caráter.
Nota 8,5.

Superman & Shazam: O Primeiro Trovão 1 – Panini – 68 páginas em LWC – R$ 7,50.

Você sabe com quem está falando?

Você sabe com quem está falando?

São poucas as vezes em que este blog é usado para manifestar aspectos de nossas vidas pessoais. O pernambucano-quase-parisiense Kelnner, do Smells Like Shit, recebeu e repassou o desafio de uma auto-análise, uma espéce de momento confessional, listando seis defeitos e/ou pecados pouco conhecidos pela maioria das pessoas à sua volta e que lêem o blog. Tá aceito, então. Chang, se quiser tentar, a casa também é sua.

1 - Eu sei que isso há de magoar algumas pessoas, mas, eu simplesmente deleto da minha caixa postal 99,9% das correntes, piadas, histórias edificantes, mensagens fofinhas em PowerPoint e avisos de pessoas desaparecidas e/ou doentes e/ou mutiladas que recebo, sem sequer me dar ao trabalho de abri-las. Não conte comigo para arrecadar um centavo por cada encaminhamento. Se depender de mim, fulano vai morrer. Tampouco tentem me convencer de que uma coisa maravilhosa e/ou superlegal vai aparecer na minha tela se eu enviar uma idiotice qualquer para outros 20 incautos da minha lista. Não perco meu tempo com essas bobagens, então, pare de perder o seu.

2 - Eu já cometi pequenos furtos. Já roubei um pacote de Baton de um supermercado em Feira de Santana, quando era moleque - tive até um comparsa na empreitada. Já roubei balas e chicletes. Já roubei até uma revista pornô, certa vez. Hoje sou um trintão escolado e sei que a excitação do furto não é nada, se comparada à humilhação de um possível flagrante.

3 – Chamem-me de perdulário ou insensível, mas, lugar de coisa velha, pra mim, é no lixo. Deus me livre de ter uma casa entulhada com velharias! Se me dei ao trabalho e ao gasto de comprar meus discos favoritos em CD, por que iria guardar os vinis? Detesto a idéia de uma estante cheia de enciclopédias e dicionários da décadas atrás, mofados e desatualizados, só pra ostentar "cultura". As únicas coisas que gosto de guardar são meus cds, dvds e gibis, mas, já dei ou vendi, a preço de banana, itens ou coleções que hoje devem valer uns bons cobres. Sabe aquelas famosas ampliações de fotos nossas quando bebês, que as mães orgulhosamente penduram na parede da sala? Na primeira oportunidade que tive, larguei a minha debaixo da maior chuva e, depois, pra secar e rasgar, sob o inclemente sol do oeste baiano. Depois, com a cara mais lavada, lamentei com minha mãe: "ô, que pena, estragou!".

4 - Não gosto quando alguém que eu mal conheço se pendura no meu pescoço e fica pulando feito cachorro abandonado quando o dono volta. Pode ficar alegre, mas, não precisa me babar todo. Gente que fala sem parar me dá impaciência e eu não fico contemporizando com frases do tipo, "nossa, como ela é comunicativa!", ou "ele é tão expansivo!". Se eu não posso dizer o que estou pensando ("pelo amor de Deus... cale a boca!"), vou aos poucos demonstrando desinteresse, até que o fulano se toque ou eu seja salvo por um telefonema. Se você me ouvir chamando uma criança de "meu benzinho", pode ter certeza: eu já estou prestes a meter-lhe um cascudo!

5 - Eu tenho a impressão de que todo mundo me sacaneia. Se minha fila está andando rápido, é quase certo que, quando minha vez estiver próxima, a caixa vai parar de atender para trocar a bobina de papel, o que costuma demorar e irritar. Nos caixas eletrônicos, as pessoas à minha frente têm sempre que tirar um extrato imenso e ficar analisando-o por longos instantes, até finalmente sacar o que precisam. Nas calçadas, as pessoas sempre tombam para o meu lado quando eu quero ultrapassá-las, fazendo-me recuar. Se eu estou com pressa, parece que todo mundo, ao mesmo tempo, resolve reduzir a marcha.

6 – Meus defeitos incluem graus moderados de auto-piedade, preguiça e gula. Minha inveja é do tipo saudável: eu não quero o que é seu, quero um igual pra mim! Meu senso crítico é afiado e já deve ter machucado muita gente por aí. Apesar destes desvios (no fundo, partes inerentes do meu charme), eu sempre fui uma espécie de conselheiro, um "irmão mais velho", pra grande parte de meus melhores amigos. Infelizmente, como não gosto de me expor na mesma proporção com que destrincho as almas de quem cai na minha mão, não tive tanto aconselhamento quanto talvez precisasse.

Superman & Batman 16

Superman & Batman 16

Superman & Batman (Loeb/McGuinness)
Este é o adeus de Jeph Loeb e Ed McGuinness à revista que ajudaram a alcançar o status de "blockbuster perpétuo", nas palavras da Wizard. Mesmo com tramas toscas intercaladas com alguns bons momentos, este título sempre esteve no Top 10 americano. Esta história começou até bem, mas, acabou cheia do pior dos quadrinhos: realidades alternativas, versões bizarras dos personagens e aquele papinho de "na verdade, nunca existiu". Só uma coisa é legal de verdade: a confissão de Mxyzptlk sobre a “verdadeira” inspiração para os Máximos. Nota 5,0.

Supergirl (Loeb/Churchill)
Quem esperava que Loeb largasse de vez o superosso, vai ter que esperar mais um pouco. Ele agora ataca de Supergirl e a coloca ao lado da SJA, para combater Solomon Grundy e descobrir que há algo muito estranho entre ela e Poderosa (calma, tarados, não é isso!). Divertidinha, mas, a gente podia passar sem essa, também. Mês que vem, ela tromba com os Titãs. Nota 7,0.

Arqueiro Verde (Winick/Fowler)
Em interligação com Vilões Unidos, o Arqueiro Verde e o Raio Negro caçam o Dr. Luz, que, por sua vez, caça Kimiyo Hoshi, a ex-Dra. Luz, da Liga da Justiça Internacional. Vilão e ex-heroína se enfrentam, ele leva a melhor e aproveita para mandar um recado para Ollie, mas, com a ajuda Sociedade Secreta de Supervilões. História legalzinha, desenhos ruins. Nota 7,0.

O Retorno de Donna Troy (Jimenez/Garcia-Lopez)
Desfeita a confusão na cabeça de Donna Troy, é hora de darem um nó na nossa. Novos Titãs e Renegados enfrentam os titãs mitológicos, que ainda pretendem atingir a glória com a ajuda de Donna - mas, como dizem por aí, é preciso ter cuidado com o que se deseja. Todas as vidas e histórias (passadas e possíveis) de Donna são brevemente lembradas, para termos o primeiro gancho levando diretamente à Crise Infinita. Melodramática e confusa. Nota 6,0.

Superman & Batman 16 (Outubro 2006) - Panini - 100 páginas - R$ 6,90

08/11/2006

U2 - Zoo TV Live From Sydney

Não é exagero dizer que este era o show do U2 mais aguardado pelos fãs em formato digital. Também, não era pra menos: a Zoo TV, turnê que promoveu os discos Achtung Baby (1991) e Zooropa (1993) foi uma das mais ambiciosas e impressionantes da história. Naqueles anos sem internet ao alcance de todos, era a TV o grande veículo de comunicação em massa. Sua influência, suas virtudes e perigos eram o mote da Zoo TV, uma homenagem e uma sacanagem, ao mesmo tempo.

O U2 dava um tempo nas bandeiras brancas e hinos grandiosos para falar de coisas mais terrenas, sem a obrigação de estar sempre dando puxões de orelha nos pobres mortais. Uma virada na imagem da banda que não apenas permitiu sua sobrevivência, mas, também, revelou ao mundo o insuspeito talento cômico de Bono Vox e sua trupe (vide os personagens criados para a turnê, como The Fly e McPhisto).

Competindo com o cenário e o contexto, estavam a música e o supremo deleite de ver sua banda favorita no auge, tocando com tesão e divertindo-se muito com aquilo tudo. Depois de quase trinta anos, ficar listando sucessos e virtudes do U2 é chover no molhado, embora eles também colecionem defeitos. Quero, então, aproveitar este post pra contar um pequeno causo sobre a aquisição deste DVD.

Eu me acostumei a comprar CDs e DVDs no Americanas.com. Quando me dei o sinal verde pra comprá-lo, ele custava R$ 69,90, vinte a menos do que o normal. Embora ainda caro, fiquei todo animado e imediatamente fiz uma simulação de frete, para obter o preço final. Qual não foi a minha surpresa, ao ver que o site tinha a audácia de querer me cobrar R$ 48,00 pelo frete de um produto tão leve quanto um DVD!

Quarenta e oito reais?
Sacanagem, pô! Que logística da zorra é essa? A embalagem seria pintada pelo Picasso? O pacote seria entregue em minha casa pelo próprio Bono? Me revoltei e passei a trocar e-mails indignados com o SAC das Americanas, que, claro, não tinha nenhuma boa explicação para o absurdo frete.

Mas, nada como um passeio virtual pelas lojas pra descobrir o melhor preço. Quase caí de costas quando vi que a modesta CD Point tinha a edição dupla da Zoo TV pelo mesmo preço da simples, bem mais camarada que o da major: R$ 56,42. Pra ficar ainda melhor, três opções de frete. Optei pela mais barata (R$ 6,40) e acabei pagando ainda menos do que o tal preço "com desconto" das Americanas!

Lição de cidadania de alto valor - ainda mais vinda de alguém que, em geral, não tem muita paciência para rondas, na hora das compras ao vivo: meninos e meninas, não se deixem explorar! Não comprem de lojas reais ou virtuais que tiram o seu couro! Pesquisem sempre!

Agora, dá licença, que a ex-mulher do The Edge tá rebolando toda faceira, dando sopa pro Bono, ao som de "Mysterious Ways"...

DC Especial 10


Como eu havia previsto, foi muito estranho ver Sue Dibny e Besouro Azul, vivos e engraçados, depois de ambos terem batido as botas em histórias publicadas anteriormente pela Panini (respectivamente, a minissérie Crise de Identidade e o especial Contagem Regressiva Para Crise Infinita), mais uma lambança para o já extenso anedotário da editora. É nesse tipo de incoerência que muito "estudo da situação" e muita "cautela" costuma resultar.

Neste DC Especial, continuação direta da minissérie Já Fomos a Liga da Justiça, publicada em 2004, Keith Giffen, J. M. de Matteis (ambos roteiristas) e Kevin Maguire (desenhista) honram a tradição de insanidade que os consagrou no fim dos anos 80. Pra quem já leu a LJI, as piadas soam previsíveis, mas, mesmo assim, dá pra rir de certas tiradas, como o surto de Mary Marvel após uma overdose de cafeína, a TPM de Sue (que chega a socar o nariz de um vilão regenerado) e as cafajestadas de Guy Gardner.

A história (ou melhor, a desculpa-mestra para a confusão toda) é mais ou menos assim: durante uma visita à SJA, o Gladiador Dourado acidentalmente manda os Superamiguinhos (até aquele momento, apenas ele, o Besouro, Homem-Elástico, Fogo e Mary Marvel) para o que parece ser o inferno. Lá, eles são condenados a trabalhar eternamente na lanchonete local. Os que ficaram de fora (Guy e Poderosa) procuram meios de chegar aos seus amigos e trazê-los de volta.

Como se vê, nada sério. Esta história em seis partes foi o último suspiro de uma idéia revolucionária que deu muito certo durante algum tempo, virou fórmula e, naturalmente, foi perdendo a graça com o tempo. Com essa onda nostálgica, ainda mostrou algum valor, mas, após as mortes do Besouro Azul e Sue Dibny (fora Maxwell Lord, que também já empacotou) e com o atual direcionamento sombrio da DC Comics, a Liga da Justiça cômica é apenas um souvenir de um passado menos carrancudo e mais divertido. Vai deixar mais saudade. Nota 8,5.

DC Especial 10: Não acredito que não é a Liga da Justiça - Panini - 148 páginas - R$ 14,90

Em defesa de Michael Jackson

É incrível, mas, já existe toda uma geração de pessoas que conhece Michael Jackson apenas como uma figura bizarra que, volta-e-meia, freqüenta o noticiário a bordo de escândalos sexuais e manias alienígenas, e não como um dos mais geniais nomes da música pop, um dos maiores vendedores de discos da história.

Quem o vê hoje, desmoralizado e falido, pode achar difícil acreditar que, um dia, ele tenha sido o virtual dono do mundo. Entre 1983 e 1985, poucos eram os garotos que não queriam personificar Michael Jackson, realizando o famoso moonwalk, aquele passo em que ele parece deslizar sobre o chão. Mas, seu talento não estava somente em seus pés mágicos, mas, também, em sua voz privilegiada com um dos timbres agudos mais característicos do pop. Thriller (1982) o colocou no topo, mas, antes, ele já havia sobrevivido ao fim do Jackson Five e vinha num crescendo de criatividade e sucesso que resultou em Off The Wall (1979), o último antes do megaestrelato.

Estes dois discos sintetizam o auge de Michael Jackson como artista solo. Anos antes, junto com os irmãos, ele já havia legado à música mundial itens preciosos, como "I Want You Back", "ABC", "Happy" e outras. Foi neste o período que teve início a série de cirurgias plásticas que o transformariam em outra pessoa - ou em outro ser, de acordo com o seu grau de espanto. Até Thriller, porém, tudo seguia na normalidade: um afinamento do grosso nariz aqui, um alisamento do pixaim ali...

A partir de Bad (1987), as mudanças ficaram mais profundas e assustadoras, e disseram até que Michael estava tentando tranformar-se em sua madrinha, Diana Ross (com quem, de fato, passou a ostentar uma incômoda semelhança). As polêmicas se acumulavam: os casamentos esdrúxulos, o nariz destruído pela sucessão de plásticas, a paternidade artificial e, por fim, as acusações de sedução de meninos, que lhe custaram a popularidade e a fortuna.

Apesar de um ou outro hit de alto impacto ("Black Or White", "Heal The World", You Are Not Alone"), estava mais do que claro que Michael não era mais o mesmo - e que isso pouco tinha a ver com o mero passar dos anos. De hitmaker inspirado, passou a cantor medíocre (a voz afinando-se em um fiapo de alcance cada vez menor) e ex-rico patético, sempre apelando a factóides chocantes para não ser esquecido.

Mesmo com todo o abuso de seu star power, dá uma certa pena ver o que Michael Jackson se tornou. Falando muito francamente mesmo, hoje ele não é mais nada: nem rico, nem talentoso, muito menos querido, invejado ou imitado (apesar de enxergarem um renascimento de seu estilo por meio de artistas como Justin Timberlake). É apenas alguém que teve o mundo em suas mãos e protagonizou uma das quedas, do céu ao chão, mais altas e tristes de que já se teve notícia.

Ficou, no entanto, o mais importante: a música. Deixando de lado a fase "mulher branca", que durou de Bad a Invincible (2002) e tudo que possa vir depois, o que temos é coisa fina, matéria-prima para a felicidade por três ou quatro minutos. Não há manhã de chuva que não vire um dia lindo com o pop perfeito do Jackson Five, nem festa flashback que se preze sem uma ou duas execuções de "Wanna Be Startin' Something" ou "Beat It". É esse o Michael que eu quero guardar.

03/11/2006

Us3 - Hand On The Torch

Tenho um amigo que descreve os anos 90 como "a década em que a melodia morreu". Apesar do exagero na afirmação, foram anos em que ninguém queria fazer música simples, era sempre preciso misturar isso com aquilo: MPB com eletrônica, rock com MPB, rap com rock e coisas assim.

Foi uma época de muita maletagem: de um lado, as "viúvas" dos anos 80 declarando a morte da música; do outro, a galera das raves com seu hedonismo quase sempre vazio; no meio disso tudo, tinha gente disposta a fazer música ao mesmo tempo divertida e inteligente. A galera do chamado acid jazz era parte desse povo. O gangsta rap dominava o mundo com os mal-comportados Dr. Dre e Snoop Doggy Dogg, mas, gente "do bem" como Guru, Pharcyde e Digable Planets decidiram mostrar ao mundo que o rap podia ser bem mais do que tiros, crack e vagabundas.

Um dos mais bem sucedidos na empreitada foi o Us3, caras que manjavam de rap e jazz como americanos, mas, eram ingleses. Hand On The Torch é uma pequena obra-prima que bebe na fonte do jazz da lendária gravadora Blue Note e foi lançada pela própria, uma deferência especialíssima, pra você ter idéia do que estamos falando aqui.

Entre 1993 e 1994, o hit "Cantaloop (Flip Fantasia)" só não foi ouvido por quem estava no ex-planeta Plutão. Um rap macio despejado por três MCs diferentes (Kobie Powell, Tukka Yoot e Rahsaan) sobre um swing de entortar quadris, cortesia dos produtores Geoff Wilkinson e Mel Simpson. Até a Xuxa se aproveitou dessa música até não poder mais.

Engana-se, porém, quem pensa que o Us3 fez as outras doze faixas como mera encheção de lingüiça para seu grande sucesso. Assim como outra obra-prima do gênero, Jazzmatazz Vol. 1, de Guru, este disco era pra ser ouvido de ponta a ponta, com um sorriso de uma orelha à outra. Caprichando nos samples de jazz, o Us3 oferecia aos ouvintes os mais variados ritmos, com ênfase na chamada "cozinha" (baixo e bateria): "the drum is the most important instrument", como explicado na latinidad de "Different Rhythms, Different People".

"Tukka Yoot's Riddim" tem um toast praticamente incompreensível e encontrar sua letra na net era, até pouco tempo atrás, um desafio e tanto. "Lazy Day" parece coisa de MC baiano, narrando a rotina de Kobie Powell, em meio a gatas interesseiras e uma mãe que implica com seu cabelo dread.

Ora mais leve e jazzy (como em "It's Like That" e "Make Tracks"), ora mais grave e sério, como pede o rap ("Just Another Brother", "The Darkside"), o Us3 casou dois mundos tão distintos e foram todos felizes para sempre - ou, pelo menos, enquanto a graça da mistura durou. O grupo ainda lançou mais discos que nem de longe alcançaram o sucesso e a inventividade de sua estréia. Se você tem, guarde com carinho. Se não tem, lamente e corrija esta injustiça consigo próprio.

Contagem Regressiva Para Crise Infinita 4


Projeto OMAC (Rucka/Saiz)
Depois de quase morrer pelas mãos do Superman, Batman é obrigado a confrontar o Irmão Olho, totalmente autônomo desde a morte de Maxwell Lord. O satélite-espião supremo elimina o Xeque-Mate (Sasha Bordeaux que se cuide) e dá início aos planos de erradicação dos meta-humanos imaginado por Lord. Mais um belo capítulo da melhor série da Contagem. Nota 9,5.

Dia de Vingança (Willingham/Justiniano)
Vamos deixar de lado o fato de esta série ter relevância próxima de zero dentro do contexto geral da Crise (pelo menos, até agora). Não dá pra negar que o Detetive Chimp (cuja origem é contada aqui) é uma figuraça, sempre com uma tirada esperta na ponta da língua, e que o combate entre o Capitão Marvel e o Espectro até que é legal. Mas, será que Magia vai dar conta de tanto poder sem se render ao "lado negro da Força"? Previsivelmente, não. Esqueça o tom grandioso ambicionado pelo evento e divirta-se. Nota 7,0.

Vilões Unidos (Simone/Eaglesham)
Após escapar de seus torturadores, os seis vilões renegados partem para um ataque mais direto contra a Sociedade de Vilões e vêm parar no Brasil. Além de libertar um herói cativo (ao qual ainda não tivemos o prazer de ser formalmente apresentados), eles descobrem o verdadeiro propósito na formação da Sociedade - algo que, se realizado, pode decretar o fim dos heróis - e Lince faz uma proposta indecorosa ao Homem-Gato. Série divertida, com muita ação e clichês bem utilizados. Nota 8,5.

Guerra Rann-Thanagar (Gibbons/Reis)
Preciso confessar: eu tenho um certo problema em engolir séries espaciais com dezenas de personagens e mil coisas acontecendo ao mesmo tempo. Mas, vá lá, guerras devem ser assim mesmo. Kyle Rayner e o Capitão Cometa tentam deter o demônio Onimar Synn, que se prepara para consumir (hm... comer?) quem sobrar da guerra entre os dois mundos. Enquanto isso, os Gaviões, Adam Strange e Komander pensam em como unificar os sobreviventes. Tá meio cansativo, isso. Nota 7,0.

Contagem Regressiva Para Crise Infinita 4 (Outubro 2006) - Panini - R$ 100 páginas em LWC - R$ 8,90

Batman 47

Pode ser por culpa da quase completa ausência de ligações com a Contagem Regressiva Para Crise Infinita, mas, hoje, a revista do Batman é a menos interessante da DC/Panini. Desde o fim de Jogos de Guerra, a revista tem carecido de emoções fortes e nem o retorno de Jason Todd (argh!) melhorou a situação, apesar de a chegada de Asa Noturna, na edição passada, ter sido bem-vinda.

Nas duas primeiras histórias, vemos Silêncio e o novo Cara-de-Barro (já a quinta geração do vilão!) juntos num plano para confundir Bruce Wayne, o que pode explicar os recentes lapsos de memória e o comportamento estranho do mordomo Alfred. A. J. Lieberman e Al Barrionuevo parecem estar querendo associar seu nome a Silêncio, mas, cá pra nós, não é bom negócio: ô vilãozinho ordinário, esse! Nota 7,0.

Cidade do Crime é a coisa mais sem-graça que já li desde A Morte e As Donzelas, aquela em que Ra's Al Ghul morreu (tá, eu acredito!), com o agravante de ter doze partes. A tal Corporação é um inimigo sem rosto, que mata as pessoas e as substitui por cópias mais altas. Que plano genial, né? Essa história me faz desejar nunca mais ver o nome de David Lapham nos créditos de qualquer coisa que eu venha a ler. Nota 3,0.

Devin Grayson, por outro lado, faz a lição de casa direitinho. Embora essa história do Asa Noturna não traga nenhum fato mais importante, a trama tem ação, pancadaria e um herói carismático infiltrado entre bandidos. Não é assim que uma boa história do Batman deveria ser? Como bônus, a arte de Phil Hester, lembrando sua memorável passagem no Arqueiro Verde. Nota 8,0.

Batman 47 (Outubro 2006) - Panini - 100 páginas - R$ 6,90