31/03/2007

Grandes Astros - Batman & Robin 3

Grandes Astros - Batman & Robin 3

Se você, como eu, vinha gostando deste gibi, pode começar a ficar preocupado: a coisa degringola um bocado nesta terceira edição.

O primeiro problema é com a história em si. Nesta revisão do bat-universo, o surgimento do Batman teria inspirado não a Selina Kyle, mas a Dinah Lance, transformada numa imigrante irlandesa que trabalha num boteco infecto, chamado Canário Negro (ganha um doce quem adivinhar o nome que ela vai adotar!). Frank Miller usa e abusa de já surrados clichês sobre a vida noturna de Gotham e de descrições detalhadas de ferimentos e secreções que parecem feder um bocado.

15 das escassas 20 páginas de quadrinhos da revista ocupam-se exclusivamente das cantadas baratas que Dinah recebe e da pancadaria que rola quando um metido a gostosão põe a mão onde não deve. Nas cinco restantes, Batman e Dick Grayson ainda estão no Batmóvel, de onde não saíram desde a metade do número 1, e ainda sem chegar a lugar algum!

O outro problema é a arte de Jim Lee. Não, ele não desenha mal e vinha se esforçando direitinho em "incorporar" um Frank Miller rápido, mas, é claro que seu estilo "certinho" não combina em tudo com a habitualmente exagerada violência das histórias do escritor. Na verdade, parece que Lee se ressentiu da falta de uma história que o empolgasse. Mas, vendo a tenebrosa capa alternativa feita por Miller, na última página, fica claro que tudo poderia ser bem pior.

Quem sabe a participação do furioso Superman, na próxima edição, traga um novo ânimo à série, pois este capítulo foi um tremendo ponto baixo. Nota 5,0.

Grandes Astros - Batman & Robin 3 (Março 2007) - Panini - 28 páginas - R$ 3,90

Bizz 212

Bizz 212

Lançada antes do fim de março, a edição de abril da Bizz apresenta novo e bonito projeto gráfico, com novas seções e velhas conhecidas com novos nomes. As cotações de CDs, DVDs, livros, filmes e games continuam sendo feitas com as tradicionais carinhas, e a Bolsa de Discos é ressuscitada com notas numéricas. Nesta edição, LCD Soundsystem nas cabeças e Timbalada na rabeira. A Replay apresenta os históricos (e antes inéditos em CD) discos psicodélicos de Ronnie Von. O Guia de Compras agora traz destacados os altos e baixos do artista enfocado - aqui, o Aerosmith (urgh!).

A coluna Pense Conosco traz agora quatro artigos, de quatro colaboradores diferentes: um deles é André Forastieri, que recentemente escreveu à revista reclamando de uma suposta "bunda-molice" desta, mas, se derrete todo de amores em seu retorno; Ronaldo Lemos (diretor da Creative Commons no Brasil) fala de uma inusitada experiência de administração política virtual, em andamento numa pequena ilha do Pacífico; Ruy Goiaba (do blog Pura Goiaba) compara, com toda a propriedade, o rock à reciclagem de lixo; e Ana Maria Bahiana fala do imediatismo e da falta de grandes ambições que tomou conta da música, bem como da vida das pessoas, com o toque humanístico que sempre encanta em seus textos.

As reportagens estão bacanas. A de capa, sobre o programa Ídolos, do SBT, já nos dá uma noção do que esperar: um programa divertido de se ver, mas, que não se pode levar a sério como celeiro musical. É um freak show, mesmo. Já a entrevista do produtor Miranda é bem interessante. O cara nem sempre acerta, mas, pelo menos, tem iniciativa e boas idéias - além de não se deixar levar pelo lado "Caras" que a súbita fama trouxe no pacote. Completam a pauta o processo de criação do clássico Cabeça Dinossauro, dos Titãs, matérias sobre o Velvet Revolver, o duo francês Air e os hypados Arctic Monkeys.

Quase todas as seções trazem lembretes de conteúdo acessível pelo site da revista. Mais abrangente e mais bonita (apesar da capa de gosto meio duvidoso), a Bizz dá outro belo passo na sua reafirmação como a maior revista de música do país - e que me desculpe quem prefere a Rolling Stone, mas, a ela ainda falta... sei lá. Falta Sazón, eu acho! A Bizz é coisa nossa.

Em tempo: a edição de maio chega em 26/04.

26/03/2007

Grandes Astros - Superman 3

Grandes Astros - Superman 3

Estamos acostumados a pensar que não se melhora o que já nasceu perfeito, mas, estamos enganados. Pelo menos, quando se trata de Grant Morrison e deste gibi. O quanto esta história continuará crescendo em qualidade?

Junto com um uniforme, Superman deu a Lois Lane uma poção que sintetiza seus poderes durante 24 horas. A repórter, naturalmente, se esbalda com o presente, e passa a ter sua atenção disputada por dois outros superseres, os viajantes do tempo Sansão e Atlas (alguém aí se lembra de já tê-los visto antes?). Os dois propõem a Superman um desafio de força para saber quem terá direito a passar o dia com Lois.

As coisas saem do controle quando uma entidade egípcia, em busca de uma jóia roubada pelos dois fortões, põe em risco a vida de Lois Lane. Para salvá-la, Superman precisa decifrar um enigma conhecido como "a pergunta sem resposta", e o mais legal é a gente sacar, na última página, de onde veio a inspiração do heróis para a resposta - mais uma daquelas nerdices que só Morrison (e, quem sabe, Mark Millar) poderia conceber!

Cenas divertidas, como a queda de braço do Superman com Sansão e Atlas ao mesmo tempo, e emocionantes, como o beijo entre herói e mocinha na Lua, vão se acumulando numa série na qual a criatividade de Morrison e o talento de Frank Quitely se apresentam na sua melhor forma - pelo menos, até a próxima obra.

Esta edição é tão boa, mas tão boa, que quase ganhou de mim a nota 11, até hoje exclusiva do encadernado de Reino do Amanhã. Pensando melhor, é cedo para tanto. Melhor guardá-la para coroar a última edição. Nota 10.

Grandes Astros - Superman 3 (Março 2007) - Panini - 28 páginas - R$ 3,90

22/03/2007

Batman 51

Batman 51

A melhor edição de Batman dos últimos meses. Nestes tempos de vacas magras, isto pode não significar muita coisa, mas, já é um alento. Ainda bem que não é outra capa do Claudio Castellini! Vamos lá!

“Só o que fazem é nos assistir matar” (Winick/Mahnke)
Ao invés de deixar a Sociedade dar cabo do Capuz Vermelho, o Máscara Negra decide juntar-se a ele, mas, como se sabe, não há honra entre bandidos. Rola uma briga federal entre os dois e o desfecho é trágico – definitivo, desta vez? O Batman de Judd Winick é um filme-pipoca de ação, melhorado pelos desenhos de Doug Mahnke. Nota 9,0.

“Vítimas” (McCarthy/Chiang)
Szasz pensava ter matado Alfred, mas, marcou-se à toa: o velho é duro na queda. Agora, o doido quer terminar o serviço. Claro que Batman não vai deixar isso acontecer assim, na maior. Perseguições pelas ruas e embaixo delas, com um final britanicamente irônico do mordomo, que se dá um belo presente – com o dinheiro do patrão, claro! Divertida. Nota 7,5.

Asa Noturna (Grayson/Hester/Chiang)
O Asa ocupa metade da revista, forçado pelo Exterminador a treinar sua filha Rose, a Devastadora. Para convencer Slade de que não é mais um cara bonzinho, ele adota um uniforme vermelho ridículo e tenta domar o jeitão “Jason Todd” da menina e ensiná-la as manhas de detetive. As histórias de Devin Grayson vinham perdendo qualidade e agora parecem estar totalmente sem rumo. Nota 5,0.

Batman 51 (Fevereiro 2007) – Panini – 100 páginas – R$ 6,90

Superman 51

Superman 51

Entre todas as edições da DC em fevereiro, a revista do Superman foi a única que piorou, ao invés de melhorar. Para piorar, spoilers da Crise Infinita – e que capa sem graça, essa, hein?

“Olhem... Lá no céu!” (Rucka/Horie)
Entregando um fato relevante de Crise Infinita 4, Blüdhaven é destruída pelo gigantesco e radioativo Chemo. Narrada como uma reportagem de Lois Lane, é daquelas histórias que buscam humanizar o Superman e outros heróis. É bonita, mas, nada muito especial. Histórias assim já são clichês nos supertítulos. Nota 7,0.

“Medo de Dormir” (Simone/Byrne)
Superman enfrenta lendárias criaturas kryptonianas e Lois Lane tenta sobreviver a um colega e admirador psicótico. É a Rainha das Fábulas de volta, muito afim de ganhar o herói. Interessante vê-la como uma feminista mal-amada. Simone engana bem em Action Comics, mas, pisa feio na próxima história... Nota 6,5.

“Loucura Contagiante” (Simone/Byrne)
Pois é, eu dizia que Gail Simone engana bem, mas, esta história é bocó demais, outra daquelas em que uma nerd revoltadinha ganha poderes (elétricos, clichê do clichê) e parte para cima do Super, com um discurso pseudo-engraçado. Podíamos passar sem essa. Nem Byrne salva. Nota 3,0.

“Para Ser Um Herói” (Verheiden/Benes)
Jimmy Olsen está a bordo de um avião de combate a incêndios, atacado por Chama e outros vilões esquentadinhos. Tudo começa e acaba sem muita razão de ser – igualzinho a esta fraca história de Verheiden, perfeitamente dispensável. Algo me incomoda no estilo de Benes: seus personagens, além de terem um olhar vazio, praticamente não abrem a boca, estão em eterna “cara de foto”! Nota 5,0.

Superman 51 (Fevereiro 2007) – Panini – 100 páginas – R$ 6,90.

20/03/2007

Rapidinhas

Rapidinhas

>> A Bizz 212 chega às bancas nesta quinta-feira. É a edição de abril, inaugurando novo projeto gráfico e novas seções. Na capa, o produtor musical e jurado do programa Ídolos, Carlos Eduardo Miranda. Naquele antro de "gênios" que é a comunidade da Bizz no Orkut, há quem diga que "quem lê a Bizz não vê Ídolos, e quem vê Ídolos não lê a Bizz". Não é verdade. Eu leio a Bizz e vejo Ídolos - não por ter esperança de que saia dali algum artista relevante, mas, por diversão mesmo. Se a capa servir para atrair novos leitores (o que é bem possível), ótimo. Será que agora rola assinatura?

>> O que não dá mesmo pra agüentar no programa é o produto final. Onde está Leandro Lopes, o tal "novo ídolo do Brasil"? Está vivendo um estrelato de araque, resumido a programas de auditório sem audiência e rádios popularescas. E olha que ele tinha carisma de verdade! Infelizmente, com aquele tipo de música, não dá. Aliás, parece haver uma maldição que impede o progresso dos cantores surgidos em programas assim: Vanessa Jackson, Marcos Vinícius, Fábio Souza, o "anjo" Robson... cadê essa gente? Ei, é só curiosidade, não precisam voltar, queridos!

>> Nova revista mensal DC/Panini a partir do mês que vem: Batman Extra terá edição de estréia com 124 páginas, trazendo a verdade por trás da ressurreição de Jason Todd. O restante do mix ainda não foi divulgado. Um sétimo título mensal deve surgir ao fim da Crise Infinita, muito provavelmente provocando profundas reformulçaões nos mixes atuais. Porquinhos, tremei!

19/03/2007

Marvel Millennium 62

Marvel Millennium 62

Galera marvete do Brasil, regozijai-vos! Ainda há espaço para a Casa das Idéias neste blog, apesar de o excesso de trabalho estar impedindo o Mestre Chang de postar reviews sobre os títulos que lê. Por isso, assumo a tarefa de avaliar MMHA 62. Vamos lá!

Homem-Aranha (Bendis/Bagley)
Depois de quase ter sua identidade exposta, Peter decide contar a verdade à sua Tia May, mas, mal ele começa e a reação dela está bem longe do que ele pretendia. Como se fosse pouco, Silver Sable retorna e consegue capturá-lo, e finalmente entendemos o interesse de Donald Roxxon pelo Aranha. São duas histórias que poderiam ser apenas uma, com uma rápida e divertida ponta de Kitty Pryde. Não é ruim como nos últimos meses, mas, o melhor momento deste título já ficou para trás há umas 30 edições. Nota 7,0.

X-Men (Kirkman/Raney)
Estréia de Robert Kirkman e retorno de Tom Raney! É dia de folga para os X-Men: Bobby e Vampira ficam em casa, Tempestade e Wolverine disputam quem é o melhor em sinuca, Jean Grey e Ciclope vão pegar um cineminha, Colossus e Noturno visitam Cristal e Xavier tem um encontro com... a Imperatriz Lilandra! Mas, a versão Ultimate da personagem está beeem distante da original. Kirkman chegou bem, fazendo Jean colocar Scott contra a parede e brincando com o preconceito de Noturno em relação a Colossus. Tom Raney é sempre bom. Nota 8,5.

Os Supremos (Millar/Hitch)
Em junho, esta série chegará ao fim. Caso a Panini seja boazinha o suficiente para, até lá, anunciar encadernados com as duas sagas do Supremos, provavelmente deixarei de comprar esta revista. Tudo mais nela é mero acessório para estas histórias. A melhor HQ mainstream da atualidade (um pilar de inteligência num meio não raramente descerebrado) tem mais um capítulo irretocável e eu só lamento que tenha se passado mais um mês sem ver Thor em ação. Libertos, os Supremos preparam-se para contra-atacar os Libertadores, enquanto um certo monstrengo cinza, sumido desde os primeiros capítulos, retorna com tudo! Nota 10.

Há quem tenha esperança no trabalho de Jeph Loeb, Joe Madureira e Ed McGuinness, mas, na minha humilde opinião, eles vão transformar o gibi mais bacana do planeta em um mangá recheado de piadinhas infantis e realidades paralelas. Melhor deixar isso de lado e manter a boa impressão de hoje.

Marvel Millennium 62 (Fev/07) – Panini – 100 páginas – R$ 6,90

17/03/2007

Bizz 211

Bizz 211


A primeira coisa que se nota nesta edição da Bizz é a beleza da capa. Musicalmente falando, o Evanescence é um estrume, mas, não dá pra não elogiar a plasticidade do trabalho.

Poucas páginas à frente, o que chama a atenção é o editorial ressentido, direcionado obviamente à Rolling Stone e aparentemente a Ivete Sangalo, por não concordar em estrelar uma matéria na qual não pudesse dar pitacos. O editor Ricardo Alexandre, porém, peca ao afirmar, infantilmente, que ela vive pendurada no sucesso de quando era novinha. Ele não ouve rádio? Méritos musicais à parte, Ivete sempre emplaca uma ou duas no Top 10 de todos os anos, desde que começou sua carreira solo.

A matéria com o Evanescence é bem feitinha e é completada por um "dossiê" sobre a cena gótica. Não vai mudar meu gosto musical, mas, é leitura interessante. A entrevista com Fatboy Slim foi surpreendente, mas, pela superficialidade. Bem melhores são a reportagem sobre as bandas clássicas que ensaiam retornos e a hilariante seleção de 12 Músicas que não entendem nada do Brasil.

O fino da revista continua sendo a seção de lançamentos. Não sei se todo mundo percebeu, mas, a revista veio mais magrinha (76 páginas, contra as 84 habituais). Agora, me digam, menção honrosa em três capas seguidas não é demais para esses tais de Klaxons? Parece falta de assunto, eu hein...

15/03/2007

Limpeza nos links

Limpeza nos links

Pedimos desculpas aos leitores que possam estar sentindo falta de seus blogs entre os links à direita, mas, links para blogs que não são atualizados não servem para muita coisa. Portanto, promovemos uma limpeza, tirando os blogs inativos da relação. Aos indignados com sua eliminação, é só deixar recado falando que tem novidade e tudo volta ao normal. Abraço a todos.

Crise Infinita 2 e 3

Crise Infinita 2 e 3

Depois de uma edição de estréia ligeiramente confusa, a Crise, afinal, mostra a que veio. Não que isso seja necessariamente um alívio, já que, ao que parece, a intenção é trazer de volta a bagunça do Multiverso, extinto ao fim da Crise de 20 anos atrás. Não que vá fazer tanta diferença assim, afinal, só o xexelento do Jeph Loeb já havia bagunçado tantas vezes com este conceito, que nem lembrávamos mais que o universo DC havia sido unificado.

Na segunda edição da série, o assunto mais importante é o esclarecimento da origem da Poderosa: ela é, afinal, a prima daquele Superman coroa, que deixou o universo quando a primeira Crise acabou, junto com o Lex Luthor da Terra 3 e o Superboy Primordial. O problema é o motivo por trás do retorno dos três.

É uma teoria interessante: os rumos da Terra estariam se deteriorando (por exemplo, com a morte do Superman, o aleijamento do Batman, a morte de Sue Dibny e a lavagem cerebral do Dr. Luz) porque esta, simplesmente, não é a Terra "certa", aquela que deveria ter sido salva da Crise. O plano deles é devolver à antiga Terra 2, ou Terra Paralela, a condição de mundo "titular".

Na terceira edição, vemos a explicação dos planos do falso Lex Luthor que comanda a Sociedade, que acaba se voltando contra o Adão Negro. O destino de Themyscira, a Ilha Paraíso, sob pesado ataque dos OMACs, é outro destaque. Se depois de matar Max Lord a Mulher-Maravilha se sentia só, esse sentimento será bastante agravado com a decisão das amazonas.

O final traz uma imagem que remete diretamente à primeira Crise, com a bem ilustrada razão de a Sociedade manter vivos alguns superseres, como J'Onn J'Onzz, Poderosa e Adão Negro. Longe da ruindade alardeada na internet, a série alcança o seu ápice na próxima edição. Geoff Johns pode não ter o brilhantismo ou o ineditismo da idéia de Marv Wolfman, mas, escreve bem e conta com um artista eficiente, Phil Jimenez, em dias bastante felizes. Nota 8,0.

Crise Infinita 2 e 3 - Panini - 44 páginas cada - R$ 5,90 cada.

13/03/2007

Setorizadas Problemáticas

Setorizadas Problemáticas

DC Apresenta 1

Sinceramente, fiquei decepcionado com esta revista. Se você leu Crise Infinita 2, já sabe tudo que precisava saber sobre a Poderosa. Esta aqui não traz nada realmente relevante ao assunto. Ao tentar colocar ordem na origem da peituda, Geoff Johns confundiu mais do que explicou e, apesar de divertida, esta história é uma bola fora, com idas e vindas temporais que lembram os piores momentos de Jeph Loeb. A certa altura, ficamos cansados da lenga-lenga de "quem sou eu e qual é o meu lugar?". Uma pena. Nota 6,0.


DC Especial 11

Anunciada em setembro do ano passado, datada de novembro e só agora disponível nas áreas setorizadas, esta revista bateu recordes de atraso. O terceiro volume das aventuras dos policiais de Gotham é mais uma coletânea de histórias impecavelmente escritas por Greg Rucka e Ed Brubaker e desenhadas por Michael Lark. São duas histórias. Na primeira, o Coringa aterroriza a cidade às vésperas do Natal e simplesmente se entrega em seguida. Fácil? Vai sonhando! Na segunda, um assassinato de solução aparentemente fácil revela-se muito mais complicado que o esperado. Nota 9,0.


Grandes Clássicos DC 9

Apenas por conter "A Piada Mortal", esta revista compensa com sobras o alto preço de capa (R$ 36,90), mas, há outros bons momentos, como as clássicas "O que aconteceu ao Homem de Aço?" e "Para o homem que tem tudo", além da interessantíssima "A linha da selva", juntando o Superman e o Monstro do Pântano. As outras, estrelando o Arqueiro Verde, a Tropa dos Lanternas Verdes, Ômega Men e Vigilante, envelheceram mal e não justificam a fama de gênio de Alan Moore. Nota 8,0.

10/03/2007

Hm... Debate, é?

Hm... Debate, é?

Dia desses, meu amigo Ronaldo Jr. me pediu que escrevesse sobre a proposta de redução da maioridade penal para 16 anos, debate reacendido após a morte do menino João Hélio, no mês passado, hoje já devidamente reapagado. Na hora, pareceu boa idéia, mas, depois, me peguei pensando se valia a pena.

Tudo bem que, vez por outra, eu e/ou o Chang cutucamos alguma onça grande, com vara razoavelmente curta, só pra ver (e mostrar) o que se passa na cabeça da galera que, como nós, se liga muito em cultura pop - gente acusada, com certa freqüência, de alienação. O problema é que, para escrever sobre temas polêmicos, como política e criminalidade, é difícil escapar de uma certa "indignação de boutique", que nos faz cuspir uma quantidade indescritível de lugares-comuns, citando dados e fatos pra lá de conhecidos, ou oferecendo aquelas soluções geniais, nas quais ninguém, exceto você, havia pensado antes.

Junte-se a isso o fato de que falar mal do governo, além de ser o esporte favorito de nove entre dez brasileiros, já equivale a chutar cachorro morto. As coisas estão acontecendo o tempo inteiro, evoluindo em freqüência e gravidade, e nossos ineptos representantes políticos parecem viver em uma dimensão paralela.

Nesta hora, a tentação que nos sobrevém é a de dizer que a culpa é nossa, que somos passivos, acomodados, escolhemos mal em quem votamos e não temos o espírito aguerrido e reivindicador de outros povos, como os chilenos, os franceses... Pois é. O problema é que dizer isso, também, já virou clichê! Ficamos todos parecendo umas tias velhas, reclamando de tudo e de todos (inclusive de nós mesmos) e, como sempre... nada acontece.

Vão pôr a culpa do estado das coisas na Globo, no Bush, no McDonald's, no Big Brother, nas novelas, na Coca-Cola, no aspartame - e nada vai mudar. Acho que precisamos descobrir novas formas de demonstrar nosso descontentamento, já que não gostamos de marchar, de fazer vigília ostensiva, ou de enfrentar a polícia. Não há nada que canse mais o brasileiro médio do que a discussão política. A indignação existe, mas, ainda não encontramos um meio, adaptado ao nosso DNA, para expressá-la.

Por isso, não foi nenhuma surpresa ver que, mesmo diante de uma atrocidade inominável como a que se abateu sobre o pobre João Hélio, a mídia e o povo tenham deixado tudo em segundo plano para fazer festa, quando era muito mais o caso de declarar luto nacional e tomar uma providência que, de tanto tardar, há de nunca chegar. Também, quem mandou esse João morrer justo em cima do carnaval?

Então, só para registro, Ronaldo: sou a favor da redução da maioridade penal, sim. Não para 16 anos, como proposto, mas, para 12, idade em que qualquer um sabe muito bem o que é certo e o que é errado. A maioridade penal deve ter início no primeiro momento em que se pega uma arma para intimidar, roubar ou matar. Ponto.

Mas, a pergunta que não quer calar é: quem será que vai ganhar o Big Brother, hein?

05/03/2007

Grandes Astros - Superman 2

Grandes Astros - Superman 2

Clark Kent revela a Lois Lane que é o Superman - mas, depois de anos tentando à toa provar o mesmo, ela já não acredita ele esteja falando a sério. Para piorar sua desconfiança, o Superman reluta em contar-lhe que está morrendo, além de esconder um outro grande segredo...

Durante a visita de Lois e Clark à Fortaleza da Solidão, Grant Morrison retoma suas habituais pirações - por exemplo, na razão de ele ter trocado aquela chave gigantesca por uma que cabe no seu bolso, e no devorador de sóis que mantém como um bicho de estimação.

O presente que Clark deseja dar a Lois pelo seu aniversário é o chamariz da próxima edição - algo de que o Superman espera não se arrepender. Deve render, no mínimo, umas boas risadas; ou uma experiência completamente nova e inesquecível para a destemida repórter.

Dizer que Quitely continua genial é chover no molhado. Reclamo apenas da ausência de Lex Luthor - mas, dê-se o desconto de ser este um capítulo predominantemente romântico, espécie de calmaria antes da tempestade. A série segue entusiasmando e nos fazendo sonhar com Morrison no título mensal do Super. Nota 10.

Grandes Astros - Superman 2 - Panini - 28 páginas - R$ 3,90

Grandes Astros - Batman & Robin 2

Grandes Astros - Batman & Robin 2

Depois de tirar Dick Grayson das mãos de policiais que queriam matá-lo, Batman tenta convencer o garoto a ser seu parceiro na luta contra o crime. O problema é que o precipitado Batman não sabe exatamente como dobrar a forte resistência do garoto.

Frank Miller trouxe para a série uma agradável mudança na personalidade do Batman: ele é o temível Cavaleiro das Trevas e sabe que todo mundo (ou quase) se borra só de vê-lo, mas, a empolgação de seus primeiros anos de atividade o faz tomar atitudes impensadas. Basta ver seu juvenil entusiasmo com os recursos do Batmóvel e as broncas que ele dá em Dick, na esperança de fazê-lo temer e respeitar sua figura. Seu sarcasmo e indelicadeza pouco lembram o sisudo e praticamente infalível detetive de hoje em dia. Parece que só Miller lembrou-se que era seu início de carreira - por isso, penso, houve tantas críticas.

A mão de Miller se faz sentir até mesmo no trabalho de Jim Lee: tá na cara que o japa trabalhou em cima de storyboards do próprio escritor - o que fez um bem danado ao seu desempenho. Longe da egolatria desmedida de coisas como Silêncio e Pelo Amanhã, Lee trabalha para a história e não o contrário.

Este "sargento Batman" que fala entre os dentes, canastrão até a medula, certamente não há de agradar a todos, mas, admito que estou curtindo. Melhor ainda, Dick continua um garoto - sério e concentrado, mas, ainda um garoto. Não é nenhuma obra-prima, mas, é bem melhor que DK2. Nota 7,5.

Grandes Astros - Batman & Robin 2 - Panini - 28 páginas - R$ 3,90.

Gente fina, elegante e sincera!

Gente fina, elegante e sincera!

Se tem uma coisa para que serve a Bizz, especialmente para quem não tem tempo de ficar fuçando o MySpace e semelhantes, é para apontar novos nomes legais que surgem na música - e nisso, ela dá um banho na Rolling Stone.

Nas últimas edições, muita coisa legal foi avaliada e recomendada. Aqui estão cinco faixas que pincei da net e andam fazendo a festa no meu playlist. Faça seu P2P trabalhar já!

Amy Winehouse - "Rehab"
Esquecendo o fato de que ela tem um comportamento absolutamente rock 'n' roll - com direito a escândalos e bebedeiras - sobram a música suingada e a voz poderosa, uma revisão da soul music que faria Macy Gray ter vontade de cortar os pulsos. Seus problemas com álcool estão devidamente dissecadas nesta faixa superlegal.

Spanky Wilson - "You"
Outra neo-diva do soul, que canta e grava como antigamente, fazendo sua música soar como os melhores clássicos. Esta tem uma metaleira infernal para acompanhar a voz límpida de Spanky, cujo apelido vem do tempo em que tomava uns tabefes do pai.

Phoenix - "If I Ever Feel Better"
Simples assim: esta é uma das bandas mais legais em atividade - e, apesar do nome, eles são da França! Pop eletroacústico inteligente e altamente assobiável, para fazer corar americanos e ingleses.

Isobel Campbell & Mark Lanegan - "Honey Child, What Can I Do?"
A ex-Belle & Sebastian e o ex-Screaming Trees, parceiros improváveis, juntaram-se para um inesperado disco inteiro de country music, Ballad Of The Broken Seas. Ternura adulta e poeirenta, com belas cordas.

Whiskeytown - "Excuse Me While I Break My Own Heart Tonight"
Esta não esteve indicada na Bizz recentemente, mas, relendo a crítica ao disco Strangers Almanac, de 1997, fiquei com uma vontade danada de ouvir isso - e é ótimo! Para quem curte Wilco, Wallflowers e congêneres.